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E não é que Flavio, na Globo, correu da pauta da corrupção depois do contra-ataque de Lula na Band

Flávio Bolsonaro passou dias prometendo esfregar na cara de Lula suas acusações de corrupção. Mas bastou o presidente propor o desafio e abrir seus sigilos bancário e telefônico para a conversa mudar de rumo.

Agora, quando a cobrança se volta para ele, Flávio recua e evita o terreno que ele próprio escolheu como campo de batalha. A pergunta que fica é inevitável: se cobra transparência de Lula, por que não aceita submeter a si mesmo ao mesmo escrutínio?

O discurso de valentia tem prazo de validade quando a transparência deixa de ser uma arma contra o adversário e passa a ser uma exigência sobre o próprio candidato.

Corrupção não se combate com bravatas, mas com transparência, e esta não pode valer apenas para os outros.


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Política

Está com medo? Flávio convida ex de Janones para tentar barrá-lo em debate

O Partido Liberal convidou a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes (Avante), ex-mulher do deputado federal André Janones (Rede-MG), para comparecer ao debate presidencial da Rede Globo nesta sexta-feira (23), no Rio de Janeiro. A iniciativa ocorreu em nome da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Metrópoles.

O convite busca impedir a presença de Janones no evento. A estratégia do PL se apoia em uma medida protetiva concedida à prefeita contra o deputado, seu ex-marido.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) concedeu a medida em abril de 2025, após denúncias de ameaças de exposição de fotos íntimas. Leandra afirmou que estava em viagem quando recebeu contato sobre o convite e ainda tomaria conhecimento de seu conteúdo.

Ela não disse se aceitará participar do debate e disse que pretende se posicionar durante a tarde.

Leandra Guedes (Avante), prefeita de Ituiutaba e ex de Janones. Foto: Reprodução

Aliados de Janones dizem que caso não é foco do deputado
Questionados sobre a movimentação do PL, aliados de Janones disseram que a situação “não é o foco” do parlamentar neste momento.

Janones coordena o principal canal de WhatsApp de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que reúne 8,8 milhões de seguidores.

Do lado bolsonarista, o canal é capitaneado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e conta com 2,1 milhões de apoiadores.

A diferença entre os dois canais chega a 6,7 milhões de seguidores, segundo os números informados pelas campanhas.


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Pesquisa

Vox Brasil: Lula tem 50,6% dos votos válidos; Flávio, 49,4%

Pesquisa ouviu 2.100 eleitores de todo o Brasil entre os dias 20 e 22 de outubro, com uma margem de erro de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos

Segundo a pesquisa Vox Radar divulgada nesta sexta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nos votos válidos no segundo turno à Presidência.

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Pesquisa

Datafolha: Lula empatado numericamente com Flavio

Datafolha aponta empate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nos votos válidos do segundo turno. Os dois têm 50% cada um nesse recorte, que exclui brancos e nulos e é o mesmo critério usado pela Justiça Eleitoral na divulgação do resultado oficial.

Jacaré fechou a boca

Levantamento mostra oscilação em relação à rodada anterior na etapa do segundo turno. Na semana passada, Flávio aparece com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, dentro da margem de erro.

Na rodada anterior, o senador aparecia com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente. Na primeira pesquisa após o primeiro turno, a diferença era de 52% a 48% para Flávio.

Datafolha entrevistou 2.520 pessoas entre 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos; o levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-09709/2026.


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Política

Flávio ganhou Rolex de empresário após orgia com prostitutas em plena pandemia

Um churrasco na lancha com Flávio Bolsonaro, lobistas e garotas de programa durante a pandemia

Às 20h30 da noite de 16 de julho de 2020, o consórcio montado por veículos de imprensa para contabilizar as vítimas da Covid registrava um marco trágico: 1.299 mortos apenas naquele dia. No total, 76.822 brasileiros já tinham morrido em decorrência do vírus, e os números não paravam de crescer. Poucos minutos depois desse registro público, mais precisamente às 20h49, o jatinho de prefixo PR-SAD decolou do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília.

