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“Dark Horse”, o azarão indomável que pode derrubar Flávio Bolsonaro

Ao invés de um filme, talvez o melhor formato para o “Azarão” fosse uma série — afinal, a cada semana um novo episódio vem a público, sempre com lances mal explicados

A teia envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o suposto financiamento milionário da tosca cinebiografia sobre seu pai está cada vez mais intrincada, aumentando as suspeitas sobre os reais motivos por traz dos vultosos valores aportados e o que pode ter sido prometido ou dado em troca. Em vez de um longa metragem, talvez o melhor formato para o “Azarão” fosse uma série — afinal, a cada semana um novo capítulo vem a público.

Como se não bastasse o ainda mal explicado pedido de R$ 134 milhões (dos quais R$ 61 milhões foram pagos) feito pelo senador ao banqueiro Daniel Vorcaro — cujo patrimônio decorre das fraudes do banco Master —, há ainda uma série de zonas bastante cinzentas em relação à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Um dos pontos que têm sido investigados sobre o caso é o contrato entre a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões anuais para a instalação de wi-fi na cidade. A suspeita — que motivou operação da Polícia Cilvil nesta segunda-feira (1º) — é de que parte desses recursos tenha sido desviada para financiar a produção do filme. A ONG é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP, produtora do filme.

Leia também: “Dark Horse”, Flávio Bolsonaro e a degradação moral da política brasileira

As investigações apontaram “possível cenário de grave comprometimento da lisura administrativa e financeira desde a origem da contratação da organização parceira”. De acordo com informações apuradas pelas autoridades, estava prevista a entrega de 5 mil pontos de conectividade até junho de 2025; no entanto, apenas 3,2 mil foram instalados.

Flávio disse que estaria sendo perseguido e negou envolvimento, assim como fizera antes sobre suas relações com Vorcaro, investigadas pela Polícia Federal e explicitadas pelo site Intercept Brasil.

Mas, de acordo com o Vermelho, as falas do senador sobre todo esse imbróglio não têm convencido nem mesmo o seu entorno, que vem demonstrando incômodo com as mentiras contadas para abafar sua proximidade com o banqueiro fraudador.

Até o bolsonarista Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo — cargo ao qual a Polícia Civil está submetida —, aliviou para o filho do ex-presidente. Questionado sobre as apurações, não saiu em defesa dos envolvidos; apenas disse que a corporação tinha “autonomia para fazer suas investigações”.

Após a operação, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolou petição no Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede a abertura de apuração sobre a ligação entre o contrato com a prefeitura, emendas parlamentares e o financiamento da cinebiografia.

“Estamos diante de uma engrenagem que mistura emenda parlamentar, dinheiro público municipal, ONG sem capacidade comprovada, produtora política e suspeita de lavagem. O Brasil precisa saber quem pagou, quem recebeu, quem ocultou e quem se beneficiou”, declarou o parlamentar.

O caso foi passado para o ministro Flávio Dino, que já está à frente de uma ação protocolada recentemente pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP). A denúncia questiona o uso indevido de emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-RJ) para a empresa produtora do filme — o parlamentar, aliás, é também um dos produtores da película.

Flávio, assim como o clã e seu patriarca preso, sempre tentou vender a imagem de probo, de inimigo da corrupção. Mas, como ensina o dito popular, “nada como um dia após o outro”.

Assim como as instituições brasileiras investigaram e julgaram os responsáveis pela trama golpista liderada por Jair, o caso Master e essa nova frente de investigação sobre a ONG da produtora será mais um desmascaramento público do “patriota de bem”. No final das contas, “Dark Horse” virou o azarão indomável que pode derrubar Flávio Bolsonaro da sela.


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Operação em SP investiga ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro

Ação Wi-Fi Livre é feita no Instituto Conhecer Brasil

A Polícia Civil de São Paulo faz na manhã desta segunda-feira (1º) a Operação Wi-Fi Livre no Instituto Conhecer Brasil, organização não governamental (ONG) de propriedade de Karina Ferreira da Gama, da produtora Go UP, que produziu o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ONG é suspeita de fraude em contrato com a prefeitura de São Paulo para a instalação de uma rede de wi-fi gratuita em comunidades da cidade. O valor do contrato é de R$ 108 milhões. Há suspeitas na contratação e na execução dos serviços.

Segundo investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, a organização teria de instalar 5 mil pontos públicos de acesso ao wi-fi nas periferias da capital paulista no prazo de 12 meses. De acordo com os dois órgãos, foram instalados até agora 3.200 pontos.

A ONG teria apresentado pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares à prefeitura para justificar as despesas do contrato.

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O instituto de Karina é o principal alvo da operação, mas também são cumpridas diligências em outras empresas que teriam sido subcontratadas. A polícia fez ainda buscas na Secretaria Municipal para obter os contratos, as prestações de contas e os documentos relacionados ao termo de colaboração.

São cumpridos nesta manhã oito mandados de busca e apreensão para recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais.

