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Salta aos olhos que os bolsonaristas não querem que Vorcaro faça delação

Há algo que salta aos olhos no caso Daniel Vorcaro: quanto mais a possibilidade de uma delação volta ao horizonte, maior parece ser o desconforto no campo bolsonarista. E não é difícil entender por quê.

Vorcaro não é um personagem periférico. O ex-dono do Banco Master aparece no centro de uma investigação que envolve dinheiro, relações políticas e o financiamento de projetos ligados ao universo bolsonarista. As próprias informações divulgadas sobre o caso apontam que o banqueiro voltou a tentar um acordo de colaboração, agora com uma nova equipe de advogados.

O ponto politicamente explosivo é que uma delação não escolhe previamente quem será atingido. Se houver fatos, documentos, mensagens, transferências e outros elementos capazes de corroborá-los, eles podem alcançar diferentes personagens e grupos. É justamente essa possibilidade que transforma Vorcaro em uma espécie de caixa-preta que muita gente parece preferir manter fechada.

E há um detalhe especialmente incômodo para o bolsonarismo: o caso já produziu informações sobre a relação de Vorcaro com o filme Dark Horse. Mensagens obtidas pela imprensa mostraram sua atuação em decisões relacionadas à divulgação da produção, enquanto o financiamento de R$ 61 milhões passou a ser objeto de investigação.

Por isso, o silêncio sobre Vorcaro é tão eloquente quanto o barulho produzido em torno de outros personagens. Quando uma investigação ameaça atingir adversários, o discurso é de “tolerância zero”, “cadeia para todos” e “ninguém está acima da lei”. Quando a investigação começa a se aproximar do próprio campo político, surgem as explicações, as relativizações, as tentativas de mudar o foco e, sobretudo, a necessidade de desqualificar aquilo que ainda nem foi plenamente revelado.

É a velha lógica da seletividade: a delação é maravilhosa quando pode ser usada contra o inimigo e aterrorizante quando pode iluminar os bastidores dos aliados.

E talvez seja exatamente por isso que a possibilidade de Vorcaro falar incomode tanto. Porque uma colaboração premiada, se aceita e acompanhada de provas, pode transformar aquilo que hoje aparece como suspeita, versão ou disputa política em uma sequência documentada de fatos. E, nesse cenário, ninguém deveria ter o direito de escolher previamente quais nomes podem ou não aparecer.

Se não há nada a temer, por que tanto interesse em que Vorcaro não fale?

A pergunta é simples. E, justamente por ser simples, é difícil de esconder atrás de cortinas de fumaça.


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Dino mexe as placas tectônicas do Dark Horse

A movimentação de Flávio Dino tem potencial para mexer nas placas tectônicas de uma engrenagem política que vinha tentando se consolidar nos bastidores. Ao colocar o peso institucional do STF em determinadas frentes e avançar sobre áreas sensíveis, Dino altera o terreno onde alguns personagens imaginavam poder caminhar sem maiores obstáculos.

O efeito é especialmente forte porque o chamado Dark Horse depende, por definição, de zonas de sombra, acordos silenciosos e movimentos que não aparecem imediatamente no radar público. Quando Dino desloca essas peças, o que parecia estável começa a tremer.

Não se trata apenas de mais uma decisão ou de mais um capítulo da disputa política. É uma mudança de ambiente. E, quando o ambiente muda, estratégias cuidadosamente montadas podem perder valor em questão de horas.

Para quem apostava na acomodação, o recado é incômodo: Dino está mexendo no tabuleiro antes que os jogadores consigam sequer entender completamente as novas regras. As placas tectônicas se movem lentamente — mas, quando finalmente se deslocam, ninguém consegue fingir que nada aconteceu.

E é justamente aí que está o perigo para o Dark Horse: o que parecia uma corrida previsível pode estar entrando numa fase completamente diferente, na qual as velhas proteções, os velhos cálculos e as velhas certezas deixam de funcionar.

