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Brasil Mundo

Trump amplia “TariFlávio” em mais 12,5% e agrava desgaste da imagem do clã Bolsonaro

A decisão de Donald Trump de acrescentar mais 12,5% às tarifas impostas sobre produtos brasileiros aprofunda a crise política em torno do chamado TariFlávio e amplia o desgaste da família Bolsonaro. O episódio reforça a percepção de que a estratégia de buscar apoio no ex-presidente americano acabou produzindo o efeito oposto ao pretendido: em vez de fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, passou a associá-la a medidas que atingem diretamente a economia brasileira.

O aumento das tarifas afeta setores exportadores, gera preocupação entre empresários e alimenta críticas de que interesses políticos foram colocados acima dos interesses nacionais. Adversários exploram o episódio para sustentar que a aproximação do clã Bolsonaro com Trump não trouxe benefícios concretos ao país e, ao contrário, contribuiu para ampliar as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

No ambiente político, o novo anúncio fortalece a narrativa de isolamento da campanha de Flávio Bolsonaro. Aliados avaliam que a insistência em vincular sua imagem à de Trump passou a representar um custo crescente, especialmente diante da repercussão negativa entre setores produtivos e do eleitorado preocupado com emprego, exportações e crescimento econômico.

A cada nova rodada de tarifas, o chamado TariFlávio ganha mais força no debate público, transformando-se em um símbolo da dificuldade da campanha em desvincular sua imagem dos impactos políticos e econômicos provocados pela escalada da disputa comercial. O resultado é um desgaste que ultrapassa a esfera diplomática e passa a influenciar diretamente a percepção sobre o clã Bolsonaro em um momento decisivo do cenário eleitoral.


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Política

Vídeo: A principal voz da esbórnia bolsonarista no Rio de Janeiro é de Flavio Bolsonaro

A chapa bolsonarista no Rio de Janeiro parece ter se transformado em um desfile permanente de constrangimentos. Tem candidato inelegível, aliado preso após a apreensão de um fuzil, investigados por operações da Polícia Federal e, para completar o cenário, até a própria mãe de Flávio Bolsonaro foi anunciada como suplente de um pré-candidato que acabou no centro de uma investigação federal.

Não é coincidência, é um padrão político que expõe a fragilidade do discurso da “moralidade”. Enquanto o bolsonarismo se apresenta como símbolo do combate ao crime, seu entorno coleciona escândalos, investigações e episódios que colocam em xeque a credibilidade da chapa. O discurso é de ordem; a realidade é uma sucessão de crises.

O contraste é inevitável. Durante décadas, Bolsonaro e seus aliados apontaram o dedo para adversários, distribuíram acusações, fizeram do combate à corrupção e ao crime uma espécie de bandeira exclusiva e tentaram convencer o país de que representavam uma ruptura ética na política brasileira. Mas, quando se observa o círculo político que gravita ao redor da família Bolsonaro, o que aparece é uma sucessão de personagens envolvidos em controvérsias, investigações e escândalos que jamais seriam tolerados se estivessem do outro lado do espectro político.

A situação no Rio de Janeiro é particularmente simbólica. O estado que serviu de berço político para a família Bolsonaro transformou-se em um campo minado de problemas para seus principais representantes. A cada nova operação, a cada nova revelação e a cada novo aliado atingido por suspeitas ou investigações, fica mais difícil sustentar a imagem de um movimento comprometido com os valores que tanto proclama.

O mais curioso é que o bolsonarismo continua exigindo dos adversários um padrão ético que não consegue aplicar aos próprios aliados. Quando o problema surge em outro partido, o discurso é duro, implacável e condenatório. Quando surge dentro de casa, multiplicam-se as desculpas, as teorias conspiratórias e as tentativas de desviar o foco do debate.

O resultado é uma chapa marcada menos por propostas para o Rio de Janeiro e mais por uma interminável coleção de problemas políticos. O eleitor fluminense tem o direito de se perguntar como um grupo que prometia representar a renovação moral da política acabou cercado por tantos episódios incompatíveis com a imagem que vendeu ao país. Afinal, depois de tantos escândalos e contradições, o verdadeiro patrimônio do bolsonarismo parece não ser a coerência, mas a capacidade de fingir que ninguém percebe o abismo entre o discurso e a realidade.

Segue abaixo o vídeo de Carlos Andreazza, do Estadão, em tabelinha com Megale, da Band. Os dois nada têm de esquerda ou de petistas, trazendo um raio-x da escória bolsonarista que transformou o Rio de Janeiro em um inferno político, comandado, sobretudo, por Flavio Bolsonaro, comando que herdou do pai.


