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Economia cresce 0,6% em fevereiro e alcança maior patamar da história

Prévia do PIB foi puxada pela indústria e superou as expectativas do mercado ao mostrar a força da economia nacional mesmo com o cenário mundial desafiador, indica o IBC-Br

A economia brasileira cresceu 0,6% em fevereiro, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O resultado divulgado nesta quinta-feira (16) mostra que o desenvolvimento econômico nacional segue forte, o que contraria as expectativas do mercado financeiro, representado por analistas da Avenida Faria Lima (SP), que estimavam um crescimento menor, de 0,47%, de acordo com a Reuters.

O IBC-Br é chamado de “prévia do PIB”, pois acompanha o desempenho da economia pelos meses, sendo um ‘termômetro’ do crescimento do país. Com os dados de fevereiro, o país alcança o quinto resultado positivo seguido no índice, o que demonstra a resiliência nacional mesmo com a permanência de desafios globais, que incluem tarifas comerciais e conflitos armados.

O resultado de 0,6% de fevereiro foi puxado principalmente pela indústria, que cresceu 1,2% em comparação ao mês anterior, enquanto os serviços cresceram 0,3% e a agropecuária, 0,2%. No trimestre encerrado em fevereiro de 2026, houve crescimento de 1,1% em relação ao trimestre terminado em novembro de 2025. Em 12 meses, a prévia do PIB marca 1,9%.

Patamar histórico

Com o resultado atual, o IBC-Br chegou, em fevereiro, ao maior nível da série histórica (iniciada em janeiro de 2003) ao marcar 110,9 pontos e superar o recorte anterior de abril de 2025, quando esteve em 110,5 pontos.

A pontuação com ajuste sazonal é um número absoluto calculado pelo Banco Central com base numa régua a partir de 100, que é a média do ano-base (2022).

Momento positivo e volta ao top 10 do PIB mundial

Mesmo que a prévia do PIB não tenha captado os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira, considerando que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã começou no dia 28 de fevereiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já fez sua análise e, ao contrário daqueles que insistem em construir um cenário catastrófico em ano eleitoral, elevou a expectativa para o crescimento econômico do Brasil de 1,6% para 1,9% neste ano, segundo o Vermelho.

Com esse crescimento, o Fundo projeta que o Brasil irá superar o Canadá na décima posição entre as maiores economias do mundo, com a previsão de alcançar um PIB no valor de US$ 2,64 trilhões, em 2026. Já o Canadá tem previsão de crescimento de 1,5%, alcançando US$ 2,51 trilhões.

A análise do FMI é mais um sinal de que o governo brasileiro tem feito a lição de casa. Como sempre brinca o presidente Lula, em tom de ironia, “ele tem muita sorte”, já que a mídia e o mercado financeiro não admitem que seu governo tem sido extremamente hábil na condução do país, sempre superando as expectativas.


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‘Obviamente não são neutras’: se a economia cresce, por que as previsões do mercado são pessimistas?

Economistas afirmam que o mercado tem interesse em fazer a inflação subir para que haja aumento de juros, e usa a divulgação de previsões pessimistas sobre a economia em semanas críticas para influenciar o governo e impor sua agenda.

A economia brasileira vem apresentando um bom desempenho, tendo crescido 2,9% em 2023, com previsão de alta de 3,5% em 2024.

Apesar disso, algumas instituições financeiras têm alertado para um risco de recessão técnica no segundo semestre deste ano. Em relatório recente, Bradesco, Banco BV, Ativa Investimentos, Monte Bravo, Nova Futura e Tendências afirmaram que a combinação de juros altos, retração do consumo e incertezas fiscais são fatores que podem pressionar a atividade econômica.

Somado a isso, no final de janeiro o Comitê de Política Monetária (Copom) fixou a taxa básica de juros, a Selic, em 13,25% ao ano, o que encarece o crédito, reduzindo o poder de compra das famílias.

Fábio Sobral, professor de economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que recessão técnica ocorre quando há dois trimestres consecutivos, ou seja, seis meses, de queda da atividade econômica, do PIB.

Segundo ele, o mercado tem dois interesses. O primeiro é que a inflação suba para que se justifiquem aumentos de juros do Banco Central.

“No ano passado, foram pagos mais de R$ 750 bilhões de juros a esses especuladores. Então cada 1% aumenta cerca de R$ 50 bilhões nos ganhos deles. O segundo interesse é que a economia realmente entre em recessão, esteja em má situação, porque politicamente esse mercado financeiro se alinha ao projeto bolsonarista e quer derrubar o atual governo de qualquer forma”, afirma.

*Sputnik