Fato é que, Flávio Dino deu um sacode bonito nas placas tectônicas do Dark Horse e Flávio Bolsonaro sentiu o tranco, porque, por essa o cínico não esperava.


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Dino abre caminho para PF aprofundar investigação sobre o Dark Horse, filme de Bolsonaro

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a Polícia Federal a acessar dados apreendidos em uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, coloca novas peças no tabuleiro de uma investigação que já vinha cercada de suspeitas. A PF poderá incorporar ao inquérito federal informações obtidas nas buscas realizadas contra empresas e endereços ligados à produtora.

A medida é especialmente relevante porque a investigação federal apura se recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produção foram utilizados para financiar o longa. Ou seja: aquilo que inicialmente poderia parecer apenas uma operação envolvendo contratos públicos e uma ONG agora passa a fornecer material para uma investigação que alcança diretamente a origem e o destino do dinheiro relacionado ao filme.

A operação realizada em junho pela Polícia Civil paulista atingiu Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse, e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB). A investigação estadual apura suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de wi-fi gratuito em comunidades carentes.

Agora, o conteúdo apreendido poderá ser cruzado com os dados já reunidos pela PF. E é justamente esse cruzamento que pode ser decisivo: documentos, mensagens, registros financeiros e outros elementos eventualmente encontrados na operação paulista podem ajudar os investigadores a reconstruir o caminho do dinheiro e verificar se houve conexão entre recursos públicos e a produção cinematográfica.

A investigação federal envolve emendas destinadas por parlamentares do PL, entre eles Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Frias, por exemplo, destinou R$ 2 milhões ao ICB em 2024, mas afirma que o dinheiro não foi usado no filme. Os parlamentares citados negam irregularidades.

O caso ganha ainda mais peso porque Dark Horse já está no centro de outra investigação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. Nessa segunda frente, são investigados os aportes e as tratativas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro para a conclusão do filme. Segundo informações divulgadas pela imprensa, áudios registraram Flávio cobrando de Vorcaro R$ 61 milhões para finalizar a produção.

Portanto, a autorização de Dino não significa que irregularidades estejam comprovadas. Mas significa algo politicamente e judicialmente importante: a investigação ganhou acesso a uma nova fonte de provas e poderá cruzar informações de diferentes apurações.

E isso torna cada vez mais difícil tratar o caso Dark Horse como uma simples “página virada”, como vem fazendo Flávio Bolsonaro. Enquanto o candidato tenta encerrar o assunto no discurso, a Polícia Federal recebe autorização para ampliar o exame dos elementos apreendidos e investigar justamente aquilo que ainda precisa ser esclarecido: de onde veio o dinheiro, para onde foi e quem efetivamente pagou pela produção do filme que pretendia celebrar a trajetória política de Jair Bolsonaro.

A decisão de Dino, portanto, pode representar um novo capítulo de uma história que está longe de terminar. Quanto mais as investigações cruzarem documentos, movimentações financeiras e comunicações, maior será a possibilidade de separar versões políticas de fatos comprováveis. E, nesse caso, é exatamente isso que a sociedade espera: menos narrativa, menos blindagem e mais transparência sobre o dinheiro que financiou o filme.


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90 dias depois, Flávio Bolsonaro não entrega documentos prometidos sobre filme Dark Horse, e O Globo prefere atacar Lulinha

Ontem fez 90 dias. Noventa dias desde que Flávio Bolsonaro prometeu que, em no máximo 30 dias, entregaria os documentos, recibos e demais comprovantes relacionados ao filme patrocinado por Daniel Vorcaro.

O prazo venceu. E venceu há dois meses.

Até agora, não apareceu documento, recibo, contrato ou qualquer esclarecimento capaz de sustentar a promessa feita pelo senador. O que era para ser entregue em 30 dias transformou-se em 90 dias de silêncio. E a pergunta inevitável é: se os documentos existem e não há nada a esconder, por que não foram apresentados?

A resposta política parece cada vez mais desconfortável: Flávio prometeu entregar aquilo que até agora não entregou.

