Governo busca reforçar discurso contra escala 6×1 e ampliar debate sobre jornada reduzida
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu alterar a jornada de trabalho dos funcionários terceirizados que atuam no Palácio do Planalto, adotando oficialmente a escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso. A medida, anunciada nesta terça-feira, 23, beneficia trabalhadores das áreas de limpeza, copa e jardinagem e foi acertada com as empresas responsáveis pelos contratos.
Com a mudança, os terceirizados deixam de trabalhar aos fins de semana e passam a ter folga garantida aos sábados e domingos. O anúncio foi feito nas redes sociais do governo federal, que apresentou a iniciativa como um avanço concreto na valorização do tempo de descanso e da convivência familiar.
Em vídeo publicado no Instagram, a comunicação do Planalto ressalta o simbolismo da decisão. “O sábado agora é dia de descanso, de casa, de aproveitar a vida e a família. Essa comemoração ainda não é de todo o Brasil. Mas pode e tem que ser em breve”, diz a mensagem divulgada pelo governo.
A adoção da escala 5×2 ocorre em meio ao fortalecimento do debate nacional sobre o fim do regime 6×1, que vem ganhando espaço no campo progressista e deve ocupar lugar central na disputa política de 2026. Segundo a Forum, a pauta começou a ganhar projeção a partir do PSOL e da atuação de Rick Azevedo, eleito vereador no Rio de Janeiro com o tema como eixo central de campanha.
No Congresso, a proposta passou a contar também com o apoio da deputada federal Érika Hilton, ampliando sua visibilidade política. O governo Lula incorporou o debate mais recentemente, mas tem rebatido a crítica de que teria chegado atrasado à discussão sobre a reorganização da jornada de trabalho no país.
No início de dezembro, o Senado Federal autorizou a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da mudança no regime de trabalho. O texto prevê a redução da carga semanal de 44 para 36 horas, mantém o limite de oito horas diárias e permite a organização do expediente em até cinco dias por semana, sem redução de salários.
O contraste com a era Bolsonaro
O debate atual caminha em direção contraria ao caminho adotado durante o governo Jair Bolsonaro.
Em 2021, com apoio decisivo do Centrão, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1.045, apresentada sob o argumento de enfrentar os efeitos econômicos da pandemia, mas que acabou se tornando uma minirreforma trabalhista.
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