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Quaest mostra empate técnico na pesquisa espontânea

A pesquisa Quaest divulgada hoje, 14 de outubro, trouxe empate técnico na espontânea entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Quaest — pesquisa espontânea para presidente

  • Lula (PT)
    42%
  • Flávio Bolsonaro (PL)
    43%
  • Brancos, nulos ou não votarão 8%
  • Indecisos7%

Fonte: Quaest, divulgada em 14/10/2026.

Flávio aparece numericamente apenas 1 ponto percentual à frente de Lula, diferença insuficiente para apontar uma vantagem estatisticamente segura.
– Entrevistados: 2.154 eleitores.
– Período: 10 a 13 de outubro.
– Margem de erro: 2 pontos percentuais.
– Registro no TSE: BR-08729/2026.

Na espontânea, o entrevistador não apresenta os nomes dos candidatos. Isso torna o resultado especialmente interessante para acompanhar o grau de consolidação do voto.


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Quaest divulga 1ª pesquisa para presidente no 2º turno

Flávio Bolsonaro, 46%; Lula, 44%

Flávio Bolsonaro tem 46% e Lula 44%; pesquisa ouviu 2.154 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro

A Quaest divulga nesta quarta-feira (14/10) a primeira pesquisa para presidente no 2º turno das eleições de 2026, medindo a intenção de voto na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Confira os números Quaest para segundo turno.

Flávio Bolsonaro: 46%
Lula: 44%
Indecisos: 1%
Branco/nulo/não vai votar: 9%
O cenário é de empate técnico, dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais.

Votos válidos
Sem contar brancos, nulos e indecisos, os números da Quaest de 14 de outubro são:

Flávio Bolsonaro (PL): 51%
Lula (PT): 49%

Rejeição de Lula x Flávio Bolsonaro
A pesquisa Quaest também mediu o índice de rejeição dos candidatos:

Flávio Bolsonaro (PL): 54%
Lula (PT): 53%

Pesquisa espontânea
Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados respondem sem ver antes os nomes dos candidatos:

Flávio Bolsonaro: 43%
Lula: 42%
Branco e nulo: 8%
Indecisos: 7%
Transferência de voto
A pesquisa Quaest mediu a transferência de voto do primeiro para o segundo turno.

Eleitores de Caiado – 2% do total

42% declaram voto em Flávio Bolsonaro
23% escolhem Lula
2% estão indecisos
33% votam em branco ou nulo ou não vão votar
Eleitores de Renan Santos – 2% do total

40% declaram voto em Flávio Bolsonaro
14% escolhem Lula
3% estão indecisos
43% votam em branco ou nulo ou não vão votar
Eleitores de Augusto Cury – 2% do total

30% declaram voto em Flávio Bolsonaro
34% escolhem Lula
6% estão indecisos
30% votam em branco ou nulo ou não vão votar
Outros – menos de 1% do total

38% declaram voto em Flávio Bolsonaro
33% escolhem Lula
7% estão indecisos
22% votam em branco ou nulo ou não vão votar
Entre eleitores ausentes e que votaram em branco ou nulo

43% escolhem Lula
38% declaram voto em Flávio Bolsonaro
2% estão indecisos
17% votam em branco ou nulo ou não vão votar

A pesquisa de intenção de votos, encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.154 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08729/2026.

Série histórica da pesquisa Quaest Lula x Flávio Bolsonaro
Como a pesquisa Quaest mostrou Lula x Flávio Bolsonaro ao longo das eleições.

*TVTNews

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Política

Vídeo: Lula sobe nos trackings e pesquisas leva Flávio Bolsonaro recuar e decidir ir a debate da Band

Após descartar confronto na véspera, candidato do PL muda de posição em meio à redução da vantagem sobre Lula nas pesquisas e ao acirramento da disputa a 11 dias do segundo turn

Oavanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em levantamentos recentes e os sinais de acirramento da disputa presidencial coincidem com uma mudança brusca na estratégia de Flávio Bolsonaro (PL). Depois de anunciar na terça-feira (13) que não participaria do debate da Band, o candidato bolsonarista voltou atrás nesta quarta-feira (14) e confirmou presença no confronto marcado para domingo (18).

A reviravolta acontece em meio a pesquisas que começam a mostrar redução da vantagem conquistada por Flávio na largada do segundo turno e à circulação, nos bastidores das campanhas, de trackings — levantamentos internos realizados diariamente para orientar decisões estratégicas, inclusive sobre propaganda e participação em debates.

Na pesquisa PoderData/AYA divulgada nesta terça-feira (13), por exemplo, a distância entre os candidatos nos votos válidos caiu de seis para apenas dois pontos em cinco dias. Flávio passou de 53% para 51%, enquanto Lula avançou de 47% para 49%. Como a margem de erro é de 1,8 ponto percentual, os dois aparecem em empate técnico.

A BTG/Nexus, também divulgada na terça, trouxe Flávio com 52% dos votos válidos e Lula com 48%, igualmente em situação de empate técnico dentro da margem de erro. Um dos movimentos mais expressivos ocorreu entre os eleitores de 16 a 24 anos: Lula saltou de 49% para 57% nesse segmento.