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Política

Comparsa de Flávio Bolsonaro, Chiquinho Brazão, condenado como mandante do assassinato de Marielle Franco, volta a ser alvo de nova operação da Polícia Federal.

A Polícia Federal deflagrou mais uma operação envolvendo o grupo político de Chiquinho Brazão, apontado pelas investigações como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O novo desdobramento reforça que o caso está longe de se encerrar e continua revelando conexões, interesses e estruturas de poder que atuaram nas sombras por anos.

Brazão não é um personagem qualquer da política fluminense. Durante anos, transitou com desenvoltura pelos corredores do poder, acumulando influência e cultivando relações com figuras importantes da direita carioca. Entre elas, destaca-se a proximidade política com Flávio Bolsonaro, registrada em diversos momentos da trajetória pública de ambos.

Enquanto aliados do bolsonarismo tentam minimizar ou apagar essas relações, os fatos permanecem. Chiquinho Brazão foi uma figura integrada ao mesmo ambiente político que ajudou a sustentar o projeto de poder da família Bolsonaro no Rio de Janeiro. A insistência em tratar essas conexões como meras coincidências revela mais sobre quem tenta reescrever a história do que sobre a realidade dos acontecimentos.

A nova operação da Polícia Federal demonstra que as investigações continuam avançando e alcançando novos elementos relacionados ao grupo de Brazão. Cada etapa reforça a gravidade de um crime que chocou o Brasil e ganhou repercussão internacional: a execução de uma parlamentar eleita, crítica das milícias e defensora dos direitos humanos.

Mais de oito anos após o assassinato de Marielle, a sociedade brasileira continua exigindo respostas completas. Não basta identificar os executores; é necessário desmontar toda a engrenagem política, econômica e criminosa que permitiu que o crime fosse planejado e executado.

A cada nova operação, fica evidente que o caso Marielle não é apenas uma investigação criminal. Trata-se de um retrato da promiscuidade entre setores da política e estruturas criminosas que, durante décadas, encontraram espaço para prosperar no Rio de Janeiro. E é justamente por isso que as apurações precisam seguir até o fim, independentemente dos nomes e sobrenomes envolvidos.


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Política

Operação da PF atinge ninho bolsonarista no Rio

Investigação sobre esquema de R$ 7,6 bilhões mira Márcio Canella, indicado de Flávio Bolsonaro ao Senado, e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, atingindo em cheio o coração da articulação eleitoral bolsonarista no estado para o pleito de 2026.

A ação cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens e suspensão de atividades de empresas ligadas ao grupo investigado, que é suspeito de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.

O foco principal da ofensiva recai sobre Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado indicado publicamente por Flávio Bolsonaro (PL), e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do governo de Cláudio Castro (PL).

De acordo com as investigações, que correm sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

Os dados consolidados pelo Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam para a prática de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e contratação direta ilegal, com fortes indícios de participação ativa de agentes públicos.

Alvos da investigação são candidatos da família Bolsonaro

A investigação abre uma crise profunda no palanque da extrema direita fluminense, uma vez que Canella consolidou-se como o nome de consenso da aliança entre o PL e o União Brasil para uma das vagas do Senado, recebendo pedidos explícitos de voto nas redes sociais por parte de Flávio Bolsonaro.

O outro alvo, o delegado Marcus Amim, foi uma das principais e mais polêmicas apostas do governador Cláudio Castro na área de segurança pública, tendo sua nomeação para a chefia da Polícia Civil. nos anos de 2023 e 2024, viabilizada por uma mudança na legislação estadual aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Amim, que também já presidiu o Detran-RJ e atuou como coordenador de segurança na Alerj, possui estreita interlocução política com Canella e com a base aliada do bolsonarismo fluminense.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, estrutura permanente da PF voltada ao combate a organizações criminosas no estado, em linha com as diretrizes da ADPF 635 do Supremo Tribunal Federal.

As buscas desta terça-feira ocorrem em endereços na capital fluminense, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A rede de postos de combustíveis sob investigação teria funcionado como estrutura de lavagem de recursos de origem ilícita, com possível participação de agentes públicos, embora a PF ainda não tenha especificado o grau exato de envolvimento de Canella e Amim, que figuram como alvos das medidas cautelares.

O avanço da Operação Unha e Carne aprofunda investigações que já vinham sacudindo a política fluminense em etapas anteriores. A operação teve início em dezembro de 2025 com foco inicial em vazamento de informações e influência política na Alerj, tendo como um dos primeiros alvos o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil).

As sucessivas fases da investigação têm provocado instabilidade nos arranjos eleitorais da direita e do bolsonarismo fluminense para o pleito deste ano, uma vez que atinge diretamente o candidato ao Senado preferencial da família Bolsonaro e o ex-secretário de segurança de um dos maiores aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro na região, segundo o Vermelho.

