A eleição para o governo de São Paulo coloca diante do eleitorado uma discussão que vai muito além da disputa entre dois nomes. Ela coloca em debate que tipo de Estado se quer construir e qual lugar a educação, a ciência e o conhecimento devem ocupar nesse projeto.
De um lado está Fernando Haddad, professor da Universidade de São Paulo, com formação acadêmica em Direito, Economia e Filosofia, e que comandou o Ministério da Educação por sete anos. Nesse período, foram criadas ou ampliadas políticas que marcaram a educação brasileira, como Prouni, Sisu, Ideb, Institutos Federais, Universidade Aberta do Brasil e Pibid.
Do outro está Tarcísio de Freitas, atual governador, cuja declaração de que “o diploma universitário não é mais importante” abriu um debate inevitável sobre a valorização da formação acadêmica.
É impossível ignorar o simbolismo desse contraste.
Enquanto uma trajetória política está associada à universidade, à formação acadêmica e à expansão de políticas de acesso ao ensino superior, a outra apresenta uma visão segundo a qual o diploma universitário teria perdido importância.
E isso ganha ainda mais peso quando se olha para os indicadores educacionais de São Paulo. Segundo checagem da Lupa, a rede estadual de ensino médio passou da terceira posição nacional no Ideb, em 2021, para a décima em 2025. A nota caiu de 4,4 para 4,3 no período.
Não se trata, portanto, de uma discussão abstrata sobre diplomas. Trata-se de decidir qual valor São Paulo atribui ao professor, à escola pública, à universidade, à pesquisa e à formação profissional de sua juventude.
São Paulo é o estado mais rico e mais populoso do país. Não pode tratar educação como detalhe administrativo nem transformar conhecimento em algo descartável. Uma sociedade que pretende disputar inovação, produtividade, tecnologia e desenvolvimento precisa de escolas funcionando, professores valorizados, universidades fortes e jovens com acesso à formação de qualidade.
A eleição, nesse sentido, pode ser lida como um confronto entre projetos e concepções distintas de futuro. De um lado, Haddad, a defesa da formação e do conhecimento como instrumentos de transformação social; de outro, Tarcícios, uma concepção que relativiza a importância do diploma universitário.
O eleitor paulista terá diante de si essa diferença — e caberá a ele avaliar, à luz das propostas, dos resultados e das trajetórias apresentadas na campanha, qual visão de educação e de Estado considera adequada para São Paulo.
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