O episódio envolvendo o Banco Master ganhou um contorno ainda mais preocupante diante da atuação de André Mendonça. Em vez de concentrar o foco nos fatos que precisam ser esclarecidos, o ministro passou a lançar suspeitas sobre terceiros, criando uma espécie de cortina de fumaça justamente quando as atenções recaem sobre as relações de Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro e sobre os elementos que aparecem no caso Master.
O absurdo maior está em transformar Lulinha em uma espécie de escudo político. A lógica parece evidente: se existe qualquer suspeita envolvendo o filho do presidente Lula, ela precisa ocupar o centro do debate, ainda que isso não responda às perguntas fundamentais sobre Flávio Bolsonaro, Vorcaro e o banco.
Uma investigação séria não funciona por associação política. Se existem indícios contra quem quer que seja, que sejam apurados, com provas, documentos, depoimentos e transparência. O que não pode acontecer é utilizar uma acusação contra uma pessoa como instrumento para desviar a atenção de outra.
E é justamente aí que a atuação de Mendonça se torna politicamente explosiva. Ao colocar Lulinha no centro da narrativa, cria-se uma conveniente equivalência: de um lado, uma acusação que precisa ser comprovada; de outro, um conjunto de fatos e relações envolvendo figuras do campo bolsonarista que também exigem esclarecimentos.
O problema é que uma investigação não pode escolher previamente quem será protegido e quem será exposto. Tampouco pode funcionar como instrumento de disputa eleitoral.
Flávio Bolsonaro precisa responder pelas próprias relações, pelos próprios atos e pelas próprias circunstâncias que aparecem no caso Master. Não existe justificativa republicana para transferir o foco para Lulinha sempre que surgem perguntas incômodas sobre o senador.
A pergunta que permanece é simples: por que, diante das suspeitas que cercam o caso Master, a estratégia passou a ser apontar o dedo para Lulinha em vez de esclarecer integralmente o que envolve Flávio Bolsonaro?
Se há algo a investigar contra Lulinha, que se investigue. Mas isso não apaga Flávio Bolsonaro, não elimina Vorcaro, não responde às perguntas sobre o Banco Master e muito menos encerra as dúvidas que cercam o caso.
O Estado de Direito não pode operar com dois pesos e duas medidas. Investigação não é escudo político. E ministro de tribunal superior não pode transformar uma suspeita contra terceiros em salvo-conduto para quem está sob escrutínio.
No fim, a tentativa de mudar o assunto pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário: quanto mais se tenta usar Lulinha como distração, mais evidente fica a necessidade de esclarecer, sem atalhos, o que Flávio Bolsonaro tem a explicar sobre o caso Master.
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