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Alguém acredita na transparência pública de Flávio Bolsonaro quando as promessas de esclarecimento sobre o Dark Horse continuam sendo cobradas?

Flávio Bolsonaro promete transparência financeira, mas, quando o assunto é o financiamento do filme Dark Horse, a transparência anunciada esbarra em uma pergunta que continua sem resposta pública satisfatória: onde estão as planilhas que detalham a origem, o percurso e a destinação de cada centavo envolvido no projeto?

A contradição é evidente. Em maio de 2026, Flávio afirmou estar disposto a tornar públicos os contratos de investimento do filme. Depois, prometeu uma prestação de contas em prazo determinado. Em agosto, porém, passou a atribuir à produtora a responsabilidade pelos esclarecimentos, alegando que as contas já haviam sido apresentadas. Reportagens da CNN Brasil e da Folha de S.Paulo registraram a mudança de posição e a ausência de detalhamento público dos financiadores e dos pagamentos.

A questão não é simplesmente declarar compromisso com a transparência. É praticá-la. Uma promessa de abertura das contas não substitui a apresentação de documentos que permitam conferir os valores recebidos, os contratos firmados, os pagamentos realizados e o destino dos recursos.

O caso ganhou ainda mais relevância com a investigação sobre o financiamento de Dark Horse e as movimentações relacionadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A Polícia Federal apura possíveis irregularidades, e as suspeitas ainda precisam ser esclarecidas no âmbito da investigação. Não se trata de antecipar culpa, mas de exigir explicações verificáveis diante de fatos de interesse público.

Quem promete transparência não pode transformar a prestação de contas em um jogo de empurra-empurra. Se os documentos existem e esclarecem integralmente a operação, sua divulgação permitiria confrontar as declarações públicas com os registros financeiros. Se há impedimentos legais ou contratuais, eles também precisam ser explicados de maneira objetiva.

No discurso político, transparência é uma palavra conveniente. Na prática, ela exige documentos, números conferíveis e respostas diretas. No caso Dark Horse, é justamente essa diferença entre prometer e demonstrar que mantém a cobrança por esclarecimentos.


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Às vésperas da eleição, nada do surubeiromaster mostrar a planilha da grana do Dark Horse.

Para fazer discurso, posar de vítima e atacar adversários, sobra disposição. Para abrir a caixa-preta do Dark Horse, porém, a transparência desaparece.

A pergunta é elementar: onde está a planilha completa? Quem colocou dinheiro? Quanto colocou? De onde saiu? Para onde foi? Quem recebeu?

Quem exige confiança pública diante de uma candidatura presidencial precisa entender que transparência não se faz com promessa, bravata ou silêncio. Faz-se com documentos.

Porque transparência não é pedir que o eleitor acredite na palavra de candidato. É colocar os documentos na mesa e deixar os números falarem.

E justamente às vésperas da eleição, quando cada explicação deveria ser acompanhada de documentos, o que aparece é silêncio.

Se está tudo explicado, mostre a planilha. Se não há nada a esconder, abra as contas. O eleitor não precisa de mais uma narrativa: precisa de respostas documentadas.


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Política

Ministro diz que recurso do filme ‘Dark Horse’ pode ter origem em lavagem de dinheiro

Ministro ressalvou que é difícil identificar a origem de cada recurso que a empresa movimentava

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que os recursos enviados ao exterior pelo grupo Entre para custear o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), podem ter origem em atividades de lavagem de dinheiro.

O grupo, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, foi alvo de operação na Receita Federal nesta quinta. O Fisco acusa a empresa de lavar dinheiro do crime organizado e ajudar na ocultação de patrimônio de organizações criminosas.

O que disse o ministro
“Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso”, respondeu o ministro ao ser questionado se a verba enviada ao exterior para o filme poderia ser fruto de lavagem de dinheiro.

“Aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa. É um trabalho de investigação identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que estão sendo feitas aqui em Brasília, seja para as apurações do Supremo, seja para as apurações que estão feitas em São Paulo […] mas tudo indica que sim”, completou.

