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Quando falta argumento para a direita e velha mídia, sobra Lulinha

Há algo de revelador na ofensiva que setores da direita e da velha mídia vêm fazendo em torno de Lulinha: quando a oposição passa a transformar o filho de Lula no principal instrumento para tentar atingir o presidente, ela também revela a dificuldade de enfrentar o governo Lula no terreno em que uma democracia deveria travar sua disputa — o das propostas, dos resultados, da economia e do projeto de país.

Não se trata de dizer que investigações devem ser ignoradas. Ao contrário: qualquer suspeita deve ser investigada, com transparência, devido processo legal e direito de defesa. O próprio Lula afirmou que, se seu filho tiver cometido algum erro, deverá responder por isso.

O problema começa quando investigação vira munição eleitoral antes mesmo de existir uma conclusão judicial. E, principalmente, quando o nome de um filho é usado como atalho para tentar produzir uma associação automática entre eventuais suspeitas contra ele e a responsabilidade do presidente da República.

A estratégia é tão evidente que já foi registrada pela própria imprensa: o caso Lulinha passou a ocupar espaço central na ofensiva eleitoral da oposição contra Lula.

E aqui está o ponto político mais importante: se a direita acredita que Lula está governando mal, por que não atacar Lula pelo governo?

Onde estão as críticas consistentes sobre emprego, renda, inflação, investimentos, política industrial, saúde, educação, infraestrutura, relações internacionais e os demais temas que afetam diretamente a vida dos brasileiros?

É perfeitamente legítimo fazer oposição. Mais do que legítimo, é necessário. Mas oposição de verdade exige argumentos. Exige comparação. Exige apresentar uma alternativa capaz de convencer o eleitor de que existe um caminho melhor.

Atacar o filho para tentar atingir o pai é outra coisa.

É a velha lógica da política-espetáculo: encontrar um personagem, martelar seu nome diariamente, transformar suspeitas em manchetes e tentar fazer com que a repetição produza, no imaginário popular, uma condenação que a Justiça ainda não produziu.

E há uma ironia adicional.

Enquanto a direita tenta transformar Lulinha em personagem central da eleição, o próprio debate eleitoral mostra que existem temas concretos capazes de atingir diretamente o governo e a oposição — como custo de vida, endividamento, inflação e emprego. A disputa presidencial já incorporou esses assuntos ao confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Portanto, a pergunta incômoda é inevitável: se existe tanta munição contra Lula, por que é preciso mirar em Lulinha?

Talvez porque, no campo das ideias, a artilharia esteja mais fraca do que parece.

A velha mídia pode produzir manchetes. A oposição pode produzir discursos. As redes podem produzir viralizações. Mas nada disso substitui uma proposta política consistente.

No fim das contas, atacar Lulinha para tentar derrubar Lula pode dizer menos sobre Lulinha do que sobre seus atacantes.

Quando a oposição abandona o debate sobre o governo e transforma a família do adversário em alvo principal, ela não está demonstrando força. Está confessando que tem dificuldade para vencer Lula na bola — e precisa tentar ganhar no grito, na associação e na repetição.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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