O jato executivo Embraer Phenom 300, que pertencia à empresa Prime You e já teve Daniel Vorcaro como um de seus usuários, havia sido destacado para transportar dois empresários: Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, diretor institucional e dono da Precisa Medicamentos, respectivamente. Os dois diziam representar o laboratório indiano Bharat Biotech, responsável pelo desenvolvimento da vacina Covaxin, e queriam fechar um acordo com o governo de Jair Bolsonaro para produzir vacinas para o Brasil.

Embora, àquela altura, as vacinas ainda não fossem uma realidade palpável no mundo, havia uma corrida para sua pesquisa, produção e comercialização. Contratos começavam a ser firmados. Como o Brasil tinha um presidente negacionista, o país estava fora do páreo. Tanto a americana Pfizer quanto a chinesa Sinovac tentavam negociar com o Ministério da Saúde, mas nada avançava. A Precisa Medicamentos já era uma grande fornecedora do governo, a quem vendia de testes rápidos de Covid a preservativos femininos. Mas a empresa via a oportunidade de aumentar seus laços com a gestão de Jair Bolsonaro.

Para azeitar a perspectiva de bons negócios, Danilo Trento e Francisco Maximiano decidiram promover um passeio cujo objetivo era agradar ao primogênito do então presidente, o senador Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência da República pelo PL. A dupla recorreu então a um procedimento de praxe: procurou seu agente de viagens, Raphael Barão, dono da Barão Turismo, e o encarregou de organizar um churrasco a bordo de uma lancha, no Lago Paranoá, em Brasília. O principal atrativo do passeio, porém, não seria a picanha, mas três garotas de programa trazidas de São Paulo.

Havia seis pessoas a bordo naquele voo na noite de 16 de julho de 2020. Eram elas: os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano, o agente de viagens Raphael Barão e três garotas, duas loiras e uma morena. A aeronave aterrissou no aeroporto de Brasília às 22h12. De lá, todos os seis se dirigiram ao hotel Meliá Brasil 21, localizado no setor hoteleiro Sul da capital federal. O evento na lancha só ocorreria no dia seguinte.

Os jornais amanheceram em 17 de julho como de costume: tomados por notícias sobre mortos, infectados e desvios de recursos que deveriam ser usados para tratar os doentes. Por volta das 10h30 da manhã, um carro estacionou em um dos decks com acesso ao Lago Paranoá. O automóvel estava carregado com bebidas, como vodca, gim e cerveja, além de petiscos, destinados a abastecer a lancha de uma cabina, com cerca de 20 metros de comprimento, que estava atracada à beira do lago.

Entraram na embarcação Danilo Trento, as três garotas e o condutor da lancha. Logo em seguida, chegou o convidado principal da festa: Flávio Bolsonaro, que veio acompanhado de seu amigo, Alexandre Santini. Àquela época, Santini era sócio de Flávio Bolsonaro na operação da franquia da célebre loja da Kopenhagen, no Rio de Janeiro. (De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, a loja foi usada para lavar dinheiro oriundo da prática de rachadinha operacionalizada por Fabricio Queiroz, ex-PM e operador da família. O MP estima que 1,6 milhão de reais em espécie, devolvidos por assessores da Alerj, foram lavados por meio da loja de chocolates. O caso foi arquivado depois que o STF anulou as provas, em 2021).

Quando a lancha zarpou, pararam no Alô Grau, um restaurante flutuante no lago, onde compraram mais comida e bebida. A conta, paga por Barão, ficou em 1.949 reais. O barco então circulou pelo Lago Paranoá. O Sol era inclemente e os tripulantes temiam que algum drone do entorno os registrasse em seu veraneio pandêmico. Santini e Flávio Bolsonaro ficaram sem camisa. Santini exagerou na bebida. À certa altura, Flávio desceu à cabina com uma das garotas. Ela não foi a única a fazer esse caminho acompanhada do senador naquela tarde. Santini e Trento não desceram. Passaram a maior parte do tempo na proa da embarcação.

O passeio de barco se encerrou por volta de 15 horas. Mas havia ainda uma surpresa. Com o barco já atracado no deck, Danilo Trento, o interessado em vender vacina para o governo, quis presentear Flávio Bolsonaro com um mimo. Ele tirou de seu pulso um relógio Rolex, com pulseira em tom prateado, e colocou no pulso do senador. Flávio Bolsonaro foi embora usando o novo presente.