O empresário Antônio Carlos Feixo Júnior, conhecido como Mineiro, assinou delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PRG). Na delação, ele afirmou que era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, do Banco Master.

*ICL


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Por quatro vezes, defesa de Flavio tentou tirar caso “Dark Horse” de Dino e levá-lo a Mendonça

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao menos quatro pedidos ao Supremo Tribunal Federal para concentrar nas mãos do ministro André Mendonça o caso “Dark Horse”, que envolve um filme sobre Jair Bolsonaro. Parte da apuração permanece sob relatoria de Flávio Dino por tratar do possível uso indevido de emendas parlamentares. Com informações de Folha de S.Paulo.

Os advogados protocolaram as solicitações entre 13 e 29 de julho, dirigindo petições ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao próprio Dino. De acordo com o DCM, a estratégia buscava transferir a Petição 16.070 para Mendonça, que já conduzia outros procedimentos relacionados ao longa.

Em uma das manifestações, a defesa afirmou que o protocolo de requerimentos na ADPF 854 criou uma relatoria artificial para Dino. “Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência”, escreveram os advogados.

André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, era relator de cinco dos seis processos autuados para pedir investigações sobre “Dark Horse”, conforme a defesa. Dino, indicado pelo presidente Lula (PT), ficou com a ação ligada à execução de emendas parlamentares.


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Política

Empresas de Flávio Bolsonaro e Careca do INSS dividem a mesma sala em Brasília

Empresa de capacetes da família Bolsonaro está registrada no mesmo lugar de empresas do operador financeiro do esquema que prejudicou aposentados e pensionistas brasileiros

A empresa de capacetes Bravo Grafeno, cujo dono é o candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), divide o mesmo endereço em Brasília com pelo menos 16 firmas de Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já participou da sociedade, é o garoto-propaganda da marca.

Esta revelação conecta diretamente a família Bolsonaro ao Careca do INSS, personagem central das investigações sobre as fraudes bilionárias que lesaram mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas brasileiros. Os desvios ocorreram entre 2019 e 2024 e resultaram no prejuízo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.

O levantamento do Núcleo Investigativo do ICL Notícias indica que a empresa do candidato usou, além dos mesmos serviços de contabilidade, a mesma estrutura do investigado na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

O Careca do INSS está preso preventivamente desde setembro de 2025, no Presídio da Papuda em Brasília. De acordo com as investigações, ele operava empresas de fachada para desviar as mensalidades recebidas irregularmente por associações de aposentados.

Em declarações anteriores, Flávio Bolsonaro negou envolvimento no escândalo do INSS. Procurado, o candidato a presidente ainda não se pronunciou. A reportagem também procurou a defesa do Careca do INSS, mas não houve retorno até o fechamento da edição. O espaço segue aberto para manifestação.

Mesmo endereço e contador em Brasília
O endereço compartilhado é a sala de número 2601 bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal.

A reportagem esteve no local nesta sexta-feira (dia 11), por volta das 10h30. Logo na portaria do prédio, uma funcionária informou que a sala 2601 é ocupada pela Voga Serviços Contábeis, empresa que pertence ao sócio do Careca do INSS, Alexandre Caetano dos Reis, que também está preso.

Alexandre Caetano dos Reis é o primeiro elo conhecido entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS. Ele é responsável também pela contabilidade do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro.

A Voga ocupa quatro salas no 26º andar do prédio. A recepção da empresa fica na de número 2603, onde o ICL Notícias foi recebido pelo advogado Thalles Setúbal. Ele confirmou que a Voga presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro, mas negou que a sala 2601, onde estão registradas as empresas do senador e do Careca do INSS, pertencesse à contabilidade, apesar de os funcionários que circulavam pelo corredor, terem confirmado à reportagem que o local também é ocupado pela Voga.

Inclusive, em duas ocasiões, ao bater na 2601 que estava fechada, fui abordada por funcionários que me orientaram que me dirigisse à recepção da Voga, ou seja, a sala vizinha, 2603.

