Mês: janeiro 2025

Com 204 novos bilionários no ano passado, concentração de renda mundial aumenta

Relatório da organização não governamental (ONG) internacional Oxfam sobre concentração de renda mostra que o ritmo de concentração em 2024 teve novo pico, a exemplo do que ocorreu durante a pandemia de covid-19. Surgiram 204 novos bilionários no planeta, e o ritmo de enriquecimento dos super-ricos aumentou três vezes em relação a 2023.

O relatório antecede o encontro anual do Fórum Econômico de Davos, que concentra diretores das principais instituições empresariais e líderes de governos em reuniões de negócios e lobby na cidade suíça.

Os bilionários, pouco mais de 2.900 pessoas, enriqueceram, em média, US$ 2 milhões por dia. Os dez mais ricos, por sua vez, enriqueceram em média US$ 100 milhões por dia. Alguém que receba um salário mínimo no Brasil demoraria 109 anos para receber R$ 2 milhões e, pela cotação atual, 650 anos para receber U$$ 2 milhões.

“No ano passado, a Oxfam previu um trilionário em uma década. Se as tendências atuais continuarem, haverá agora cinco trilionários em uma década. Enquanto isso, de acordo com o Banco Mundial, o número de pessoas que vivem na pobreza praticamente não mudou desde 1990”, destaca o relatório, que aponta que os 44% mais pobres do mundo vivem com menos de US$ 6,85 por dia.

Para efeito de comparação, o Produto Interno Bruto (PIB) Global, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), teve aumento de cerca de 3,2%, para uma população que a Organização das Nações Unidas (ONU) estima de 8 bilhões de pessoas.

Segundo o Banco Mundial, o PIB Global era de US$ 33,86 trilhões em 2000, e chegou aos US$ 106,7 trilhões em 2023, ainda que com diminuição dos índices de extrema pobreza (aqueles que recebem menos de U$$ 2,15 por dia), que eram 29,3% da população mundial em 2000 e são ainda 9% da população nos dados de 2023. A Oxfam destacou que os 10% mais ricos, por sua vez, detém 45% de toda a riqueza do mundo.

Bilionários lucram R$ 34 bilhões por dia enquanto pobreza global segue intocada desde 1990, aponta Oxfam

Relatório diz que conta dos mais ricos cresceu quase R$ 12 trilhões em 2024, três vezes mais rápido que no ano anterior.

A riqueza somada dos bilionários do mundo aumentou US$ 2 trilhões (cerca de R$ 12 trilhões) em 2024. Isso representa crescimento três vezes maior do que o registrado no ano anterior. Ocorreu enquanto o número de pessoas pobres quase não muda desde 1990.

Esses dados fazem parte de um relatório divulgado nesta segunda-feira (20) pela Oxfam. O documento “As custas de quem: A origem da riqueza e a construção da injustiça no colonialismo” foi revelado no mesmo dia em que políticos e grandes empresários se reúnem para mais uma edição do Fórum Econômico de Davos, na Suíça.

Segundo a Oxfam, durante 2024, o número de bilionários no mundo subiu de 2.565 para 2.769. O patrimônio combinado deles passou de 13 trilhões de dólares para 15 trilhões de dólares (R$ 78 trilhões para de R$ 90 trilhões).

Relatório da Oxfam mostra que acumulação de riqueza dos bilionários triplicou em 2024 ante 2023 / Reprodução/Oxfam

Essa ínfima minoria da população ficou 5,7 bilhões de dólares mais rica por dia – R$ 34 bilhões. Cada um dos dez mais ricos do mundo, em média, ganhou 100 milhões de dólares por dia, ou cerca de R$ 600 milhões.

De acordo com a Oxfam, mesmo que essas dez pessoas perdessem 99% de sua riqueza, eles ainda permaneceriam bilionárias.

Trilionários em 2035

A Oxfam dedica-se a monitorar a desigualdade social no mundo há anos. Ela denuncia por meio de estudos o crescimento vertiginoso da concentração de renda.

Por conta dessa concentração, em 2023, a Oxfam previu o surgimento do primeiro trilionário dentro de uma década. Neste ano, porém, por conta do aumento do ritmo de acumulação dos bilionários, ela alertou que em dez anos o mundo deve ter pelo menos cinco trilionários.

“Essa crescente concentração de riqueza é possibilitada por uma concentração monopolista de poder, com os bilionários exercendo cada vez mais influência”, declarou a organização.