Terminado o passeio, era hora de partir. Amigo e sócio de Flávio Bolsonaro, Santini pediu carona para voar de Brasília para São Paulo no mesmo jatinho em que estavam os dois empresários, o agente de turismo e as garotas. Ele então foi até o hotel onde estava hospedado, o Royal Tulip Brasília Alvorada, localizado próximo ao Palácio da Alvorada, para pegar as suas coisas.

A aeronave decolou de Brasília às 17h55 e aterrissou em São Paulo às 19h13. Pouco tempo depois, às 20h30, o consórcio de imprensa divulgaria os dados de óbitos por Covid naquele dia: 1.110 pessoas.

inda que aprimorada, ramificada e institucionalizada por Daniel Vorcaro, que contava com uma equipe de três promoters para oferecer serviços sexuais a autoridades, de políticos a ministro do Supremo Tribunal Federal, a prostituição como engrenagem de lobby e corrupção não foi inventada pelo dono do Banco Master. Em Brasília, a moeda extrapola reais e dólares e contempla também encontros privativos e discretos em lanchas e hotéis. “Esses eventos acontecem em dias de semana, que são menos concorridos. Em geral, os barcos ficam parados ao final da barragem, quando não há outros barcos nem sequer fiscalização”, diz um ex-assessor parlamentar que frequentou algumas festas em lanchas com prostitutas, duas delas na presença do próprio Flávio Bolsonaro (“uma antes e outra durante a pandemia”).

A regra tácita em todas as festas desse tipo, em que circulam políticos, juízes, desembargadores e outros poderosos em atividades subterrâneas, é que as garotas de programa passem por uma revista. O uso de celular é vetado e, para não haver risco de vazamentos, as bolsas das profissionais são confiscadas. Em geral, nesses encontros, há mais mulheres que homens. “Uma média de duas a três mulheres por convidado”, diz uma participante que pede para não ter seu nome divulgado por temer por sua segurança. “As lanchas têm dois andares, com uma ou duas cabines.”

Em setembro deste ano, o jornalista Rodrigo Rangel publicou uma reportagem no site PlatôBR mostrando como Alexandre Santini, que estava no passeio de lancha no Paranoá, promoveu encontros de Flávio Bolsonaro com garotas de programa. Em uma outra coincidência, a reportagem de Rangel também noticia que o senador recebeu o mesmo mimo: um relógio Rolex. De acordo com o material do PlatôBR, tratava-se de um relógio modelo Submariner Date, avaliado em 305 mil reais. Foi comprado pelo advogado Alan Belaciano, que representava interesses privados junto a autoridades de Brasília.

Para reconstituir o passeio de lancha do dia 17 de julho de 2020, a piauí conversou com uma pessoa que estava na embarcação sob a condição de não revelar sua identidade, cruzou quebras de sigilo de Barão, Maximiano e Trento enviados às CPIs da Pandemia, do INSS e do Crime Organizado, ouviu dois pilotos, um ex-deputado, três assessores parlamentares e uma garota de programa que não participou daquele evento, mas já esteve em outros similares. A reportagem ainda confrontou os dados aéreos obtidos na apuração com os de uma plataforma de rastreamento de voos em tempo real.

phael Barão funcionava como uma espécie de concierge das viagens de Trento e Maximiano. Além de organizar a logística, também viajava junto. Apenas em 2020, ano em que aconteceu o passeio de lancha no Paranoá, a Barão Turismo recebeu cerca de 4 milhões de reais das empresas que integravam o grupo econômico da Precisa Medicamentos. Quando a turma da Precisa viajou à Índia para negociar com a Bharat Biotech, Barão também organizou a viagem e dela participou. Como o grupo em torno da Precisa tornou-se alvo da CPI da Pandemia e a prestação de serviços de turismo não foi devidamente comprovada no período por Barão, as autoridades acabaram quebrando seu sigilo e o de sua agência, assim como os de Maximiano e Trento, altamente envolvidos nas suspeitas de irregularidades na compra da vacina.