Na quinta fase, deflagrada em 2 de julho, a PF prendeu o bicheiro Adilsinho e apreendeu listas com nomes de políticos, incluindo anotações que citavam o governador Cláudio Castro. Castro negou ter recebido qualquer valor irregular e não é alvo dos mandados expedidos nesta nova etapa. A Polícia Federal segue com as diligências e a análise dos materiais recolhidos.


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Brasil Mundo

Trump transforma a Casa Branca em pirâmide bilionária: A mesma fábrica de corrupção que a família Bolsonaro monta no Brasil

Enquanto Trump posa de salvador do povo americano, uma investigação devastadora da imprensa internacional e do Congresso dos EUA revela a verdade nua e crua: o homem que jurou combater as elites transformou o cargo mais poderoso do planeta em um esquema pessoal de enriquecimento que faria inveja aos clãs mais vorazes da política brasileira.

Segundo dados financeiros divulgados e reportagens da Reuters, Associated Press, The Guardian e Wall Street Journal, Trump e seus filhos embolsaram aproximadamente US$ 2,3 bilhões com negócios de criptomoedas e outros ativos durante o mandato. No mesmo período, mais de um milhão de investidores perderam quase o mesmo valor — US$ 2,3 bilhões evaporados. Trump ganhou. Os trouxas que acreditaram na promessa perderam tudo. Pirâmide pura.

A Casa Branca virou escritório de vendas. Decisões favoráveis ao mercado crypto, redução de fiscalizações, eventos oficiais patrocinados por empresas da família, lutadores do UFC pagos em token Trump nos jardins presidenciais. O aniversário de 250 anos dos EUA foi sequestrado por uma estrutura paralela controlada por operadores da campanha, vendendo acesso, fotos com o presidente e pacotes milionários para financiadores.

Governos estrangeiros — Emirados, Arábia Saudita, Catar — injetaram centenas de milhões nos negócios da família enquanto negociavam acordos bilaterais com Washington. Conflito de interesses? Isso é eufemismo para corrupção institucionalizada.

Aqui no Brasil, a família Bolsonaro opera com o mesmo manual.

Flávio Bolsonaro e as rachadinhas, Queiroz, milícias, joias sauditas, Banco Master e as conexões com fraudes bilionárias, emendas parlamentares que explodem o orçamento, favorecimentos a aliados, uso da máquina pública para blindagem familiar e narrativa de perseguição. Trump monetiza a Presidência com crypto e eventos; aqui, o clã usa cargos, emendas, milícias e igrejas para manter o fluxo de poder e dinheiro.

Ambos vendem a mesma mercadoria envenenada: populismo de fachada. Prometem lutar contra o sistema, devolvem o poder ao “povo”, mas na prática constroem impérios onde o líder, os filhos, os aliados e os financiadores concentram riqueza, influência e impunidade. A bandeira vira produto. O Palácio vira vitrine. A nação vira marca registrada para enriquecimento privado.

Trump não “drenou o pântano”. Ele mergulhou nele e abriu franquias. Bolsonaro e filhos fizeram o mesmo no Brasil — e continuam tentando. O povo paga a conta: investidores quebrados, orçamento sangrado, democracia enfraquecida.

Acorda, povo!

Acorda, Brasil!

Não é patriotismo. É pirâmide com bandeira.

Não é liderança. É crime organizado com gravata e Bíblia na mão.

A extrema-direita mundial não combate elites. Ela é a elite parasita que se alimenta do povo que diz defender.



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Política

Michelle diz que só apoiará Flavio se ele fizer um pedido público de desculpas

Madrasta condiciona participação na corrida presidencial do filho do apenado à superação de conflitos familiares e políticos

Michelle Bolsonaro condicionou sua participação ativa na pré-candidatura presidencial do enteado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a um pedido público de desculpas por parte dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, apenado por tentativa de golpe de Estado, está em apuros após seu áudio com Vorcaro negociando milhões de dólares vazar e prejudicar os resultados das pesquisas de intenção de voto para presidente, especialmente entre evangélicos.

A informação foi revelada por lideranças do Partido Liberal à colunista Bela Megale, do O Globo, nesta segunda-feira (15/jun).

O distanciamento entre Flávio Bolsonaro e sua madrasta existe há anos, mas se agravou após o senador classificar a ex-primeira-dama como “autoritária”, em resposta à oposição dela à aliança do PL com o ex-governador Ciro Gomes no Ceará.

Fontes próximas à Michelle relatam que esse não foi o único episódio de desrespeito percebido por ela.

