Dia: 3 de setembro de 2024

Licitação do Exército entra na mira do TCU por possível favorecimento à Starlink, de Elon Musk

Reportagem do ‘UOL’ mostra como a contratação da empresa pelo Comando Militar da Amazônia chegou ao Tribunal de Contas.

Um processo licitatório do Exército Brasileiro que só teve uma empresa concorrente, a Starlink – companhia de internet via satélite de propriedade do bilionário Elon Musk –, chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU) por suspeita de favorecimento.

O caso foi revelado nesta terça-feira 3 pelo site UOL. O contrato em questão é fruto de um edital publicado pelo Comando Militar da Amazônia neste ano com critérios que faziam com que a companhia de propriedade de Musk fosse a única apta a concorrer.

A investigação sobre o caso começou após publicação, em maio, de reportagem do jornal Folha de S. Paulo que apontava apontando “série de parâmetros que eliminam a concorrência e direcionam a contratação” da Starlink. Isso chamou atenção do Ministério Publico junto ao TCU. O valor total do contrato é de 5,1 milhões de reais.

Conforme publicou o UOL, o ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas, acionou o Comando Militar da Amazônia com uma série de questionamentos sobre a lista de exigências da licitação que, na prática, deixava a empresa de Musk como única concorrente.

Neste momento, as respostas enviadas pelo Exército estão sob análise da área técnica do TCU. O diálogo com os militares ocorre sob sigilo. Não há prazo definido para novos movimentos do caso no Tribunal.

O Exército se negou a responder perguntas do UOL, informando que “as dúvidas relacionadas quanto aos questionamentos levantados pelo TCU deverão ser demandadas àquele órgão.” A Starlink também foi procurada pelo site, mas não comentou o tema.

Empresas de Musk na mira
Na esteira do descumprimento de ordens judiciais pelo X, como a de bloquear perfis investigados e a de indicar um representante legal no Brasil, o ministro Alexandre de Moraes decidiu bloquear as contas da Starlink no Brasil, a fim de garantir que a rede social pague as multas impostas pela Corte.

A Starlink é uma empresa de internet via satélite operada por uma subsidiária da companhia aeroespacial SpaceX. Foi autorizada a operar em solo brasileiro pela Anatel em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), um admirador de Musk.

*Uol/Carta Capital

Starlink cumpre ordem judicial e bloqueia acesso à rede social X no Brasil

A Starlink, empresa do bilionário Elon Musk que oferece internet via satélite, anunciou nesta terça-feira (3) que cumpriu a ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e bloqueou o acesso à rede social X em todo o país. Até então, a companhia havia desafiado a determinação dada pela Justiça no último fim de semana.

“Aos nossos usuários no Brasil (que talvez não possam ler isso devido ao bloqueio do X por Alexandre): após a ordem da semana passada de Alexandre para congelar as finanças da Starlink e impedir que realize transações financeiras no Brasil […], apesar do tratamento ilegal em relação à Starlink […] estamos cumprindo a ordem de bloquear o acesso ao X no Brasil”, disse a empresa no X (a reportagem teve acesso ao conteúdo do post através de uma fonte no exterior.

A Starlink acrescentou que realiza o possível para manter seus usuários conectados e já tomou todas as vias legais para demonstrar que as ordens do ministro do Supremo violam a Constituição brasileira.

Alexandre de Moraes suspendeu no dia 30 de agosto a rede social X no país, diante da negativa de Musk em nomear um novo representante legal para a plataforma. Na sequência, determinou também o congelamento das contas da Starlink no Brasil, também propriedade de Musk, para garantir o pagamento das multas aplicadas pela Justiça à rede social — conforme o STF, o valor supera R$ 18 milhões.

Financial Times dá razão a Alexandre de Moraes e vê Musk como “míssil geopolítico desgovernado”

Jornal que é a Bíblia do mercado financeiro vê o fim da impunidade nas redes sociais

Em um artigo publicado nesta segunda-feira (2), o editor de Assuntos Internacionais do Financial Times, Gideon Rachman, descreveu o bilionário Elon Musk como um “míssil geopolítico desgovernado”, cujas intervenções imprevisíveis e imensas capacidades tecnológicas e financeiras podem alterar os rumos dos assuntos mundiais.

Recentemente, Musk se envolveu em uma disputa pública com o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, que suspendeu as operações da X no país. Segundo o Financial Times, esta medida marca um ponto de virada importante, indicando que “o tempo de impunidade das redes sociais no mundo democrático está chegando ao fim”.

