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Flávio Bolsonaro tomou um mata-piolho de Lula e ficou de calça arriada diante do Brasil

Flávio Bolsonaro passou a semana inteira prometendo esfregar na cara de Lula sua suposta corrupção. Falastrão, cheio de bravatas e pose de valentão, entrou no debate achando que encurralaria o presidente. Mas bastou Lula virar o jogo e propor um desafio direto — que ambos abrissem os sigilos telefônico e bancário — para o candidato bolsonarista sentir o chão desaparecer sob seus pés.

Lula aceitou o próprio desafio e abriu seus sigilos. Flávio, por sua vez, recuou, alegando motivos que, de tão convenientes, só aumentaram a desconfiança. O sujeito que prometia escancarar a vida alheia mostrou-se incapaz de sustentar o mesmo escrutínio sobre a própria vida.

Foi um mata-piolho político, daqueles que deixam o valentão de calças arriadas diante de milhões de espectadores. O contra-ataque de Lula desmontou a encenação, expôs o desconforto de Flávio e transformou sua bravata em constrangimento público.

Se Flávio queria dar um truco, Lula respondeu com um royal flush: uma jogada devastadora que deixou o adversário sem saber como blefar. Seus trejeitos, a hesitação e o evidente desconforto diante do desafio falaram mais alto do que qualquer discurso ensaiado.

A máscara do valentão começou a cair. Quem passa a semana prometendo revelar a corrupção dos outros e, na hora de enfrentar o mesmo teste, procura uma saída de emergência perde a autoridade para posar de paladino da moralidade.

Flávio queria colocar Lula contra a parede. Acabou encurralado pelo próprio desafio. E, depois desse episódio, sua pose de justiceiro anticorrupção ficou insustentável.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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