Mês: maio 2021

Em desespero de quem está com a cabeça a prêmio, Bolsonaro bate o martelo do leilão da Cedae implorando que o mercado o salve

O sorriso de Renata Vasconcellos, do Jornal Nacional, comemorando a entrega de grande parte da Cedae para fundos de investimento que compraram parte da Companhia de Água e Esgoto do Rio de Janeiro, que terão financiamento do BNDES, mostram que o patrimonialismo brasileiro sempre foi e sempre será a marca principal do pensamento das camadas ricas da sociedade no que se refere à ideia do bom burguês, como disse Mário de Andrade e muito bem definida por Sergio Buarque sobre o brasileiro cordial.

Bolsonaro correr para o leilão para bater o martelo de mais um pedaço do desmonte do Estado para servir à ganância do mercado, foi uma festa para a Globo. Mas não deixou de revelar o desespero de quem, segundo um dos seus principais aliados na CPI da Covid, o senador Ciro Nogueira, que disse que, para não ser degolado, Bolsonaro dependia apenas da caneta Bic de Arthur Lira. Imagina isso!

Como é que se deita a cabeça no travesseiro sabendo disso, que você pode dormir presidente e acordar presidiário. Sim, porque todos sabem que o impeachment de Bolsonaro significa bem mais do que a sua cassação, significa que ele perderá o poder de controle das instituições e terá que responder pelas acusações das formas mais variadas que pesam sobre seus ombros e de seus familiares.

Talvez as pessoas possam ter esquecido de que, se o Jair é o homem da casa de vidro, Lira também tem telhado de cristal, e se a justiça der uma ciscada para que o protetor de Bolsonaro entregue logo a rapadura, não há dúvidas, entre a sua cabeça e a de Bolsonaro, ele entregará imediatamente a do presidente da República.

Na verdade, ontem, Bolsonaro deu resposta à matéria de hoje publicada no jornal francês Le Monde que indaga, por que depois das atrocidades cometidas por Bolsonaro durante a pandemia que já matou mais de 400 mil brasileiros, ele ainda está na presidência e conta com um suposto apoio de 25% a 30% da população?

A resposta é simples e foi dada pelo próprio Bolsonaro, indo pessoalmente ao leilão da Cedae dar satisfação ao mercado e a própria confissão de Ciro Nogueira no encontro que teve com banqueiros e empresários e, de joelhos, pedindo apoio para o governo, para que o impeachment não dê em nada por pior que sejam as acusações e provas que desabarão sobre a cabeça do moribundo.

Os atos desesperados de bolsonaristas teleguiados pelo gabinete do ódio, que acontecem hoje, 1º de maio, pedindo intervenção militar, sublinham em vermelho que Bolsonaro está sentindo um cheiro forte e cada vez mais ardido de sua queda.

Para piorar, a fumaça que ganha cada vez mais tamanho e intensidade de que Mourão não só está pronto para entrar em campo, como já está esfregando as mãos, já virou realidade, como fogo que ajuda a elevar a temperatura da panela de pressão contra Bolsonaro capaz de lhe cozinhar em tempo recorde para ser devorado num banquete neoliberal com figuras mais palatáveis à sociedade, mas tão submissas ao mercado quanto o governo que aí está.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Bolsonaro critica ‘terrorismo no campo’ e diz que não vai regulamentar desapropriação por trabalho escravo

Apesar da crítica, presidente votou a favor, em primeiro turno, de proposta de emenda à Constituição que incluía a previsão de confisco.

Segundo matéria da Folha, Em um discurso a empresário do agronegócio, o presidente Jair Bolsonaro criticou o que chamou de “terrorismo no campo” e afirmou que não irá regulamentar emenda constitucional que prevê a expropriação de propriedades nas quais for identificada a exploração de trabalho escravo.

Neste sábado (01), na abertura da 86ª edição da Expozebu, o presidente disse que, no momento oportuno, pretende rever a emenda constitucional 81, aprovada em 2014, segundo a qual as propriedades rurais e urbanas confiscadas serão destinadas à reforma agrária e programas de habitação popular.

“Quando o momento se fizer oportuno, nós devemos, sim, rever a emenda constitucional 81, de 2014, que tornou vulnerável a questão da propriedade privada. É uma emenda que ainda não foi regulamentada e, com toda a certeza, não será regulamentada em nosso governo”, afirmou.

A emenda constitucional também prevê a expropriação de terras nas quais for constatada a plantação de plantas psicotrópicas. Ela ressalta que todo valor econômico apreendido “em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e da exploração de trabalho escravo” será confiscado.

A retirada da previsão do texto constitucional é uma das promessas feitas pelo presidente na campanha eleitoral de 2018, mas que, até o momento, não se realizou. Apesar de ter se tornado crítico da emenda, Bolsonaro votou, em primeiro turno, a favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que incluía o trecho.