E há um segundo aspecto ainda mais revelador: o comportamento de parte da imprensa diante desse silêncio. Enquanto os documentos prometidos por Flávio continuam desaparecidos, O Globo passou o dia explorando manchetes e especulações envolvendo Lulinha. A régua jornalística, nesse caso, parece ter dois tamanhos: para um lado, cobrança incessante; para o outro, uma paciência quase infinita.

Não se trata de pedir tratamento privilegiado para ninguém. Trata-se de exigir o mesmo jornalismo para todos. Se há suspeitas ou perguntas envolvendo Lulinha, que sejam investigadas. Mas, exatamente pela mesma razão, devem ser cobradas explicações de Flávio Bolsonaro sobre aquilo que ele próprio prometeu esclarecer.

A diferença é brutal: de um lado, manchetes construídas sobre suspeitas e especulações; de outro, uma promessa objetiva, com prazo definido, que simplesmente não foi cumprida.

E isso não pode ser tratado como detalhe.

Flávio Bolsonaro estabeleceu o prazo. Flávio Bolsonaro prometeu os documentos. Flávio Bolsonaro não os apresentou. O mínimo que se espera agora é que a imprensa cobre a promessa que ficou pelo caminho, em vez de simplesmente mudar o foco para outro personagem.

Porque, quando um político diz que vai apresentar documentos em 30 dias e 90 dias depois não apresenta absolutamente nada, a pergunta jornalística não deveria desaparecer.

Deveria ficar ainda mais forte:

Onde estão os documentos, Flávio?

E por que aqueles que deveriam cobrar essa resposta preferem fazer barulho em outra direção?

Para quem se apresenta como fiscal da moralidade pública, o silêncio diante de uma promessa não cumprida é, no mínimo, uma contradição difícil de esconder. E quando a imprensa abandona uma cobrança concreta para transformar especulações contra adversários políticos em manchetes do dia, a sociedade tem todo o direito de perguntar a quem esse jornalismo está servindo.

Noventa dias depois, a história continua simples: prometeu em 30. Não entregou em 90.

Agora, mais do que a promessa, o que está em jogo é a credibilidade de quem prometeu — e a responsabilidade de quem deveria cobrar.


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Flávio Bolsonaro diz que não tem mais nada a explicar sobre Dark Horse e Vorcaro — mas é justamente aí que a coisa aperta

Flávio Bolsonaro resolveu subir o tom e dizer que não tem mais nada a explicar sobre a relação com Daniel Vorcaro e o caso envolvendo o filme Dark Horse. Mas essa frase, em vez de colocar uma pedra no assunto, levanta uma pergunta simples que qualquer cidadão pode fazer: se está tudo explicado, por que ainda existem tantas perguntas sem resposta?

Tem que mostrar. Tem que provar. Tem que abrir os documentos.

O problema é que o episódio do Dark Horse não surgiu do nada. A relação de Flávio com Vorcaro já foi objeto de questionamentos e reportagens. E quando surgem versões diferentes sobre essa relação, a conversa deixa de ser apenas uma questão de narrativa política. Passa a ser uma questão de transparência.

É aquela velha história: quem não deve, não teme.

Se Flávio diz que está tudo certo, então que coloque as cartas na mesa. Quanto dinheiro foi envolvido? Quem pagou? Quem recebeu? Qual foi o acordo? Quem participou das negociações? Que documentos comprovam tudo isso? Qual foi exatamente o papel de Vorcaro?

São perguntas simples. E perguntas simples merecem respostas simples.

O que não dá é transformar uma investigação séria em um jogo de empurra-empurra, como se bastasse repetir que “não há mais nada a explicar” para que as dúvidas desaparecessem.

Não desaparecem.

Muito pelo contrário. Quanto mais se tenta fechar a porta, mais a sociedade quer saber o que existe do outro lado.

E há outro ponto que não pode ser ignorado: Flávio Bolsonaro é um homem público e pré-candidato à Presidência. Quem quer comandar o país precisa entender que transparência não é favor. É obrigação.