“O auge dessa oligarquia é um presidente bilionário [Donaldo Trump], apoiado e comprado pelo homem mais rico do mundo, Elon Musk, governando a maior economia do planeta [EUA]. Apresentamos este relatório como um alerta severo de que as pessoas comuns em todo o mundo estão sendo esmagadas pela enorme riqueza de um número ínfimo de pessoas”, acrescentou Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam.

Riqueza não merecida

De acordo com a Oxfam, boa parte da riqueza dos mais ricos não é fruto do trabalho deles. É imerecida. “60% da riqueza dos bilionários de hoje vem de herança, monopólio ou conexões com poderosos”.

Uma pesquisa da revista Forbes citada pela Oxfam aponta que todos os bilionários com menos de 30 anos herdaram sua riqueza. Outro levantamento, este do banco UBS, mil bilionários deixarão 5,2 trilhões de dólares (mais de R$ 30 trilhões) para seus herdeiros.

“Os super-ricos gostam de nos dizer que ficar rico exige habilidade, determinação e trabalho árduo. Mas a verdade é que a maioria da riqueza é tomada, não criada. Muitos dos chamados ‘autodidatas’ na verdade são herdeiros de vastas fortunas, passadas por gerações de privilégio imerecido”, disse Behar.

“Muitos dos super-ricos, particularmente na Europa, devem parte de sua riqueza ao colonialismo histórico e à exploração de países mais pobres”, acrescenta a Oxfam, que denuncia que tal exploração existe ainda hoje.

De acordo com a organização, o 1% mais rico em países do Norte Global, como EUA, Reino Unido e França, extraiu 30 milhões de dólares (cerca de R$ 180 milhões) por hora de países de baixa e média renda em 2023. “O Norte Global controla 69% da riqueza global, 77% da riqueza dos bilionários e abrigam 68% dos bilionários, apesar de representarem apenas 21% da população global.”

“O dinheiro desesperadamente necessário em todos os países para investir em professores, comprar remédios e criar bons empregos está sendo desviado para as contas bancárias dos super-ricos”, disse Behar.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) citados pela Oxfam indicam que países de baixa e média renda gastam em média quase metade de seus orçamentos para pagar dívidas com credores ricos. Isso supera em muito o investimento combinado em educação e saúde. Entre 1970 e 2023, os governos do Sul Global pagaram 3,3 trilhões de dólares (cerca de R$ 20 trilhões) em juros para credores do Norte.

A Oxfam recomenda que governo taxem os mais ricos, acabem paraísos fiscais e com o fluxo de riqueza do Sul para o Norte. “Isso significa desmontar monopólios, democratizar patentes e regular as corporações para garantir que paguem salários dignos, como limite aos [salários] dos CEOs.”

“Os governos precisam se comprometer a garantir que as rendas dos 10% mais ricos não sejam mais altas do que as dos 40% mais pobres”, pediu a entidade. “Reduzir a desigualdade poderia acabar com a pobreza três vezes mais rápido”.

*BdF

Eleita por São Paulo, Rosângela Moro prioriza viagens ao Paraná

A escolha de Rosângela de disputar uma vaga na Câmara por São Paulo, apesar de suas fortes conexões com o Paraná, tem sido alvo de críticas recorrentes.

Eleita deputada federal por São Paulo, Rosângela Moro (União) priorizou deslocamentos ao Paraná em 2024, de acordo com dados disponibilizados pelo Portal da Transparência da Câmara dos Deputados. O levantamento, realizado pelo Metrópoles, revela que 19 das 21 passagens aéreas utilizadas pela parlamentar no ano tiveram Curitiba como ponto de partida ou destino final.

Conforme detalhado no levantamento, as passagens, que são apresentadas em trechos (como Brasília-Congonhas), incluem deslocamentos sem escala de Brasília para Curitiba e também viagens de São Paulo à capital paranaense. Rosângela utilizou os aeroportos de Congonhas e Viracopos em 15 trajetos registrados, somando um total de R$ 17 mil em despesas pagas com a cota parlamentar. No geral, o gabinete da deputada reportou 81 viagens ao longo do ano, acumulando um gasto de R$ 69 mil.

Contexto político
A escolha de Rosângela Moro de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo, apesar de suas fortes conexões com o Paraná, tem sido alvo de críticas recorrentes. Em 2024, a deputada mudou novamente seu domicílio eleitoral para Curitiba com o objetivo de concorrer ao cargo de vice-prefeita na chapa de Ney Leprevost (União). No entanto, a dupla foi eliminada no primeiro turno da disputa, vencida por Eduardo Pimentel (PSD).