Trackings aumentam pressão na reta final
Além das pesquisas públicas, números atribuídos a levantamentos internos das campanhas passaram a circular intensamente nos últimos dias. Os chamados trackings são utilizados justamente para detectar movimentos do eleitorado com maior rapidez e orientar mudanças de estratégia — entre elas a decisão de participar ou não de debates.

Esses números, porém, exigem cautela: como pesquisas internas não são necessariamente divulgadas com metodologia, amostra e demais informações exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para levantamentos públicos, os supostos vazamentos que circulam nas redes não podem ser tratados com o mesmo grau de confirmação das pesquisas registradas.

O jornalista Guga Noblat, por exemplo, relatou nesta quarta-feira (14) que teve acesso a um tracking do PL que mostra Lula já à frente de Flávio Bolsonaro, causando apreensão na campanha bolsonarista.

Flávio dizia que não iria; menos de 24 horas depois, mudou de ideia
Foi nesse ambiente que Flávio protagonizou a segunda mudança importante de posição em poucos dias — depois de também recuar sobre o fim da escala 6×1.

Na terça-feira, após um evento com integrantes do MDB em São Paulo, o senador havia sido taxativo ao ser questionado sobre o debate da Band.

“Não vou, não está previsto esse debate domingo. Estamos analisando, quem vai dar a palavra final vai ser a minha equipe técnica de ir no último debate”, afirmou, referindo-se ao confronto da TV Globo na reta final da campanha.

Lula respondeu confirmando imediatamente que estaria na Band.

“Domingo eu estarei no debate da Bandeirantes. Eu espero que o meu adversário compareça para que a gente possa fazer com que o povo tenha conhecimento da diferença de programa, da diferença de candidatura”, afirmou o presidente.

De acordo com a Forum, a emissora aumentou a pressão ao anunciar que o programa seria realizado mesmo sem Flávio. Pelas regras acertadas, o púlpito do candidato ausente permaneceria vazio durante a transmissão.

Menos de 24 horas depois, Flávio recuou.


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Nova pesquisa BTG/Nexus: espontânea, Lula 46%, Flavio 44%

Vamos ao que interessa:

Como está a disputa na pesquisa espontânea?

Quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao entrevistado, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro, com 44%. Outros 5% declaram espontaneamente voto branco ou nulo, enquanto 4% ainda não sabem ou não responderam.

O resultado difere do cenário estimulado, no qual Flávio aparece numericamente à frente. Na pergunta com os dois nomes apresentados aos entrevistados, o senador tem 48% contra 45% de Lula.

eleitorado ainda pode mudar de voto?
A pesquisa mostra um segundo turno com elevado grau de consolidação das escolhas. Entre todos os entrevistados, 92% dizem que a decisão já está tomada e não vai mais mudar, enquanto 7% afirmam que ainda podem trocar de voto e 1% não sabe ou não respondeu.

Ou seja, há uma boa margem para virar a favor de Lula.

A luta segue, agora com mais força.


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Pesquisa Vox Brasil: Lula tem 44,2% e Flávio Bolsonaro, 42,7% no segundo turno

Pesquisa mostra Lula liderando numericamente por 1,5 ponto percentual

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 44,2% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registra 42,7%. Os números indicam um empate técnico entre os dois candidatos, considerando a margem de erro de 2,15 pontos percentuais.

Os dados são de uma pesquisa do Instituto Vox Brasil, divulgada nesta sexta-feira (9). O levantamento ouviu 2.100 eleitores entre os dias 5 e 7 de outubro de 2026 e aponta uma vantagem numérica de 1,5 ponto percentual para Lula.

Na simulação estimulada de segundo turno, 3,4% dos entrevistados declararam intenção de votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum dos candidatos. Outros 9,7% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Mais de 76% dos eleitores afirmam ter voto definido
A pesquisa também investigou o grau de convicção dos brasileiros em relação à escolha para o segundo turno. Segundo o levantamento, 76,2% dos entrevistados afirmaram estar totalmente decididos sobre seu voto, enquanto 13,4% admitiram a possibilidade de mudar de candidato.

Outro indicador analisado foi a disposição dos eleitores de seguir orientações políticas de candidatos derrotados no primeiro turno. Apenas 17,2% disseram que acompanhariam a indicação de voto de seu candidato original.

Em contrapartida, 63,4% afirmaram que manteriam uma decisão independente, sem necessariamente seguir o posicionamento da liderança política apoiada anteriormente.

Os resultados indicam que a transferência de votos por meio de apoios políticos pode encontrar resistência entre parte expressiva do eleitorado, em um cenário no qual os dois candidatos aparecem separados por uma diferença inferior à margem de erro.

Lula e Flávio Bolsonaro apresentam índices semelhantes de rejeição
A pesquisa Vox Brasil também identificou um equilíbrio nos índices de rejeição dos dois candidatos à Presidência.

Lula registra rejeição de 45,2%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 44,2%. A diferença entre os dois é de apenas um ponto percentual.

