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Site mostra onde é possível buscar votos para Lula virar contra Flávio no segundo turno

Plataforma independente cruza dados públicos do TSE, permite pesquisar endereços e aponta locais de votação com maior concentração de abstenções, brancos, nulos e votos em candidatos que ficaram fora da disputa

Em uma eleição decidida por uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos no primeiro turno, uma iniciativa independente resolveu transformar os dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um mapa para mostrar onde ainda há eleitores em disputa no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O site “Onde dá pra conversar” permite que o usuário informe onde mora, trabalha ou estuda, ou escolha diretamente um ponto no mapa, para identificar locais de votação próximos em que há maior número de votos potencialmente disponíveis para Lula.

A ferramenta não pertence à campanha do presidente, ao PT ou à coligação. Segundo a própria plataforma, trata-se de uma iniciativa independente e voluntária, feita pela MACAPE Pesquisas e Consultoria em Tecnologia Ltda., com conteúdo sob responsabilidade de Matheus C. Pestana.

Na página inicial, o projeto resume sua proposta: “Tem gente perto de você que pode fazer esse resultado virar”.

Como funciona o mapa
O sistema cruza os resultados do primeiro turno, seção por seção, com o cadastro dos locais de votação do TSE.

Entram no cálculo eleitores que não compareceram às urnas, votaram em branco ou nulo e aqueles que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno, além da distribuição geográfica dessas votações.

A ferramenta exibe os pontos em um mapa do Brasil e permite pesquisar por bairro, cidade ou rua. A partir daí, mostra a dimensão do eleitorado que, segundo sua metodologia, ainda poderia ser disputado naquela região.

Na atualização exibida pelo site, baseada em 496.784 boletins de urna, a plataforma calculava 47.913.428 votos que poderiam ser disputados em todo o país e apontava 26.857 locais de votação nos quais apenas a soma de abstenções, votos brancos e nulos seria suficiente, segundo seus cálculos, para alterar o resultado local considerado pela ferramenta.

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O próprio projeto ressalta que os números vêm dos boletins de urna publicados pelo TSE e do cadastro oficial dos locais de votação.

Para calcular as abstenções, compara quantas pessoas estavam aptas a votar em cada urna com o número de eleitores que efetivamente compareceram.

Dados agregados e voto continuam secretos
Apesar do grau de detalhamento geográfico, a ferramenta não identifica eleitores individualmente nem revela em quem uma pessoa votou.

Os dados eleitorais utilizados são agregados por seção.

Segundo a Forum, é possível saber, por exemplo, quantos votos Lula, Flávio Bolsonaro ou outro candidato recebeu em determinada urna, assim como o número de abstenções, brancos e nulos, mas não quem deu cada voto.

O site informa também que não solicita nome, e-mail ou telefone de quem sinaliza que pretende realizar uma conversa em determinada região.

Ao clicar em “Vou conversar por aqui”, o mapa apenas registra mais uma pessoa naquela área, numa tentativa de distribuir os voluntários por diferentes locais.

A iniciativa foi inspirada no projeto “Como meus vizinhos votam”, que também utiliza dados eleitorais para mostrar a distribuição dos votos por local de votação.

Ferramenta também compara propostas
O projeto não se limita ao mapa.

Há uma seção dedicada a orientar conversas com diferentes segmentos do eleitorado, incluindo quem não foi votar, votou em branco, anulou o voto ou escolheu Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema no primeiro turno.

No caso dos candidatos eliminados, o site coloca lado a lado trechos de seus programas de governo e do programa de Lula registrado no TSE, destacando pontos que considera semelhantes.

Entre os temas comparados estão educação integral, saúde mental, segurança pública, digitalização da saúde, prontuário eletrônico, filas do SUS e saneamento.

A plataforma disponibiliza as referências dos programas e as páginas de onde foram retirados os trechos apresentados.

“Olho no olho e nas redes”
O “Onde dá pra conversar” também apresenta uma espécie de roteiro de organização para quem pretende participar da mobilização eleitoral.

A orientação é consultar o mapa, formar grupos voluntários, dividir tarefas, conversar pessoalmente e atuar nas redes sociais.

Ao mesmo tempo, a página chama a atenção para limites da legislação eleitoral.

Orienta, por exemplo, a não adicionar pessoas sem consentimento a grupos de WhatsApp, não realizar disparos em massa e não pagar pelo impulsionamento de publicações.

A plataforma informa ainda que a mobilização de rua deve se encerrar às 22h de 24 de outubro, véspera do segundo turno.