Os dados levantados trazem à tona questões sobre a utilização de recursos públicos para viagens frequentes ao Paraná, estado que não corresponde à base eleitoral que a elegeu. Além disso, reforçam a discussão sobre a relação entre a atuação parlamentar e interesses políticos regionais.

Erika Hilton registra pedido de investigação na PF após receber ameaças

;Publicação da parlamentar defende medida, que foi revogada pelo governo esta semana.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou neste domingo (19/1), um pedido de abertura de inquérito na Polícia Federal (PF) para apurar ameaças de morte recebidas por meio da rede social X (antigo Twitter). As mensagens, que se intensificaram ao longo da madrugada, surgiram após a parlamentar publicar um vídeo desmentindo fake news acerca de uma proposta de fiscalização do PIX, medida anunciada, mas posteriormente revogada pelo governo.

As ameaças incluem incitações explícitas ao homicídio, referências à contratação de “pistoleiros” para segui-la e menções a práticas semelhantes às que vitimaram a vereadora Marielle Franco, morta em 2018. Além disso, conteúdos transfóbicos foram dirigidos à deputada, juntamente com ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O vídeo, postado neste sábado (18/1), por Erika Hilton adota o mesmo formato visual e sonoro de uma gravação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tentava transmitir a ideia de monitoramento das transações no Pix, argumentando que a fiscalização prejudicaria camadas mais vulneráveis da população. O vídeo do deputado ultrapassou 300 milhões de visualizações e ele, mesmo com a divulgação de notícias falsas, conseguiu outra proeza e ultrapassou o número de seguidores do presidente Lula no Instagram, segundo o Correio Braziliense.

Com mais de 100 milhões de visualizações, em pouco mais de 24 horas, a deputada defendeu o governo e disse, em um dos trechos: “O governo Lula nunca defendeu a taxação do PIX. Muito pelo contrário, quem sempre defendeu a taxação do PIX foi o ex-ministro da economia de Bolsonaro, Paulo Guedes. Ele sempre falou sobre taxar o PIX. Hoje já se passa a Receita Federal a informação de movimentações a partir de R$ 2 mil. O governo queria aumentar para R$ 5 mil na tentativa de constranger, coibir criminosos e quadrilhas”.

A parlamentar continuou fazendo críticas ao governo Bolsonaro, citando a desvalorização do salário mínimo, o combate ao desemprego e as rachadinhas. “Eles que luxam enquanto o povo trabalha de verdade, agora se apresentam diante das pessoas com uma mentira, se colocando como defensores do povo. É preciso se informar e é preciso não cair nessa onda de ataque e de mentira”, afirmou a parlamentar.

Valor de contratos entre empresa da família de Nunes e governo de SP aumentou 497% após prefeito assumir cargo

Especialista em dedetização, Nikkey foi fundada por Ricardo Nunes em 1997 e chegou a R$ 4,6 milhões em contratos em 2024.

Os valores recebidos em contratos com o governo de São Paulo por empresa que tem como sócios o filho e a nora do prefeito da capital paulista Ricardo Nunes (MDB) aumentaram em quase seis vezes nos últimos dois anos.

A Nikkey Controle de Pragas e Serviços Técnicos recebeu R$ 5,73 milhões do governo estadual entre 2023 e 2024. Já de 2021 e 2022, a gestão do estado mais rico do país liberou à empresa de controle de pragas R$959,4 mil. O salto é de 497,78%.

Os dados foram apresentados em reportagem do Uol publicada neste domingo (19), com informações colhidas no portal da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado.

A Nikkey foi fundada por Ricardo Nunes com um sócio em 1997 e hoje, além da matriz em São Paulo, tem filiais em mais 9 cidades brasileiras. A empresa atende clientes como Colgate, Amaggi, Bunge e o aeroporto de Viracopos.

Aumento exponencial a partir de 2021

Até 2021, os serviços prestados pela Nikkey ao estado de São Paulo ficavam restritos à dedetização de unidades prisionais no interior. Entre 2018 e 2021, os pagamentos anuais a empresa não ultrapassaram R$ 35 mil.