Thalles afirmou que na 2601 funcionava um coworking e pertencia à outra empresa, com donos diferentes da Voga. Questionado sobre a relação da empresa de contabilidade com o senador Flávio Bolsonaro e as investigações da PF, Thalles respondeu: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.

A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024 e conta com capital social de R$ 100 mil. A loja online vende dois modelos de capacete por R$ 598,90 e viseiras branca e preta, por R$ 54.

“Com capacete Bravo de grafeno, você garante sua liberdade e segurança. Assim como eu, esse é 100% brasileiro”, anuncia o ex-presidente em vídeo divulgado no site da empresa. O domínio do site foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro lançou o capacete para motos, no dia 11 de março de 2025, no Salão das Motopeças, realizado em São Paulo. O tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, também divulgou a marca durante uma live em 2025.

Conexão entre Flávio Bolsonaro e Careca do INSS, contador está preso
Preso desde dezembro de 2025, Alexandre Caetano dos Reis foi sócio do Careca do INSS, em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe.

O e-mail da Voga consta nas notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro, evidência da prestação de serviços contábeis ao senador revelada pelo Metrópoles.

Como mostra a investigação da Polícia Federal, Alexandre atuou como contador de diferentes empresas vinculadas ao Careca do INSS e tinha acesso a planilhas internas, documentos estratégicos e operações financeiras consideradas sensíveis pelos investigadores.

Outra conexão de Flávio Bolsonaro com personagens investigados no escândalo do INSS se chama Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador. Ela é irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis.

Carlos Bolsonaro também é sócio da empresa de capacetes
Além de Flávio, o filho 01 de Jair, o ex-vereador Carlos Bolsonaro, o 02,também aparece na sociedade do negócio. Ele disputa uma vaga ao Senado pelo PL no estado de Santa Catarina.

Há outros três sócios na Bravo Grafeno. Entre eles, está o empresário Pedro Luiz Dias Leite, que foi sócio do ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, Marcello de Oliveira Lopes, na empresa Bitts Tecnologia, Consultoria Empresarial e Comunicação, encerrada em agosto do ano passado.

Marcelão, como é conhecido nos bastidores de Brasília, enviou R$ 1 milhão à produtora Go UP, do filme Dark Horse, em dezembro de 2025, conforme inquérito da Polícia Federal. “Eu sou investidor do filme, é uma natureza totalmente empresarial. Tudo certinho, legal. Não houve repasse, houve investimento”, disse em resposta à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo. O ICL Notícias tenta contato com ele.

No quadro societário da empresa de capacetes, surge também o nome do personal trainer Paulo Giordano Bernardi e o ex-assessor do senador, Fernando Nascimento Pessoa, que foi investigado no caso da rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Procurados, os dois, assim como Carlos Bolsonaro, não retornaram às tentativas de contato.

As informações sobre sócios e endereço em que a Bravo Grafeno foi registrada constam em base de dados pública da Receita Federal.

A rede de empresas do Careca do INSS na Sala 2601
A concentração de empresas do Careca do INSS na Sala 2601 chama atenção também pela forma como elas foram criadas. Levantamento feito pela reportagem encontrou ao menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes registradas no mesmo endereço cadastral da Bravo Grafeno. Algumas foram baixadas após as investigações.

O grupo reunia empresas de consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e até um call center.

A Sala 2601 também aparece como endereço de empresas diretamente relacionadas à movimentação do dinheiro investigado no escândalo do INSS.

É o caso da Prospect Consultoria Empresarial, uma das principais empresas de Antunes. Segundo o relatório final da CPMI, a Prospect recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas, incluindo R$ 115,9 milhões da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA. Documentos da comissão registram como endereço da empresa justamente a QS 1, Rua 212, lotes 19, 21 e 23, Sala 2601.

Oito delas foram fundadas exatamente no mesmo dia: 5 de outubro de 2023 e uma, a RPLD Construtora e Incorporadora, apenas um mês depois do registro da Bravo.