No domingo (25), dia da votação, a orientação é não realizar campanha ou abordagem de eleitores.

A aposta do projeto é transformar a enorme quantidade de dados produzidos pelas urnas em uma pergunta mais concreta para a militância de Lula nesta reta final: não apenas quantos votos são necessários para virar a eleição, mas onde eles podem estar.


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Governo lança plataforma para facilitar emprego de profissionais autônomos pelas prefeituras

Programa Contrata + Brasil pretende facilitar acesso de microempreendedores às demandas dos municípios.

Por Heloisa Villela

De olho no novo perfil do trabalhador brasileiro, e no resultado positivo do Recife, o presidente Lula lançou, nesta terça-feira, o Contrata + Brasil, programa que vai reunir em uma única plataforma, os profissionais autônomos e as prefeituras do país. A ideia é cadastrar pintores, bombeiros, marceneiros e outros profissionais autônomos, no programa digital para que eles possam se candidatar quando a prefeitura precisar de pequenas compras e serviços.

A ideia já é uma realidade em Recife, que serviu de inspiração para o projeto federal. Por isso o prefeito João Campos (PSB-Recife) será o primeiro a aderir à plataforma, que já está aberta para que outros prefeitos se somem voluntariamente ao projeto.

O Sebrae vai indicar microempreendedores individuais (MEIs) para se cadastrarem, mas as prefeituras poderão indicar outros prestadores de serviços. A única exigência para ser listado na plataforma é não estar inadimplente e ter uma MEI, microeempresa que tem no máximo um empregado e faturamento de no máximo R$ 81 mil por ano.

O Contrata + Brasil vai funcionar da seguinte maneira: imagine que uma cidade precisa pintar o posto de saúde, consertar o ar condicionado da sede da prefeitura, ou trocar um cano de água de uma escola. O administrador municipal entra na plataforma e anuncia o que precisa.

Os profissionais cadastrados que prestam aquele tipo de serviço receberão um aviso, por whatsapp, sobre a oportunidade de trabalho e poderão fazer suas propostas. Um não vê o preço pedido pelo outro, mas quando a prefeitura escolhe com quem vai trabalhar, tudo fica registrado na plataforma, com preços e prazos.

Dessa maneira, as prefeituras poderão resolver esses pequenos problemas mais depressa, os autônomos que têm MEI vão disputar contratos aos quais não tinham acesso, e todo o processo de contratação será transparente e documentado. A adesão das prefeituras é voluntária. Porém, as que não quiserem usar a plataforma ficarão sob suspeita. Por que demorar mais para resolver um problema? Para não ter que revelar quem foi contratado, e por que preço?

A ideia da plataforma surgiu na Advocacia Geral da União e está em estudos há um ano e meio. A parte mais trabalhosa de todo o projeto foi, justamente, estabelecer todas as normas legais para o lançamento e o funcionamento do Contrata + Brasil.

O projeto nasce como uma instrução normativa do Ministério da Gestão e Inovação. Depois que o arcabouço legal ficou pronto, a equipe da AGU e dos Ministérios da Gestão e do Empreendedorismo visitaram Recife para ver de perto o funcionamento de um projeto semelhante. Foi como ter nas mãos um projeto-piloto, sem precisar desenvolver todo o programa.

Plataforma para os autônomos será ampliada
O governo Lula espera ampliar a plataforma para incluir compras e serviços de maior vulto em breve. A segunda fase, que começará a ser montada provavelmente em julho, vai incluir projetos maiores e cadastrar micro e pequenas empresas, agricultores familiares e cooperativas. Em uma terceira fase, empresas de todo tamanho, interessadas em vender bens ou serviços para o governo, poderão participar.

Hoje, as compras e serviços das três esferas de governo, municipal, estadual e federal, somam R$ 554 bilhões por ano. E todo esse volume pode ser negociado, no futuro, na plataforma Contrata + Brasil. O governo também acredita que haverá uma economia significativa de gastos porque um leilão de contratação de serviços custa certa de R$ 35 mil reais. Usando a plataforma, os governos vão economizar tempo e dinheiro, contratando mais rápido e dispensando a burocracia.

O Brasil tem hoje 16 milhões de MEIs em operação, mas apenas 70 mil fazem parte do cadastro de fornecedores do governo federal. Na primeira fase do novo projeto, o potencial de negócios é de R$ 6 bilhões. Esse foi o volume de gastos públicos, no ano passado, com pequenos reparos e manutenção. Os empreendedores e os governos não vão pagar nada para usar a plataforma. E a população poderá acompanhar cada passo das contratações e dos gastos públicos.