O editor do jornal britânico observa que a suspensão da X no Brasil e outras ações recentes mostram que as redes sociais “poderão ser reguladas de maneira mais rigorosa, semelhante aos meios de comunicação tradicionais”.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender as operações da X no Brasil, representa uma declaração de que a soberania e a justiça do Brasil não podem ser facilmente subjugadas por interesses estrangeiros ou pela riqueza, diz o 247.

Musk e a conspiração da ultradireita

Por Luís Nassif

Há também uma ofensiva de estados nacionais para enquadrar as redes sociais. E a aliança erá com o tal libertarismo da ultradireita.

O alerta foi dado por Pedro Costa Jr na TV GGN 20 horas. Há um conjunto preocupante de indícios de uma armação geral para o 7 de setembro e nas vésperas das eleições municipais.

Primeiro, foi a ofensiva da Folha de S. Paulo contra o Ministro Alexandre Moraes, em cima de arquivos de celular levantados no ano passado. O material foi enviado a Glenn Greenwald. Desde que foi censurado no The Intercept, em denúncia que escrevera sobre as ligações do filho de Joe Biden na Ucrânia, Glenn aproximou-se da ultradireita norte-americana e tornou-se habitual do programa de Tucker Carlson, o principal comentarista de ultradireita do país.

Em seguida, ampliam-se as provocações de Elon Musk contra Alexandre Moraes, até chegar ao enfrentamento final, que levou à retirada do X. Agora, está aproveitando o episódio para potencializar ao máximo os ataques a Moraes e estimular as manifestações de 7 de Setembro.

Não apenas isso. Parlamentares da ultradireita da Califórnia tentam emplacar uma legislação de represália ao Brasil. Musk acenou com a possibilidade de “apreensão recíproca” de ativos do estado brasileiro. Simultaneamente, os Estados Unidos apreenderam o avião de Nicolás Maduro.

Nesse mesmo curto período, militares brasileiros mostraram insatisfação com a interrupção dos serviços da Starlink – a empresa de satélites de Musk -, e com a interrupção de negociações com Israel, para adquirir tanques de guerra, em um momento de orçamento apertado.

Musk é essencialmente um empresário que depende dos estados nacionais. A Starlink é bancada pelo Departamento de Estado. O apoio de Musk a Milei tem como meta o controle das minas de lítio na Argentina.

Finalmente, Eduardo Bolsonaro, que atua como representante da ultradireita de Steve Bannon na América Latina, revogou a proibição de se atacar o Supremo nas manifestações do dia 7 de Setembro.

Matéria do The New York Times relata:

“Musk, 52, usou repetidamente uma parte de seu império empresarial — X, anteriormente conhecido como Twitter — para apoiar vocalmente políticos como Milei, Jair Bolsonaro do Brasil e Narendra Modi da Índia. Na plataforma, Musk apoiou suas visões sobre gênero, festejou sua oposição ao socialismo e confrontou agressivamente seus inimigos. Musk até interveio pessoalmente nas políticas de conteúdo do X de maneiras que pareciam ajudar Bolsonaro, disseram dois ex-funcionários do X”.

Ao mesmo tempo, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, deu declarações reforçando as narrativas da ultradireita, sendo censurada. Na segunda-feira da semana passada, enviou carta ao Comitê Judiciário da Câmara, denunciando supostas “pressões” para censurar conteúdos durante a pandemia.

Há uma lógica nessa articulação e explica parte da sensação de poder de Musk:.

  • as grandes corporações sempre foram extensão do poder americano;
  • Hoje em dia, o único setor com predomínio norte-americano, além da defesa, são as grandes redes sociais.
  • Há uma relação umbilical das Forças Armadas brasileiras, tão umbilical e humilhante a ponto das comunicações serem transmitidas pelo sistema Starlink, que é bancado pelo Pentágono;
  • Há também uma ofensiva de estados nacionais – incluindo a União Europeia – para enquadrar as redes sociais. E a aliança natural será com o tal libertarismo da ultradireita nesses países.

*GGN

Marçal confirma que discutiu com jornalista ‘só para gerar cortes’ para redes sociais

No Roda Viva, candidato do PRTB à prefeitura de São Paulo diz que entrevistadores terão ‘que aguentar os cortes’ e volta a bater boca,

O empresário Pablo Marçal (PRTB) confirmou que reagiu de forma agressiva a uma pergunta da jornalista Clarissa Oliveira durante sabatina da CNN Brasil, no dia 26, apenas para produzir cortes para as redes socais. Após o programa, a colunista do canal revelou que Marçal deu uma explicação inusitada para o descontrole. “Olha, aquilo ali foi só para gerar cortes, viu?”, teria dito ainda dentro do estúdio.