O Careca do INSS atuava junto às entidades que tinham autorização para descontar mensalidades diretamente dos benefícios e, segundo a investigação, recebia milhões dessas associações por meio de sua rede de empresas. O dinheiro circulava entre diferentes CNPJs e era usado, entre outras finalidades investigadas, para aquisição de patrimônio e pagamentos a pessoas ligadas ao grupo. Ele também atuava nos bastidores do INSS em defesa dos interesses dessas entidades.

*Alice Maciel/ICL


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Operação da PF destampa o bueiro do Dark Horse — e o bafio já tomou conta do ar

A operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Flávio Dino fez aquilo que tanta gente parecia empenhada em evitar: destampou o bueiro do Dark Horse. E quando a tampa começa a sair do lugar, não aparece apenas o filme sobre Jair Bolsonaro. Aparecem dinheiro, emendas, empresas, personagens, transferências e uma sucessão de conexões que tornam cada vez mais difícil vender a história como um simples projeto cinematográfico.

A PF investiga suspeitas de uso irregular de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares para financiar a produção do filme. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias e pessoas ligadas à produtora e às entidades envolvidas no projeto. Segundo a investigação, houve movimentações financeiras consideradas suspeitas, inclusive transferências incompatíveis com a renda de alguns envolvidos.

E há um detalhe que torna o cheiro ainda mais forte: o nome de Flávio Bolsonaro aparece no entorno dessa história não por acaso. Ele não é alvo da operação autorizada por Dino, mas é investigado em outro procedimento relacionado ao financiamento do Dark Horse e às tratativas com Daniel Vorcaro. A própria campanha de Flávio já tentou transformar o episódio em “página virada”. Só que investigação policial não respeita roteiro de campanha eleitoral.

O que está vindo à tona é justamente aquilo que o discurso político tenta esconder: Dark Horse não é apenas um filme. É uma trilha financeira que passa por personagens, empresas, emendas e pelo universo do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

E o quadro ficou ainda mais incômodo depois que a PF identificou que um ex-marqueteiro da campanha de Flávio transferiu R$ 1 milhão para a produtora do filme. A investigação também aponta que a empresa responsável pela produção movimentou R$ 19 milhões em apenas dois meses.

Como se não bastasse, a delação homologada por André Mendonça envolve um operador ligado a Vorcaro e menciona recursos destinados ao fundo americano que financiou o Dark Horse. Segundo a reportagem, a colaboração também trata de transferências milionárias relacionadas ao projeto.

É por isso que a operação de Dino tem potencial para mudar o tamanho do escândalo.

O bueiro foi destampado.

E, quando se destampa um bueiro, não adianta pintar a tampa, trocar a placa ou mandar o marqueteiro dizer que não existe mau cheiro. O que interessa agora é saber o que estava escondido lá dentro, quem colocou cada coisa ali e para onde foi o dinheiro.

Flávio pode acusar Dino de interferência política. Pode dizer que tudo não passa de uma tentativa de atingir sua candidatura. Mas existe uma resposta muito simples para isso: as suspeitas precisam ser investigadas, e investigação não se faz com discurso de palanque.

O mais explosivo é que o Dark Horse começa a deixar de ser uma história isolada para se transformar em uma espécie de fio desencapado dentro do emaranhado Bolsonaro–Vorcaro–Banco Master.

E é justamente por isso que o cheiro incomoda tanto.

Porque, se as investigações confirmarem as suspeitas, não estaremos diante de uma simples produção cinematográfica mal explicada.

Estaremos diante de uma história de dinheiro público, interesses políticos, financiamento privado e relações financeiras que precisam ser explicadas centavo por centavo.

A operação da PF não encerra o caso.

Ela abre a porta do bueiro.

Agora é esperar para ver o que mais vai sair de lá.

A operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Flávio Dino fez aquilo que tanta gente parecia empenhada em evitar: destampou o bueiro do Dark Horse. E quando a tampa começa a sair do lugar, não aparece apenas o filme sobre Jair Bolsonaro. Aparecem dinheiro, emendas, empresas, personagens, transferências e uma sucessão de conexões que tornam cada vez mais difícil vender a história como um simples projeto cinematográfico.

A PF investiga suspeitas de uso irregular de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares para financiar a produção do filme. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias e pessoas ligadas à produtora e às entidades envolvidas no projeto. Segundo a investigação, houve movimentações financeiras consideradas suspeitas, inclusive transferências incompatíveis com a renda de alguns envolvidos.

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O que está vindo à tona é justamente aquilo que o discurso político tenta esconder: Dark Horse não é apenas um filme. É uma trilha financeira que passa por personagens, empresas, emendas e pelo universo do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

E o quadro ficou ainda mais incômodo depois que a PF identificou que um ex-marqueteiro da campanha de Flávio transferiu R$ 1 milhão para a produtora do filme. A investigação também aponta que a empresa responsável pela produção movimentou R$ 19 milhões em apenas dois meses.

Como se não bastasse, a delação homologada por André Mendonça envolve um operador ligado a Vorcaro e menciona recursos destinados ao fundo americano que financiou o Dark Horse. Segundo a reportagem, a colaboração também trata de transferências milionárias relacionadas ao projeto.

É por isso que a operação de Dino tem potencial para mudar o tamanho do escândalo.

O bueiro foi destampado.

E, quando se destampa um bueiro, não adianta pintar a tampa, trocar a placa ou mandar o marqueteiro dizer que não existe mau cheiro. O que interessa agora é saber o que estava escondido lá dentro, quem colocou cada coisa ali e para onde foi o dinheiro.

Flávio pode acusar Dino de interferência política. Pode dizer que tudo não passa de uma tentativa de atingir sua candidatura. Mas existe uma resposta muito simples para isso: as suspeitas precisam ser investigadas, e investigação não se faz com discurso de palanque.

O mais explosivo é que o Dark Horse começa a deixar de ser uma história isolada para se transformar em uma espécie de fio desencapado dentro do emaranhado Bolsonaro–Vorcaro–Banco Master.

E é justamente por isso que o cheiro incomoda tanto.

Porque, se as investigações confirmarem as suspeitas, não estaremos diante de uma simples produção cinematográfica mal explicada.

Estaremos diante de uma história de dinheiro público, interesses políticos, financiamento privado e relações financeiras que precisam ser explicadas centavo por centavo.

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Dark Horse: Dino derruba sigilo de ação da PF e impede Frias de sair do Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo da decisão que autorizou uma operação da Polícia Federal no caso do filme “Dark Horse” e determinou medidas cautelares que impedem o deputado federal Mario Frias (PL-SP) de deixar o país.

Operação da PF mira suspeitas sobre o uso de emendas parlamentares na produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Um dos alvos foi Mario Frias, aliado da família Bolsonaro e produtor-executivo e roteirista do filme. Karina Gama, dona do ICB (Instituto Conhecer Brasil) e produtora do filme, também foi um dos alvos de busca. O UOL tentou contato com a assessoria de Mario Frias e de Karina Gama, mas não teve resposta.

Frias e Karina estão proibidos de deixar o país e de ter contato entre si —a determinação vale para os demais citados. “Elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação”, argumentou o ministro.

Este é um dos inquéritos que investigam os repasses para o filme. Um outro processo, relatado por André Mendonça, apura transferências feitas pelo banco Master para a produção do filme a pedido de Flávio Bolsonaro (PL.

PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira. Os alvos são ligados ao ICB (Instituto Conhecer Brasil) e à ANC (Academia Nacional de Cultura), organizações envolvidas na produção do filme.

Decisão que impôs as cautelares é de 3 de setembro e teve o sigilo derrubado hoje. Dino proibiu Frias e outros investigados de deixar o país e de manter contato entre si, com recolhimento de passaportes.

Ministro citou risco de interferência na apuração ao justi

ficar as restrições. “Elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação”, escreveu Dino.