Mas quando Nunes assume a prefeitura, após a morte de Bruno Covas (PSDB) em maio de 2021, é iniciada a alta nos contratos com o governo estadual, chegando a R$ 4,6 milhões em 2024. Durante o período, todos os governadores de São Paulo eram aliados políticos de Nunes: João Doria (então PSDB, hoje sem partido); Rodrigo Garcia (então PSDB, hoje sem partido); e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em 2022, a Nikkey venceu uma licitação no valor de R$ 2,75 milhões com a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Em abril de 2023, venceu outra com o Metrô, no valor de R$ 3,5 milhões. Ambas licitações foram renovadas recentemente.

Além disso, antes do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumir a gestão, em 2023, a Nikkey venceu duas licitações do Metrô, que foram revogadas. Em uma delas, em 2021, concorrentes chegaram a questionar o vínculo de Nunes com a empresa. A empresa criada pelo prefeito também já recebeu mais de R$ 250 mil do governo federal.

O que diz o prefeito

Uol apurou que não houve indícios de irregularidades nas licitações. O governo estadual informou à reportagem que as contratações seguiram “todas as exigências legais”.

Já o prefeito Ricardo Nunes (MDB) respondeu ao portal, por meio de Nota da Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo, que não há qualquer impedimento legal que impeça a empresa de participar de licitações públicas e que os processos foram “conduzidos de forma independente, regular e transparente, sem qualquer ingerência do governador ou do prefeito”.

Afirma também que “é irresponsável, portanto, qualquer ilação sobre irregularidade ou indício de privilégio relacionado aos contratos mencionados”.

 

Um olho no analógico, outro no digital

O massacre que Dilma sofreu na Globo, foi a coisa mais covarde que já existiu. Do bom dia Brasil as meninas do Jô, Dilma apanhava mais que boneco do judas em sábado de aleluia.

Soma-se a isso, a negativa de Dilma em dar guarida ao pior bandido da história política do Brasil, Eduardo Cunha.

Inacreditavelmente esse super gangster como presidente da Câmara, colocou para rodar o golpe no mesmo dia em  que Dilma tinha lhe negado abrigo, sem a mídia questionar sua legitimidade.

Basta isso para dizer que não foi golpe. Foi muito golpe, foi um golpe descarado e com slogan da Globo dizendo a cada hora que as “instituições estavam funcionando”

A mesma Globo que convocava e transmitia, ao vivo, as manifestações contra Dilma, que só pararam em 2014 quando uma favela na Barra da Tijuca entrou na brincadeira e fez um arrastão nas lojas da av. Sernambetiba.

Além disso, ainda estavam na trama, Villas Boas, Etchegoyen, Aécio, Moro, Temer e outros troços de igual calibre.

Com Lula, foi mais simples, Moro e Bolsonaro fraudaram a eleição prendendo Lula sem qualquer prova de crime, para Bolsonaro ganhar e Sergio Moro ser ministro.

Algum boboca acredita que aquela última notícia no JN quando Bonner lê o twitter de Villas Boas ameaçando o STF para não conceder habeas corpus para Lula, não foi um combinado da Globo com o Villas Boas?

Falo isso, porque o país, enfrenta a velha oligarquia que jamais admitiu que o povo melhore de vida, desde que o Brasil é Brasil.

Isso é bem mais analógico do que a gente fala na era digital.

Trégua entre Israel e Hamas começa com ajuda humanitária e liberação de presos e reféns

Domingo, 19 de janeiro de 2025, começa a entrar para a história como o dia em que foi colocada em prática a trégua tão esperada após 15 meses de ferozes ataques de Israel contra a população da Faixa de Gaza, que resultou num verdadeiro massacre. Nesta data, entra em vigor o cessar-fogo negociado entre Israel e Hamas, com a ajuda de mediadores internacionais.

É aguardada para este domingo a libertação de três mulheres israelenses — Romi Gonen, Doron Steinbrecher e Emily Damar —, de um total de 33 reféns a serem soltos nesses primeiros dias, em troca da liberação de 30 prisioneiros palestinos e do recuo das tropas israelenses.

Também já está acontecendo a entrada de caminhões com suprimentos, 200 ao todo, para ajuda humanitária à população de Gaza, que sofre graves problemas de saúde, desnutrição e miséria desde que o Exército de Benjamin Netanyahu iniciou os ataques, em 7 outubro de 2023, após ação do Hamas que deixou 1,2 mil israelense mortos.

Desde então, ao menos 48 mil pessoas já foram mortas em Gaza — número que é tido como subestimado por especialistas —, a maioria, crianças, mulheres e idosos, e mais de 110 mil foram feridas.

Na região, agências internacionais já mostram também o deslocamento de centenas de palestinos, que voltam aos seus locais de moradia para tentar retomar a vida, mesmo após a destruição quase completa da região.