A relação com outro enteado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, também permanece azeda.

Eduardo resistiu publicamente à possibilidade de sua madrasta Michelle disputar a Presidência ou compor chapa como vice, enquanto atuou como um dos principais articuladores da candidatura de Flávio ao lado do pai.

Aliados de Michelle Bolsonaro no PL afirmam que ela só deve mergulhar na campanha quando a crise familiar for superada por meio de um gesto público de retratação.

Até o momento, os filhos de Jair Bolsonaro não sinalizaram disposição para realizar o pedido de desculpas em alto e bom som, conforme desejado pela ex-primeira-dama.

Questionada na semana anterior sobre quando entraria na campanha de Flávio, Michelle Bolsonaro respondeu que, neste momento, quem necessita de sua atenção é Jair Bolsonaro.

A exigência ganha relevância diante da queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada ena quarta-feira (10/jun), mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno.

No primeiro turno, Lula aparece com 39% e o senador com 29%.

De acordo com o Urbs Magna, mediadores do PL atuam para reaproximar as partes, argumentando que apenas a eleição de Flávio Bolsonaro abriria caminho para que Jair Bolsonaro saia de sua situação jurídica atual.

A entrada de Michelle como cabo eleitoral forte é vista internamente como essencial para reverter a trajetória negativa da campanha.

Tensões internas na família Bolsonaro expõem fragilidades na construção de uma candidatura unificada da direita para as eleições presidenciais de 2026.


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Brasil Mundo

Aliados de Lula pedem aos EUA investigação sobre relação de Vorcaro com família Bolsonaro

Fluxo financeiro teria partido de estruturas ligadas ao Banco Master, controlado por Vorcaro, e alcançado empresas ou prestadores nos EUA

Em Washington, deputados aliados de Lula solicitaram que parlamentares democratas investiguem uma suposta rede financeira, ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria operado em território americano em benefício de integrantes da família Bolsonaro, como o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

No documento assinado por Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG), o alvo central do pedido é uma suposta conexão entre recursos ligados a Vorcaro, estruturas financeiras relacionadas à Reag Investimentos e atividades atribuídas a Eduardo nos Estados Unidos.

Com maioria republicana nas duas casas do Congresso, um pedido de abertura de investigação desse tipo dificilmente avançaria neste ano. No fim de 2026, porém, os EUA passam por eleições legislativas que podem mudar o cenário.

Além disso, as investigações conduzidas pelo Legislativo costumam se concentrar principalmente em ações do Poder Executivo, e não em casos de corrupção envolvendo empresas privadas.

Nesses casos, os parlamentares poderiam, por exemplo, solicitar que o Departamento de Justiça conduzisse uma apuração. Há, porém, mais um obstáculo: esse tipo de pedido tende a ter maior peso político quando parte de congressistas alinhados ao partido do presidente dos Estados Unidos.

Parlamentar norte-americano preocupado
À Folha, o deputado democrata Jim McGovern (Massachusetts), que esteve com os parlamentares brasileiros na manhã desta quinta-feira (4), afirmou que foi uma boa reunião, disse ser “muito solidário a muitas das preocupações que eles levantaram” e que pretende continuar mantendo o diálogo com o grupo.

Sobre o pedido de investigação, ele disse não ter poder para abrir uma apuração, mas afirmou que “claramente são problemas de grande preocupação para mim”.

Também afirmou que, durante a conversa, os parlamentares concordaram que a “corrupção, seja no Brasil ou nos EUA, precisa ser denunciada”. Sobre eleições, disse que são os brasileiros que devem decidir sobre o próprio futuro e que “isso não cabe aos EUA”.

Os parlamentares afirmam que o pedido se baseia em informações públicas, reportagens jornalísticas, documentos e investigações em andamento no Brasil. Ao longo das oito páginas do texto, eles argumentam que há elementos suficientes para justificar a análise de movimentações financeiras, contratos, empresas, fundos de investimento, escritórios de advocacia e estruturas corporativas sujeitas à jurisdição americana.

Segundo os autores, uma das hipóteses a serem investigadas é a existência de um fluxo financeiro que teria partido de estruturas ligadas ao Banco Master, controlado por Vorcaro, e alcançado empresas ou prestadores de serviços nos Estados Unidos, com eventual benefício direto ou indireto a Eduardo Bolsonaro.

Pedido de dinheiro
De acordo com reportagem divulgada pelo Intercept Brasil, Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em áudios vazados à imprensa, o senador aparece fazendo o pedido.

A Polícia Federal apura se os repasses feitos por Vorcaro — por meio da Entre Investimentos e do fundo Havengate, localizado nos EUA — foram usados para custear a vida do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora no país desde o ano passado.