No ano passado, o presidente já havia defendido que a prática do trabalho escravo deveria ser mais bem tipificada, punindo apenas o autor do crime, e criticado o confisco da propriedade do produtor rural que cometer ilegalidade.

Em discurso transmitido na cerimônia, Bolsonaro criticou movimentos sociais e disse que eles ainda têm levado “terror ao campo”. Ele afirmou que, na atual gestão, o MST (Movimento dos Sem Terra) perdeu força, mas que se preocupa com a atuação da LCP (Liga dos Camponeses Pobres).

“Nós temos um foco mais grave do que os malefícios causados pelo MST. Em Rondônia, a LCP tem levado terror no campo naquele estado”, disse o presidente, segundo o qual relatou discutir com o governador Marcos Rocha uma estratégia para “conter esse terrorismo no estado”.

Bolsonaro disse ainda que, na atual gestão, houve uma diminuição na ocupação de propriedades por grupos indígenas e defendeu o fim do que chamou de entraves burocráticos para viabilizar uma maior participação deles na produção rural.

Ao lado de Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, parabenizou agricultores e pecuaristas pelo Dia do Trabalho e disse que, mesmo em um cenário de pandemia do coronavírus, eles garantiram a segurança alimentar do país.

Também em uma referência ao Dia do Trabalho, Bolsonaro disse ainda que, em gestões anteriores, a data era comemorada com “camisas e bandeiras vermelhas”, o que, na opinião dele, passava a impressão de que o Brasil era um “país socialista”.

“Isso mudou. Agora temos a satisfação de ver bandeiras verde e amarelo por todo o país”, afirmou.

*Gustavo Uribe/Folha

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Fundos financeiros deitam na farra da entrega fatiada da Cedae

Como tenho comentado aqui com alguma insistência, os fundos financeiros (capital sem rosto) avançam sobre as empresas da economia real para ter o seu controle e propriedade que chamam de ativos.

Em especial os fundos avançam para ter o controle das empresas que estavam sob controle estatal e estão sendo entregues, desde 2016, na bacia das almas, a preço de xepa.

Agora foi a vez da Cedae esquartejada em blocos, por exigência do desgoverno federal, dentro do tal plano de recuperação do ERJ. Com todos os problemas, a Cedae dava lucros. Assim, mais uma estatal é entregue com forte apoio da mídia que ganha seu quinhão nessa farra patrocinada pelo fundos financeiros que merecem ser conhecidos.

Na mídia o nome dos fundos e corporações aparecem encobertos com pela definição “consórcio” e um nome de fantasia.

Engraçado é que mais de 80% do capital que estes grupos entram no leilão é financiado pelo BNDES que não se dispõe a emprestar para a própria Cedae expandir sua atuação como seria desejável. Para este leilão, a Cedae foi fatiada para os leões do mercado financeiro.

No certame encerrado há pouco, o leilão teve como vencedor do Bloco 1, que envolve a Zona Sul do Rio e alguns municípios o Consórcio Aegea que também levou o Bloco 4, área do Centro e Zona Norte da capital e outros municípios. Esse “consórcio” é controlado pela empresa financeira Equatorial Energia, a mesma que tem participação na Light e controla diversas outras empresas, também concessionárias de serviços púbicos, só que de energia elétrica, no Rio Grande do Sul, Pará, Maranhão etc.

Já, o Bloco 2 da Cedae que envolve Barra da Tijuca e outros municípios fluminenses, ficou com a Iguá Saneamento que é controlada pelo fundo FIP Iguá (Fundo de Investimento em Participações Multiestratégica) e também pelo fundo de pensão canadense, Pension Plan Investment Board (CPPIB) que, em março agora, de olho na concessão da Cedae aportou R$ 1,178 milhões no Iguá.

Ou seja, uma ironia, os trabalhadores canadenses são donos agora de uma parte da Cedae esquartejada e privatizada.

Assim, o setor de infraestrutura no Brasil (rodovias, concessionárias de energia elétrica e saneamento, aeroportos, petróleo, gás, etc.) é cada vez mais controlado pelos fundos financeiros e quase sempre com empréstimos generosos do BNDES.

Ah, um detalhe, nenhum consórcio ou fundo quis a fatia do Bloco 3, a região mais pobre do Rio, a zona oeste. Por que será?

*Roberto Moraes/247

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Bolsonaro se elegeu fazendo, junto com Guedes, discurso de horror a pobre

É do conhecimento de todos que Guedes e Bolsonaro tinham um projeto antipobre para colocar em prática, e colocaram.

Guedes ultrapassa o limite de um tecnocrata clássico, é uma múmia pinochetista que ainda vive, em pleno 2021, a ideia de um sonho dourado dos Chicago boys que era, em última análise, o início da pandemia neoliberal que varreu o planeta com a produção de um caos econômico e, consequentemente social que só via razão numa política econômica em que o mercado fosse um deus supremo e que qualquer busca por equilíbrio social era uma irresponsabilidade com as contas públicas.