Nas sessões da CPI realizadas em agosto e setembro de 2021, um ano depois do passeio de lancha, o senador Randolfe Rodrigues afirmou que Barão mantinha uma empresa nos Estados Unidos usada para lavar dinheiro de Trento. O empresário negou. O senador Renan Calheiros quis saber de Maximiano se Flávio Bolsonaro havia intermediado o acesso da Precisa ao alto escalão do Ministério da Saúde. Maximiano negou. Calheiros perguntou, então, se fora Flávio quem aproximara a empresa do presidente Jair Bolsonaro, para que ele telefonasse ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e referendasse o negócio com a Bharat Biotech. Maximiano não respondeu, invocando o direito ao silêncio. Randolfe Rodrigues então perguntou a Trento se ele conhecia alguém da família Bolsonaro. Houve, enfim, uma resposta afirmativa. “Já estive em eventos institucionais com o senador Flávio”, disse Trento, antes de se corrigir: “Eventos públicos, não institucionais, desculpa.”

Flávio Bolsonaro, por sua vez, saiu publicamente em defesa da Precisa Medicamentos durante a CPI. Na oitiva de Emanuela Medrades, diretora da empresa, chegou a congratulá-la: “Cabe aqui um parabéns também público, pelo fato de a senhora, ao representar o laboratório indiano, ter batalhado para que fosse economizado dinheiro público”, afirmou. O elogio destoava dos valores negociados: o contrato da Covaxin previa o pagamento de 80 reais por dose, enquanto a Pfizer oferecia sua vacina por cerca de 56,30 reais e a AstraZeneca, por 18 reais.

As negociações haviam despertado suspeitas no servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, irmão do então deputado Luis Miranda, que denunciou publicamente as irregularidades. O contrato acabou sem que o primeiro pagamento fosse realizado. Flávio, porém, ironizava o escândalo. “É a primeira vez que eu vejo, na minha vida, um desvio de dinheiro público em que não tem um real que foi pago. Que dinheiro público? Então, eu fico satisfeito e até concordo com a oposição quando eles dizem que esse é o maior escândalo de corrupção do governo Bolsonaro, porque, no maior escândalo de governo, de corrupção, segundo eles, não houve corrupção.”

O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano.

Em 20 de outubro de 2020, três meses depois do passeio de lancha, a proximidade com Flávio já havia rendido à dupla Trento e Maximiano uma demonstração concreta de prestígio. O senador abriu caminho para que Maximiano e outro executivo de sua empresa fossem recebidos pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano. A reunião, realizada virtualmente em razão da pandemia, tinha como objetivo discutir linhas de financiamento para uma nova empresa de Maximiano no setor de telecomunicações. Para deixar claro que endossava a empreitada, Flávio participou da ligação.

Quando a agenda veio a público, numa reportagem da Veja, o BNDES explicou que haviam ocorrido duas reuniões, uma delas com a presença de Montezano, e que nenhum financiamento fora contratado. Flávio, por sua vez, publicou um vídeo em que admitia ter “amigos em comum” com Maximiano em Brasília, mas negava manter com ele qualquer “relação comercial ou financeira”. “O que eu fiz sim foi pedir ao presidente do BNDES que ouvisse uma boa ideia que foi trazida pelo senhor Maximiano, para que o BNDES pudesse entender e, quem sabe, dar algum suporte para levar internet para o Norte e Nordeste”, justificou.

A reunião com Maximiano foi o único encontro oficial de Flávio com o BNDES, na condição de autoridade e sem outros parlamentares, desde o início da gestão de Montezano, em julho de 2019, até aquele momento. Para o presidente do banco, tampouco se tratava de uma agenda corriqueira. Montezano recebia com frequência deputados e senadores, individualmente ou em grupo. O incomum era que chegassem acompanhados de um empresário amigo, interessado em financiamento público.

Àquela altura, Flávio Bolsonaro já demonstrava interesse pelo mercado de telecomunicações. Frequentava viagens promovidas pelo senador Ciro Nogueira e pelo então ministro das Comunicações, Fábio Faria, para eventos internacionais do setor. Os parlamentares que integravam o grupo de trabalho responsável por acompanhar o leilão do 5G no Brasil, porém, não eram convidados para essas viagens.

