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ONG do filme de Bolsonaro emitia notas para si mesma em contrato milionário com Prefeitura de SP

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) revelou que a ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, emitia notas fiscais para si própria dentro de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi públicos na periferia da capital.

Segundo Bonduki, uma das hipóteses investigadas é que as movimentações entre contas da própria organização tenham sido usadas para criar camadas intermediárias de circulação de dinheiro antes da chegada ao destinatário final dos recursos.

“A ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro emitiu nota para si própria para justificar gastos no contrato com a Prefeitura de São Paulo. Esse é o nível do descalabro: milhões de reais para uma instituição dizer que está prestando serviços para ela mesma”, afirmou no X.

O parlamentar também declarou que os contratos desse tipo exigem prestação de contas detalhada ao poder público. “Nos termos de parceria, os extratos da conta vinculada ao projeto precisam ser enviados à Prefeitura e o dinheiro, em tese, só pode ser usado para a finalidade específica prevista no convênio”, disse.

Para Bonduki, o mecanismo pode ter servido para ocultar a real destinação de parte dos recursos públicos. “Se alguém quisesse repassar recursos para um destinatário que não gostaria que aparecesse diretamente na prestação de contas enviada à Prefeitura, uma possibilidade seria fazer o dinheiro circular primeiro por outras contas ou empresas ligadas à própria organização”, afirmou.

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito no fim de janeiro para investigar suspeitas de irregularidades no contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da gestão Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pela instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de internet gratuita por 12 meses.

O inquérito corre sob sigilo e foi aberto pelo promotor Ricardo de Barros Leonel, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, após representação apresentada por Nabil Bonduki. Segundo o vereador, há indícios de irregularidades tanto no chamamento público quanto na execução contratual.

O Instituto Conhecer Brasil pertence à empresária Karina Ferreira Gama, que também aparece como sócia única da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, em São Paulo.

O caso ganhou repercussão nacional após reportagens revelarem que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao menos R$ 61 milhões para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, em negociação feita diretamente com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As investigações agora também avançam sobre contratos públicos ligados ao entorno da produção do filme.

Bonduki afirmou que encaminhou a documentação ao Ministério Público ainda no ano passado. “É justamente esse tipo de movimentação que precisa ser investigado com profundidade”, declarou o vereador.

Nabil Bonduki
@NabilBondukiSP
Uma das hipóteses para a ONG da produtora do filme do Bolsonaro ficar emitindo notas para ela mesma e transferindo recursos entre contas da própria organização pode estar justamente na forma como funcionam os termos de parceria com a Prefeitura.

Nesses contratos, os extratos da conta vinculada ao projeto precisam ser enviados ao poder público, e aquele dinheiro, em tese, só pode ser usado para a finalidade específica prevista no convênio.

Agora imagine a situação: se alguém quisesse repassar recursos para um destinatário que não gostaria que aparecesse diretamente na prestação de contas enviada à Prefeitura, qual seria o caminho? Uma possibilidade seria fazer o dinheiro circular primeiro por outras contas ou empresas ligadas à própria organização, criando camadas intermediárias antes de chegar ao verdadeiro destinatário.

É justamente esse tipo de movimentação que precisa ser investigado com profundidade. Por isso, ainda no ano passado encaminhei todo esse caso ao ministério público que já abriu um inquérito.

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Nabil Bonduki
@NabilBondukiSP
A ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro emitiu NOTA PARA SI PRÓPRIA para justificar gastos no contrato com a Prefeitura de São Paulo! Esse é o nível do descalabro: milhões de reais para uma instituição dizer que está prestaando serviços para ela mesma. Uma das coisas mais absurdas que já vi. E olha que a gestão Nunes já está cheia de irregularidades absurdas.

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*DCM


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A mansão caiu: Flávio Bolsonaro está enrolado e confessa que dinheiro de Vorcaro foi para fundo ligado a Eduardo nos EUA

Difícil segurar a candidatura.

PF investiga se dinheiro pago por Vorcaro a Flávio Eduardo foi usado para bancar ações de coação de seu irmão Eduardo nos Estados Unidos

Osenador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, confessou nesta quinta-feira (14), em entrevista à GloboNews, que o dinheiro repassado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para o filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, foram direcionados a um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro.

Flávio se enrolou para responder a uma pergunta sobre o destino do dinheiro, insistindo que, apesar de os recursos terem sido, a princípio, direcionados ao fundo, teria sido usado na produção do longa, negando qualquer relação com despesas pessoais ou ações políticas de Eduardo nos EUA.

“Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, afirmou.

“Para colocar de pé uma estrutura dessa, criar um fundo, cuidar das questões legais, de burocracia, você tem que contratar um advogado, um advogado de confiança do Eduardo Bolsonaro, alguém que cuidou de todo o seu processo de green card. Está dentro do contexto do filme. O advogado é gestor do fundo”, completou.

PF investiga se dinheiro foi usado para bancar Eduardo Bolsonaro
A Polícia Federal abriu investigação para apurar se parte dos recursos repassados por Vorcaro pode ter sido usada para financiar atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo a coação internacional contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo é réu em ação penal que apura pressão política e econômica sobre magistrados brasileiros.

O escândalo veio à tona com áudios, mensagens e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil, revelando que Flávio negociou cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) com Vorcaro para financiar Dark Horse, sendo que US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) foram efetivamente transferidos em seis operações entre fevereiro e maio de 2025, via Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

Nos áudios, Flávio chega a chamar Vorcaro de “irmão” e garante:

“Estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Vorcaro foi preso um dia após esta mensagem, acusado de fraude bilionária e lavagem de dinheiro, enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, também foi detido por manter suposta milícia privada, chamada “A Turma”.

Produtora de Dark Horse desmente Flávio Bolsonaro
A GOUP Entertainment, produtora do filme, negou que Vorcaro tenha investido qualquer valor na produção. A empresa reforçou que negociações com potenciais investidores não configuram aporte efetivo e que todo o projeto foi estruturado de acordo com regras do mercado audiovisual, sem recursos públicos.

Flávio Bolsonaro é alvo de pedidos de investigação
Parlamentares da oposição reagiram ao caso protocolando pedidos de investigação, quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, além de sugerir CPI ou CPMI para apurar as relações da família Bolsonaro com Vorcaro e o Banco Master, segundo a Forum.

“As mensagens e o áudio revelam uma ligação política, financeira e até afetiva entre o clã Bolsonaro e o banqueiro: Flávio chama Vorcaro de ‘irmão’, diz que está ‘e estará contigo sempre’, afirma que ‘tudo isso só está sendo possível por causa de você’. No áudio, cobra ajuda sob o pretexto de parcelas atrasadas e risco de perder contrato, ator, diretor e equipe do filme”, afirmou Lindbergh Farias (PT-RJ), pedindo inclusive a prisão preventiva de Flávio.

Além disso, PT, PSOL e PCdoB protocolaram representações junto à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo apuração rigorosa sobre o destino do dinheiro de Vorcaro, que poderia ter sido desviado para atividades políticas internacionais.


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