Além disso, 7% dos entrevistados declararam rejeitar ambos os candidatos.

Os números mostram que os dois principais nomes da disputa enfrentam resistência de parcelas semelhantes do eleitorado. A rejeição elevada também representa um obstáculo para a conquista de novos votos em uma eventual disputa de segundo turno.

Metodologia da pesquisa Vox Brasil
O levantamento foi realizado pelo Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas entre 5 e 7 de outubro de 2026, com entrevistas presenciais domiciliares de 2.100 eleitores.

A margem de erro informada é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi contratada pelo próprio Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas Ltda. e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09623/2026.

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Após euforia com o resultado do primeiro turno, mercado se frustra com pesquisa do segundo turno que mostra empate técnico entre Lula e Flavio

A euforia do mercado com o resultado do primeiro turno revela como setores do poder econômico acompanham as eleições presidenciais de olho nas próprias expectativas. Quando uma pesquisa de segundo turno apresenta um cenário diferente daquele celebrado após a primeira votação, o entusiasmo dá lugar à frustração — e a narrativa construída em torno do resultado inicial começa a perder força.

O ponto central é que o primeiro turno não encerra a disputa nem determina o resultado do segundo. São momentos distintos, com novas estratégias, alianças, debates e movimentos do eleitorado. Transformar uma fotografia eleitoral em certeza antecipada é confundir expectativa com realidade.

O mercado comemorou antes da hora?

A reação foi expressiva: após o primeiro turno, a Bolsa brasileira subiu 7,7% e o dólar caiu 4,13%, refletindo as expectativas de investidores diante do desempenho de Flávio Bolsonaro.

Mas a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (8) mostra Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos, dentro de uma margem de erro de dois pontos percentuais, o que representa empate técnico.

A mensagem política e econômica é clara: a euforia dos investidores não é resultado eleitoral, assim como a reação negativa a uma pesquisa não significa que a disputa esteja decidida. O mercado reage às expectativas de lucro, às projeções fiscais e às perspectivas de governo. O eleitor, por sua vez, ainda precisa decidir seu voto.

E é justamente aí que mora o risco de transformar a Bolsa em torcida eleitoral: comemorar antecipadamente um cenário não faz com que ele se concretize. O segundo turno continua sendo uma disputa aberta, e os números das pesquisas devem ser lidos com atenção à margem de erro, à metodologia e às mudanças que podem ocorrer durante a campanha.


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Se Flávio Bolsonaro for ao debate com Lula, afunda. Se não for, afunda também

Flávio chegou ao segundo turno carregando um problema que nenhum treinamento de televisão consegue esconder: agora não haverá candidatos para dividir os ataques, nem espaço para discursos genéricos, nem a possibilidade de transformar adversários ausentes em espantalhos.

Será Lula contra Flávio. Um contra um.

Se Flávio for ao debate, terá de encarar Lula de frente, responder perguntas, sustentar suas propostas e explicar contradições, alianças e episódios que sua campanha preferiria manter longe dos holofotes. E, sobretudo, terá de demonstrar que existe por trás do sobrenome Bolsonaro alguma coisa além da herança política do pai.

Se fugir, o problema muda de forma, mas não desaparece. A ausência será interpretada como medo do confronto, incapacidade de sustentar suas próprias ideias e falta de preparo para ocupar a Presidência da República.

É o clássico dilema: se correr, o eleitor vê a fuga; se ficar, o eleitor vê o despreparo.

Flávio pode até escolher não comparecer. Pode tentar transformar a ausência em estratégia. Pode produzir lives, vídeos, discursos e acusações. Mas nada disso substitui o teste mais elementar de uma eleição presidencial: sentar diante do adversário e explicar, olho no olho, por que o país deveria entregar a ele o comando da República.

Por isso, o debate com Lula é uma armadilha política para Flávio.

Se for, corre o risco de afundar diante das câmeras.
Se não for, corre o risco de afundar pela covardia.

E talvez seja justamente essa a maior fragilidade de sua candidatura: Flávio precisa desesperadamente do debate para provar que está preparado, mas o próprio debate pode provar o contrário.


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Política

As 96 mensagens de Flavio e Vorcaro, 90 dias antes da prisão

Nas 50 mensagens do senador, 46 do banqueiro e oito ligações atendidas, um universo de encontros e milhões de dólares – eis o que mostra o chat encontrado pela PF

nze meses decorreram entre a primeira e a última tentativa de Flávio Bolsonaro de falar com Daniel Vorcaro, segundo mensagens registradas no celular do banqueiro. O primeiro contato ocorreu às 22h10 do dia 16 de dezembro de 2024, por iniciativa do senador. Quase um ano depois, em 16 de novembro de 2025, às 15h46, Flávio Bolsonaro escreveu a última mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!” Referia-se aos dólares que vinha recebendo do banqueiro. No dia seguinte a essa mensagem, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.

