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Quem está por trás do crescimento meteórico de Augusto Cury? O dedo de Pablo Marçal aparece cada vez mais

De repente, Augusto Cury deixou de ser apenas o escritor de livros de autoajuda e candidato quase invisível à Presidência para transformar-se em fenômeno eleitoral. Em poucos dias, saltou de 2% para 7,8% na Atlas/Intel. Mais impressionante ainda: ganhou cerca de 2 milhões de seguidores no Instagram em apenas uma semana.

Coincidência?

É justamente aí que Pablo Marçal entra em cena.

Reportagens publicadas nesta segunda-feira mostram que o crescimento de Cury veio acompanhado de uma verdadeira inundação de vídeos nas redes sociais, muitos deles com a mesma linguagem, estética e dinâmica de comunicação utilizadas pelo universo digital de Marçal. O apoio do ex-coach ao candidato do Avante é público e seus seguidores passaram a atuar fortemente em favor de Cury.

Não é necessário recorrer a teorias conspiratórias para perceber que existe uma engrenagem política e digital por trás dessa ascensão meteórica. A pergunta relevante é outra: até onde vai o apoio espontâneo de Marçal e onde começaria uma operação organizada para fabricar artificialmente um candidato competitivo?

Essa pergunta não é gratuita. A própria cobertura jornalística registra suspeitas de atuação não orgânica, inclusive com questionamentos sobre eventual financiamento irregular da avalanche de conteúdo pró-Cury. A campanha, naturalmente, nega qualquer manipulação.

E há um elemento particularmente revelador: Cury e Marçal parecem ocupar espaços diferentes de uma mesma prateleira política. Um apresenta a embalagem mais sofisticada, mais polida e menos agressiva; o outro construiu sua persona em torno do discurso motivacional, da provocação e da exploração maciça das redes. Não por acaso, o jornalista Matheus Pichonelli resumiu a semelhança com uma frase devastadora: “Cury é o Pablo Marçal que senta à mesa.”

É nesse contexto que ganha importância o histórico confronto entre Marçal e o economista Elias Jabbour no Inteligência Ltda.. O debate, realizado em novembro de 2025, colocou frente a frente o discurso motivacional e empresarial de Marçal e a argumentação de um professor universitário especializado em economia política e desenvolvimento. O episódio ganhou grande repercussão justamente pela diferença entre os métodos de argumentação dos dois.

O problema, portanto, não é simplesmente Augusto Cury crescer nas pesquisas. Democracia pressupõe que qualquer candidato possa crescer.

O que merece investigação é a velocidade desse crescimento, a explosão simultânea de suas redes, a participação da máquina digital associada a Marçal e a possibilidade de que uma candidatura esteja sendo impulsionada artificialmente por uma estrutura de comunicação extremamente profissionalizada.

Porque, se existe uma operação para transformar Cury em fenômeno eleitoral, ela não surgiu do nada.

E, olhando para a movimentação das redes, Pablo Marçal é um dos nomes que inevitavelmente aparecem no rastro dessa ascensão.

A questão agora é descobrir se estamos diante de uma onda eleitoral espontânea ou de uma onda cuidadosamente fabricada.

E essa diferença, numa eleição presidencial, é tudo.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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