Uma das viagens internacionais de Flávio como senador, a Las Vegas, em janeiro de 2020, coincidiu com a de Danilo Trento. Foi antes da pandemia e do passeio de lancha. A viagem custou 12,5 mil reais aos cofres do Senado apenas em diárias. Na programação, Flávio visitou o ateliê de Romero Britto, almoçou com executivos de uma empresa de navios turísticos e hotéis-cassinos e fez “visitas técnicas” acompanhado do então presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, o sanfoneiro. Encontrou-se até com Sheldon Adelson, magnata dos cassinos que morreria no ano seguinte. No pedido de autorização da viagem ao Senado, Flávio declarara que seu objetivo era “promover o turismo brasileiro no mercado internacional”, atrair cruzeiros e estimular o “investimento e instalação de novos resorts”.

Como Trento também estivera em Las Vegas exatamente naquele período, a CPI da Pandemia interessou-se em saber se ele havia viajado na companhia de algum senador. “Sr. Senador, com todo o respeito e baseado no meu habeas corpus, eu irei permanecer em silêncio”, respondeu. Diante da recusa de Trento em esclarecer o episódio, Flávio apressou-se em divulgar uma nota: “O senador nunca se reuniu com o Sr. Danilo Berndt Trento em Las Vegas, nem possui vínculo de qualquer espécie com o mesmo.”

Las Vegas não seria a última ocasião em que Flávio Bolsonaro apareceria associado ao universo dos cassinos. Em janeiro de 2025, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o senador passou o fim de semana anterior à posse de Donald Trump em Miami, no Hard Rock Hotel & Casino. Estava acompanhado do amigo Willer Tomaz, com quem é suspeito de manter uma sociedade oculta numa bet, conforme revelou a piauí. Segundo Jardim, a dupla passou a madrugada numa sala de jogos reservada. Flávio acompanhou Tomaz até o caixa do cassino ao fim da noitada, às 6h30. Lá, o amigo sacou 236 mil dólares em dinheiro vivo.

Na noite da última terça-feira, 20 de outubro, O Globo revelou que Tomaz havia pago a um site para desativar links com informações que o desagradavam. Um deles remetia a uma notícia cujo título, à luz dessas viagens, ganhava especial interesse: “Flávio Bolsonaro é contra PL dos Jogos, mas frequenta cassinos e se reúne com operadoras em Las Vegas.”

Até o fechamento desta reportagem, Flavio Bolsonaro não se manifestou. Também procurado, Danilo Trento não atendeu às ligações da piauí e, por mensagem, pediu para antecipar o assunto por estar em uma “call”. Uma vez informado sobre os detalhes da pauta – os voos, a confraternização na lancha e o Rolex –, interrompeu a comunicação. A reportagem também procurou os advogados de Francisco Maximiliano, por mensagem de WhatsApp e por e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

*João Batista Jr., de São Paulo, Ana Clara Costa, do Rio de Janeiro, e Breno Pires, de Brasília/Revista piauí


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Lula dá um mata-leão em Flavio ao propor abrir sigilo telefônico e bancário dos dois para ver quem é ladrão; Flavio emudece

O candidato que adora posar de valentão, distribuir acusações e prometer que vai revelar os supostos crimes dos adversários encontrou, de repente, uma pergunta que não cabia em seu repertório de bravatas. Acostumado a atacar, não esperava ser desafiado a colocar as próprias cartas na mesa. E, quando a proposta veio, a fanfarronice perdeu o fôlego.

Foi um mata-leão político no gogó da pose de valentão. Lula não precisou levantar a voz, fazer teatro ou transformar o debate num espetáculo de histeria. Bastou colocar a transparência na mesa e esperar pela reação.

O sorriso do presidente contrastou com o desconforto de Flávio, que, segundo a leitura daquele momento, não conseguiu dar uma resposta.

E não foi um episódio isolado. Na dinâmica do confronto, Lula só bateu onde doia e Flávio voltou a demonstrar dificuldade para responder diretamente às provocações e perguntas de Lula.