A extração de informações e documentos do celular de Vorcaro feita pela PF, e obtida com exclusividade pela piauí, permite reconstituir essa relação de ponta a ponta. O diálogo entre os dois tem 110 registros. São 50 mensagens de Flávio, 46 de Vorcaro e 14 ligações – oito delas atendidas. Entre as mensagens do senador, há cinco fotos e vídeos de visualização única, enviados na semana anterior à prisão do banqueiro, e uma mensagem apagada, em 23 de setembro de 2025.

Chat entre Flávio e Vorcaro, extraído do celular do banqueiro pela PF em 18 de novembro de 2025. Relógio ilustrativo: 9h40, hora de conclusão da cópia.

O conjunto mostra um clima de camaradagem entre os dois, com troca de amabilidades e sondagens. Das mensagens, pode-se depreender que a entre o senador e banqueiro tinha um certo grau de afinidade pessoal (as expressões “irmão”, “irmãozão” e “mermão” aparecem dezesseis vezes), mas se concentrava no âmbito dos interesses mútuos. No caso do banqueiro, era garantir sua influência junto à família Bolsonaro. No caso do senador, era o dinheiro: a intrincada negociação sobre remessa de dinheiro aos Estados Unidos e as insistentes cobranças que o senador fazia para o banqueiro para que liberasse os dólares atrasados.

As conversas se concentram entre agosto e novembro de 2025, mas isso não significa que não tenham existido diálogos nos meses anteriores. É que, após a primeira interação, o recurso de mensagens temporárias foi acionado por Flávio Bolsonaro, e as mensagens eram apagadas depois de 90 dias. Por isso, não é possível ver as interações de 16 de dezembro de 2024 a 17 de agosto de 2025. Foi nessa janela temporal que Vorcaro depositou 10,6 milhões de dólares com a justificativa de patrocinar a cinebiografia de Jair Bolsonaro – o nome Dark Horse não aparece nas conversas, mas eles se referem ao projeto como “o filme”.

Ainda assim, a partir de diálogos encontrados no celular do banqueiro com outros interlocutores e intermediários de Flávio pode-se concluir que eles mantiveram contato nesse hiato. Era um momento-chave na concepção da candidatura do senador. Flávio Bolsonaro sondava Vorcaro não apenas por meio de terceiros, mas também pessoalmente. Já se sabe que, após a primeira prisão de Vorcaro, já solto e com tornozeleira eletrônica, o banqueiro recebeu Flávio em sua casa, em São Paulo, no dia 4 de dezembro. No dia seguinte, Flávio confirmou a pré-candidatura à Presidência da República.

A relação entre os dois ocorreu ao longo do período de maior vulnerabilidade do banqueiro. Desde o fim de 2023, Vorcaro buscava proteção de autoridades do alto escalão da República, como a cúpula do Congresso e ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Sabedor de seus pecados, o banqueiro buscou blindagem em todos os cantos, como dizem fontes ouvidas pela piauí. “Ele acendeu uma vela para Deus e outra para o diabo”, resume um político que pediu para não ser identificado.

Flávio Bolsonaro escondia sua proximidade com Vorcaro até de aliados importantes da política – um sinal de que ele próprio suspeitava de problemas nessas interações. Depois que o escândalo estourou, em maio deste ano, Flávio mentiu repetidas vezes. Disse que não conversava com Vorcaro e que não havia dinheiro do Master no Dark Horse. Afirmou que o último pagamento para a produção do filme ocorrera em maio de 2025 e que sua visita ao banqueiro depois da prisão foi “para botar um ponto final” nos negócios entre eles. A dureza da expressão “ponto final” usada em público contrasta com a forma amável e cordial com que os diálogos eram conduzidos em privado. Por fim, alegou que nunca havia entrado em um avião de Vorcaro. Em todas as ocasiões, foi desmentido pelos fatos.

A relação fugidia entre o senador e o banqueiro está sob investigação desde julho de 2026 em razão da captação de dinheiro de Vorcaro para o Dark Horse envolvendo uma empresa que, agora se sabe, é investigada por suspeita de lavar dinheiro do PCC. O inquérito apura crimes financeiros nos repasses ao fundo americano Havengate, que recebeu dinheiro enviado a mando de Vorcaro por meio da empresa Entre Investimentos, do doleiro Antônio Freixo Junior, bem como o possível uso desses recursos em finalidades que não eram a cinebiografia de Jair.

Entre 16 de dezembro de 2024 e 20 de agosto de 2025, a conversa entre os dois está em branco. A piauí, no entanto, reconstituiu esse intervalo a partir das mensagens que Vorcaro trocou com outros interlocutores: o empresário Thiago Miranda, então presidente do Portal Leo Dias; o deputado Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura de Jair Bolsonaro; o cunhado e operador financeiro do banqueiro, Fabiano Zettel; e o amigo Flávio Carneiro, que chama o senador Flavio Bolsonaro de “meu xará”.

Nessas conversas, Flávio Bolsonaro aparece marcando reuniões, apresentando aliados, oferecendo acesso ao pai e cobrando o dinheiro prometido para a cinebiografia. Ao longo de onze meses, as conversas registram encontros marcados entre os dois em pelo menos seis ocasiões – de uma reunião na casa de Vorcaro em Brasília, em dezembro de 2024, a um jantar com o ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no Dark Horse, na casa do banqueiro em São Paulo, em novembro de 2025.