— Falei isso mesmo — disse Marçal, no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira, atribuindo a tática a uma exposição menor do que os seus adversários fora das redes sociais. — Estou sem fundão, sem padrinho político, sem tempo de TV. Vocês vão ter que aguentar os cortes.

Na CNN, a jornalista havia perguntado sobre o envolvimento de Marçal, em 2005, com uma quadrilha que disparava e-mails para invadir contas bancárias e subtrair valores de correntistas. Ela argumentou que Marçal deveria ter cumprido a pena de quatro anos e cinco meses de prisão, em regime semiaberto, mas o caso acabou prescrito. Antes de terminar a pergunta, no entanto, o candidato a interrompeu e disse que a entrevistadora deveria “estudar um pouquinho”.

No Roda Viva, Marçal também se irritou ao ser chamado de “coach” e bateu boca com jornalistas em diversos momentos, incomodado com as perguntas. O candidato discutiu com a colunista do GLOBO, Malu Gaspar, sobre uma reportagem a respeito de planos para criar um partido político e pretender atrair o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Marçal adotou um tom ríspido ao pedir que não o interrompessem sempre que tinha a resposta comentada, ainda que tergiversasse sobre os assuntos ou aproveitasse o tempo para falar de outros temas. Perguntado sobre o uso de raps na campanha, o candidato respondeu cantando a música Diário de um detento, dos Racionais MC’s, enquanto o jornalista tentava concluir a pergunta.

Marçal disse não ter ideia de quanto gastou com os “campeonatos de cortes”, que premiam usuários que geram maior alcance com vídeos curtos relativos ao ex-coach nas redes sociais e que se tornou objeto de ação na Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico. Ele negou, no entanto, que as suas empresas tenham mantido pagamentos desde que anunciou a intenção de concorrer à prefeitura de São Paulo.

— Não faço ideia quanto que já gastei com isso. Foi um dinheiro razoável — declarou.

Por outro lado, rebateu os indícios de que um dos desafios tenha gerado ganhos eleitorais. No Discord, houve promessa de pagamento para os melhores colocados em um campeonato que exigia o uso da hashtag #prefeitomarcal nos posts para concorrer às premiações.

— Não teve pagamento. Pedi para parar porque sabia que ia dar problema — justificou, antes de se dizer “perseguido” pela Justiça Eleitoral na ação movida pelo PSB de Tabata Amaral e que resultou no desligamento dos seus perfis nas redes sociais sob o argumento de preservar a isonomia da disputa. Marçal fala em “censura prévia”.

PCC, ‘despachante’ e STF
Sobre o tema que gerou a polêmica na CNN, Marçal disse, ao Roda Viva, que se envergonha de ter se envolvido com uma quadrilha que disparava e-mails para invadir contas bancárias e subtrair valores e afirmou que “não é bandido”.

— Os candidatos falam: “Você roubava velhinhas”. Nem sei quem são essas pessoas. Eu trabalhei para um cara que fez isso, que inclusive pegou cadeia e foi condenado. Eu fui prescrito porque não tinha nenhum crime na minha vida antes — disse o candidato.

Outra polêmica abordada foi o suposto envolvimento do presidente do PRTB, Leonardo Avalanche, com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele se negou mais uma vez a dar mais detalhes sobre a conversa que teve com Avalanche em que teria pedido o seu afastamento, mesmo em um momento em que promete transparência na gestão pública.

— Peço que ele tenha bom senso. Eu resolvi me afastar, particularmente, dele, e estou seguindo a minha campanha em paz, porque é constrangedor o tempo inteiro ter que responder essas questões, segundo Samuel Lima, O Globo.

Marçal também se justificou por ter dado uma procuração para Florindo Miranda Ciorlin representá-lo junto a órgãos federais para realizar o trâmite de aquisição de um jatinho por R$ 9,1 milhões. Florindo já foi preso pela Polícia Federal, denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu na 1ª Vara Federal Cível e Criminal de Cáceres (MT) por suspeitas de fornecer aviões para traficantes transportarem 5,1 toneladas de cocaína da Bolívia para o Brasil. As informações foram reveladas pelo site “Metrópoles”.

— Não fiz negócio com ele, não. Era um despachante. É que nem ir no Detran. Foi só para a compra da aeronave, ele transferiu para mim e acabou. Comprei de um empresário do interior de São Paulo que não tem nada a ver com ele — disse.