O cidadão comum, quando precisa prestar contas, não pode simplesmente dizer que “não tem mais nada a explicar”. Tem de apresentar documento, recibo, contrato, comprovante. Por que deveria ser diferente com um senador que pretende ocupar o Palácio do Planalto?

Por isso, a frase de Flávio pode até ter sido pensada para encerrar o assunto. Mas acabou produzindo o efeito contrário.

Porque, diante de tantas dúvidas, dizer “não tenho mais nada a explicar” soa menos como esclarecimento e mais como uma tentativa de mandar o assunto para debaixo do tapete.

Só que política não funciona assim.

Se está tudo limpo, mostre os documentos. Se está tudo explicado, responda às perguntas. E se não há nada a esconder, por que tanto esforço para encerrar a conversa?

No caso Dark Horse e Vorcaro, a sociedade não precisa de frases de efeito. Precisa de fatos.

E, enquanto eles não aparecem de forma clara e convincente, o silêncio continuará falando mais alto do que qualquer discurso de Flávio Bolsonaro.

Até porque, O senador Flávio Bolsonaro prometeu apresentar a prestação de contas detalhada do caso “Dark Horse” no dia 19 de maio de 2026, estipulando um prazo de até 30 dias que venceu em meados de junho. Ele achou por bem fazer molecagem com seu compromisso, anunciando que não tem mais nada a explicar, deixando claro que não tem como explicar a montanha de dinheiro que recebeu, seu áudio com Vorcaro e sua ida à casa dele.

Que conclusão se tira disso, senão que ele não tem explicar seus crimes.


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Por que a mídia não cobra de Flávio Bolsonaro os documentos do Dark Horse, e de seu vice, o DNA?

Há perguntas que deveriam estar no centro de qualquer campanha presidencial. Não porque sejam convenientes para um lado político, mas porque dizem respeito à transparência que se espera de quem pretende comandar o país.

No caso de Flávio Bolsonaro, a pergunta é simples: onde estão os documentos que comprovem, de forma clara e verificável, a origem, a movimentação e a destinação dos recursos relacionados ao filme Dark Horse?

O próprio Flávio confirmou que procurou Daniel Vorcaro para tratar de financiamento do projeto. As conversas divulgadas indicaram a negociação de valores que poderiam chegar a R$ 134 milhões, enquanto reportagens apontaram o pagamento de R$ 61 milhões. Ao mesmo tempo, a produtora declarou que o filme teria apenas investimentos estrangeiros e que os recursos de Vorcaro não teriam sido destinados à produção.

É justamente aí que a imprensa deveria apertar o cerco jornalístico: se não há nada a esconder, que apareçam os contratos, comprovantes, notas, registros bancários e documentos capazes de explicar o caminho do dinheiro.

Não basta dizer que se tratava de dinheiro privado. Dinheiro privado também precisa ter origem e destino identificáveis quando está relacionado a uma operação que envolve um candidato à Presidência, um banqueiro posteriormente envolvido em uma gigantesca crise financeira e um projeto que se tornou objeto de questionamentos eleitorais. O próprio TSE recebeu representação pedindo a apresentação de documentos relacionados ao financiamento, produção e exploração eleitoral de Dark Horse.

E há outra pergunta que não pode ser deixada de lado: por que o mesmo padrão de cobrança não é aplicado ao vice de Flávio Bolsonaro?

Se existem questionamentos públicos sobre a trajetória e os episódios envolvendo o escolhido para compor a chapa, o eleitor tem direito a respostas documentadas. Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Trata-se exatamente do contrário: de permitir que os fatos sejam esclarecidos antes que o eleitor seja chamado a votar.

Uma imprensa verdadeiramente vigilante não pode funcionar pelo princípio de dois pesos e duas medidas. Se exige documentos, explicações e transparência de um candidato, deve exigir o mesmo do outro — especialmente quando se trata de uma chapa presidencial.

O problema, portanto, não é apenas o que Flávio Bolsonaro diz. É aquilo que ainda precisa ser demonstrado documentalmente.

A democracia não pode ser abastecida apenas por versões de campanha. Precisa de provas, documentos e transparência.