Uma parte dessas reuniões já foi revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo. O único encontro publicamente admitido por Flávio aconteceu depois da prisão, naquela reunião, ocorrida em 4 de dezembro de 2025, na véspera do anúncio da pré-candidatura de Flávio.

Diálogos entre Vorcaro e o publicitário e lobista Thiago Miranda também revelam um desvio na rota do financiamento que suspostamente bancou o filme. Thiago Miranda foi quem intermediou os contatos do banqueiro com Flávio Bolsonaro e os produtores executivos da cinebiografia, Mário Frias e Eduardo Bolsonaro.

Em 16 de dezembro de 2024, Miranda recebeu uma minuta do contrato da parte dos Bolsonaro e encaminhou para Vorcaro. No papel, os 24 milhões de dólares seriam depositados na conta da produtora do filme, a Go Up Entertainment LLC, registrada nos Estados Unidos.

Por alguma razão ainda desconhecida, no entanto, deu-se uma mudança. Em vez de a produtora receber o dinheiro, optou-se por um caminho mais longo e menos convencional. Em janeiro de 2025, os Bolsonaro elegeram um novo destino para os milhões de Vorcaro. Descartaram a conta corrente da produtora e acionaram a conta do Havengate, o fundo imobiliário registrado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto. Essa figura desconhecida no Brasil era não apenas amigo de Eduardo Bolsonaro, mas também responsável por seu processo de imigração. Calixto tinha um parceiro no Havengate: o corretor de imóveis Altieris Santana. Esse fundo foi o caminho do dinheiro que havia sido pedido pessoalmente por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro.

Os investigadores que acompanham o caso, ouvidos sob condição de anonimato, trabalham com a hipótese de que os dólares – ou parte dos dólares – acabaram não sendo usados no patrocínio do filme. Avaliam que toda a operação pode ter sido, na verdade, uma simulação de investimento que permitiria retirar o dinheiro nos Estados Unidos para outros fins. Além disso, os investigadores detectaram indícios do uso de um meio fraudulento de remessa, via Entre Investimento e Participações.

aproximação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro começou no dia 8 de dezembro de 2024. O empresário Flávio Carneiro escreveu a Vorcaro, de quem é frequente conselheiro: “Thiago tá cobrando se você vai num jantar c meu xará e o pai dele pelo que entendi, você tá ciente disso?” E opinou: “Acho uma roubada danada.” Ele falava de Thiago Miranda, o intermediador, e do encontro com Flávio e Jair Bolsonaro. Vorcaro respondeu: “Não sei nem de quem tá falando.” Carneiro explicou que Thiago Miranda insistia em juntá-lo com “o meu xará e o pai”, e o banqueiro encerrou: “Temos que pensar nisso.”

Pouco depois do meio-dia, Thiago Miranda escreveu ao banqueiro sobre “o filme do presidente”: “Flavio, bolso querem sentar com vc. Tem 40 minutos pra matarmos isso na quarta?” Disse ter “dois assuntos” (“Do filme do presidente e do SBT $$”) e que “Flavio [Carneiro] está ciente de tudo”. À tarde, Miranda insistiu: “Confirmei com o Flávio Bolsonaro. Quarta dia 11 às 17:30 aqui na sua casa de Brasília.” Era o começo de tudo.

Em seu estilo de combinar exposição absoluta em alguns casos com discrição severa em outros, Vorcaro escreveu para Carneiro na noite seguinte: “Não fala dessa reunião bolso pra ninguém!” E acrescentou: “Esse negócio acaba comigo.” Carneiro respondeu que estava “morrendo de medo” e que já comentara com ele ter “receio do xará”. À época, Jair Bolsonaro já havia sido indiciado pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado no processo que o levaria à condenação e prisão no segundo semestre de 2025.

Na véspera do encontro, Miranda encaminhou ao banqueiro uma mensagem do senador, que dizia o seguinte: “Amanhã vou levar o dep Mário Frias por ser o idealizador do projeto. Tem algum problema?” Vorcaro não se opôs.

No dia 11 de dezembro, Flávio Bolsonaro se atrasou para o encontro por causa da votação da reforma tributária no Senado. A partir das 17h59, Frias fez seis chamadas para o banqueiro, que não as atendeu. Às 18h30, Miranda escreveu ao banqueiro pedindo desculpas pelo atraso de Flávio: “Desculpa a confusão que o Flávio fez. Vou conduzir isso da melhor forma.” Pouco depois, Thiago acrescenta: “Isso não se faz. Eu tinha combinado com ele. Como o cara aparece na sua casa assim.” As mensagens não esclarecem que era “o cara”, nem por que sua entrada em cena fora um problema, nem mesmo se a reunião aconteceu.