Karina Gama é citada como responsável pela gestão de contratos e pela transferência de valores para empresas privadas, como a Go Up Entertainment. Para a PF, “há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”

Frias destinou emenda de R$ 1 milhão ao ICB para um programa de empreendedorismo em Pirassununga (SP). O projeto não saiu do papel e a suspeita é que o dinheiro tenha sido desviado para a produção do filme.

Investigação aponta indícios de crimes como peculato e lavagem de dinheiro. A apuração também cita suspeitas de fraude contratual, falsidade documental e organização criminosa, a partir de contratações e fluxos financeiros analisados.

CGU (Controladoria-Geral da União) apontou falhas estruturais e falta de capacidade técnica na entidade beneficiada. O relatório cita insuficiência operacional, dependência de terceiros para executar projetos e fragilidades nos planos de trabalho.

PF também apontou que Mario Frias fez transferências diretas de R$ 645,4 mil para a produtora do filme “Dark Horse”. Para a polícia, os repasses são “incompatíveis” com renda do deputado federa. Segundo a investigação, o valor não é compatível também com os “créditos identificados” nas contas bancárias de Frias.

*Uol


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Polícia Federal faz buscas contra Mário Frias e produtora do filme Dark Horse

Produtora Karina Gama e deputado Mario Frias são alvos de buscas; investigação apura possível uso irregular de emendas e recursos públicos

A Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10/9) em uma operação que investiga o financiamento de “Dark Horse”, filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), além de outras 20 pessoas. Não há mandados de prisão.

A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito tramitava inicialmente em São Paulo e foi posteriormente assumido pela Corte. A apuração se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produtora responsável pelo filme.

A operação, batizada de Make Up, foi deflagrada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga o suposto desvio de cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas a uma organização da sociedade civil ligada à produção do filme.

Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Segundo a PF, os recursos públicos foram repassados por meio de termo de fomento. A investigação aponta a suspeita de atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, que teria direcionado os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação de parte dos serviços contratados.

A corporação afirma ainda que as tentativas de ocultar os supostos desvios teriam continuado até julho deste ano. Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema investigado.

Os envolvidos são investigados por suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

O financiamento de “Dark Horse” também é alvo de uma segunda investigação no STF. Sob relatoria do ministro André Mendonça, esse inquérito apura repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, além do destino do dinheiro.

*EM


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Prego no caixão do clã: Sete pagamentos, US$ 12,3 milhões e a sombra que chega a Flavio e Eduardo Bolsonaro

A história do chamado Dark Horse acaba de ganhar uma peça que pode mudar radicalmente o peso das suspeitas que cercam o caso. Segundo o relato apresentado à Procuradoria-Geral da República, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou ter realizado sete transferências que totalizaram US$ 12,3 milhões — cerca de R$ 69 milhões na cotação da época — para um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro. Os pagamentos teriam sido realizados entre fevereiro e setembro de 2025, a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro.

Não se trata, portanto, de uma transferência isolada, de uma operação perdida no emaranhado financeiro ou de uma movimentação cuja existência possa ser simplesmente tratada como detalhe burocrático. São sete pagamentos. São milhões de dólares. E existe um delator apontando a origem e a motivação das transferências.

É justamente essa sequência que torna o episódio politicamente explosivo.

Durante meses, o caso poderia ser apresentado como uma sucessão de coincidências, versões desencontradas e relações financeiras difíceis de rastrear. Agora, porém, surge o relato de alguém que afirma ter participado diretamente das operações. Se as informações forem confirmadas documentalmente pelas autoridades, a pergunta deixa de ser apenas “quem recebeu o dinheiro?” e passa a ser muito mais incômoda: por que um banqueiro como Daniel Vorcaro teria determinado o envio de US$ 12,3 milhões para um fundo ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro?

E há outra questão que não pode ser empurrada para debaixo do tapete: qual era exatamente a finalidade desses recursos?