O senador Flávio Bolsonaro, que pediu R$ 61 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem Dark Horse, se manifestou sobre a operação de hoje em São Paulo. Em evento no Rio de Janeiro, o político disse que “a operação não tem nada a ver com o filme”.

A prefeitura de São Paulo divulgou nota em que “repudia veementemente ilações de desvio de recursos públicos. O contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.

*Agência Brasil


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“Dark Horse”: PF pede quebra de sigilo de produtora responsável por filme sobre Bolsonaro

Polícia Federal investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos em contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo

Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça acesso a dados financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O pedido também atinge o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. As informações são da Folha de S. Paulo.

A solicitação faz parte de uma investigação sobre suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de internet wi-fi na capital paulista.

Polícia mira dados financeiros
O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira requisitou à Justiça relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). De acordo com a Forum, o objetivo é identificar eventuais “movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas” relacionadas ao CPF de Karina e ao CNPJ do Instituto Conhecer Brasil.

O pedido também inclui a decretação de sigilo sobre essa fase da apuração. A investigação busca rastrear o caminho do dinheiro público repassado ao instituto no âmbito do programa WiFi Livre SP, da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Suspeita de desvio para financiar “Dark Horse”
De acordo com o ofício encaminhado à Justiça, os investigadores suspeitam que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear a produção de “Dark Horse”.

No documento, a Polícia Civil aponta “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora cinematográfica responsável pelo longa sobre Bolsonaro.

“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”, afirma o delegado no pedido enviado ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura
A apuração envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo para a prestação de serviços de internet wi-fi em pontos da capital.

Segundo os investigadores, empresas subcontratadas e organizações sociais administradas por Karina teriam sido usadas para movimentar parte dos recursos. A Polícia Civil também afirma haver “indícios materiais contundentes” de irregularidades na execução do contrato.

Outro ponto apontado no pedido é a suposta falta de capacidade técnica do Instituto Conhecer Brasil para operar o serviço contratado pela prefeitura. O delegado afirma que o valor cobrado pelo instituto, de R$ 1.800 por ponto de conexão, estaria acima do praticado no mercado.

Pagamento antecipado de R$ 26 milhões
A investigação também considera suspeito o pagamento antecipado de R$ 26 milhões por serviços que ainda não haviam sido executados. Para a Polícia Civil, a antecipação “pode evidenciar o desvio de finalidade na aplicação do dinheiro público municipal”.

Diante dessas suspeitas, os investigadores defendem que a quebra de sigilo financeiro é necessária para rastrear a destinação final dos recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil.

“Diante disso, o rastreamento do fluxo financeiro é o único meio capaz de descortinar a destinação final das verbas recebidas pelo Instituto Conhecer Brasil e repassadas de forma suspeita a empresas subcontratadas e às contas pessoais da investigada Karina Ferreira da Gama”, diz outro trecho do documento policial.


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Donos de fundo que financiou filme de Bolsonaro abriram empresa em paraíso fiscal

Os dois são controladores de fundo nos EUA que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro

Os controladores do fundo Havengate, que recebeu em 2025 verba de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL), abriram uma empresa em Delaware em fevereiro deste ano. O estado americano é conhecido como um paraíso fiscal, que permite omitir a divulgação de sócios e de informações financeiras.

O Havengate é administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto, e o corretor de imóveis Altieris Santana. Documentos obtidos pela Folha mostram que eles também administram a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware em 12 de fevereiro.

A abertura da empresa no estado contrasta com os negócios que Calixto e Santana mantêm nos EUA, prioritariamente baseados no Texas e na Flórida. O Havengate e outros dois fundos geridos pelos dois estão no estado texano.

O Havengate foi utilizado para o recebimento de R$ 61 milhões de Vorcaro que seriam usados no filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, conforme revelou o site Intercept Brasil e confirmou a Folha. O repasse ocorreu entre fevereiro e maio do ano passado.

Áudios demonstram que Flávio Bolsonaro (PL) negociou pessoalmente os pagamentos com Vorcaro, em diálogos em que o filho do ex-presidente chama o ex-banqueiro de “irmão” e afirma que eles estarão sempre juntos.

A Polícia Federal investiga se o valor repassado ao Havengate pode ter sido utilizado para custear as despesas de Eduardo Bolsonaro, que mora no Texas. O ex-deputado nega.

A empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware, controla uma outra, também administrada pela dupla, no Texas. Trata-se da MCC-4 Equity Fund LP.

As duas são quase homônimas e possuem o termo “fundo” no nome, o que indica o ramo do negócio. Não há mais informações sobre outros possíveis sócios e o propósito das empresas nos registros.

A relação dos dois com as empresas foi constatada pela Folha em razão da abertura da unidade do Texas, estado que, ao contrário de Delaware, obriga a divulgação do nome de responsáveis e de relatórios anuais.

