3 de outubro de 2021
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Cresci vendo meu pai dando gostosas gargalhadas de Mazzaropi. Na verdade, meu pai se via em seus personagens que foram magistralmente interpretados pelo jeca mais amado do país.

O imenso público arrebatado por um dos maiores artistas brasileiros trazia um grande significado, porque ninguém pintou nas telas do cinema de forma tão cruamente jocosa, o próprio comportamento da burguesia brasileira, revelando com exatidão aquilo que Machado de Assis já havia sentenciado:

“O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”.

E era justamente essa caricatura do Brasil oficial que Mazzaropi sabia descrever como um gênio que provocava gargalhadas nas plateias.

Não por acaso, hoje, a correspondente da GloboNews em Londres, Cecília Malan, reproduziu com fidedigna exatidão a alma do burguês funesto das terras cabrálias, num espetáculo de provincianismo. A moça, que parecia falar em divindades ao se referir à família real que teve estreita relação com o nazismo e que é acusada de racismo, de forma recorrente, até os dias que correm, mostrava-se muito mais sensibilizada com a morte do príncipe Philip do que uma jornalista comum ao anunciar a sua morte aos 99 anos. A inacreditável Cecília Malan se retrançava na própria história da família real como se dela fosse parte, uma espécie de herdeira brejeira do trono britânico.

Nada explica melhor a visão crítica do brasileiro comum, principalmente o caipira, com o provincianismo da nossa classe dominante.

Não por acaso que a repórter da GloboNews é filha do ex-ministro da Fazenda de FHC, Pedro Malan, que sempre se subjugou às lógicas da pátria do neoliberalismo, a Inglaterra, da qual FHC rezou a cartilha como se fosse a bíblia sagrada, entregando a Lula um país totalmente mutilado do ponto de vista econômico, mas sobretudo cultural.

E é isso que está na cena bizarra da filha de Malan ao anunciar, entristecida, mais do que o prudente, a morte do príncipe Philip.

Se Mazzaropi soube fazer uma descrição perfeita entre o caipira que, no Brasil, sempre foi concretamente a vanguarda do modernismo com o acúmulo de conhecimento próprio que adquiriu sendo o ponto central da fusão de inúmeras etnias e experiências acumuladas, como é o caso do meu pai, nascido na roça, mas extremamente apaixonado pelo desenvolvimentismo e pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e pela primeira cidade moderna que ajudou a construir, Volta Redonda, que ostentou a primeira indústria de base da industrialização brasileira, Mazzaropi, com a mesma habilidade, conseguiu compor com exatidão e arte, o burguês funesto que tão bem descrito por Mário de Andrade na Semana de Arte Moderno de 1922, em seu grande poema “Ode ao Burguês”, do livro Pauliceia Desvairada.

O Google, que nem brasileiro é, fez uma linda homenagem a Mazzaropi quando completaria 109 anos, pela síntese que ele representa do ponto de vista crítico do nosso povo. Enquanto isso, a Globo, supostamente brasileira, além de sublinhar o que disseram Mário de Andrade, Machado de Assis, dá asas à arte fantástica de Mazzaropi que mostrou como ninguém o quanto a burguesia brasileira é funesta e provinciana.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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