25 de setembro de 2020
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Guru do governo Bolsonaro, Olavo de Carvalho é visto como arauto da direita e do conservadorismo brasileiros, que costumam defender os valores da família. Mas, segundo Heloisa de Carvalho, 50, mais velha dos oito filhos de Olavo, a própria família nunca foi uma prioridade para o escritor. Ela diz ter sido criada “jogada”, a ponto de, ainda criança, deixar de ir à escola porque o pai não pagava mensalidade nem comprava material. E vivia em uma casa com 30 pessoas, membros de uma comunidade islâmica liderada por ele, que chegou a ter três esposas ao mesmo tempo.

No livro “Meu Pai, o Guru do Presidente – A Face Ainda Oculta de Olavo de Carvalho” (Kotter Editorial), em pré-venda e com lançamento previsto para 15 de janeiro, ela e o filósofo, escritor e youtuber Henry Bugalho escancaram o passado da família com a qual ela não tem mais nenhuma relação. Com o pai, cortou o contato em 2017, quando, diz, tentou interceder por um dos realizadores de um documentário sobre Olavo que se sentiu injustiçado com falta de créditos. “Depois disso, ele me bloqueou de tudo. Então, eu disse: ‘Peraí, agora vou chutar o balde'”. Foi quando começou a divulgar as acusações contra o pai.

“Ele é um guru. Criou uma seita de fanáticos seguidores. Se ele falar que o céu é cor-de-rosa, vão acreditar. Mudou o grupo, o discurso, os hábitos, mas continua sempre sendo uma seita de zumbis cegos que não o questionam”, disse Heloísa.

Segundo ela, o objetivo de Olavo sempre foi ter “influência e poder”. “De repente, ele conseguiu, e eu me vi em uma questão pessoal e moral de falar: ‘Peraí, vocês estão comprando uma fraude’”.

No livro, Heloísa conta histórias da vida do pai, que segundo ela chegou a ter três esposas ao mesmo tempo quando montou uma seita esotérica islâmica na própria casa.

Heloísa diz ainda que foi obrigada a se converter à seita, sendo casada pelo pai aos 16 anos. Ela afirma ainda ter encontrado a mãe em uma banheira após tentativa de suicídio.

“Ela tinha cortado os pulsos, tem marcas até hoje. Saiu de lá para o manicômio. Meu pai deu meus irmãos para minha avó, e eu fui morar com ele”.

 

 

*Com informações Uol/Forum

Celeste Silveira

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