O documento de registro diz que a empresa em Delaware é gerenciada por Altieris Santana. Outros eventuais sócios não são citados.

Por meio do registro no Texas, a Folha também constatou que, no estado, ambas têm como referência o mesmo endereço: o escritório de Calixto, em Dallas. Trata-se também do endereço de registro do Havengate e de outras empresas que o advogado representa. O escritório lida com casos de imigração, consultoria e direito societário.

O endereço é diferente do registrado na documentação de Delaware, onde a companhia está registrada em Dover, capital do estado, e tem como representante a empresa A Registered Agent, que destaca “fornecer o máximo de proteção à privacidade pessoal permitido por lei”.

A empresa texana teve sua primeira tentativa de abertura pelo escritório de advocacia de Paulo Calixto rejeitada, pois o documento protocolado em 13 de fevereiro não continha o nome do sócio-administrador. No dia 17 do mesmo mês, Calixto apresentou um novo pedido.

A Folha contatou Altieris Santana por meio de e-mail profissional próprio e enviou mensagens no seu número de telefone por WhatsApp na quarta-feira (20). Na quinta (21), a reportagem ligou para o número, mas não obteve resposta.

Calixto foi procurado por meio do e-mail profissional e do contato oficial do seu escritório na quarta e na quinta. A reportagem também compareceu presencialmente e ligou para a firma em Dallas. Uma secretária respondeu que os dois não têm respondido à imprensa e que perguntas deveriam ser enviadas por e-mail.

Nas perguntas enviadas, a reportagem questionou qual o motivo da escolha por abrir a empresa em Delaware e se algum membro da família Bolsonaro estaria ligado aos negócios.

A Folha também contatou Eduardo Bolsonaro via mensagem na quarta e na quinta. O ex-deputado foi questionado se ele ou seus familiares tinham relação com o negócio, mas não retornou.

O modelo de gestão das empresas é similar ao do Havengate, que também conta com uma empresa LLC como administradora de uma LP. Como administradora, a LLC assume a responsabilidade pelos negócios da LP, o que protege os sócios de responsabilidade limitada, que não precisam ser identificados na abertura da companhia.

As LLCs são comuns nos EUA, pois blindam o patrimônio dos sócios e têm tributação simplificada.

Eduardo Bolsonaro já teve uma LLC, a Braz Global Holding LLC, com Paulo Generoso e André Porciúncula, que comprou um imóvel intermediado por empresa de Calixto e Santana. A empresa administrou outra, a Omni World Trades LLC, conforme relevado pela Agência Pública.

Nas conversas reveladas pelo Intercept, Altieri Santana aparece como uma pessoa em que Eduardo confia para executar tarefas financeiras.

O deputado, diz, por exemplo, que Santana viajaria “para fazer reunião pessoal com quem quer que seja” para garantir a chegada do recurso para o filme nos Estados Unidos.

*ICL


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Ricardo Nunes bancou despesas de R$ 3,5 milhões em feira gospel para produtora de “Dark Horse”

A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 3,5 milhões para cobrir despesas da Connect Faith 2025, feira gospel de inovação realizada por Karina Gama, produtora executiva de “Dark Horse”, cinebiografia ficcional sobre Jair Bolsonaro (PL). O evento ocorreu entre 12 e 15 de junho do ano passado, no Expo Center Norte.

O valor saiu da Secretaria Municipal de Turismo, então comandada pelo pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos), e foi executado pela SPTuris, sob gestão de Gustavo Pires, exonerado depois de denúncias envolvendo a empresa municipal.

A feira foi organizada pela Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina, que também se apresenta como “presidente” da Connect Faith. Ela ainda comanda o Instituto Conhecer Brasil, ONG que firmou contrato de R$ 108 milhões com a gestão Ricardo Nunes (MDB) para instalar pontos de wi-fi na cidade e passou a ser investigada pela Polícia Civil.

Segundo a apuração, os gastos não constavam no Diário Oficial e só podiam ser encontrados em pastas zipadas dentro do portal de processos da prefeitura, o que dificultava a localização por buscas de palavras-chave. A planilha de “custo final” da feira mostra que a gestão municipal bancou despesas de pessoal, infraestrutura e materiais.

Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução
Entre os itens pagos estão seguranças, limpeza, produtores, palco, som, painéis de LED, camisetas, café, lanche, água mineral e até locação de ônibus e vans. A MM Quarter, empresa no centro do escândalo da SPTuris, recebeu R$ 183,5 mil para fornecer produtores, recepcionistas e carregadores por seis diárias, embora o evento tenha durado quatro dias.

A Connect Faith cobrou ingressos para shows e palestras e vendeu cotas para patrocinadores e expositores. O modelo usado pela prefeitura é classificado como “apoio”, mecanismo pelo qual secretarias repassam recursos à SPTuris para bancar serviços de eventos escolhidos sem a mesma transparência exigida em patrocínios.

