O Wellington Management Group, fundo norte-americano de investimentos que é o quarto maior acionista da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), detendo 5,4% de suas ações, é o terceiro maior financiador da guerra de Israel contra a Palestina, tendo adquirido 250 milhões de euros (R$ 1,46 bilhão) em títulos de guerra (“Israel Bounds”) emitidos pelo governo de Israel.
Já a Blackrock Inc., companhia norte-americana que é a maior gestora de ativos financeiros do mundo, é a terceira maior acionista da Sabesp, com 6,1% das ações, atrás apenas do governo estadual (18,1%) e do Grupo Equatorial, chamado investidor de referência, com 15,1%. Esta empresa é a quarta maior detentora de títulos de guerra da dívida israelense, com 68 milhões de euros (R$ 398 milhões).
Finalmente, o segundo maior comprador de títulos de guerra israelense, o fundo norte-americano Vanguard, financia o esforço de guerra de Israel com US$ 546 milhões, ou R$ 2,8 bilhões. Ao mesmo tempo, é detentor de 2,32% do capital da companhia paulista de saneamento.
Segundo o governo israelense, o país aumentou drasticamente a emissão de “Israel Bonds” — um instrumento financeiro lançado pelo governo para angariar fundos junto de particulares e pequenos investidores — desde 7 de outubro de 2023, “devido à situação de segurança de Israel” na Faixa de Gaza. As receitas dos títulos revertem para o orçamento geral do Estado de Israel e, tal como anunciado pelas autoridades, ajudam a sustentar a sua capacidade militar.
No último dia 21, o escritório na Europa da organização humanitária Anistia Internacional divulgou uma declaração pública em que afirma que “a União Europeia (UE) deve pôr fim à venda de ‘Israel Bonds’ – títulos do tesouro do estado de Israel –, sob pena de se tornarem cúmplices do genocídio em curso contra os palestinos na Faixa de Gaza”.
A maior compradora desses papeis israelenses é a gestora de ativos norte-americana PIMCO, subsidiária da seguradora multinacional alemã Allianz, que adquiriu, por meio de sua subsidiária, quase 1 bilhão de dólares em títulos de guerra de Israel. Logo depois, vem o Vanguard, outro dos maiores fundos do mundo, com US$ 546 milhões, e sexto maior acionista da sabesp, com 2,32% do capital da companhia privatizada. Em terceiro e quarto estão o quarto e o terceiro maiores acionistas da Sabesp, Wellington Management e Blackrock.
Como o dinheiro do cidadão paulista financia o genocídio, e o papel de Tarcísio
Desde que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) bateu o martelo e privatizou a Sabesp, em 23 de junho de 2024, a companhia já distribuiu R$ 4,3 bilhões de lucro a seus acionistas. Em maio de 2025, pagou cerca de R$ 2,5 bilhões; em abril deste ano, entregou um montante adicional de quase R$ 1,8 bilhão.
Tudo isso em meio a centenas de denúncias de moradores espalhados por todas as regiões da Grande São Paulo, de que suas contas de água chegaram a subir mais de 600% desde a venda da Sabesp, enquanto convivem com cortes noturnos no fornecimento de água e explosões em obras tocadas pela empresa privatizada.
Assim, três fundos norte-americanos que financiam a guerra de Israel possuem, juntos, 13,42% do capital da Sabesp, percentual correspondente a R$ 577.060.000 (577 milhões e 60 mil) do lucro distribuído pela companhia até agora desde a sua privatização. Parte deste dinheiro – obtido com a cobrança nas contas de água dos paulistas – serve para financiar as operações militares israelenses na Palestina.
No dia 28 de abril deste ano, um fato relevante foi divulgado ao mercado: o fundo de investimentos norte-americano Wellington Management ultrapassara o patamar de 5% de participação (5,09%, ou 35,9 milhões de ações ordinárias) no capital da Sabesp.
A Wellington — uma das maiores gestoras de ativos de gestão do mundo, com mais de US$ 1 trilhão sob gestão — apenas anunciou publicamente a sua aquisição porque a marca de 5% de participação aciona a obrigatoriedade de divulgação do negócio à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ou seja, a compra sinaliza que a acumulação de ações pela Wellington foi deliberada e relevante, com a empresa revelando-se ao mercado como a dona da quarta maior fatia da Sabesp privatizada.