Esse modelo eletrônico de contratações já é adotado em países como o Chile e a Grã-Bretanha, onde o número de fornecedores para o governo, na área de TI, pulou de 20 para cerca de 5 mil quando o projeto entrou em vigor. Essa é a ideia: ampliar o número de empreendedores que podem vender bens e serviços aos governos, ampliando oportunidades para trabalhadores independentes, um eleitorado hoje distante do governo Lula. Com ICL.

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Advogados do X no Brasil dizem a Moraes não ter o poder de interferir nas decisões da plataforma

Representantes da empresa no país se desvincularam da gestão da plataforma; Dono da rede social, Elon Musk passou a ser investigado por decisão do STF.

Os advogados que representam o X (antigo Twitter) no Brasil disseram ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a empresa no país não tem “capacidade” de interferir na administração da plataforma.

Eles também afirmaram que seus representantes no Brasil não têm “autoridade” para tomar decisões relativas ao cumprimento de ordens judiciais.

Segundo os advogados, há “limites jurídicos, técnicos e físicos” do X Brasil e seu representante legal.

A informação foi enviada ao ministro na madrugada desta terça-feira (9), no inquérito das milícias digitais.

No domingo, Moraes incluiu o dono do X, Elon Musk, como investigado no inquérito e mandou abrir uma investigação para apurar as condutas do bilionário no possível cometimento de delitos como obstrução de Justiça ou incitação ao crime.

ameaçando descumprir determinações judiciais sobre suspensão de contas na plataforma.

Na manifestação ao magistrado, o X Brasil se desvinculou das atividades desempenhadas pela plataforma no exterior, dizendo que não tem relação com a gestão, operacionalização e administração da rede social.

Conforme mostrou a CNN, a Polícia Federal (PF) quer convocar representantes do X para prestar esclarecimentos. Investigadores afirmam que ainda não há data para os depoimentos.

Limites
Na manifestação enviada a Moraes, a plataforma no Brasil buscou se isentar de responsabilidade sobre a gestão da rede. Atribuiu a função a empresas sediadas nos Estados Unidos e na Irlanda.

Segundo os advogados, os negócios do X Brasil se resumem a comercializar e promover a rede e veiculação de publicidade virtual.

“Deve-se, no entanto, pontuar limites jurídicos, técnicos e físicos do X BRASIL e, notadamente de seu representante legal. Eles não detêm capacidade alguma para interferir na administração e operação da plataforma, tampouco autoridade para a tomada de decisões relativas ao cumprimento de ordens judiciais nesse sentido”, afirmaram os advogados, diz a CNN.

“Há impossibilidade física para tanto. Esta prerrogativa é exclusiva das Operadoras do X, que são as provedoras e operadoras da plataforma e que, portanto, detêm a responsabilidade integral pela sua gestão operacional ou decisória. Estas explicações são simplesmente fáticas e não jurídicas”.

Conforme o documento, o “poder decisório e a responsabilidade pelo cumprimento” de ordens judiciais “recai exclusivamente sobre as Operadoras do X, não englobando o X BRASIL. O objeto de atividade da X BRASIL é completamente distinto das Operadoras”.

Os advogados do X no Brasil disseram que a empresa no país é “autônoma e independente” e que “não possui qualquer relação com a gestão, operacionalização e administração da plataforma X”.

Segundo os representantes brasileiros, seus negócios se “restringem à comercialização, monetização e promoção da rede de informação Twitter, além da veiculação de materiais de publicidade na internet e de outros serviços e negócios relacionados”.

Os advogados disseram que a plataforma X é operada e provida pelas empresas X Corp e Twitter International Company, denominadas de “Operadoras do X” e estabelecidas nos Estados Unidos e Irlanda, respectivamente.

“O X Brasil e as Operadoras do X atuam em regime de cooperação para atender às ordens judiciais e requerimentos administrativos que lhe são destinados, sempre em observância aos limites legais”, argumentaram.

Os defensores do X Brasil ainda afirmaram que se limitam a comunicar e encaminhar decisões judiciais às Operadoras do X.

“No que se refere a ofícios, ordens e requisições de autoridades públicas e judiciárias endereçadas ao X Brasil que dizem respeito às ações das Operadoras X, sua atuação é restrita à imediata comunicação e reencaminhamento às Operadoras do X. As Operadoras do X são as exclusivas responsáveis pela tomada de qualquer decisão sobre os ofícios, ordens e requisições que venham a ser encaminhadas pela X Brasil”