liderança mundial

Brasil se aproxima da liderança mundial do agro e ameaça hegemonia dos EUA, diz Financial Times

Brasil está a um passo de se tornar o maior exportador agrícola do mundo

Antes considerado um gigante absoluto da produção agrícola mundial, os Estados Unidos estão cada vez mais próximos de perder a liderança global para o Brasil. A avaliação é do jornal britânico Financial Times, que afirma que o agronegócio brasileiro vive uma expansão histórica e pode assumir, em breve, o posto de maior exportador agrícola do planeta.

Segundo a reportagem, a diferença entre os dois países diminuiu rapidamente nos últimos anos. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agrícolas, apenas US$ 2 bilhões acima do Brasil. Em 2021, essa vantagem era de US$ 56 bilhões, o que evidencia a velocidade da ascensão brasileira.

O Financial Times atribui boa parte dessa mudança às transformações provocadas pela guerra comercial iniciada durante o governo Donald Trump. As tarifas impostas contra a China levaram Pequim a diversificar seus fornecedores e ampliar significativamente as compras de soja e outros produtos brasileiros, consolidando uma relação comercial que se manteve ao longo dos anos.

O jornal destaca que o Brasil deixou de ser apenas um grande produtor de café, açúcar e suco de laranja para se tornar líder mundial também nas exportações de soja, carne bovina, carne de frango e algodão. O avanço tecnológico no campo, a expansão das áreas cultivadas e, principalmente, a possibilidade de colher duas safras por ano em boa parte do território nacional são apontados como fatores decisivos para esse desempenho.

Enquanto isso, agricultores norte-americanos enfrentam um cenário de margens cada vez menores, queda da demanda externa e maior dependência de subsídios públicos. Em diversos estados agrícolas, produtores relatam prejuízos mesmo após colheitas recordes, reflexo dos preços internacionais deprimidos e da perda de mercados estratégicos.

O periódico ressalta que, embora o Brasil ainda enfrente desafios importantes — como gargalos logísticos, infraestrutura insuficiente e pressões ambientais relacionadas à expansão agrícola —, a trajetória do país é vista como estrutural e não apenas conjuntural. Para analistas ouvidos pela publicação, o modelo brasileiro de produção em larga escala e alta produtividade tornou o país o principal concorrente dos Estados Unidos na disputa pela liderança do comércio agrícola global.

Na avaliação do Financial Times, caso as tendências atuais sejam mantidas, o Brasil poderá assumir nos próximos anos a posição de maior potência agroexportadora do mundo, simbolizando uma das maiores mudanças no equilíbrio do comércio internacional de alimentos das últimas décadas.


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Brasil soma 15% de novos casos da covid-19 no mundo e assusta cientistas

O Brasil assumiu a liderança mundial em novas contaminações pela covid-19, superando os EUA, e assusta cientistas estrangeiros e instituições internacionais. Dados compilados pelo Centro Europeu de Controle de Doenças apontam que, hoje, o país tem a maior intensidade de transmissão, com um recorde de infecções.

Se o número global de infectados desde janeiro de 2020 ainda coloca os EUA na primeira posição mundial com 29 milhões de casos, os técnicos europeus alertam que uma avaliação mais precisa do atual estágio da pandemia apenas pode ser feito se forem considerados os últimos 14 dias.

O período é determinado com base na incubação do vírus. Saber onde ocorreram as contaminações nessas duas semanas, de acordo com os pesquisadores, é saber onde está a crise hoje no mundo.

Neste período, o mundo registrou 5,4 milhões de novos casos da covid-19. 858 mil deles, porém, ocorreram apenas no Brasil, 15% do total. A população brasileira, porém, representa apenas 2,7% do planeta.

Nos EUA, foram 798 mil novos contaminados em 14 dias. A França também viveu uma alta. Mas atingiu apenas 300 mil novos casos, contra 258 mil na Itália, 223 mil na Índia e 114 mil na Alemanha.

Tanto entre pesquisadores europeus como no caso da OMS, o foco é o de saber se essa explosão de novas infecções no país deve ser explicada pela maior transmissibilidade da mutação P1 do vírus, ou se a onda está relacionada com o comportamento da sociedade e do governo no Brasil.

O documento semanal da OMS sobre a pandemia também deixa claro que a situação da variante do vírus identificado no Brasil preocupa. A agência confirma que a mutação é mais transmissível e pode evadir entre 25% e 61% da imunidade oferecida por uma infecção com o vírus original da covid-19. Isso, segundo a OMS, torna as pessoas mais vulneráveis a uma reinfecção. Além disso, a agência indica que estudos mostram que a variante é entre 1,1 e 1,8 mais letal.

O temor é de que, com uma vacinação lenta no país, um espaço amplo seja deixado para que a variante passe a ser dominante em todo o Brasil. Além disso, o risco é de que, com ampla circulação, novas mutações ocorram.

Pelo atual ritmo de produção e de compra de vacinas, o Brasil apenas conseguirá uma imunidade de rebanho com o imunizante em abril de 2022, oito meses depois de EUA e outros países ricos.

Nos bastidores, se a OMS acreditava que 2021 seria um ano para virar uma página na história da doença, a pandemia ganhou um novo centro: o Brasil, incapaz de controlar a doença e nem de chegar a um consenso nacional para enfrentar a crise.

Dados da agência sobre a situação global entre os dias 1 e 7 de março apontam, por exemplo, que o cenário brasileiro é o que mais preocupa hoje a entidade.

Enquanto houve uma queda de 6% em mortes pela covid-19 no mundo no período avaliado, o que se registrou no Brasil foi um salto de 23%. Foram 60 mil óbitos registrados no mundo, contra 9,9 mil no Brasil. Um dia depois dessa avaliação, o país batia um novo recorde, com 2,2 mil novas mortes em 24 horas.

De acordo com a OMS, o país vai na contramão do mundo. A queda de mortes foi de 17% nos EUA, 7% no México, 30% na África do Sul, 21% na Etiópia, 20% na Nigéria, 3% na França, 30% na Indonésia, 6% na Índia, 17% no Japão, 20% nas Filipinas e 36% na Malásia.

*Jamil Chade/Uol

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