E a pergunta continua de pé: se está tudo explicado, por que não colocar os documentos sobre a mesa?

O eleitor não deveria precisar escolher entre versões. Deveria poder conferir os fatos.


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Nada de documentos do “Dark Horse”, nada de DNA: a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar continua devendo explicações

Há uma pergunta incômoda que continua sem resposta, quando Flávio Bolsonaro pretende apresentar os documentos que prometeu sobre o financiamento do filme “Dark Horse”? Em maio, o senador afirmou que estava disposto a tornar públicos os contratos e anunciou uma prestação de contas. O prazo passou, e a própria campanha reconheceu posteriormente que a prometida prestação de contas ainda não havia sido divulgada.

O silêncio ganha ainda mais peso porque o caso deixou de ser apenas uma controvérsia política. O financiamento do filme passou a ser alvo de investigação, depois das revelações sobre as negociações de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador nega irregularidades, mas a investigação torna ainda mais importante que os documentos sejam apresentados de forma completa e transparente.

E há uma segunda cobrança sobre a mesa: o exame de DNA envolvendo Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio. Gaspar é acusado de estupro de vulnerável, acusação que ele nega. Diante da denúncia, sua defesa pediu que o exame fosse realizado, justamente para esclarecer objetivamente a questão. Até agora, porém, o caso continua mergulhado numa disputa de versões, com o STF aguardando informações da Polícia Federal antes de decidir sobre os próximos passos.

O contraste é inevitável. Se Flávio diz que não há irregularidade no “Dark Horse”, que apresente os documentos. Se seu vice afirma que a acusação é falsa, que o DNA seja realizado e que os fatos sejam esclarecidos. Transparência não deveria ser tratada como favor, muito menos como ameaça política.

Uma candidatura que pretende disputar a Presidência da República não pode exigir confiança enquanto responde a perguntas objetivas com silêncio, adiamentos e versões conflitantes. Documentos não são opinião. DNA não é discurso. E promessa de transparência não vale nada se nunca chega ao público.

No fim, a questão é simples, Flávio Bolsonaro precisa explicar o dinheiro do “Dark Horse”; Alfredo Gaspar precisa esclarecer a acusação que pesa sobre seu nome. Antes de pedir o voto dos brasileiros, a chapa deveria começar fazendo aquilo que qualquer candidato que se diz comprometido com a verdade deveria fazer, abrir os documentos e permitir que os fatos falem.


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O clima esquentou e o tempo fechou para Flavio Bolsonaro; o jogo mudou, é o fim da política feita pelo Whatsapp

O clima mudou e mudou rápido na campanha de Flavio Bolsonaro depois do caso Vorcaro mais o filme Dark Horse. Pelo jeito, não há como apagar esse incêndio.

A chapa esquentou muito de lá para cá. Não há extintor de icêndio capaz de apagar o que está escrito sobre o caso Vorcaro. Flavio está falando como papagaio, mas, na prática, o que isso muda? Coisa nenhuma.

Na verdade, há também uma ccrise interna na comunicação, além de disputa por protagonismo e baixas na equipe. O marqueteiro digital, Fernando Pessoa, está às turras com publicitários novos.

Um dos principais estrategistas de mídias sociais, abandonou a campanha. Está cada vez mais difícil replicar aquele fenômeno mecânico do bolsonarismo promocional de parte da mídia nas redes que alavancou o mito do mito.

O tabuleiro de xadrez está turvo para Flavio. A peça de ficção do filho de Bolsonaro “moderado”, foi para as picas, capturada pela avalanche que entrou no lugar de Flavio no placar do jogo.

Com novas regras, depois do Flavio Master, além de indeciso, perdeu o discurso e as pesquisas mostram cada vez mais Lula na frente e Flavio mais atrás..

Sua campanha não tem só rachaduras, está desmoronando e virando um pardieiro. O que está em jogo é mais do que uma disputa eleitoral, mas a própria existência do bolsonarismo na política brasileira.