O documento também menciona suspeitas envolvendo fundos ligados à Reag Investimentos e cita investigações sobre possíveis esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Os deputados pedem que autoridades americanas verifiquem se recursos oriundos desse ambiente financeiro foram utilizados para financiar atividades políticas, jurídicas, de comunicação ou lobby nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, os parlamentares afirmam não atribuir responsabilidade criminal definitiva a qualquer pessoa. O objetivo, afirmam, é solicitar a abertura de procedimentos investigativos capazes de confirmar ou descartar as suspeitas apresentadas.

O documento pede que sejam analisados registros bancários, contratos, comunicações empresariais, estruturas societárias, beneficiários finais de pagamentos e eventuais relatórios de atividades suspeitas que estejam sob jurisdição americana. Os deputados também defendem a preservação imediata de documentos e a cooperação entre autoridades dos dois países.

Outro ponto do texto relaciona a atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos a possíveis tentativas de pressão sobre autoridades brasileiras. Os autores argumentam que, caso atividades políticas ou campanhas de comunicação no exterior tenham sido financiadas por recursos de origem ilícita, a jurisdição americana poderia ter sido utilizada para ocultar ou projetar internacionalmente esses recursos.

Relação com Donald Trump
Os parlamentares também citam a recente mobilização de aliados de Jair Bolsonaro para que o governo Donald Trump classificasse facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo o texto, é necessário investigar se iniciativas desse tipo tiveram impacto sobre mecanismos de cooperação internacional voltados ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.

Na semana passada, Eduardo, Flávio e o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo estiveram na Casa Branca para uma reunião com Trump. Eles afirmam que a principal demanda apresentada foi o pedido de classificação de PCC e CV (Comando Vermelho) como terroristas. A designação foi anunciada na semana passada e será formalizada nesta sexta-feira (5).

Nesta semana, o USTR (escritório de comércio dos EUA) concluiu uma investigação que durou um ano sobre suspeitas de competição desleal contra o Brasil, que incluíram reclamações em relação ao Pix e à regulação das big techs. Além disso, uma outra investigação que foi aberta neste ano, e incluiu o Brasil, também indicou que o país falha no combate ao uso de trabalho forçado.

Diante desse cenário, o USTR propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros — a decisão final cabe a Trump, que tem até 15 de julho para se manifestar. Pela proximidade entre a conclusão das investigações e a visita de Flávio, o governo Lula tem atribuído a medida ao senador. Ele, porém, negou ter feito esse tipo de solicitação às autoridades americanas e enviou ao secretário de Estado, Marco Rubio, um pedido para que os EUA não tarifem o Brasil.

Análise do pedido
A congressista americana Sydney Kamlager-Dove, copresidente da Bancada do Brasil (Brazil Caucus), afirmou à reportagem que irá analisar o pedido de investigação sobre o caso Vorcaro e as suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a família Bolsonaro.

Durante reunião com parlamentares brasileiros, Kamlager-Dove destacou que, embora tenha tomado conhecimento da denúncia apenas naquele momento, o pedido “faria sentido” diante do histórico de seu comitê, que já realizou audiências sobre corrupção no Brasil e ataques ao Supremo Tribunal Federal.

A parlamentar ressaltou que a possível utilização do sistema financeiro dos Estados Unidos para atividades impróprias é uma questão de interesse público transnacional.

“Se bancos dos EUA estiverem de alguma forma envolvidos em algo ilegal ou impróprio, o povo americano e o brasileiro precisam saber”, declarou. Além da corrupção, Kamlager-Dove relatou ter discutido com a comitiva brasileira temas como integridade eleitoral, proteção da democracia e preocupações com tarifas comerciais, traçando paralelos entre os desafios políticos enfrentados pelas duas nações frente ao avanço da extrema-direita.

*ICL


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Política

Por que o Pix se transformou num pedregulho na botina de Trump?

Agiota é agiota, nessa denominação, não existe absolutamente nada de positivo, a não ser a exploração nua a crua até de pagamentos feitos à vista em que as bandeiras americanas, no Brasil, ganham até sem casar um único tostão.

Pior, a maioria do comércio dá descomnto de 5% a 10% a quem paga serviço ou mercadoria em dinheiro vivo ou por Pix.

Não existe nada melhor para os profissionais da lei do menor esforço para se ganhar dinheiro, que jorra de uma fonte inesgotável, sobretudo para uma elite financeira global, como é o caso da agiotagem do Tio Sam.

Trump é tão pau mandado, tão sabujo das bandeiras americanas que ostentam cartões de crédito no Brasil, quanto o clã Bolsonaro é de Trump.

