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Ou o Brasil acaba com as Bets, ou as Bets acabam com o Brasil

Vamos falar sem rodeio. As Bets são a nova crackolândia digital. Entraram nas casas pela tela do celular, vestidas de “aposta esportiva”, “joguinho” e “diversão”, mas o que fazem é moer salário, moer família e moer futuro.

O mercado chama de “setor”. Nós chamamos do que é: agiotagem legalizada, cassino na palma da mão, vício patrocinado por influencer e narrado por comentarista de futebol.

Enquanto o governo tenta taxar o pão do povo, as Bets sonegam bilhão, lavam dinheiro e compram o horário nobre. Compraram time, compraram campeonato, compraram até a fé do povo trabalhador que acha que vai ficar rico com um clique.

Não vai.

O que tem por trás de cada “ganhei 5 mil no Tigrinho” são cem famílias que perderam o aluguel, o botijão, o dinheiro da feira. É o pai que apostou o Bolsa Família. É o jovem que se endividou no agiota porque o aplicativo prometeu “cashback”.

Não é liberdade econômica. É predação.

Ou o Brasil regula, taxa pesado, proíbe propaganda e fecha a torneira dessa máquina de triturar pobre, ou daqui a cinco anos não vai sobrar nem time de futebol sem logo de aposta, nem família sem alguém viciado.

Ou o Brasil acaba com as Bets. Ou as Bets acabam com o Brasil.

Chega de fazer de conta que isso é negócio normal. Não é. É sangria.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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