A foto de Flávio Bolsonaro que remete à propaganda de Benito Mussolini tem um significado político muito forte: ela aproxima visualmente a campanha de Flávio da estética de propaganda do fascismo italiano. Não é apenas uma questão de aparência; é também uma questão de símbolos, memória histórica e mensagem política.
Segundo reportagem publicada pelo UOL em 10 de outubro de 2026, o canal oficial do Partido Liberal (PL) no WhatsApp divulgou uma montagem com o rosto de Flávio em preto e branco, ao fundo da expressão “Tropa do Flávio”. A composição lembrava uma propaganda de Mussolini instalada em Roma, em 1934. O partido retirou a imagem do ar e afirmou que não pretendia fazer essa associação.
O que essa imagem significa politicamente?
Culto à figura do líder
A propaganda fascista transformava o chefe político em símbolo absoluto do movimento. A repetição de sua imagem e de palavras de ordem buscava transmitir força, autoridade e unidade em torno de um homem.
A estética da mobilização autoritária
O preto e branco, a repetição de palavras e a centralidade do rosto do candidato evocam uma linguagem visual associada à propaganda política de massa. Nesse caso, a semelhança com uma peça histórica do regime fascista é o ponto central da controvérsia.
A normalização de referências extremistas
Quando símbolos associados a regimes autoritários aparecem em materiais de campanha, surge uma questão importante: até que ponto a comunicação política está normalizando referências históricas ligadas à supressão do pluralismo e das liberdades democráticas?
Por que a referência a Mussolini é tão grave?
Benito Mussolini foi o ditador que liderou o regime fascista italiano. Seu governo concentrou o poder, perseguiu opositores, reprimiu a imprensa livre e destruiu instituições democráticas.
A imagem histórica evocada pela montagem de Flávio foi utilizada em 1934, num plebiscito organizado sob o regime fascista, em que a escolha dos candidatos era controlada pelo próprio sistema.
Politicamente, a repercussão é significativa. A pergunta que fica é por que um partido que disputa a Presidência da República divulgou uma peça com uma referência visual tão carregada de significado histórico.
Em síntese, a fotografia coloca em discussão a relação entre o bolsonarismo, a exaltação de lideranças fortes e os símbolos históricos do autoritarismo. Não é preciso afirmar que Flávio seja Mussolini para reconhecer que a associação é politicamente explosiva.
E há uma contradição que merece ser explorada, quem pede o voto dos brasileiros em nome da democracia precisa explicar por que sua própria estrutura partidária divulga uma imagem que remete à propaganda de uma ditadura fascista.
O recado de Flavio Bolsonaro está dado, caso vença a eleição. Depois não diga que não foi avisado.
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