E se um Mastercard da vida quer o fim do Pix, Trump também quer, assim como Flavio. E se Flavio quer, é porque Bolsonaro também quer, porque, na verdade, Flavio nem existe sem o pai. Não só ele, absolutamente todos os filhos de Bolsonaro vivem par e passo com essa figura repugnante, que não tem classificação tão criminosa na história do Brasil.

Bolsonaro, como é sabido por todos, através da CPI do Genocídio, não comprava as vacinas, esperando quem daria mais propina por dose a ele e seu clã, como foi o caso da Covaxin. Lembram?

Pois bem, a coisa só não foi à frente porque a própria CPI denunciou, abortando a barbada que daria uma fortuna de propina ao clã.

Tudo isso custou a vida de mais de 700 mil brasileiros, e Bolsonaro sequer visitou um hospital durante a pandemia, nem um gesto de empatia num telefonema ao menos a uma família que perdeu ente ou entes queridos por covid.

Claro que Tump tem interesse de acabar com o Pix, porque o próprio tem negócios bilionários no sistema financeiro. Daí, a coisa fica mais premente.

Trata-se de um assunto perfeitamente entendido pela população brasileira, principalmente pelas camadas mais pobres, porque é uma das maiores fontes de renda das milícias, sobretudo do Rio de Janeiro, tão afeitas à família Bolsonaro.

Para encurtar o assunto, de forma objetiva, é só seguir o fio para entender por que o Pix se tornou um pedregulho na botina dos grandes capitalistas americanos, incluindo o próprio Trump e, consequentemente, os sabujos da escória global que essa gente tanto admira, oferecendo o brasileiro assado como almoço ou jantar desses abutres.


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Política

Família Bolsonaro é viciada em mentir. Seu maior adversário é o jornalismo

Os dias não têm sido fáceis para a família Bolsonaro. As reportagens do Intercept Brasil não têm dado espaço para ela respirar. É isso o que acontece quando o jornalismo revela o que os poderosos querem esconder.

A maior adversária dos Bolsonaros é a verdade dos fatos. Quando ela é exposta dessa maneira, eles se sentem intimidados e perseguidos pelo jornalismo. Sobram-lhes as mamadeiras de piroca e a guerra das narrativas.

Nas duas últimas semanas, as reportagens da #VazaFlavio escancararam para o mundo do que a família Bolsonaro é capaz no campo da mentira e dissimulação. Quando o Intercept perguntou a Flávio Bolsonaro se o filme do seu pai havia sido financiado por Vorcaro, ele gargalhou e disse que era mentira. Horas depois, um áudio o desmentiu de forma cabal. O ridículo se seguiu nos dias posteriores, com um choque de versões de aliados e novas mentiras sendo contadas para tapar buracos feitos por outras mentiras. A falta de vergonha na cara é infinita dentro do clã Bolsonaro.

Uma viagem desesperada
Desesperado com a queda nas pesquisas de intenção de votos, Flávio cavou uma visita à Casa Branca para tentar tirar o foco do escândalo e manter acesa a seita que tem fetiche com o presidente dos Estados Unidos. A foto com Trump sentado e Flávio em pé é o retrato perfeito da sabujice dessa família. O presidente americano nem se deu ao trabalho de se levantar da cadeira para tirar a foto.

A humilhação foi grande, mas eles saíram de peito estufado. Dois dias após a visita, o governo americano passou a classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como grupos terroristas – algo que excita o bolsonarismo, mas que atrapalha o combate ao crime organizado e ameaça a soberania nacional. Quem diz isso é o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público do Estado de São Paulo, que é o principal investigador do PCC no país há mais de 20 anos.

Considerar a medida do governo americano como um passo importante para acabar com as facções é só mais uma mentira do bolsonarismo. Até porque Flávio Bolsonaro talvez seja o político que mais tenha aliados enrolados com o crime organizado. Do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, Rodrigo Bacellar ao grupo político do ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro, há uma lista grande de aliados de Flávio que aparecem nas investigações sobre o Comando Vermelho. Ora, o próprio Flávio transformou seu gabinete de deputado estadual no Rio em cabide de emprego para o Escritório do Crime. É essa gente que vai acabar com o crime organizado?