As mensagens, no entanto, deixam claro que, naquele dia, um pacto foi selado. Isso fica evidente porque às 18h22, depois da sexta chamada não atendida pelo banqueiro, Frias escreveu “Tmj”, abreviação de “estamos juntos”. Depois de mais duas chamadas não atendidas, finalmente Vorcaro retornou para Frias. Tiveram uma breve conversa. Logo depois disso, Frias gravou um áudio para o banqueiro. “Só te agradecer, meu irmão”. Disse que o projeto iria “mexer com o coração de muita gente” e seria “muito importante para o nosso país”. O deputado terminava a mensagem de áudio de 17 segundos dizendo: “Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” Depois de ouvir o áudio, Vorcaro voltou a falar com Frias. O diálogo durou menos de 2 minutos.

Frias retomou a conversa quatro dias depois com a notícia de que o americano Cyrus Nowrasteh havia aceitado dirigir o filme e que o ator Jim Caviezel poderia interpretar Jair Bolsonaro, desde que o cachê fosse bom. Frias celebrou: “Milagres só são possíveis quando há fé.” E completou, em outra mensagem: “Vai ser a maior superprodução de uma história brasileira.”

No dia seguinte, 16 de dezembro, Frias escreveu ao banqueiro às 12h49: “Fala irmão. Tô com senador aqui. Pode falar ?!?”. A mensagem não identifica o senador, mas o contexto indica que era Flávio Bolsonaro. “Opa. Sim”, diz Vorcaro, e os dois iniciaram uma chamada de áudio que durou dois minutos e dois segundos. Logo depois dessa conversa Frias reforça em três mensagens:

– Tmj

– Aqui só os melhores guerreiros

– Família

Vorcaro responde com um “Bora”.

Uma hora e meia depois, Thiago Miranda escreve para Vorcaro. Disse que tinha acabado de almoçar com o pessoal do filme e que lhe apresentaria “todo o projeto e valores”. Às 19h24 e às 19h25, foram gerados os PDFs de um plano de negócios e de uma minuta de acordo de financiamento de Capitão do Povo, o nome que antecedeu Dark Horse.

Os documentos mostram que o investimento no filme seria de 25 milhões de dólares. Na página 9 do plano de negócios, um único investidor, identificado como “número 3”, aparece com 48 das 50 cotas de 500 mil dólares— o equivalente a 96% do orçamento previsto. A apresentação não permite identificar nominalmente esse investidor, mas nem precisava. Era um banqueiro sem nenhum filme no currículo, cuja experiência com o cinema, até então, se resumia à fantasia de Drácula que usou na festa “Halloween das Suíças”, para o qual convidou algumas das mais altas autoridades da República em 2023. Ele mesmo: Daniel Vorcaro.

A piauí comparou essa versão do plano, de dezembro de 2024, com uma versão anterior, editada pela Go Up em fevereiro do mesmo ano. O documento da Go Up dividia as cotas do filme entre três investidores e prometia concessão de green card, por meio de uma “empresa jurídica de imigração” – a descrição lembra os serviços do advogado Paulo Calixto, que também era o controlador do fundo Havengate. Também previa um quadro de “governança corporativa e compliance”, com prestação de contas, relatórios trimestrais e uma conta de garantia, conhecida no mundo empresarial como “escrow”.

A versão do plano de negócios que chegou a Vorcaro eliminou o green card, sumiu com as regras de controle e de complicance e reservou 48 das 50 cotas a Vorcaro. Na prática, virou o dono do filme.

Ainda naquele 16 de dezembro, às 22h10, Flávio Bolsonaro fez a primeira ligação para o banqueiro. Era o começo de uma troca que renderia quase uma centena de mensagens. Seis dias depois desse contato inaugural entre banqueiro e senador, Frias escreveu a Vorcaro dizendo que aquele era um filme de “justiça divina” e que “2026 é do Brasil”. A mensagem indica que os recursos para a suposta produção do filme, independentemente de implicações criminais, estava conectada com a futura campanha presidencial do candidato do PL.

Dias depois, Thiago Miranda escreveu para Vorcaro pedindo orientações sobre como proceder. Escreveu: “Já estou com tudo em mãos. Como prossigo?” Vorcaro lhe respondeu: “Tem que mandar 4 mm usd agora”, orientou, referindo-se à quantia de 4 milhões de dólares americanos, que correspondiam às duas primeiras de 2 milhões cada. Miranda avisou que tinha pedido “para o Mario Frias centralizar tudo comigo” e encaminhou dois arquivos. Eram mensagens encaminhadas de outra pessoa. “Aqui está o mapa do fluxo de investimento”, escreveu sobre o acordo.

A minuta, cujo texto foi recuperado da extração do celular de Vorcaro, previa que o financiador comprasse 48 cotas de 500 mil dólares, recebesse o dinheiro de volta com prêmio de 20% e depois uma fatia da receita, sem “direito ou autoridade legal para tomar decisões”. Os 24 milhões de dólares seriam depositados na “conta de produção Capitão do Povo”, da produtora americana Go Up Entertainment, de Karina Gama e Michael Davis, no Bank of America. O documento não tinha as assinaturas, o nome do financiador estava em branco, e o título interno do arquivo dizia: “Acordo financiamento da produção Eduardo final”. É um indício de que o modelo foi reaproveitado de uma versão ligada a Eduardo Bolsonaro. “Analisou algo do filme? Deixamos para resolver em janeiro?”, escreveu Miranda a Vorcaro em 20 de dezembro.

