13 de outubro de 2021
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Essa é a fotografia do momento atual do Brasil, em que uma parcela significativa da população sofre pesadamente os reflexos de um golpe de Estado contra a presidenta Dilma e a volta do neoliberalismo com Temer e Bolsonaro.

Todos sabem que a instrução dos neoliberais é dizimar o Estado, resumi-lo a um gerente privado de condomínio e transformar o país num grande shopping center em que os que podem, consomem, e o que não podem, ficam do lado de fora, com a ideia de que, através do consumo dos que comem, o mercado salvará os que não comem.

Em síntese, essa é a situação presente do Brasil. Um modelo cívico herdado da escravidão e uma economia de modelo voltado apenas ao consumo.

O resultado refletido no favelamento que duplicou e no aumento do preço em 60% de carne de terceira, considerada até pouco tempo como refugo nos abatedouros e açougues, colocam o fascismo de Bolsonaro e o neoliberalismo da terceira via num mesmo saco.

Sim, porque não adianta essa turma que, como Dória  tem como slogan “privatiza tudo” se colocar como alternativa de alguma coisa quando, na verdade, representa o esgoto econômico que pariu Bolsonaro e que a chamada terceira via pretende adensá-lo, mas adornar com flores.

Podemos afirmar que a naturalização do racismo, do preconceito e da discriminação é também desempenhado pelo próprio sistema neoliberal em que uma dúzia e meia de milhões de brasileiros seguem desempregados e uma nação dentro da outra se equilibra na corda bamba da precarização do trabalho.

Por outro lado, tudo vira consumo a partir de uma confusão estabelecida pelo neoliberalismo, por uma democracia de mercado em que tudo tem que ser aproveitado pelo balcão de negócios, mesmo que o ser humano seja a principal vítima dessa distopia.

O que o Brasil vive hoje é parte da natureza do capitalismo que se encontra diante de conflitos reais e, sem um discurso oficial, ataca o discurso social para continuar privilegiando parcela ínfima da sociedade formada por banqueiros e rentistas que filosofam soluções sacerdotais que tiram o dinheiro da produção e alocam nos grandes templos do fundamentalismo neoliberal, os bancos.

É nessa concepção de sociedade que o ser humano se torna residual, ou seja, a ideia do resultado de uma ensandecida busca por lucros e dividendos afasta qualquer ideia de valores em que o humano esteja protegido da ganância de poucos.

O fato é que só se chegou a esse grau de violência capitalista pela violência da informação manipulada por uma mídia capturada pelo próprio sistema que, a cada passo dado pelo país, responde com uma avaliação de mercado e não das pessoas, o que faz de todo o ambiente social, político e econômico uma síntese esquizofrênica que tem que ter um fim.

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Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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