Veja os gastos da SPTuris com o evento:

Ao contrário do patrocínio, que exige solicitação formal, documentação, contrapartidas e prestação de contas, o “apoio” não registra publicamente quem pediu os recursos nem quem aprovou a despesa, segundo o DCM.

No caso da Connect Faith, só após investigações do Tribunal de Contas do Município e do Ministério Público a Secretaria Municipal de Turismo passou a informar alguns solicitantes. Para a feira, aparece a “Academia Nacional de Cultura”.

Ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Turismo informou “que as contratações mencionadas respeitaram todos os trâmites previstos na legislação. O apoio do Município ao The Connect Faith foi concedido com base no Decreto Municipal nº 61.244/2022 e destinado à infraestrutura do evento, que teve público estimado em 60 mil pessoas entre os dias 12 e 15 de junho de 2025. Por fim, a administração repudia qualquer tentativa da imprensa de criar relações entre iniciativas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Prefeitura de São Paulo reitera que a obra não recebeu recursos municipais”.


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Vereador diz que ONG ligada ao filme Dark Horse atuava como ‘laranja’ de recursos

Segundo Nabil Bonduki, contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP pode ter alimentado estrutura política ligada ao bolsonarismo

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) afirmou ao ICL Notícias que a ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, teria funcionado como uma “espécie de organização laranja” dentro do contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi‑Fi em comunidades da capital.

Segundo Bonduki, a principal suspeita é de que a entidade tenha servido como intermediária para distribuição de recursos públicos a terceiros, sem possuir capacidade técnica real para executar o serviço contratado. O vereador afirma que a estrutura do contrato, somada à ausência de concorrência e à cadeia de subcontratações, levanta suspeitas graves sobre o modelo adotado pela gestão Ricardo Nunes.

Durante a entrevista, Bonduki também disse que parte dos pontos declarados como instalados não existiam nos endereços informados e que, em alguns casos, havia concentração de equipamentos a poucos metros de distância entre si. Segundo ele, a Prefeitura realizou pagamentos antecipados antes da efetiva prestação dos serviços.

O parlamentar também defendeu uma investigação mais ampla envolvendo o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central para rastrear o destino final dos recursos públicos. Para ele, o caso pode revelar um modelo de financiamento político sustentado por contratos públicos e pulverização de recursos por meio de organizações da sociedade civil.

Bonduki ainda afirmou que o chamamento público teria sido estruturado de maneira que empresas privadas do setor não pudessem participar diretamente da contratação. Segundo ele, o formato adotado acabou restringindo a disputa a organizações da sociedade civil (OSCs), o que favoreceu a entidade contratada.

Entrevista
ICL Notícias — Quando o senhor começou a analisar esse contrato, qual foi o primeiro elemento que fez soar o alerta de que poderia existir algo muito fora do normal?

Nabil Bonduki — “Em primeiro lugar, o fato de se fazer um chamamento público para uma organização da sociedade civil num tema que normalmente não é o tema que este tipo de organização trabalha. Em geral, as OSCs trabalham com temas mais ligados à área social, assistência social, cultura, meio ambiente. No caso, era um contrato de tecnologia, onde normalmente quem atua são empresas privadas e tem muitas qualificadas para esse tipo de função, inclusive empresas que já tinham trabalhado com a própria Prefeitura em gestões anteriores.”

“Em segundo lugar, só apareceu uma organização. Essa foi a única OSC que apresentou proposta e nem ela mesma tinha expertise ou capacidade técnica para executar esse serviço.”

ICL Notícias — Na sua avaliação, é cabível que uma entidade vença um contrato público de R$ 108 milhões alegando capacidade técnica para executar o serviço e, depois de receber os recursos, terceirize praticamente toda a operação para empresas privadas?

Nabil Bonduki — “Essa organização funciona como uma espécie de organização laranja. Ela funciona simplesmente para receber recursos, distribuir esses recursos para outras organizações e apenas uma parte vai para prestação de serviço, que inclusive não existe comprovação que tenha sido feita de maneira correta e completa.”

“Embora seja responsável pelo contrato, ela não tem condição de executá‑lo. E a execução é feita por terceiros, por valores muito inferiores àqueles que ela recebeu.”

“Essas empresas não participaram diretamente porque o chamamento público foi destinado exclusivamente para organizações da sociedade civil. Essa foi a jogada. Se outras empresas pudessem participar, certamente elas teriam entrado e poderiam ganhar tanto por preço quanto por qualificação.”

“Essa intermediação não respeita o interesse público e não deveria ter sido feita.”

ICL Notícias — O senhor encontrou indícios de que a Prefeitura flexibilizou exigências técnicas ou ignorou alertas internos para viabilizar esse contrato?

Nabil Bonduki — “Com toda certeza a Prefeitura flexibilizou exigências porque contratou uma organização que não tinha nenhuma experiência nesse tema. O normal seria a Prefeitura cancelar esse chamamento e mudar o procedimento.”

“Não fazia sentido fazer um chamamento público para OSCs num tema de tecnologia onde normalmente atuam empresas privadas especializadas.”