É muito fácil posar de paladino da moralidade quando se está apenas acusando os outros. Difícil é sustentar a pose do garganta quando o adversário devolve o desafio e exige que o discurso seja acompanhado de atos.

Afinal, quem faz da acusação uma arma eleitoral precisa estar preparado para encarar um contra-ataque com o mesmo rigor que exige dos outros. Não dá para querer o sigilo alheio escancarado enquanto se foge de um confronto sobre a própria transparência. Não dá para vender uma imagem de destemor e, diante de um desafio que descadera os hipócritas, refugiar-se no silêncio ou mudar de assunto.

Lula entendeu o momento e acertou onde mais dói: na contradição entre a valentia encenada e a disposição real de enfrentar um teste de transparência. Flávio foi ao debate querendo encurralar o presidente, mas acabou nocauteado diante de uma situação que não estava no roteiro de sua campanha.

O problema de Flávio Bolsonaro é que a bravata funciona até encontrar uma pergunta que não pode ser respondida com outra bravata. Na Band, Lula fez essa pergunta. E, por alguns instantes, o sorriso de quem lançou o desafio falou mais alto que a pose de quem não esperava recebê-lo.

No fim, ficou a imagem de um Lula tranquilo, que sabe explorar o momento, diante de um Flávio acuado pelo próprio desafio que não esperava ouvir. Para quem vive de vender a imagem de durão, poucas coisas são mais constrangedoras do que descobrir, ao vivo, que o adversário não está disposto a jogar apenas no terreno das acusações.

E com isso, o presidente Lula apagou Flavio, ao vivo e a cores, diante de milhões de espectadores, fazendo do ronca e fuça um meme que será explorado até o dia da eleição.


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Hoje, no debate da Band, tudo indica que Lula liquidará a fatura

Não foram poucas as vezes que, diante de uma pergunta de Renata Lo Prete, Flavio perdeu a fala e se agarrou ao nome de Lula como boia salva-vidas.

Desde então, Flavio se transformou em alvo de piada, inclusive, em veículos tradicionalmente de direita, por sua total incapacidade de dizer ao menos uma frase que não fosse uma mentira como slogan de campanha, parecendo pedir para que elas o libertassem daquele sulício de momento.

A ciência política não é matéria simples, não vive de amarras incapazes de impedir corrupios numa disputa eleitoral. Isso ocorre como um rodamoínho de maneira mais frequente do que se imagina.

Mas na atual conjuntura, uma campanha bem manejad nas redes sociais e nas ruas, pode sim, mesmo diante de muitas variantes, traçar rumos das candidaturas.

Hoje, especialmente, em que tudo indica que o Exército de Lula, criado por Janones, com cada vez mais milhões de brasileiros progressistas aderindo ao movimento, a vantagem digital de Lula, se não é o núcleo central nas redes é, no mínimo, uma ferramenta de uso igual à da direita.

Se tirar o que os bolsonaristas utilizaram de cortes da sabatina de Lo Prete com Flavio, comparado aos memes produzidos pela campanha do PT o filho do golpista, pode-se cravar que se transformou numa humilhação tal a disparidade de compartilhamentos e novos conteúdos críticos a um candidato sem qualquer cintura para sair de uma pergunta incômoda.

Sim, Flavio conseguiu um feito e tanto, ser pior falando do que dançando.

Algumas respostas do candidato são verdadeiras pérolas de desconexão com o que o tema exige. Certamente, a mais galhofada nas ruas é a sua fala contrária ao fim da escala 6×1 a qual o próprio votou a favor, pela pressão dos trabalhadores, justificando que, com mais um dia de descanso, o trabalhador pegaria um ônibus e seria assaltado.

Isso serviu de carvão para Flavio ser fritado nas redes, com  muita gente chamando o candidato de chulé dos bolsonaristas.

As bicadas de Flavio em Lula, no famoso “mas o Lula”, produziram uma enorme romaria de piadas digitais que lhe renderam uma desmoralização sem prececdentes na história da disputa presidencial.

