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Vídeo: Na GloboNews, Andreia Sadi defende fervorosamente Flavio Bolsonaro; Miriam Leitão rebate

Na GloboNews, a análise do debate da Band expôs uma divergência que diz muito sobre a disputa política em curso. Andréia Sadi insistiu em destacar a preparação de Flávio Bolsonaro e avaliou que Lula desperdiçou oportunidades de pressionar o adversário. Míriam Leitão, porém, rebateu: para ela, Lula conseguiu, sim, levar informações importantes ao conhecimento de quem ainda não conhecia os episódios levantados durante o confronto.

O ponto central é justamente esse: uma coisa é Flávio Bolsonaro ter sido treinado para escapar das perguntas; outra, muito diferente, é transformar essa preparação em mérito político.

Ao enfatizar que Flávio entregou o que havia sido treinado para fazer, Sadi praticamente reconheceu o caráter ensaiado de sua atuação. Mas será que um candidato deve ser avaliado pela capacidade de produzir cenas para as redes sociais ou pelo conteúdo de suas respostas, pela consistência de suas propostas e pela disposição de esclarecer questões em que está encolvido?

Míriam Leitão tocou numa questão essencial ao argumentar que Lula poderia ter alcançado eleitores que desconheciam as informações apresentadas. É justamente aí que a análise de um debate não pode se limitar à contagem de gols, como se a política fosse uma partida de futebol.

Há perguntas que produzem efeitos para além dos minutos de confronto: colocam assuntos na agenda pública e obrigam o eleitor a prestar atenção ao que antes passava despercebido.

Flávio pode ter chegado preparado para encenar, provocar e tentar desestabilizar o adversário. Isso, entretanto, não equivale a demonstrar preparo para governar o Brasil, absolutamente.

E fica a pergunta: quando a performance passa a valer mais do que o conteúdo, quem está sendo efetivamente avaliado — o candidato ou a qualidade de sua encenação? Fkavio saiu rebaixado do debate, Lula cresceu.

O embate entre Sadi e Míriam mostra que nem sequer existe consenso sobre o significado de uma vitória no debate. O eleitor, por sua vez, tem o direito de ir além do espetáculo e cobrar que um profissional da emissora seja imparcial ou ao menos que não demonstre tão escancaradamente que tem lado.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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