“Também havia vários adiantamentos anteriores que antecipavam pagamentos em relação aos serviços não prestados.”

ICL Notícias — O senhor verificou problemas na execução do projeto?

Nabil Bonduki — “De fato existem pontos instalados, mas nós verificamos alguns endereços e não havia ponto nenhum. Também havia situações contraditórias, mudança de endereço e casos de três pontos colocados numa distância de dez ou quinze metros uns dos outros, o que obviamente não faz sentido.”

“Então houve situações em que se declarou que tinha sido instalado e não existia.”

ICL Notícias — O senhor acredita que esse caso pode revelar uma estrutura política maior financiada com recursos públicos?

Nabil Bonduki — “Uma das questões principais que precisa ser investigada são as fontes de financiamento do bolsonarismo e da extrema direita. É óbvio que, para manter essa estrutura, são necessários muitos recursos.”

“Esse contrato foi uma identificação que nós conseguimos mostrar de um contrato suspeito da Prefeitura de São Paulo com o financiamento dessa estrutura bolsonarista. E provavelmente existem coisas semelhantes em outros níveis de governo e até em outros órgãos da própria Prefeitura.”

“É uma máquina que está sendo alimentada por recursos públicos. Podem ser emendas também. Muito provavelmente existem esquemas semelhantes funcionando em vários lugares.”

“Talvez merecesse um encaminhamento para o Ministério Público Federal (MPF) e, a partir daí, buscar a colaboração do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Polícia Federal (PF), do Banco Central e de outros órgãos federais que possam rastrear o dinheiro.”

“É preciso quebrar o sigilo bancário dos atores envolvidos para entender para onde esses recursos foram.”

ICL Notícias — O senhor acredita que houve uso eleitoral ou político dessa estrutura nas periferias?

Nabil Bonduki — “Eu não acredito que tenha sido diretamente uma ferramenta política nas periferias porque o Ricardo Nunes fez muitas outras obras maiores nesse período. Mas o que pode ter acontecido é outra coisa.”

“Um dos repasses foi para uma entidade chamada Periferia Conectada. Foram R$ 12 milhões. E essa organização é ligada a uma pessoa bastante suspeita e que certamente tem algum tipo de relação com o crime organizado em favelas.”

“O que pode ter acontecido é, por exemplo, repassar recursos para essa entidade e isso acabar ajudando campanhas politicamente. Eu não saberia dizer se isso teve uma relação direta com a eleição.”

ICL Notícias — O senhor vê resistência da Prefeitura em abrir informações sobre esse contrato?

Nabil Bonduki — “Estranhamente, esse contrato está aberto no site da Prefeitura. Muitos outros contratos acabam entrando em sigilo quando começam a ser questionados, mas esse não.”

“Então eu não vejo exatamente resistência da Prefeitura nesse caso específico. O problema é que não existe transparência sobre o que aconteceu depois que o dinheiro saiu da OSC para as subcontratadas.”

“Os contratos entre a organização e as empresas são bastante precários e não há detalhamento adequado sobre os serviços efetivamente prestados. A partir dali o rastreamento do dinheiro fica muito mais difícil.”

O ICL Notícias pediu esclarecimentos ao Instituto Conhecer Brasil através de e-mail e também tentou via ligação telefônica. O número informado no site da ONG está fora de serviço e até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.

*Cleber Lourenço]


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Flávio Bolsonaro e filme Dark Horse estariam na delação de Vorcaro e teriam função

Comentarista da GloboNews, revelou ter sido informado que os milhões repassados pelo dono do Master ao senador foram citados em sua delação premiada como sinal claro a um ministro do STF

Oescândalo Master ganhou um novo capítulo, aparentemente avassalador, na tarde desta segunda-feira (18). O jornalista e comentarista Octavio Guedes, da GloboNews, revelou uma reviravolta no caso que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo Guedes, a polêmica história do repasse de R$ 61 milhões ao parlamentar, sob o pretexto de financiar o filme Dark Horse, já consta formalmente na proposta de delação premiada do banqueiro.

A estratégia por trás da inclusão desse anexo, no entanto, vai muito além de uma mera confissão: trata-se de uma manobra política cirúrgica para encurralar o relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça.

A “bomba”: xeque-mate no STF
Durante o programa Estúdio i, Octavio Guedes detalhou como a menção ao filho “zero um” de Jair Bolsonaro (PL) foi desenhada para criar um labirinto ético e político para Mendonça, magistrado que foi indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro sob a alcunha de “terrivelmente evangélico” e que é profundamente submisso ao clã.