As reportagens que divulgaram o depoimento relacionam os pagamentos ao financiamento do filme Dark Horse, produção associada à família Bolsonaro. Se essa conexão for comprovada, estaremos diante de uma operação financeira de proporções extraordinárias envolvendo um banqueiro investigado, recursos milionários enviados ao exterior e um fundo administrado por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.

Isso exige muito mais do que explicações políticas de ocasião.

Exige documentos, contratos, comprovantes bancários, identificação dos beneficiários efetivos e a reconstrução completa do caminho percorrido por cada dólar.

Porque US$ 12,3 milhões não desaparecem em uma conta bancária por acaso.

E sete pagamentos também não são um detalhe.

O que está em jogo agora é uma engrenagem muito mais complexa — uma engrenagem na qual dinheiro, poder político, interesses privados e relações internacionais se encontram em uma mesma operação.

O depoimento do delator não é, por si só, prova definitiva de crime. Mas é uma peça de enorme relevância investigativa. E, justamente por isso, não pode ser tratado como mais uma notícia passageira do noticiário político.

A sociedade tem o direito de saber quem mandou, quem recebeu, para quê, por qual razão e o que foi feito com os recursos.

Porque quando a cifra chega a US$ 12,3 milhões, quando são sete pagamentos, quando o dinheiro atravessa fronteiras e quando aparece no caminho o círculo político ligado à família Bolsonaro, a pergunta deixa de ser apenas financeira.

Passa a ser uma pergunta de interesse público.


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Salta aos olhos que os bolsonaristas não querem que Vorcaro faça delação

Há algo que salta aos olhos no caso Daniel Vorcaro: quanto mais a possibilidade de uma delação volta ao horizonte, maior parece ser o desconforto no campo bolsonarista. E não é difícil entender por quê.

Vorcaro não é um personagem periférico. O ex-dono do Banco Master aparece no centro de uma investigação que envolve dinheiro, relações políticas e o financiamento de projetos ligados ao universo bolsonarista. As próprias informações divulgadas sobre o caso apontam que o banqueiro voltou a tentar um acordo de colaboração, agora com uma nova equipe de advogados.

O ponto politicamente explosivo é que uma delação não escolhe previamente quem será atingido. Se houver fatos, documentos, mensagens, transferências e outros elementos capazes de corroborá-los, eles podem alcançar diferentes personagens e grupos. É justamente essa possibilidade que transforma Vorcaro em uma espécie de caixa-preta que muita gente parece preferir manter fechada.

E há um detalhe especialmente incômodo para o bolsonarismo: o caso já produziu informações sobre a relação de Vorcaro com o filme Dark Horse. Mensagens obtidas pela imprensa mostraram sua atuação em decisões relacionadas à divulgação da produção, enquanto o financiamento de R$ 61 milhões passou a ser objeto de investigação.

Por isso, o silêncio sobre Vorcaro é tão eloquente quanto o barulho produzido em torno de outros personagens. Quando uma investigação ameaça atingir adversários, o discurso é de “tolerância zero”, “cadeia para todos” e “ninguém está acima da lei”. Quando a investigação começa a se aproximar do próprio campo político, surgem as explicações, as relativizações, as tentativas de mudar o foco e, sobretudo, a necessidade de desqualificar aquilo que ainda nem foi plenamente revelado.

É a velha lógica da seletividade: a delação é maravilhosa quando pode ser usada contra o inimigo e aterrorizante quando pode iluminar os bastidores dos aliados.

E talvez seja exatamente por isso que a possibilidade de Vorcaro falar incomode tanto. Porque uma colaboração premiada, se aceita e acompanhada de provas, pode transformar aquilo que hoje aparece como suspeita, versão ou disputa política em uma sequência documentada de fatos. E, nesse cenário, ninguém deveria ter o direito de escolher previamente quais nomes podem ou não aparecer.

Se não há nada a temer, por que tanto interesse em que Vorcaro não fale?

A pergunta é simples. E, justamente por ser simples, é difícil de esconder atrás de cortinas de fumaça.


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