Os ataques israelenses deixaram um rastro de sangue e escombros e, como resultado, a infraestrutura de Gaza, bem como equipamentos de serviços básicos, como hospitais e escolas, foram devastados.

O Papa Francisco se manifestou sobre a trégua e disse que “tanto israelenses quanto palestinos precisam de sinais claros de esperança. Espero que as autoridades políticas de ambos, com a ajuda da comunidade internacional, possam chegar à solução correta de dois estados. Que todos digam sim ao diálogo, sim à reconciliação, sim à paz”.

Ao longo do dia, o Portal Vermelho irá atualizar a situação dos primeiros passos do cessar-fogo.

*Com agências

A extrema direita tem medo da reforma tributária

Todas as baterias dos defensores da sociedade excludente estão em permanente estado de alerta e já em ação.

O presidente Lula sancionou a regulamentação da reforma tributária, mas estamos longe de vislumbrar o alto grau de impacto positivo que a execução prática dessa mudança trará ao Brasil.

Nós temos dificuldades de avaliar antecipadamente os efeitos da reforma tributária que fizemos, pela qual o Brasil esperou por cerca de 50 anos, mas a alta cúpula econômica e política, que detém o sistema de poder no Brasil, não tem dificuldade alguma e já fez suas análises e ,então, acendeu os sinais de alerta. E, mais importante, já colocou sua estratégia de enfrentamento político nas ruas.

A elite celebra os efeitos puramente econômicos da reforma, afinal ela tem potencial para viabilizar um crescimento da economia na ordem de 5% ao ano, sem pressões inflacionárias, e sustentado ao longo dos anos.

Com isso, em alguns anos o Brasil estará entre as cinco maiores economias do mundo.

Quais os problemas da reforma, do ponto de vista das elites conservadoras e também da extrema-direita?

Por essa ótica, os problemas são seus efeitos sociais e políticos. Isso mesmo: a reforma tributária apresenta significativos efeitos sociais com repercussão política positiva para o governo que a aprovou e, principalmente, para o governo que a executar após 2026.

O crescimento sustentado da economia traz consigo mais empregos e maiores oportunidades para o empreendedorismo, portanto, mais renda para as famílias.

Além disso, o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados e o fim da guerra fiscal favorecem muito o fortalecimento da indústria brasileira, que, entre outras coisas, gera empregos de melhor qualidade e com maior remuneração.

Em outra frente, a reforma introduz importantes iniciativas de justiça tributária, dentre as quais eu destaco a total isenção fiscal dos produtos da cesta básica nacional, incluindo as carnes, e o imposto zero para 383 medicamentos, ao lado de alíquota reduzida em 60% para a área da educação.

E, no caso das famílias do CadÚnico, a devolução do imposto pago sobre as contas de água, energia elétrica e gás de cozinha.

A reforma traz consigo, assim, um terreno fértil para o fortalecimento do projeto político do qual o presidente Lula é a maior referência. Diante dessa perspectiva, todas as baterias dos defensores da sociedade excludente estão em permanente estado de alerta e já em ação.

O combate cerrado ao desempenho do atual governo na área da economia é parte dessa estratégia de tentar impedir que os efeitos positivos da política econômica resultem em grande fortalecimento político do presidente Lula.

De nossa parte, considerando que os efeitos da reforma são de médio e longo prazo, trata-se de adotar medidas que permitam a travessia deste tempo de transição.

Entre elas, uma que é fortemente positiva e, por isso, é combatida pela grande mídia:a concretização da isenção do imposto de renda para pessoas com renda de até R$ 5 mil por mês. É luta dura, mas vale a pena ser enfrentada.

Merlong Solano é deputado federal (PT- PI) e vice-líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados.

Ualid Rabah: “Genocídio na Palestina fez o mundo saber o que é Israel e apartheid”

Presidente da FEPAL criticou a postura dos Estados Unidos e de Israel, denunciando o genocídio em Gaza e apontando os interesses econômicos e políticos.

Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), denunciou o que classificou como o maior genocídio da história da Palestina, destacando o papel decisivo dos Estados Unidos no apoio a Israel. Segundo Rabah, “mais de 25 mil, talvez 30 mil pessoas” foram mortas desde a declaração de cessar-fogo pelo Conselho de Segurança da ONU, vetada diversas vezes pelos Estados Unidos.