“A informação que eu tenho é que o filme e o dinheiro dado a Flávio Bolsonaro constavam, ou constam, na proposta de delação do Vorcaro… Então, estava lá essa história do filme, e que isso foi visto como uma manobra pra constranger o ministro André Mendonça… Veja bem, o Ciro Nogueira não tinha as provas necessárias pra falar do Ciro Nogueira, não tem nada sobre o Alcolumbre, mas o Alcolumbre a gente não sabe se tem ou não, mas do Ciro com certeza deveria ter… E por que se preserva o Ciro e deixa o Flávio? Na leitura que se faz, essa seria uma forma de constranger o ministro André Mendonça a recusar uma delação porque… Se ele recusa, o André Mendonça, vão dizer ‘ó lá, é porque tá entregando o Flávio Bolsonaro’… Ele ficaria constrangido em recusar… O André Mendonça dizendo ‘não quero essa delação’, vão dizer ‘ah, ele não quer essa delação porque tem o Flávio Bolsonaro, porque você foi indicado pelo Bolsonaro’”, explicou Guedes.

Se aceitar a delação contendo Flávio Bolsonaro, Mendonça autoriza uma investigação que asfixia o clã que o alçou ao STF. Se recusá-la, mesmo que por critérios estritamente jurídicos ou falta de consistência, será imediatamente acusado pela opinião pública e pela oposição de agir como um escudo blindado para proteger o filho do ex-presidente.

PF já sabe mais do que o delator oferece
A manobra do banqueiro, contudo, esbarra no avanço das investigações da Polícia Federal, que já mapeou a rota financeira do Banco Master e as conexões de Vorcaro em Minas Gerais e Brasília. De acordo com o comentarista da GloboNews, o ministro do STF não deve ceder facilmente ao blefe.

“O André Mendonça sabe que o que foi oferecido não tem nem 10% do que ele já sabe pela Polícia Federal”, complementou o jornalista.

O escândalo dos R$ 61 milhões e o filme Dark Horse
Para além do xadrez jurídico, o cerne do esquema envolve uma teia que mistura o mercado financeiro, o submundo das fraudes bancárias e o entretenimento. Investigações anteriores, acompanhadas de perto pela Fórum, apontam que o repasse milionário de Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro foi mascarado por meio de contratos com a produtora do filme Dark Horse.

A empresa teria recebido, em sua conta e registro nos EUA, os R$ 61 milhões sob a justificativa de captação e produção cinematográfica. No entanto, o volume de dinheiro, a rapidez das transações e a total desconexão do senador com a indústria do cinema acenderam os alertas dos órgãos de controle financeiro (Coaf) e da PF. De acordo com a Forum, o montante é apontado pelos investigadores como um suposto pagamento de propina ou venda de influência política para favorecer os negócios do Banco Master junto a fundos de pensão e órgãos governamentais durante a gestão passada.

Agora, com as cartas na mesa, a proposta de delação de Vorcaro deixa de ser apenas uma peça jurídica e passa a ser uma arma de pressão política que coloca o STF e a família Bolsonaro, mais uma vez, no centro do furacão.


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Com Eduardo Bolsonaro, Mário Frias, produtor de Dark Horse, busca “investimentos culturais” no Bahrein

Em meio à revelação do elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Mário Frias se encontra com Eduardo Bolsonaro no Bahrein usando como justificativa missão para “apresentar “propostas de cooperação e investimentos culturais e audiovisuais”.

rodutor-executivo do filme Dark Horse, que narra a versão da ultradireita sobre Jair Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) viajou ao Bahrein na companhia de Eduardo Bolsonaro (PL) para, segundo ele, apresentar “propostas de cooperação e investimentos culturais e audiovisuais entre Brasil e Bahrein”.

“Hoje, retorno oficialmente ao Bahrein para uma agenda no Bahrain Economic Development Board (EDB), agência do Governo do Bahrein responsável pela atração de investimentos e pelo desenvolvimento econômico do país. Durante os encontros, apresentei propostas de cooperação e investimentos culturais e audiovisuais entre Brasil e Bahrein, com o objetivo de fomentar nossas culturas no cenário internacional e ampliar as oportunidades de integração econômica e criativa entre os dois países”, afirmou nesta segunda-feira (18) o deputado, que teve a viagem, que começou no dia 12, bancada pelo governo do Bahrein.

Frias pediu licença à Câmara para viajar em missão ao país do Golfo Pérsico, embora não faça parte de nenhuma comissão de cultura no legislativo.

Na publicação na rede X, em que aparece ao lado de Eduardo Bolsonaro, Frias, que fez dois filmes sobre o ex-presidente, diz que seguirá “trabalhando para consolidar o Brasil como uma referência cultural e criativa no mundo”.

Fugindo do STF
Há mais de um mês, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenta intimar Frias a dar explicações sobre o envio de emendas parlamentares para a produção do filme Dark Horse.

O longa está

no centro do escândalo do Caso Master após a divulgação pelo site The Intercept de um áudio em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra Daniel Vorcaro do repasse de parte dos 24 milhões de dólares que teriam sido prometidos pelo banqueiro para a produção.

Dino já intimou os bolsonaristas Mário Frias, produtor executivo do filme, Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS), que teriam mascarado repasses de verba pública das emendas para financiar a obra, a se manifestarem formalmente.