Dependendo do tamanho da vitória de Lula, o bolsonarismo será varrido da vida brasileira, com Whatsapp, com tudo.

A cada vídeo que Flavio faz, mais desespero ele escancara. O que parece é que não está preocupado em tirar o pai da forca, mas do próprio pescoço, por conta do que disse Merval Pereira a respeito do seu comando no crime organizado que tomou conta da política carioca.

O PT trocou de estratégia, saiu do modo defensivo e entrou no modo ataque, Flavio sentiu, e não foi pouco. Daí o barata voa de sua campanha.

Agora, o sobrenome de Flavio não é mais Bolsonaro, é escândalo financeiro ou Flavio corrupto para os mais impacientes, dois termos que caíram como luva na imagem já apodrecida do primogênito do clã.

Não é mais o mercado que dita as regras, quem dita é a PF mais o Intercept. Todos jogando no modo hard contra a campanha de Flavio.

Cada vez mais gente está apostando que Flavio jogará a toalha antes mesmi do início da campanha oficial.


Apoie o Antropofagista. Aqui a gente explica o jogo novo antes do debate coeçar.

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Flavio Bolsonaro e Vorcaro: Planilha mostra o caminho do dinheiro

Um dos esforços de aliados do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, desde a primeira reportagem da série Vaza Flavio, tem sido convencer o público de que as revelações não se sustentam. Uma das vozes na tentativa de deslegitimar o nosso trabalho tem sido a do comentarista Paulo Figueiredo.

“Começaram com o Intercept dizendo que eram 134 milhões do Vorcaro pro filme. Caiu para 61 milhões no Metrópoles. Depois, 2 milhões no Globo. Já já vocês vão descobrir que NÃO TEM dinheiro do Vorcaro no filme”, escreveu o aliado da família Bolsonaro no X, em 13 de maio.

A tese de discrepância nos valores ganhou força a partir de postagens falsas compartilhadas por parlamentares e páginas bolsonaristas, alegando que o Intercept teria recuado das informações, “pedido desculpas” ou admitido não possuir provas de que Daniel Vorcaro financiou o filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Isso já foi amplamente refutado.

A alegação é mentirosa por vários motivos, mas o mais importante deles é que a primeira reportagem da nossa série sempre distinguiu dois números importantes para entender a negociata: os 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões, em valores convertidos pela cotação da época) negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro para financiar o filme; e os 10,6 milhões de dólares (equivalentes, naquele período, a R$ 61 milhões) efetivamente pagos.

Uma semana depois, em 20 de maio, Figueiredo questionou se o trabalho do Intercept revelaria, de fato, “transações financeiras”. E acrescentou: “Se não vierem (como Flávio jura e como eu acredito, até o momento), a credibilidade voltará aos poucos”. Pois bem: a edição desta semana da newsletter Cartas Marcadas traz documentos inéditos que comprovam de maneira irrefutável que houve repasses financeiros.

Planilha detalha fluxo de pagamentos
Além de mensagens, o Intercept teve acesso a planilhas, contratos, comprovantes bancários e registros financeiros que permitem reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro para bancar “Dark Horse”.

O primeiro documento é uma planilha intitulada “Funding Schedule”, apresentada nas conversas como o cronograma de financiamento do projeto. O arquivo registra uma operação de quase 24 milhões de dólares — o equivalente a R$ 134 milhões na cotação da época — e detalha tanto os aportes previstos quanto os valores efetivamente recebidos pelo fundo ligado à produção.

Cronograma compartilhado em troca de mensagens detalha pagamentos previstos e concretizados (Foto: Reprodução)

O cronograma previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram de 2 milhões de dólares cada, inicialmente previstas para 20 e 25 de janeiro de 2025, mas efetivamente pagas em 13 de fevereiro e em 24 de março, segundo a planilha.

As outras 12 foram fixadas em 1,66 milhão de dólares cada – a primeira delas também foi paga em 24 de março, outras duas em 25 de abril e mais uma em 29 de maio. Ao final do cronograma, o total recebido indica uma soma de 10,6 milhões de dólares.