Eduardo e sua vida de luxo
Menos de 24 horas depois do encontro de Flávio com Trump, o Intercept trouxe à tona outra mentira da família Bolsonaro. Diferentemente do que se dizia, Eduardo Bolsonaro não vive uma vida de dificuldades nos EUA. Vive uma vida de luxo em uma mansão com piscina em área nobre da cidade de Southlake, no Texas. Antes, o pobrezinho dizia ter dificuldades para pagar as contas nos EUA, chegando até a ter que dormir em colchão inflável. É realmente impressionante a ascensão social meteórica do ex-deputado que, de repente, passou a ter condições de pagar um aluguel de R$ 30 mil por mês mesmo estando desempregado. Ele não sabe explicar como foi que esse azarão da meritocracia — ou “Dark Horse”, se preferir — conseguiu vencer a corrida do “sonho americano”. Talvez o Daniel Vorcaro saiba.

Antes de publicar a reportagem, o Intercept buscou ouvir o que Eduardo Bolsonaro tinha a dizer sobre o caso. O jornalista Steven Monacelli bateu na porta da mansão e foi recebido educadamente pela esposa de Eduardo, Heloísa, que não quis dar entrevista. O casal então foi às redes para relatar dramaticamente que “um parceiro do PCC” teria assediado eles e a vizinhança. Até a polícia foi acionada para proteger a família ameaçada. O bolsonarismo ficou ouriçado com a história e passou a denunciar o que seria uma perseguição contra a família de Eduardo nos Estados Unidos. O golpista Paulo Figueiredo ameaçou usar a força contra jornalistas que ousarem procurá-lo em sua casa na Flórida.

Mentira desmontada
Eles não contavam que toda a abordagem do jornalista havia sido filmada por ele. O vídeo não mostra nada além de um contato cordial com Heloísa Bolsonaro. Monacelli tocou a campainha, perguntou com toda educação se podia conversar com Eduardo e foi embora diante da negativa. A publicação do vídeo desmontou com requintes de crueldade a narrativa de perseguição que o casal havia espalhado nas redes.

‘Quando flagrados mentindo, se fazem de loucos e inventam uma nova ladainha’.
A mentira derreteu em praça pública e deixou Eduardo atônito. Ao ser abordado por jornalistas para comentar o tema, contou novas mentiras para manter a narrativa em pé. “Desde março (de 2025) não recebo dinheiro público. Sou uma pessoa igualzinha a vocês: dinheiro privado, tudo meu. Moro de aluguel, ao contrário do que o Intercept falou. O Intercept dá fake news. O Intercept foi na casa errada, porque são péssimos jornalistas investigativos”, disse. É mentira sobre mentira. Eduardo Bolsonaro não teme o ridículo. O Intercept não disse que ele não mora de aluguel nem foi na casa errada. É só mais uma tentativa de jogar areia nos olhos da opinião pública. O fato é que o ex-deputado continua se recusando a explicar quem está bancando a sua vida luxuosa nos EUA.

A mentira não é apenas um método ou uma mera ferramenta política do bolsonarismo. É a sua quintessência. Absolutamente todas as suas narrativas fundamentais são baseadas em falseamentos da realidade. Jair Bolsonaro e seus filhos são viciados em mentir. Eles lideram uma seita numerosa, que acredita em suas mentiras e ainda cria outras para manter a roda das narrativas girando. Quando flagrados mentindo, se fazem de loucos e inventam uma nova ladainha. Pode até parecer que é enxugar gelo, mas desmascará-los e expô-los de modo permanente é fundamental. Essa é a única maneira de impedir que falsas narrativas se consolidem na opinião pública. Não é fácil, mas a realidade dos fatos acaba se impondo no final. O jornalismo bem feito é a kriptonita dessa gente.

*João Filho/Intercept Brasil


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Política

Envolvimento da família Bolsonaro com Vorcaro escancara a engrenagem da corrupção no Brasil

O escândalo do Banco Master revela como os ultra-ricos e a extrema direita se associam para moldar a política, mostrando que a raiz da corrupção no Brasil está fincada no sistema capitalista.

A revelação recente do Intercept Brasil de que Daniel Vorcaro e sua fortuna estavam por trás do filme “Dark Horse”, produzido pela família Bolsonaro para contar, de maneira bastante enviesada, a história do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro, causou um alvoroço no Brasil. Flávio Bolsonaro, que horas antes havia dito ser mentira, tentou moldar a narrativa, fingindo se tratar de mero apelo a um financiador privado qualquer para a realização de um projeto familiar.

Mas uma mensagem que diz “irmão, estou e estarei contigo sempre” não é trocada em simples transações financeiras. Essa nova etapa do escândalo Bolsomaster demonstra quão promíscua é a relação entre os ultra-ricos brasileiros e a extrema direita que insiste em roubar o povo, enquanto prega que Deus e o Brasil estão acima de todos.