“Em Despacho de 21 de março de 2026 (e-doc. 3.626, Id. 8dfc6602), determinei a intimação da Câmara dos Deputados, bem como dos Exmos. Deputados Federais Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon, para que se manifestassem. Até o momento, além da Câmara dos Deputados, já se manifestaram os Deputados Bia Kicis e Marcos Pollon. Não houve, ainda, a manifestação do Deputado Mário Frias”, diz Dino em despacho nesta sexta-feira (15).

Segundo o ministro, “Tabata Amaral complementou as informações anteriormente prestadas, noticiando outras condutas do Deputado Federal Mário Frias, que teriam conexão com a alegada execução ilícita de emendas parlamentares para ONGs e projetos culturais”.

Rastro do dinheiro público
A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, está no centro de investigações sobre o uso de verbas públicas. A entidade recebeu R$ 108 milhões da prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, para a instalação de Wi-Fi em áreas carentes.

A teia de empresas de Karina Gama, produtora executiva do longa, conecta-se a emendas Pix de parlamentares do PL e a projetos obscuros de letramento digital.

Além disso, o deputado Mario Frias enviou R$ 2 milhões em emendas para a produtora do filme, o que levanta questionamentos sobre a finalidade dos recursos.

Diante do escândalo, a produtora Go Up emitiu nota negando qualquer aporte de Vorcaro, alegando que o filme foi financiado por investidores privados sob acordos de confidencialidade. Flávio Bolsonaro, por sua vez, segue a orientação do pai de ‘ficar firme’, negando irregularidades e clamando por uma CPI para investigar o Banco Master — uma manobra de distração para desviar o foco da sua própria participação na negociação, analisada neste artigo de opinião.


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Política

PF vê desafios para investigar destino do dinheiro de Vorcaro e prevê cooperação com os EUA

As mensagens, áudios e documentos que revelaram negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, abriram uma nova frente de investigação para a Polícia Federal. O caso envolve o financiamento de “Dark

Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e agora exige o rastreamento de movimentações financeiras ligadas a estruturas sediadas nos Estados Unidos.

Investigadores e especialistas em Direito Penal avaliam que transformar o caso em uma acusação criminal consistente pode ser difícil, mesmo que o desgaste político ao senador ainda seja incalculável. O principal obstáculo é demonstrar eventual contrapartida política, favorecimento concreto ou uso indevido da função pública em benefício do banqueiro, elemento necessário para caracterizar corrupção.

O caso ganhou dimensão nacional após o Intercept Brasil revelar mensagens e áudios em que Flávio cobra repasses de Vorcaro para a conclusão do longa.

Segundo a publicação, documentos indicam previsão de aportes de cerca de R$ 134 milhões para a produção. Parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos, ligada ao banqueiro, para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A presença de fundos e empresas nos Estados Unidos é vista como um complicador para a apuração. O rastreamento completo depende de mecanismos formais de cooperação internacional. Sem esse compartilhamento de dados, a PF pode ter dificuldade para identificar quem recebeu os valores movimentados pela estrutura ligada ao filme.

Jim Caviezel como Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: reprodução
O advogado Carlos Lube, mestre em Direito Penal Econômico pela Universidade Cândido Mendes, afirmou em entrevista ao Globo que operações internacionais impõem obstáculos adicionais porque exigem enquadramentos jurídicos específicos para pedidos de cooperação entre países. Segundo ele, mensagens, movimentações financeiras e relações políticas não bastam, sozinhas, para sustentar crimes como corrupção passiva.

“Há indícios de uma relação, que pode ter relevância penal, mas só fato de enviar dinheiro a um filme não é um crime. Se só ficar nesse plano, pode ser que cheguemos à conclusão de que não houve crime. Mas se tiver contrapartida do senador, pode chegar em corrupção”, afirmou o advogado.

Outro ponto sensível é o fato de o Havengate estar ligado a Paulo Calixto. A PF apura se parte dos recursos relacionados ao filme pode ter sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro fora do Brasil. Especialistas defendem que é preciso diferenciar uma relação privada de financiamento político e audiovisual de um eventual esquema para ocultar repasses indevidos.

A dificuldade no caso de Flávio contrasta com a investigação sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Nessa frente, a PF identificou uma relação mais objetiva entre pagamentos atribuídos ao grupo de Vorcaro e iniciativas legislativas favoráveis ao Banco Master. Segundo o DCM, No caso de Flávio, ainda faltariam provas de uma contrapartida concreta.

O criminalista Thiago Jordace, pós-doutor pela Unirio, diz que os elementos conhecidos justificam o aprofundamento da investigação. “Será que um político poderia solicitar a um ente privado patrocínio para o filme do pai? Parece que ultrapassa a impessoalidade do cargo político que ele está exercendo”.

O volume dos recursos também chama atenção. Para André Perecmanis, professor de Direito Penal Econômico da PUC-Rio, o valor destoa do mercado audiovisual brasileiro.