Rabah, criticou a insistência dos EUA e de Israel em bloquear propostas de cessar-fogo, afirmando que “todas as vezes o boicote ao cessar-fogo foi estadunidense e israelense”. Ele destacou ainda o papel do governo norte-americano no fornecimento de armas: “Os Estados Unidos continuaram fornecendo armamento, munições e sistemas, e o genocídio prosseguiu”.

Ao abordar a dinâmica do conflito, Rabah apontou a desproporcionalidade do impacto na população civil palestina. “Foram sequestrados por Israel, incluindo profissionais de saúde, 18.700 pessoas, dos quais 6.600 em Gaza e 12.100 na Cisjordânia”, afirmou. Ele também ressaltou a ausência de discussão sobre temas cruciais para a Palestina: “Nenhuma palavra sobre o desbloqueio, nenhuma palavra sobre Jerusalém, nenhuma palavra sobre a retirada dos colonos da Cisjordânia”.

Rabah relacionou o apoio incondicional dos EUA a Israel ao governo do presidente Joe Biden. “Biden é o gestor desse genocídio… sem o apoio incondicional dos Estados Unidos, Israel não teria condições de manter esse conflito”, afirmou. Ele comparou a atuação de Biden com a gestão nazista na Alemanha, dizendo que “Biden faz a mesma coisa” ao dedicar um terço de seu mandato ao conflito.

Ao ser questionado sobre a disputa política nos EUA e as tentativas de Donald Trump em se apropriar de méritos por um eventual cessar-fogo, Rabah declarou: “Quem determina o cessar-fogo é quem determina que ele aconteça, e esses são os Estados Unidos”. Ele ainda criticou a proposta de Israel de estabelecer uma área desmilitarizada em Gaza: “Não tem cabimento… cinco vezes mais zona de segurança israelense, onde a soberania é de Israel”.

Sobre as causas econômicas envolvidas no conflito, Rabah destacou a existência de reservas de gás na costa de Gaza e a proposta de construção do Canal Ben-Gurion, que ligaria o Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Segundo ele, “a ideia é roubar isso dos palestinos e ficar com essa reserva”.

Rabah também alertou para o risco de apagamento das provas do genocídio durante a reconstrução de Gaza. “Se você não reconstrói Gaza sob coordenação palestina… você corre o risco de apagar os vestígios e as provas do genocídio”, disse, referindo-se à destruição de hospitais e ao assassinato de profissionais de saúde e jornalistas.

Encerrando a entrevista, Rabah ressaltou que, apesar da tragédia, o conflito tornou visível a realidade vivida pelos palestinos. “Graças aos próprios palestinos, o mundo hoje sabe o que é Israel, o mundo sabe hoje o que é o sionismo, o mundo sabe hoje o que é apartheid”, concluiu. Com 247.

Erika Hilton (Psol) sofre ameaças de morte após vídeo combatendo fake news sobre Pix; deputada acionou PF

Publicação de líder do Psol na Câmara dos Deputados atingiu 80 milhões de visualizações em suas redes sociais.

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) protocolou na Polícia Federal, neste domingo (19), um pedido de abertura de inquérito para apurar e identificar quem foram os autores das ameaças de morte, recebidas em suas redes sociais, após publicar um vídeo informando sobre notícias falsas divulgadas pela extrema direita sobre a fiscalização do Pix.

O vídeo foi publicado pela lider do Psol na Câmara dos Deputados neste sábado (18). Em menos de 12 horas de veiculação, o material já somava mais de 80 milhões de visualizações em suas redes sociais.

A deputada, então, passou a receber ameaças por perfis ligados à extrema direita no X. Alguns perfis incitavam que ela deveria ser “fuzilada” ou que “pistoleiros” seriam “contratados para ficar em sua cola”. Outra conta publicou que o “Projeto Ronnie Lessa 2.0 teria que entrar em ação”, em referência ao assassinato da vereadora Marielle Franco, do mesmo partido.

As ameaças e incitação ao crime de homicídio, feitas abertamente na rede social X, ganharam tração durante a madrugada e também foram estendidas ao presidente Lula.

Todas as mensagens e informações dos respectivos perfis foram reunidas pela equipe de segurança da deputada e incluídas no pedido de abertura de inquerido na PF.

O material publicado por Hilton adota mecanismos visuais e sonoros e foi uma forma de contrapor postagens como a do deputado de oposição, Nikolas Ferreira (PL), que alcançou recordes de visualização criticando e distorcendo a proposta apresentada pelo Governo Federal sobre a fiscalização do Pix. A revogação da medida foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a onda de fake news.

*BdF