Procurados pela piauí, Karina e Davis não esclareceram a mudança da conta recebedora do dinheiro de Vorcaro. O produtor disse que processaria a revista caso fossem publicadas informações “afirmações materiais sabidamente falsas” a seu respeito.

Depois da ligação de 16 de dezembro de 2024, a conversa entre Flávio e Vorcaro só volta a ter registro em 20 de agosto de 2025. A perícia não recuperou mensagens apagadas no intervalo. Nesse hiato, a rota do dinheiro mudou, os dólares começaram a ser remetidos e depois rarearam, à medida que os rolos financeiros e legais de Vorcaro se agravavam. Mas o hiato pode ser preenchido com outras mensagens.

Logo em 6 de janeiro de 2025, Miranda pediu os dados da “empresa que vamos usar” para o contrato, e Vorcaro mandou o cunhado e operador Fabiano Zettel usar uma empresa dele mesmo, Zettel. E o banqueiro fez questão de alertar o cunhado sobre a relevância do negócio e pediu que não houvesse qualquer interrupção nas remessas de dólares. “Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais”, disse.

O dia 20 de janeiro marcava o início dos pagamentos do banqueiro para a produção de Dark Horse. “Hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme”, escreveu Miranda, referindo-se às duas parcelas que somavam 4 milhões de dólares. Naaquele mesmo dia, Vorcaro recebeu um print de uma mensagem que Flávio Bolsonaro enviou a Thiago Miranda pedindo “um gás” para desembaraçar o pagamento.

Para agilizar, o banqueiro resolveu usar, como fonte pagadora, a empresa Entre Investimentos e Participações, de Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. Mas o pagamento ainda demorou oito dias para cair, causando bastante inquietude para Flavio Bolsonaro. No dia 11, Miranda escreveu para Vorcaro: “Flavio B e Neypai estão me cobrando”, no que parece ser um referência ao pai de Neymar. O atraso deveu-se a um problema na remessa, que levou mais de uma semana para resolver.

Nos arquivos do celular, não há registro de quem decidiu trocar a conta da produtora Go Up pela conta da Entre Investimentos, nem por quê, criando uma escala na remessa do dinheiro.

O depósito na conta do Havengate, o fundo sediado no Texas, acompanhou a mudança de Eduardo Bolsonaro e família para os Estados Unidos. A primeira remessa saiu no meio de uma licença do então deputado. Três dias depois de o Havengate e a Go Up assinarem o contrato que fez do fundo americano o financiador do filme, em 24 de fevereiro, Eduardo se licenciou e se mudou para a região de Dallas.

Os documentos no celular de Vorcaro mostram também que, no papel, ele não era o financiador do filme. O banqueiro que corrompeu a República virou cotista do fundo Havengate, como mostra uma imagem da cláusula do novo acordo enviada por Miranda em 12 de março. É aí, para os investigadores, que o negócio deixa de ser cinema. Formalmente, Vorcaro não pagou um filme: subscreveu cotas, como quem aplica dinheiro num fundo. O dinheiro, porém, aparentemente não ficou aplicado, e o fundo serviu como ponte de passagem, segundo a PF.

Os investigadores ainda preparam o pedido de cooperação às autoridades americanas para rastrear o caminho do dinheiro. A PF concluiu que Eduardo “orientou” a gestão dos recursos nos Estados Unidos e investiga se parte deles custeou a estadia do ex-deputado no país.

*Ana Clara Costa, do Rio de Janeiro, João Batista Jr., de São Paulo, e Breno Pires, de Brasília/piauí


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Pesquisas Atlas: Eleição pode ser decidida no 1º turno

Lula e Flávio crescem, adversários caem e eleição pode ser definida no 1º turno, diz pesquisa Atlas

Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra movimento de migração de votos válidos, esvaziando candidaturas nanicas. Lula está a 3,7 pontos de uma vitória no primeiro turno.

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23) revela que as eleições presidenciais podem ser decididas no primeiro turno, com Lula e Flávio Bolsonaro (PL) oscilando positivamente na mesma margem, de 1,7 pontos, enquanto os adversários registram oscilações negativas.

Os demais candidatos, que há uma semana somavam 12,1%, agora registram juntos 9,9%. Renan Santos (Missão) segue na terceira posição, oscilando de 5,1% para 4,5%. Augusto Cury (Avante) caiu de 3,5% para 2,1%. Ronaldo Caiado (PSD) foi de 1,7% para 1,3% e Romeu Zema (Novo) de 1,1% para 0,9%. Os outros candidatos somam 0,8%. Brandos e nulos é 0,7% e indecisos 0,5%.

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Em votos válidos – excluindo brancos e nulos -, Lula tem 46,3%, ficando a 3,7 pontos de uma vitória no primeiro turno. Flávio Bolsonaro tem 43,9% dos válidos.

