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Vídeos: Flávio Bolsonaro e a defesa de quem matou com um fuzil uma menina de 5 anos

Há algo de profundamente perturbador na atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, que matou a pequena Ana Clara Gomes Machado, de apenas cinco anos, com um tiro de fuzil em Niterói, em 2021. Em 2024, Flávio integrou a equipe de advogados que recorreu ao Superior Tribunal de Justiça para tentar impedir que o policial fosse submetido a júri popular. O recurso foi rejeitado, mas a menina continua sem ter seu caso julgado, enquanto sua família espera por justiça.

No debate da Band, quando Lula trouxe o caso à tona, Flávio refugiou-se no argumento de que não se pode criminalizar o exercício da advocacia. É verdade que todo acusado tem direito à defesa. Mas essa resposta jurídica não elimina a questão política e moral, insensível e desumana que seu comportamento levanta: por que Flávio Bolsonaro, um político que pretende governar o Brasil sob a bandeira da segurança pública, escolheu atuar justamente na defesa de um policial acusado de tirar a vida de uma criança de cinco anos?

A pergunta não é se o acusado tem direito a um advogado. Tem, como qualquer cidadão. A pergunta é por que Flávio assumiu esse caso e por que, diante da dimensão da tragédia, não consegue oferecer uma explicação convincente à opinião pública sobre sua decisão.

Ana Clara brincava na porta de casa com o irmão de dois anos quando foi atingida. Para sua mãe, Cristiane Gomes da Silva, a dor não terminou com a morte da filha: transformou-se numa espera interminável por justiça. O julgamento, inicialmente previsto para abril de 2026, foi adiado para maio de 2027, segundo a Agência Pública.

É essa mãe que deveria estar no centro de qualquer debate sobre o caso, e não as conveniências eleitorais de um candidato à Presidência.

Flávio pode invocar o direito de defesa quantas vezes quiser. O que não pode exigir é que os brasileiros suspendam seu julgamento político sobre suas escolhas. Quem pretende comandar as forças de segurança do país precisa explicar suas decisões, sobretudo quando elas envolvem uma tragédia dessa dimensão, a morte de uma menina de 5 anos.

A vida de uma criança não pode ser reduzida a um argumento de campanha, e a dor de uma mãe não pode ser tratada como inconveniência eleitoral. Antes de pedir aos brasileiros um voto de confiança, Flávio Bolsonaro deve responder à pergunta que continua sem resposta: por que decidiu entrar nessa defesa?

Ana Clara tinha apenas cinco anos. Sua família não pede privilégios. Pede justiça. E o mínimo que a sociedade pode exigir de quem quer governar o Brasil é respeito à memória dessa menina e à espera angustiante de sua mãe.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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