Sejamos francos, o cardápio do clã Bolsonaro é um bate-entope ao molho de escândalos, chamado Flavio Bolsonaro.
Quando Damares fala que ainda está com o pré-candidato Flavio Bolsonaro, sinaliza, melhor dizendo, escancara que só está egolindo essa massaroca por honrar seu pai, o indigesto, Jair Bolsonaro.
Na verdade, ela deixa claro que engole sapo, mas o bicho deixa o gosto amargo na boca.
Há um claro sinal trocado de Damares em relação a Flavio, e não me venham dizer que uma família que briga em público, é forma de carinho. O clã ainda é um fardo pesado de carregar não só para Damares.
O discurso oficial “estamos juntos”, na prática, mostra que cada um está em lives diferentes, ou melhor, cada um aponta para uma direção diferente, para onde o nariz manda.
É uma espécie de manual de instrução faltando páginas, Não há roteiro, o que há, cada vez mais, é especulação, se o candidato será mesmo Flavio ou Michelle, e é aí que Damares estaciona o seu apoio a Flavio de forma protocolar, “ainda estou com o pré-candidato Flavio Bolsonaro”, deixando claro que está a dois passos de tirar o pé de um barco e seguir com o outro pé na canoa de Michelle para, depois, ver quem traiu quem.
Sim, é uma briga tão doméstica que nem precisa de adversário, mesmo Bolsonaro dizendo que o 01 do clã é seu herdeiro oficial. Mas pelo visto, nas palavras de Damares, não existe cadeira cativa. Na verdade, é uma cadeira que pode mudar, de estalão, se alguém da família, como Michelle, discordar.
Dizem as más línguas que a política do clã anda assim, amor em público e, no bastidor, faca nas costas.
Por isso Damares foi clara ao afirmar, com outras palavras, que está unida a Flavio até a página 2. mas deixou claro que tirou o tapete vermelho do irmãozão de Vorcaro, e que, na sequência, estendeu para Michelle.
Todavia, cinicamente, sapeca o ramerrão, “meu candidato ainda é Flavio Bolsonaro”. Mesmo detonando a campanha dele sem rodeios.
Ou seja, nessa eleição ainda não tem nada definido, sobretudo a candidatura verdadeiramente oficial do bolsonarismo.
Fora das manchetes, quem compara os processos, acha que Michelle é a favorita, mesmo em silêncio. Esse é o nome do atalho, por mais que a base chore junto com Flavio. Mas ele não tem torque, e o pior, tem muita lama que será despejada contra ele no momento certo, dizem muitos que estão mais próximos ao sujeito, mesmo que na oposição.
O fato é que Damares não dá ponto sem nó e revela que o que ela pensa hoje sobre o candidato de Bolsonaro não tem prazo de validade, pode mudar amanhã.
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