A avaliação que se faz é a de que Lula teve uma participação impecável com Renata Lo Prete e, que Flavio, ao contrário de Lula, teve uma avaliação desastrosa sem uma resposta que prestasse de apito de cachorro para o seu gado mais tradicional.

Tenho que concordar com o artigo de Elio Gaspari, em O Globo de hoje, intitulado “Os debates decidirão a parada”, mas vou um pouco mais longe, acredito que hoje, no debate da Band, Lula liquida a fatura.


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Flávio, no JN, fugiu da pauta de economia porque os números do Brasil de Lula e da Argentina de Milei desmontam o discurso da extrema direita

A pergunta é inevitável: por que Flávio Bolsonaro fugiu da pauta econômica na entrevista ao Jornal Nacional? Porque falar de economia significa encarar os números, e os números podem se transformar em um constrangimento para quem vende a Argentina de Milei como modelo e tenta desqualificar o Brasil de Lula.

De um lado, Lula e o Brasil, com sua dimensão econômica, seu mercado interno e sua capacidade de atrair investimentos. Do outro, Javier Milei, o ídolo da cartilha ultraliberal bolsonarista, cuja política econômica Flávio teria de defender diante das câmeras, com todos os seus custos e contradições.

A economia não se resolve com bravatas, slogans de campanha ou ataques ao governo. Exige dados, resultados concretos e respostas sobre emprego, renda, inflação, crescimento e condições de vida da população.

E é justamente aí que o discurso ideológico tropeça na realidade.

O contraste ganhou força com a nova projeção do FMI: o Brasil deverá alcançar a oitava maior economia do mundo em 2027, com PIB estimado em US$ 2,8 trilhões.

Quem foge do debate econômico deixa uma pergunta no ar: cadê o projeto para o Brasil? Porque governar não é imitar Milei, posar para a Faria Lima ou repetir a cartilha do mercado financeiro. É mostrar como pretende melhorar a vida dos brasileiros.

E, quando o adversário político tem números para apresentar, que é o caso de Lula, o silêncio pode dizer mais do que qualquer discurso.


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Pesquisa PoderData/Aya: Lula e Flavio empatam em 50%

O petista avança 1 ponto percentual desde o último levantamento; os candidatos estão empatados dentro da margem de erro …

intenções de votos válidosTudo considerado, Lula reagiu e Flávio perdeu um pouco de ímpeto; a 9 dias da eleição, a disputa voltou ao ponto de partida: ninguém tem a vitória assegurada.

Pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta 6ª feira (16.out.2026), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados, com 50% dos votos válidos cada um. …

A pesquisa foi realizada de 13 a 15 de outubro, com 3.000 entrevistas e margem de erro de 1,8 ponto percentual. Parte das entrevistas já captou o impacto do fim da escala de trabalho 6 X 1, medida aprovada em definitivo pelo Congresso na 4ª feira (14.out.2026). …

O levantamento mostra uma mudança no cenário desde o 1º turno. Em duas semanas, a taxa de intenções de voto em Lula avançou, enquanto a de Flávio recuou. A distância entre os 2 era de 6 pontos percentuais no estudo divulgado em 8 de outubro. Há 3 dias, caiu para 2 pontos percentuais. Agora, é zero.

No 1º turno das eleições, Flávio teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. A vantagem do senador sobre o petista havia sido de 1,87 ponto percentual nas urnas.

DEMOGRAFIA NO 2º TURNO

Lula preserva a preferência em segmentos estratégicos do eleitorado. Entre as mulheres, o presidente registra 55% das intenções de voto, contra 39% do senador do PL. Flávio vai melhor no Centro-Oeste (54%) e no Sul (57%).

REJEIÇÃO

A oscilação positiva das intenções de voto em Lula teve leve impacto na taxa de potencial de voto do candidato. Na nova rodada do PoderData/Aya, 44% dos entrevistados dizem que o petista.

é o “único em que votariam”. Essa taxa era de 42% há 3 dias. Os que declaram que não votariam “de jeito nenhum” no atual presidente são 46%. A taxa é a mesma desde o 1º turno.

Entre os que rejeitam Flávio, a taxa oscilou 1 ponto percentual para cima, de 44% para 45% em 3 dias.