Nesse cenário, Santos vai a 4,6%. Cury tem 2,1%, Caiado a 1,4% e Zema a 0,9%. Os demais somam 0,8%.

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Segundo turno
No segundo turno, Lula está numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) por 0,3%, em situação de empate técnico dentro da margem de erro de 1 ponto para mais ou para menos. O presidente marca 47,7% contra 47,4% do senador. Brancos, nulos e indecisos somam 4,9%.

Lula também vence a disputa contra Ronaldo Caiado por 46,8% contra 44%, com 9,4% de indecisos, brancos e nulos. Contra Zema, a vitória é de 47,6% contra 42,2%, com 10,2% de indecisos, brancos e nulos.

Lula também vence Augusto Cury por 46,2% contra 39,4%, com 14,4% de indecisos, brancos e nulos. Já Renan Santos marca 31,2% contra 46,5% de Lula – 22,3% de indecisos, brancos e nulos. Forum.


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Política

“Não fala pra ninguém”: Vorcaro temia vazamento de jantar com Bolsonaro e Flávio

Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro, obtidas pela Carta Capital, indicam que o dono do Banco Master temia o vazamento de um possível jantar com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das conversas, o banqueiro escreveu: “Esse negócio acaba comigo”.

A troca de mensagens ocorreu pelo WhatsApp em 8 de dezembro de 2024. Carneiro perguntou a Vorcaro se ele participaria de um jantar “com meu xará e com o pai dele” e afirmou que Thiago cobrava uma resposta.

Vorcaro respondeu inicialmente que não sabia do que o empresário falava. Carneiro insistiu e disse: “Você não está sabendo? Achei que eles tinham falado com você”. O banqueiro então escreveu: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro.”

No dia seguinte, Vorcaro retomou o assunto e pediu sigilo a Carneiro: “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Após o cumprimento do empresário, o banqueiro acrescentou: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”. As mensagens não confirmam que o jantar tenha ocorrido.

Investigadores associam referências a Jair e Flávio Bolsonaro
Investigadores do Caso Master interpretam que o “xará” citado por Carneiro seria Flávio e que a referência ao “pai dele” apontaria para Jair Bolsonaro. A conversa menciona uma reunião, mas não detalha local, participantes ou eventual data para o encontro.

Naquele período, Bolsonaro cumpria medidas cautelares no processo sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre as determinações, estavam a entrega do passaporte, a proibição de deixar o país e a vedação de contato com outros investigados.

Fontes ligadas à investigação também identificaram o “Thiago” da conversa como o publicitário e lobista Thiago Miranda, dono da Agência MiThi. À época, ele integrava a sociedade do Grupo Léo Dias de Comunicação.

Miranda deixou a sociedade em maio de 2026, após se tornar alvo da Operação Compliance Zero. A investigação apura a suspeita de que ele tenha articulado o “Projeto DV”, voltado à contratação de influenciadores para questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master.

Conversa ocorreu durante operações investigadas no Caso Master
A data das mensagens chamou a atenção dos investigadores porque, em dezembro de 2024, o Banco Master já realizava operações com o Banco de Brasília (BRB) que posteriormente entraram na mira da Polícia Federal e do Banco Central.

Relatório do BC divulgado posteriormente apontou que o BRB adquiriu R$ 33,9 bilhões em ativos ligados ao Master, entre carteiras de crédito consignado, empréstimos e títulos. A PF identificou indícios de gestão fraudulenta em 25 operações que somaram R$ 17,5 bilhões.

Parte dos ativos teria origem em carteiras cuja existência ou consistência financeira passou a ser questionada pelos investigadores. O prejuízo potencial calculado para o banco público chegou a R$ 11,4 bilhões. As instituições e os investigados contestam irregularidades em diferentes partes do caso.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de gestão fraudulenta, emissão de títulos de crédito falsos e atuação de uma organização criminosa. Foi nesse contexto que a PF apreendeu o celular de Vorcaro e passou a analisar mensagens, áudios, documentos e registros de encontros mantidos pelo banqueiro com empresários, políticos e autoridades. O teor da conversa com Carneiro não esclarece por que Vorcaro acreditava que a divulgação da possível reunião poderia “acabar” com ele.

Financiamento de filme ampliou suspeitas sobre proximidade
Outros elementos encontrados posteriormente pelos investigadores, porém, reforçaram as apurações sobre a relação de Vorcaro com integrantes da família Bolsonaro. Flávio admitiu ter pedido ao banqueiro recursos para financiar “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do pai.

Segundo documentos da investigação, o projeto teria solicitado mais de R$ 130 milhões. Cerca de R$ 60 milhões teriam sido repassados para a produção do filme. A PF ainda apura o destino dos valores e eventuais irregularidades na captação e na movimentação do dinheiro.

Uma entidade ligada à produtora também recebeu cerca de R$ 6,2 milhões provenientes de verbas públicas, mas a apuração não havia identificado a destinação integral dos recursos. A defesa da produtora nega irregularidades e afirma colaborar com as autoridades.

*DCM


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