Essa escória que mistura o dinheiro com o poder da grande mídia assistiu a outro filme durante a eleição presidencial. Parece que não viu, não ouviu e, sobretudo, não entendeu absolutamente nada do que aconteceu no Brasil.
Não é possível que essa gente ignore o que o mundo inteiro comentou e celebrou: as manifestações, as mobilizações populares e a extraordinária movimentação desencadeada no segundo turno para derrotar a família Bolsonaro e garantir a Lula seu quarto mandato presidencial.
A grande mídia, a serviço da Faria Lima e de seus associados, não quer apenas que Lula ignore a população que o reelegeu. Quer algo ainda mais perverso: que ele se volte contra essa mesma população para atender aos apetites dos abutres da plutocracia brasileira.
Essa gente trata a economia como negócio. Pior: como negócio próprio. E ainda consegue arregimentar uma legião de trouxas do andar de baixo que, por alguma espécie de delírio social, se imaginam empresários, sócios ou participantes de um universo de privilégios ao qual jamais terão acesso. Não fazem a menor ideia de como funciona esse mundo, mas defendem seus interesses como se fossem herdeiros da própria Faria Lima.
A mídia brasileira consegue mentir mais do que Flávio Bolsonaro e ser tão cínica e desavergonhada quanto o 01 do clã mais notoriamente vigarista da história política recente do país. Sem o menor pudor, trata a sociedade brasileira como a família Bolsonaro trata seu gado: com desprezo, manipulação e a certeza de que basta berrar mais alto para impor sua vontade.
O problema é que a mídia corporativa ainda não percebeu em que século estamos nem compreendeu a sociedade brasileira que saiu das urnas. O Brasil mudou. E a maioria da população não está disposta a continuar sendo encabrestada por essa entidade abstrata chamada mercado, que ninguém elegeu, mas que os jornalões insistem em apresentar como dona da democracia e tutora da República.
Incapaz de produzir um único argumento convincente para justificar seus recorrentes sermões em defesa de ajustes fiscais que retiram recursos da população e preservam os privilégios dos de cima, essa gente incorpora a besta do balão e se lança ao terrorismo editorial. Vale tudo: manchetes apocalípticas, previsões catastróficas, ameaças econômicas e editoriais que parecem escritos sob encomenda. O objetivo é cumprir o acerto de contas que as redações mantêm com a oligarquia financeira.
Os jornais são a própria obra do artista funesto. Suas capas parecem exposições de indigência intelectual. As manchetes, pintadas em letras garrafais, são tão previsíveis quanto idiotas. Mas e daí? Para quem confunde jornalismo com prestação de serviços à plutocracia, a vergonha deixou de ser um constrangimento profissional.
A mídia brasileira sempre foi vulgar em sua relação com os interesses populares. Nunca teve compromisso verdadeiro com o coletivo. Seu fígado sempre falou mais alto que qualquer responsabilidade pública. Especializou-se na mentira antissocial, na manipulação política e nos saltos ornamentais em defesa das próprias fortunas, como se a riqueza nacional fosse patrimônio particular de meia dúzia de famílias.
O que temos hoje não passa de uma caricatura de jornalismo, sustentada por uma legião de escribas indispensáveis ao jogo de cartas marcadas dos barões da comunicação. São os porta-vozes do lirismo rentista, da agiotagem institucionalizada e da velha oligarquia que ainda sonha em administrar o país como uma propriedade privada. Tudo, evidentemente, embalado no celofane da respeitabilidade, da suposta responsabilidade fiscal e da mais absoluta higiene moral que essa mesma escória adora cobrar dos outros.
É preciso dizer, com todas as letras, ao museu de mentiras que atende pelo nome de velha mídia brasileira: essa ferocidade canibalesca a serviço do dinheiro não encontrará mais uma sociedade passiva e ajoelhada.
A sociedade brasileira, mestiça, popular, plural e profundamente distante dos salões da elite branca que tantas vezes demonstra alergia à sua própria existência, não está disposta a continuar servindo de massa de manobra nem de pagadora compulsória dos privilégios do sistema financeiro.
O recado das urnas foi muito mais profundo do que a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro. Foi também uma demonstração de força popular contra um projeto de país subordinado aos interesses de uma minoria econômica que se julga proprietária do destino nacional.
E há algo que a velha mídia precisa compreender de uma vez por todas: para a população brasileira, a guerra contra esse sistema não terminou com a eleição. Ao contrário, apenas começou.
Lula recebeu das urnas o quarto mandato, mas recebeu também uma demonstração de força política e popular que não pode ser ignorada. Existe um Brasil mobilizado, consciente de seus interesses e disposto a defender o que conquistou.
O exército popular de Lula está de pé. E está pronto para enfrentar aqueles que, há décadas, confundem poder econômico com soberania nacional e acreditam que podem mandar e desmandar no Brasil sem jamais prestar contas ao povo.
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