*Poder360


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Política

As viagens de Flávio e Eduardo Bolsonaro ao Bahrein após avanço de investigações no STF

A visita mais recente de Eduardo foi na semana passada, no dia 8 de outubro

Levantamento feito pela coluna mostra que Eduardo Bolsonaro esteve ao menos nove vezes no Bahrein desde 2019. A visita mais recente foi na semana passada, no dia 8 de outubro, no Palácio Real de Manama, onde ele foi recebido pelo príncipe herdeiro e primeiro-ministro do país, Salman bin Hamad Al Khalifa.

As fotos foram divulgadas pelo gabinete do príncipe um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandar prender o ex-deputado devido à sua condenação no STF e cancelar seus passaportes brasileiros.

Eduardo fez o mesmo movimento no final do ano passado, quando foi denunciado, e, em maio, esteve lá nos mesmos dias em que o deputado federal Mário Frias (PL-SP), logo depois da revelação do caso Dark Horse.

Quatro das nove viagens de Eduardo ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro. Três das mais recentes coincidem com momentos de pressão judicial sobre Eduardo ou aliados: em outubro de 2025, logo após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR); em maio de 2026, ao lado do deputado Mário Frias, então alvo de apuração no STF sobre emendas ligadas ao filme Dark Horse; e agora, com a condenação já definitiva.

O Bahrein também aparece no caso das joias recebidas pelo governo Jair Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, um relógio Patek Philippe investigado entre os presentes pode ter sido entregue ao ex-presidente na visita oficial de novembro de 2021, quando ele inaugurou a embaixada brasileira em Manama. Eduardo o acompanhava.

Irmãos Bolsonaro no Bahrein
Em 31 de janeiro de 2026, Eduardo chegou ao Bahrein com o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então pré-candidato à Presidência. A comitiva incluía os deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), o blogueiro Paulo Figueiredo e Paulo Guedes Landim. O grupo ficou no país até o início de fevereiro.

A agenda incluiu um festival de corridas de cavalos patrocinado pela família real, uma visita ao Parlamento, uma reunião no Ministério do Interior e um encontro com o príncipe herdeiro no palácio. Os brasileiros também foram recebidos no estábulo de Nasser bin Hamad Al Khalifa, filho do rei e conselheiro de Segurança Nacional.

No pedido formal ao Senado, Flávio declarou que a viagem não teria custo para a instituição. No entanto, ele não detalhou a agenda nem informou quem arcaria com as despesas.

De volta ao Brasil, Flávio chegou a conceder entrevista ao jornal bareinita Al Bilad e chegou a prometer que, se eleito, vai acabar com a exigência de visto para portadores de passaporte do Bahrein. Também convidou empresas do país a investir em ferrovias brasileiras, dizendo que “temos alterado a legislação” para permitir concessões a estrangeiros por até 50 anos.

Viagem com Mário Frias

Em maio de 2026, Eduardo viajou ao Bahrein com o deputado federal Mário Frias (PL-SP). A viagem foi divulgada apenas no Instagram de Frias; não há menção pública a ela nas redes de Eduardo.

Naquele momento, Frias já era alvo de apuração no STF sobre a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora do filme Dark Horse. O Supremo tentou notificá-lo em 31 de março e em 7 e 14 de abril. Em 13 de maio, uma nova tentativa de contato com o gabinete teve como resposta que o parlamentar estava em missão internacional.

O ministro Flávio Dino pediu informações à Câmara, que respondeu que o pedido de viagem ainda estava em apreciação. Na comunicação à Casa, Frias informou ter permanecido no Bahrein de 12 a 18 de maio, a pedido do Conselho de Desenvolvimento Econômico do país (EDB, na sigla em inglês).

As fotos publicadas por Frias mostram apenas reuniões com três integrantes do EDB: Noor Ali Alkhulaif, ministro do Desenvolvimento Sustentável e diretor executivo do conselho; Ishaq Abdulla Ishaq, diretor executivo de Manufatura, Transporte e Logística; e Ali Al Mudaifa, diretor de Desenvolvimento de Negócios. Não há registro público da agenda nos demais dias.

*Juliana Dal Piva/ICL


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