“É um aporte financeiro desproporcional. Um investimento de R$ 134 milhões em um filme extrapola qualquer produção cinematográfica brasileira e o recebimento lá fora, quando o filme é brasileiro. Isso tudo pode indicar, por exemplo, lavagem de dinheiro”, disse.


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Política

CPMI do Dark Horse é protocolada para investigar esquema de Vorcaro com Bolsonaro

Deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou requerimento para criação de comissão mista que apurará financiamento de filme

Odeputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou nesta semana, no Congresso Nacional, o requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de investigar o financiamento e a produção do filme “Dark Horse“, voltado à narrativa biográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta conta com o apoio de outros parlamentares e está à disposição para assinaturas.

A investigação proposta abrange a apuração de eventual utilização de recursos de origem ilícita atribuída ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, bem como o possível emprego de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares.

O requerimento cita a reportagem do The Intercept Brasil que revelou áudios de Flávio Bolsonaro cobrando recursos do dono do Banco Master, que enviou mais de R$ 61 milhões para a produção do filme.

A gravidade do caso, aponta o texto, amplia-se diante da contradição pública entre as declarações do senador — que reconhece as negociações e aportes — e a versão da produtora GOUP Entertainment, que teria negado o recebimento dos valores divulgados.

A CPMI proposta será composta por 15 deputados federais e 15 senadores, com igual número de suplentes, respeitando a proporcionalidade partidária.

O prazo para os trabalhos é de 180 dias, com despesas orçadas em R$ 200 mil. De acordo com a Forum, o requerimento menciona ainda que a produção já teria sido alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal por supostos repasses irregulares de emendas parlamentares.

Em declaração, o deputado Rogério Correia afirmou: “Está protocolada a CPMI, Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, para investigar o filme da vida de Jair Bolsonaro. Está na mesa do Congresso Nacional. Eu quero ver se Flávio Bolsonaro vai assinar. Ele que disse que foi tudo normal, que não há nenhum rolo, nenhum problema. Assine a CPMI e vamos investigar. Porque, realmente, debaixo desse angu, tem muito queijo”, disse.

“A gente quer saber o valor real desse filme. 134 milhões de reais? Ninguém acredita. O irmão dele teve ou não teve acesso a esse dinheiro? Deputados e deputadas fizeram ou não fizeram emenda parlamentar para este fundo que finge ser um filme? O que foi lavagem de dinheiro? Como Vorcaro e Zettel, com dinheiro de aposentados, foram sustentar esse fundo bolsonarista? Tudo são perguntas que precisam ser respondidas”, completou Correia.

“A CPMI ora proposta não possui qualquer finalidade de censura artística, controle ideológico ou limitação da liberdade de expressão”, ressalta o requerimento. O objeto da investigação, segundo o documento, é apurar a origem dos recursos, verificar a regularidade dos aportes financeiros, identificar eventuais beneficiários ocultos, examinar possível financiamento político irregular e investigar eventual utilização de produto cultural como mecanismo de abuso de poder econômico e propaganda eleitoral dissimulada.

“Quero ver Flávio Bolsonaro, que não tem coragem de abrir o seu sigilo, ter a coragem de assinar a CPMI do filme de Jair Bolsonaro”, afirma.

O que falta para implementar a CPMI
Conforme o Regimento Comum do Congresso Nacional, após esse primeiro passo, o colegiado só é instalado após o cumprimento de quatro etapas principais.

1. Recolhimento de assinaturas

O primeiro passo é o recolhimento de assinaturas de parlamentares para apoiar o requerimento de criação. Para uma CPMI, é necessário o apoio de pelo menos um terço dos membros da Câmara dos Deputados e um terço dos membros do Senado. Como a Câmara tem 513 deputados e o Senado 81 senadores, são necessárias, no mínimo, 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.

2. Protocolo e leitura em Plenário

Após atingido o número mínimo de assinaturas, o requerimento é protocolado na Mesa do Congresso Nacional. Em seguida, o presidente do Congresso Nacional (que é o presidente do Senado) faz a leitura da proposta em sessão conjunta do Congresso, oficializando o pedido.

3. Definição da composição

A Mesa do Congresso Nacional calcula a proporcionalidade partidária para definir quantas vagas titulares e suplentes cada partido ou bloco parlamentar terá direito. Como a CPMI proposta é composta por 15 deputados e 15 senadores titulares, com igual número de suplentes, esses números são usados como base para o cálculo.

4. Indicação dos membros e instalação

Após a definição das vagas, os líderes partidários indicam os nomes dos parlamentares que irão compor a CPMI. Com as indicações formalizadas, o presidente do Congresso Nacional convoca a primeira reunião da comissão, momento em que ela é oficialmente instalada. Nessa reunião, os membros elegem o presidente e o relator (um deputado e um senador, cargos que são divididos entre as duas Casas), e a CPMI tem até 180 dias para concluir os trabalhos.


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