A Wellington Management não adquiriu por acaso as ações da companhia brasileira. Ela foi informada sobre a oportunidade de negócio pelo próprio governador Tarcísio de Freitas. O mandatário viajou aos Estados Unidos na última semana de junho de 2024, menos de um mês antes de privatizar a Sabesp, com o intuito deliberado de visitar as sedes de fundos internacionais de investimento e falar a respeito da oferta de ações e venda da empresa paulista.
E assim ele fez. No dia 27, realizou visitas comerciais a três fundos de investimentos. Entre eles, às 10h da manhã, estava o Wellington Management Group, identificado apenas como “Wellington” na agenda oficial do governador:
Assim, três fundos norte-americanos que financiam a guerra de Israel possuem, juntos, 13,42% do capital da Sabesp, percentual correspondente a R$ 577.060.000 (577 milhões e 60 mil) do lucro distribuído pela companhia até agora desde a sua privatização. Parte deste dinheiro – obtido com a cobrança nas contas de água dos paulistas – serve para financiar as operações militares israelenses na Palestina.
No dia 28 de abril deste ano, um fato relevante foi divulgado ao mercado: o fundo de investimentos norte-americano Wellington Management ultrapassara o patamar de 5% de participação (5,09%, ou 35,9 milhões de ações ordinárias) no capital da Sabesp.
A Wellington — uma das maiores gestoras de ativos de gestão do mundo, com mais de US$ 1 trilhão sob gestão — apenas anunciou publicamente a sua aquisição porque a marca de 5% de participação aciona a obrigatoriedade de divulgação do negócio à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ou seja, a compra sinaliza que a acumulação de ações pela Wellington foi deliberada e relevante, com a empresa revelando-se ao mercado como a dona da quarta maior fatia da Sabesp privatizada.
A Wellington Management não adquiriu por acaso as ações da companhia brasileira. Ela foi informada sobre a oportunidade de negócio pelo próprio governador Tarcísio de Freitas. O mandatário viajou aos Estados Unidos na última semana de junho de 2024, menos de um mês antes de privatizar a Sabesp, com o intuito deliberado de visitar as sedes de fundos internacionais de investimento e falar a respeito da oferta de ações e venda da empresa paulista.
E assim ele fez. No dia 27, realizou visitas comerciais a três fundos de investimentos. Entre eles, às 10h da manhã, estava o Wellington Management Group, identificado apenas como “Wellington” na agenda oficial do governador:

A agenda de visitas durou quatro dias, com dez fundos de investimentos visitados. É de se esperar que o governador não tenha transmitido qualquer informação confidencial a respeito da venda pública que faria dali a três semanas, mas fato é que os fundos que ouviram seu conselho e adquiriram ações da companhia logo após ou no ato de oferta de ações da Sabesp estão rindo à toa.
E não é para menos: só no dia do lançamento do balanço de terceiro semestre de 2025 (12 de agosto), por exemplo, os papeis da Sabesp subiram nada menos do que 9%, após a revelação de um lucro líquido que surpreendeu os analistas, de R$ 2,13 bilhões. No mesmo balanço, a companhia detalhou que o “ajuste tarifário de 2024” (quer dizer: aumento na conta) gerou um impacto positivo de cerca de R$ 179 milhões no comparativo anual.
Em julho de 2023, a ação da Sabesp era negociada a R$ 57,09. Já em 23 de outubro de 2025, a companhia encerrou o pregão com ações acima dos R$ 130, patamar em que é negociada até hoje, uma valorização de 130%.
Em outras palavras: o governo de São Paulo vendeu a Sabesp por menos da metade do valor que ela é negociada hoje.
Não é de se esperar que o Estado de São Paulo tenha deliberadamente precificado as ações da companhia abaixo do valor real no momento de realizar a privatização. Muito menos se pode imaginar que alguma informação nesse sentido pudesse ter sido vazada a executivos de grandes fundos de investimento, a troco do que quer que fosse.
De qualquer forma, fato é que estão rindo à toa os fundos norte-americanos que financiam o esforço de guerra israelense e foram convencidos por Tarcísio, quando o governador os visitou, às vésperas da privatização da Sabesp, a comprar papeis da companhia. Quaisquer que tenham sido os conselhos do governador que convenceram os fundos, se mostraram muito valiosos.
*Matéria publicada com exclusividade por Vinicius Segalla no DCM
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