A direita deturpa seu histórico de corrupção
Uma das vitórias políticas da direita brasileira foi a inserção no senso comum de que a esquerda rouba e é corrupta. É fato que há escândalos de corrupção também por representantes políticos de esquerda, desde a corrupção mais leviana de um parlamentar que se apropria de fundos públicos para si próprio, até esquemas mais elaborados de troca de favores e resolução de conflitos políticos através de liberação orçamentária. Mas a blindagem que a direita construiu para si não passa de uma narrativa cada vez mais frágil que esconde o quão enraizada está a corrupção no seu meio.

Um mito histórico e uma confusão sobre a base da corrupção são bem explorados pela direita para manipular a opinião pública. O primeiro se trata de uma ilusão de que durante o regime ditatorial militar iniciado com o golpe de 1964 não havia corrupção. Popularmente, propagam que os militares eram (ou ainda são) moralmente idôneos, incapazes de roubar, e que seu único interesse sempre foi zelar por ordem e progresso no Brasil.

Os próprios ditadores brasileiros investiram nesse ufanismo – como é praxe de ditadores fascistas que se escondem atrás do ultranacionalismo e ideias abstratas de unidade nacional – e representantes da direita conservadora e autoritária se munem desses sentimentos para eliminar dúvidas e questionamentos sobre seus afazeres.

Não se pode indagar sobre os interesses dos autoritários, já que tudo que fazem seria em nome do estado-nação. Qualquer visão contrária seria sinônimo de traição. Mas o que chamam de patriotismo, nacionalismo e amor ao Brasil sempre foi seletivo, voltado aos interesses de grupos específicos, tanto que não deveria causar estranhamento a obsessão dos mesmos com os Estados Unidos e o imperialismo.

É característica histórica do ufanista autoritário de estados pós-coloniais rogar por golpes e intervenções estrangeiras, crendo que uma força maior lhe concederá autoridade absoluta para moldar toda uma nação de acordo com os interesses financeiros e políticos de seus grupos. É um nacionalismo excludente que manipula a ideia de povo para, ao fim, governar apenas com uma elite de escolhidos e iguais.

Seu projeto depende de explorar e oprimir para se sustentar e é por isso que odeiam tanto os movimentos indígenas, negros, feministas e LGBT. Juntos, eles demonstram a complexidade de experiências de exclusão e violência entre as classes subalternas. É também por isso que odeiam propostas para a redução da jornada de trabalho. Mais tempo livre para o trabalhador é também mais tempo para se organizar e para se formar politicamente. Aumenta o risco de que o trabalhador brasileiro aprenda, por exemplo, que a ditadura militar foi um período altamente corrupto de nossa breve história como nação.

O negacionismo da corrupção na ditadura se dá por várias razões, mas uma delas seria de que vários militares morreram pobres, então como seriam corruptos? Essa visão simplista e completamente falsa é levantada por figuras como o senador Omar Aziz, do PSD do Amazonas, buscando esconder o quanto práticas ilegais e relações duvidosas entre os gestores do estado e grande burguesia faziam parte do cotidiano da ditadura.

A documentação histórica demonstra que o aumento do aparato estatal antidemocrático também abriu espaço para o pagamento de propinas e esquemas de favorecimento a empresários nos grandes projetos e operações do regime.

Relações espúrias entre o público e o privado
O apagamento do histórico de corrupção da direita e de regimes autoritários também serve ao falso diagnóstico da origem da corrupção. É muito fácil atribuí-la a um problema moral e mais ainda ao suposto tamanho gigantesco do estado. Neoliberais argumentam convenientemente que a esquerda prefere um estado gigantesco para facilitar a apropriação de recursos, mas, como a teoria é uma coisa e a prática é outra, a maioria dos neoliberais gostam do estado, desde que seja reduzido à sua função de facilitar o lucro e a concentração de renda.

Mecanismos de investigação e transparência democrática são rechaçados, frequentemente atribuindo métodos de participação social a “populismo” (palavra empregada de maneira esvaziada). Estado de bem estar social? Estado bem gerido para suprir necessidades do povo? Estado que garante justiça fiscal? Nada disso é bem-vindo para a direita, seja ela neoliberal ou desenvolvimentista.

O que sobra é o aparato do estado gerido ao lado da iniciativa privada, que nos empurra à privatização, mesmo quando diz fazê-la em nome do “desenvolvimento” – como já elaborei anteriormente nesta coluna. Se há imposto, que empresários possam se apropriar do seu uso para investimentos em setores que eles pretendem explorar. Ademais, em nome de uma visão torta de segurança pública, defendem a presença do estado nas periferias e espaços populares, pois estado bom é aquele que reprime e controla a população, nunca combatendo o crime na sua raiz, pois precisa do medo para justificar seu autoritarismo.

*Sabrina Fernandes/Intercept Brasil


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