Portanto, o objetivo de Guedes, mas também da mídia que o apoiou e segue apoiando seus desatinos, é manter uma política econômica subordinada apenas ao mercado. Ou seja, o Estado deve servir ao mercado, Estado este mantido pela população.

Essa chupeta, como a que se faz em carros, que suga gostosamente o sangue da sociedade é a principal lógica que coloca no mesmo saco qualquer um que tenha mais apego pelo dinheiro do que pela vida das pessoas, pode ser um banqueiro ou um assaltante, os objetivos e métodos são praticamente idênticos. O que diferencia um do outro é que assaltante, geralmente pobre, não tem grana para fazer lobby na mídia nem no Congresso para transformar o seu roubo em algo legal, como é o caso de todo o complexo do sistema financeiro do qual Guedes é um súdito fundamentalista.

Guedes jamais, antes ou depois da eleição de 2018, fez qualquer promessa de melhoria de vida para os brasileiros pobres, ao contrário, disse logo no começo de sua gestão que não tinha o menor compromisso com questões sociais, mas com a garantia dos rentistas e banqueiros e colocaria seu ministério a serviço disso.

Não é sem motivo que, além de produzir mais de 400 mil mortes por covid, essa política, que provocou a segunda maior quantidade de vítimas fatais no mundo, revela uma segregação pandêmica que faz com que morram três vezes mais pobres do que pessoas das classes média e alta.

Talvez por isso Guedes tenha deixado escapar a frase saída da própria alma, que o problema da saúde pública no Brasil, que é um sistema que atende basicamente aos pobres, é que todos querem viver mais de 100 anos, e conclui, foi isso que quebrou o Estado, e que os pobres acabam sendo um problema para as contas públicas.

Guedes não criticou o aumento da expectativa de vida dos ricos, o “todo mundo” que ele disse, referia-se aos pobres, porque dos ricos, ele comemora porque eles têm condições de alimentar a milionária indústria da saúde privada.

Guedes é exatamente aquela figura que o grande Milton Santos chamou de “fundamentalista do consumo”, que é o grande problema do neoliberalismo que inverte os valores quando o ser humano deixa de ser o centro das preocupações humanas e que o centro dessas preocupações passa a ser o mercado.

Também por isso, ele fez piada com o fato da empregada doméstica poder viajar para a Disney no período de Lula e Dilma, fazendo lembrar os piores escravocratas do século XIX. Agora, ele reproduz o mesmo discurso quando, em outras palavras, diz que o filho de um porteiro, através de Fies, pode cursar uma universidade.

Para Guedes, pobreza é uma condição inapelavelmente definitiva, nasceu pobre, que morra pobre. O que tem que valer é o Brasil dos sobrenomes e quem não os tem que não fique por aí perambulando em busca de melhoria de vida, que cumpra seu papel servil às classes dominantes e não encha o saco.

Parou de produzir para os ricos, então, que morra. E que produza com cada vez menos direitos, menos ganhos e com o menor poder de compra possível.

Temos novamente que lembrar, não há qualquer surpresa nisso, como também não há qualquer surpresa no processo de segregação que esse governo vem produzindo contra indígenas e quilombolas.

Quando Bolsonaro fez seu discurso racista em pleno Clube da Hebraica no Rio dizendo que não demarcaria um centímetro de terra dos indígenas e que os negros quilombolas tinham que ser pesados como animais, por arroba, foi efusivamente aplaudido, mais que isso, conseguiu mais apoio da grande mídia na sua campanha.

O que não se pode esquecer é que Bolsonaro e Guedes são um produto conjugado que inclui a classe dominante, uma mídia servil a ela, que mais uma vez mergulha o Brasil numa crise econômica que remonta governos neoliberais fracassados como os dos militares, Sarney, Collor, Fernando Henrique Cardoso e Temer, todos enxovalhados pelo povo com índices de reprovação que mostram o tamanho da ojeriza que a população brasileira tem deles, a mesma população que deu a Lula 87% de aprovação.

Por tudo isso, o governo Bolsonaro produziu em um ano mais de 7 milhões de desempregados e mais 15 milhões de miseráveis, como mostra o IBGE, com a metade da população vivendo em insegurança alimentar, sem saber se vai comer no dia seguinte.

Por outro lado, mesmo com a economia enterrada até o pescoço numa areia movediça, o Brasil deu à lista da Forbes 11 novos bilionários, o que revela que a pobreza foi a grande alavanca que impulsionou a fortuna dessa gente, através de uma política econômica malandra que faz com que, quanto mais o país decresce e o pobre fica ainda mais pobre, o 1% da população fica mais rico.

As declarações de Guedes são parte de um método para incendiar o eleitorado fiel de Bolsonaro que quer, acima de tudo, como sempre quis, antes mesmo de ser bolsonarista, que os pobres se explodam, porque a grande maioria é formada por cidadãos médios, banqueiros e empresários que sempre tiveram horror a pobre e, por isso o ódio doentio a Lula.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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