Essa tabela sobre os pagamentos foi encaminhada em 7 de agosto de 2025 pelo empresário Thiago Miranda a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acompanhada da observação: “Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”. Miranda recebeu uma resposta curta de Vorcaro: “Segunda fazemos duas”.

A mensagem é relevante porque sugere que novos desembolsos estavam sendo discutidos naquele momento, o que pode significar que o valor efetivamente pago tenha ultrapassado os 10,6 milhões de dólares.

Um cronograma semelhante havia sido encaminhado pelo próprio Daniel Vorcaro ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro, meses antes, em 12 de março de 2025. Segundo mensagens obtidas pelo Intercept, Vorcaro enviou o documento e deu duas orientações: “precisa me ajudar controlae isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.

Zettel respondeu logo em seguida: “Vou pra cima do Mineiro. Passei o fluxo pra ele. Achei que ele tava fazendo”. O “Mineiro” citado na troca de mensagens seria Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo ligado à Entre Investimentos e Participações, empresa que fez a transferência bancária.

Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver uma conexão entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo registros obtidos pelo Intercept, Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.

Comprovante bancário detalha operação
Outro documento que chama atenção é o comprovante da primeira transferência internacional da operação, emitido pelo sistema SWIFT, utilizado por instituições financeiras para operações entre diferentes países.

O registro é datado de 13 de fevereiro de 2025 e confirma a remessa de 2 milhões de dólares ao Havengate Development Fund LP, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Segundo o comprovante, a operação teve como remetente a Entre Investimentos e Participações Ltda. O pagamento foi processado por meio do Banco BS2 e destinado a uma conta do Havengate vinculada ao JPMorgan Chase Bank. O comprovante contém os códigos de identificação da transferência, os dados das instituições envolvidas, as referências da operação e os registros de liquidação exigidos pelo sistema financeiro internacional.

O extrato registra o que seria a primeira transferência internacional para financiar “Dark Horse” e demonstra o funcionamento na prática da operação descrita nas mensagens.

Esse comprovante, inclusive, consta em uma série de mensagens trocadas entre Zettel e Vorcaro sobre dificuldades para concluir a operação. Em 5 de fevereiro, Zettel informou ao banqueiro que o câmbio do Banco Master estava criando obstáculos para a transferência destinada ao filme.

Durante a conversa, os dois discutiram alternativas para viabilizar o envio dos recursos ao exterior e acabaram decidindo recorrer à estrutura da Entre Investimentos e Participações Ltda, empresa que aparece como remetente no comprovante de transferência bancária.

Embora a Entre Investimentos e Participações e Vorcaro neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes, documentos obtidos pelo Intercept e reportagens publicadas por Metrópoles e Estadão sobre investigações em curso indicam haver uma uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro.

Menos de dez dias depois, em 14 de fevereiro, Zettel encaminhou a Vorcaro o comprovante emitido pela rede SWIFT acompanhado de uma única palavra: “Filme!”. A mensagem foi enviada um dia após a liquidação da operação de 2 milhões de dólares destinada ao Havengate Development Fund LP, exatamente a transferência cuja realização vinha sendo discutida nas conversas anteriores.

*Reportagem exclusiva do Intercept Brasil


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Vídeo: Flávio Bolsonaro fica sem reação ao ser questionado por eleitora sobre Vorcaro

Senador e pré-candidato do PL à Presidência cumpre agenda no estado de Minas Gerais

O senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), está em Minas Gerais, onde cumpre uma série de compromissos políticos.

Entre um evento e outro, uma eleitora abordou Flávio Bolsonaro e o questionou sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por liderar a maior fraude bancária da história do Brasil. Vorcaro mantinha relação próxima com Flávio, que pediu R$ 130 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidenciável ficou sem reação ao ouvir os questionamentos da eleitora, começou a gaguejar e não conseguiu formular uma resposta clara, protagonizando um momento de enorme constrangimento. Confira no vídeo abaixo:

Veja

*Forum


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