Por que a mídia não cobra de Flávio Bolsonaro os documentos do Dark Horse, e de seu vice, o DNA?

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Há perguntas que deveriam estar no centro de qualquer campanha presidencial. Não porque sejam convenientes para um lado político, mas porque dizem respeito à transparência que se espera de quem pretende comandar o país.

No caso de Flávio Bolsonaro, a pergunta é simples: onde estão os documentos que comprovem, de forma clara e verificável, a origem, a movimentação e a destinação dos recursos relacionados ao filme Dark Horse?

O próprio Flávio confirmou que procurou Daniel Vorcaro para tratar de financiamento do projeto. As conversas divulgadas indicaram a negociação de valores que poderiam chegar a R$ 134 milhões, enquanto reportagens apontaram o pagamento de R$ 61 milhões. Ao mesmo tempo, a produtora declarou que o filme teria apenas investimentos estrangeiros e que os recursos de Vorcaro não teriam sido destinados à produção.

É justamente aí que a imprensa deveria apertar o cerco jornalístico: se não há nada a esconder, que apareçam os contratos, comprovantes, notas, registros bancários e documentos capazes de explicar o caminho do dinheiro.

Não basta dizer que se tratava de dinheiro privado. Dinheiro privado também precisa ter origem e destino identificáveis quando está relacionado a uma operação que envolve um candidato à Presidência, um banqueiro posteriormente envolvido em uma gigantesca crise financeira e um projeto que se tornou objeto de questionamentos eleitorais. O próprio TSE recebeu representação pedindo a apresentação de documentos relacionados ao financiamento, produção e exploração eleitoral de Dark Horse.

E há outra pergunta que não pode ser deixada de lado: por que o mesmo padrão de cobrança não é aplicado ao vice de Flávio Bolsonaro?

Se existem questionamentos públicos sobre a trajetória e os episódios envolvendo o escolhido para compor a chapa, o eleitor tem direito a respostas documentadas. Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Trata-se exatamente do contrário: de permitir que os fatos sejam esclarecidos antes que o eleitor seja chamado a votar.

Uma imprensa verdadeiramente vigilante não pode funcionar pelo princípio de dois pesos e duas medidas. Se exige documentos, explicações e transparência de um candidato, deve exigir o mesmo do outro — especialmente quando se trata de uma chapa presidencial.

O problema, portanto, não é apenas o que Flávio Bolsonaro diz. É aquilo que ainda precisa ser demonstrado documentalmente.

A democracia não pode ser abastecida apenas por versões de campanha. Precisa de provas, documentos e transparência.

E a pergunta continua de pé: se está tudo explicado, por que não colocar os documentos sobre a mesa?

O eleitor não deveria precisar escolher entre versões. Deveria poder conferir os fatos.


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