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Sentiu: O pimpão Flávio Bolsonaro já ensaiava a posse. A Vox Brasil tratou de lembrá-lo de que o Planalto não é herança de família.

O garganta Flávio Bolsonaro já estava se comportando como se a faixa presidencial estivesse encomendada, o discurso de posse pronto e o Palácio do Planalto prestes a receber mais um integrante do clã como se a Presidência fosse patrimônio particular dos Bolsonaro. Bastou a pesquisa Vox Brasil colocar Lula numericamente à frente para o candidato baixar a bola, moderar a empáfia e admitir que ainda não tem nada ganho.

Que coisa! O candidato que vinha vendendo ares de presidente antes mesmo de conquistar os votos necessários agora precisa recorrer à cautela. A pose de dono da eleição deu lugar ao discurso de quem descobriu, talvez tarde demais, que arrogância não conta como voto, sobrenome não é programa de governo e mandato presidencial não se transmite por herança.

A pesquisa Vox Brasil aponta Lula com 44,2% das intenções de voto, contra 42,7% de Flávio no segundo turno. Os números configuram empate técnico, considerando a margem de erro de 2,15 pontos percentuais. Não há vitória antecipada nem motivo para comemorações definitivas. Há uma disputa aberta — justamente o que a euforia bolsonarista parecia querer esconder.

O problema de Flávio é que, antes de convencer o eleitorado, já parecia empenhado em convencer a si próprio de que a eleição estava resolvida. É a velha presunção do clã: confundir barulho com força política, propaganda com apoio popular e desejo de poder com direito ao poder.

Agora, diante de números que frustram a narrativa triunfalista, o boquirroto precisa recalibrar o personagem. Menos pose, menos fanfarronice, menos discurso de presidente por antecipação. A realidade eleitoral não se curva à vontade dos Bolsonaro, e muito menos à arrogância de quem parece acreditar que o Brasil lhes deve mais quatro anos de poder.

Flávio precisa entender o básico: a Presidência não é capitania hereditária, o eleitor não é figurante de campanha e a faixa presidencial não se conquista no gogó.

Antes de ensaiar a posse, seria prudente aprender a disputar a eleição. Porque uma coisa é posar de presidente; outra, bem diferente, é conseguir convencer o país de que se está preparado para governá-lo.

O Planalto não tem dono. E a eleição, para desespero dos que já comemoravam antes da hora, continua em aberto.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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