Investigação sobre esquema de R$ 7,6 bilhões mira Márcio Canella, indicado de Flávio Bolsonaro ao Senado, e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, atingindo em cheio o coração da articulação eleitoral bolsonarista no estado para o pleito de 2026.
A ação cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens e suspensão de atividades de empresas ligadas ao grupo investigado, que é suspeito de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
O foco principal da ofensiva recai sobre Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado indicado publicamente por Flávio Bolsonaro (PL), e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do governo de Cláudio Castro (PL).
De acordo com as investigações, que correm sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Os dados consolidados pelo Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam para a prática de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e contratação direta ilegal, com fortes indícios de participação ativa de agentes públicos.
Alvos da investigação são candidatos da família Bolsonaro
A investigação abre uma crise profunda no palanque da extrema direita fluminense, uma vez que Canella consolidou-se como o nome de consenso da aliança entre o PL e o União Brasil para uma das vagas do Senado, recebendo pedidos explícitos de voto nas redes sociais por parte de Flávio Bolsonaro.
O outro alvo, o delegado Marcus Amim, foi uma das principais e mais polêmicas apostas do governador Cláudio Castro na área de segurança pública, tendo sua nomeação para a chefia da Polícia Civil. nos anos de 2023 e 2024, viabilizada por uma mudança na legislação estadual aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Amim, que também já presidiu o Detran-RJ e atuou como coordenador de segurança na Alerj, possui estreita interlocução política com Canella e com a base aliada do bolsonarismo fluminense.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, estrutura permanente da PF voltada ao combate a organizações criminosas no estado, em linha com as diretrizes da ADPF 635 do Supremo Tribunal Federal.
As buscas desta terça-feira ocorrem em endereços na capital fluminense, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A rede de postos de combustíveis sob investigação teria funcionado como estrutura de lavagem de recursos de origem ilícita, com possível participação de agentes públicos, embora a PF ainda não tenha especificado o grau exato de envolvimento de Canella e Amim, que figuram como alvos das medidas cautelares.
O avanço da Operação Unha e Carne aprofunda investigações que já vinham sacudindo a política fluminense em etapas anteriores. A operação teve início em dezembro de 2025 com foco inicial em vazamento de informações e influência política na Alerj, tendo como um dos primeiros alvos o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil).
As sucessivas fases da investigação têm provocado instabilidade nos arranjos eleitorais da direita e do bolsonarismo fluminense para o pleito deste ano, uma vez que atinge diretamente o candidato ao Senado preferencial da família Bolsonaro e o ex-secretário de segurança de um dos maiores aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro na região, segundo o Vermelho.
Na quinta fase, deflagrada em 2 de julho, a PF prendeu o bicheiro Adilsinho e apreendeu listas com nomes de políticos, incluindo anotações que citavam o governador Cláudio Castro. Castro negou ter recebido qualquer valor irregular e não é alvo dos mandados expedidos nesta nova etapa. A Polícia Federal segue com as diligências e a análise dos materiais recolhidos.
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