As suspeitas de envolvimento de pessoas do seu partido e do seu círculo pessoal, como o influenciador fitness Renato Cariani, com o crime organizado levantou dúvidas sobre a capacidade de Marçal conseguir prevenir a infiltração em seu eventual governo. Ele já defendeu secretariado político com “processo seletivo”. O candidato desviou do assunto diversas vezes, alegando que o PCC já se encontra nos serviços públicos e que pretende afastar quem apresentar problemas.

Em um aceno ao eleitorado de Bolsonaro, o ex-coach opinou no “Roda Viva” que existe um “desequilíbrio” dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e que os ministros agem politicamente, sem observar os limites da Constituição no que se refere, por exemplo, a usurpar a função legislativa do Congresso Nacional.

— O Supremo está muito político. Ele está tentando dosar uma radicalidade que tivemos no passado e acho que já passou do limite. Com todo o respeito aos 11 togados, já passou essa onda. O Brasil precisa ser unificado. A gente precisa baixar essa pressão. Nós confiamos na Justiça, mas não precisamos de uma Corte política. Não precisa legislar e nem atuar politicamente. Eles estão fazendo isso — afirmou.

O empresário, no entanto, evitou chamar o ministro Alexandre de Moraes, o principal alvo bolsonarista no STF, de “ditador”, nem respondeu se apoia ou não o seu impeachment. Defendeu apenas que supostos abusos cometidos pelo magistrado “tem que ser apurados”.

Marçal foi confrontado sobre a hipótese de que evitaria ataques diretos a Alexandre de Moraes para não provocar a inelegibilidade da própria chapa. Em áudio, o presidente do PRTB, Leonardo Avalanche, disse que teria “pilotado” uma decisão do ministro que permitiu a convenção da sigla, e consequentemente a indicação de Marçal à candidatura.

Pesquisa mostra que Marçal não só estacionou, mas começa a cair

Com seu passado de envolvimento com reoubos de contas de idosos, Pablo Marçal não conseguiu separar o bandido do candidato, ao contrário, seus laços com o mundo do crime estão cada mais evidentes, chegando a transformá-lo num mero boçal.

Que Pablo é um personagem, disso ninguém duvida, sua condenação e prisão, há quase 20 anos e suas relações com o mundo mais violento do crime, seja no partido, seja no mundo empresarial, expõe a sua própria vida real.

Durante o período em que ele fez uma ascensão meteórica, com suas encenações patéticas, numa espécie de projeto pega-trouxa, Marçal obteve grandes vantagens proporcionais sobre os outros candidatos, mas bastou que alguma de suas manobras políticas fossem desmascaradas, como é o raso de suas redes de disseminadores de cortes, pagos com grana de caixa 2 para que toda aquela pompa, que fazia dele o deus dos deuses, desabasse.

O que parece, agora, com esta nova pesquisa é que seu processo de crescimento não só estacionou, como mostra uma tendência de queda, até então inimaginável para os que acreditaram ser ele um furacão político

A pesquisa mais recente do instituto Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (3), aponta um cenário de empate técnico para a prefeitura da cidade de São Paulo. Conforme aponta o levantamento, os candidatos Guilherme Boulos (Psol), Ricardo Nunes (MDB) e Pablo Marçal (PRTB) aparecem com 21%, 20% e 20%, respectivamente.

Os números configuram empate quando considerada a margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Tabata Amaral, do PSB, surge em seguida com 9% das intenções de voto. José Luiz Datena (PSDB), com 8% e Marina Helena (Novo) com 3% seguem a lista.

Nulos e brancos somam 7% enquanto 11% não sabem ou não responderam.

Cenário espontâneo

Na pesquisa espontânea, quando as entrevistas são feitas sem que os eleitores vejam a lista de candidatos, o cenário de empate se repete entre Marçal (14%), Nunes (12%) e Boulos (12%).

Segundo turno

Considerando a possibilidade de segundo turno entre os candidatos Guilherme Boulos e Pablo Marçal, o psolista venceria com 40% dos votos, segundo a pesquisa, enquanto o coach aparece com 37%.

Entre Nunes e Marçal, o candidato à reeleição venceria com 39% contra 14% do adversário.

Já em competição direta com Boulos, o atual prefeito aparece com 45% e Boulos com 35%.

O Real Time Big Data ouviu 1.500 eleitores de São Paulo entre 31 de agosto e 2 de setembro. O nível de confiança do estudo, registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número SP-07377/2024, é de 95%.