Ano: 2026

Pré-candidatura de Flávio Bolsonaro está emperrada sem marqueteiro, aliados e com alta rejeição

Senador enfrenta rejeição elevada, dificuldade de montar palanques regionais e disputa interna no campo conservador

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou a pré-campanha presidencial sob um conjunto de obstáculos políticos e estratégicos. Sem o respaldo explícito de lideranças expressivas da oposição, ele enfrenta dificuldades para reduzir índices de rejeição, ampliar apoios além do núcleo bolsonarista e se firmar como um nome competitivo para 2026. O cenário é agravado pela presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), visto por setores do campo conservador como uma alternativa eleitoralmente mais viável ao Palácio do Planalto, o que pressiona o senador a acelerar a organização de sua campanha, relatam O Globo e 247.

Interlocutores próximos avaliam que o principal desafio de Flávio é construir uma imagem que ultrapasse o chamado bolsonarismo raiz, mantendo a associação com o pai, Jair Bolsonaro (PL), mas com um perfil mais moderado e próprio. Esse diagnóstico impulsionou a busca por um marqueteiro capaz de estruturar a comunicação, integrar redes sociais, imprensa e agenda territorial, além de oferecer um roteiro estratégico para a disputa presidencial. A avaliação interna é de que a campanha precisará abandonar um discurso excessivamente reativo e centrado em pautas identitárias, avançando para temas como economia, institucionalidade e capacidade de diálogo político.

A rejeição ao nome do senador segue como um dos principais entraves. Levantamento mais recente da pesquisa Genial/Quaest aponta uma redução nesse índice, de 60% para 55%, ainda assim superior ao registrado por Tarcísio de Freitas, que aparece com 43%. No entorno de Flávio, há o entendimento de que apenas a mobilização orgânica do bolsonarismo não será suficiente para sustentar uma campanha nacional competitiva.

No esforço de reforçar a comunicação digital, o publicitário Daniel Braga, próximo ao senador Rogério Marinho (PL-RN), passou a colaborar na produção de conteúdos para redes sociais durante a pré-campanha. Apesar disso, a avaliação predominante é que ele não assumirá o papel de estrategista principal. Outro nome cogitado foi o de Duda Lima, marqueteiro do PL, hipótese considerada improvável em razão do desgaste após a campanha municipal de 2024 em São Paulo.

A comparação com o alcance digital de Jair Bolsonaro também pesa. Mesmo sem publicações desde julho, o ex-presidente mantém cerca de 27 milhões de seguidores no Instagram. Flávio soma aproximadamente 8,3 milhões, número que corresponde a cerca de 30% da base do pai, ainda que tenha registrado crescimento desde que passou a ser tratado como presidenciável.

Além da comunicação, a construção de palanques regionais aparece como um desafio central. O foco está especialmente no Nordeste, região em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou sua maior vantagem eleitoral em 2022. Rogério Marinho surge como peça-chave nessas articulações, por sua proximidade com a família Bolsonaro e por sua atuação política na região. Segundo ele, o partido trabalha com estratégias diferenciadas por região. “Cada região vai ter uma estratégia. Nas outras quatro regiões onde o Bolsonaro venceu, a ideia é ampliar essa distância”, afirmou.

Em 2022, Lula venceu nos nove estados nordestinos, com cerca de 69,3% dos votos válidos na região, contra 30,6% de Jair Bolsonaro, desempenho considerado decisivo para o resultado nacional. Apesar de Bolsonaro ter vencido no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, a diferença construída no Nordeste foi determinante para a vitória do atual presidente.

No plano interno do PL, ainda há impasses em torno de palanques estaduais considerados estratégicos, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás. Paralelamente, ganha relevância a movimentação de Michelle Bolsonaro. De acordo com aliados, ela atua para reabilitar o nome de Tarcísio de Freitas como opção presidencial, diante da possibilidade de Jair Bolsonaro cumprir prisão domiciliar e permanecer inelegível. Dirigentes do partido reconhecem que Flávio ainda precisa consolidar apoios dentro do próprio campo político e demonstrar capacidade de liderar esse processo de transição.

Embora Tarcísio reafirme publicamente a intenção de disputar a reeleição em São Paulo, seu nome segue sendo tratado como alternativa preferencial por segmentos do empresariado e do centrão, o que mantém a disputa interna em aberto e amplia a pressão sobre a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro.


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Em 1ª resolução, Conselho de Trump toma Gaza e exclui palestinos

Documento revela poderes absolutos para Trump em Gaza e sem previsão de qualquer prazo para entregar território à administração dos palestinos

Um controle absoluto sobre Gaza, sem monitoramento externo e sem o envolvimento de qualquer autoridade palestina. Esses são os termos da primeira resolução proposta pelo Conselho da Paz, criado pelo presidente Donald Trump com o apoio de cerca de 30 países.

O documento da resolução deixa explícito que, a partir de agora, Gaza será um território governado a partir de pessoas indicadas exclusivamente pelo governo dos EUA, isentos de qualquer mecanismo de responsabilização ou órgãos independentes. As forças militares no local também serão aprovadas por Trump, pessoalmente.

A resolução, obtida pelo ICL Notícias, determina o futuro de um território palestino e que, nos últimos dois anos, foi alvo do que grupos de direitos humanos qualificaram como “genocídio”. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Donald Trump e sugeriu que o Conselho tenha seu mandato limitado à reconstrução de Gaza e com a participação da Autoridade Palestina.

Mas no documento, não há previsão para a entrega de Gaza para uma autoridade palestina.

“O Conselho de Paz atuará como a administração governamental transitória de Gaza para supervisionar e fiscalizar a implementação do Plano Abrangente, garantindo que Gaza seja uma zona desradicalizada e desmilitarizada, livre de terrorismo, que não represente uma ameaça aos seus vizinhos e que seja desenvolvida para o benefício do povo de Gaza”.

Mas a resolução ainda insiste que ninguém mais terá poderes sobre a região. “Toda a autoridade legislativa e executiva transitória, os poderes de emergência e a administração da justiça são conferidos ao Conselho de Paz”, declara.

De acordo com a resolução, o Conselho de Paz “poderá exercer todos os poderes e autoridades que julgar necessários e apropriados para implementar o Plano Abrangente, incluindo, entre outros:

  • emitir resoluções e diretrizes;
  • estabelecer subcomissões e entidades subsidiárias, como um Gabinete do Alto Representante para Gaza, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) e a polícia local autorizada pelo Alto Representante;
  • coordenar a reconstrução e o desenvolvimento em Gaza;
  • supervisionar e fornecer orientação estratégica a uma Força Internacional de Estabilização (FIE) temporária, juntamente com a cooperação em matéria de desmilitarização e segurança por e com essa Força;
  • coordenar o processo de desradicalização e o auxílio humanitário em Gaza;
  • engajar doadores, aprovar orçamentos e administrar mecanismos financeiros;
  • concluir quaisquer acordos internacionais necessários com Estados ou organizações internacionais que se mostrem necessários para implementar o Plano Abrangente;
    abrir contas bancárias e estabelecer controles financeiros adequados.

O Conselho Executivo será compostos pelos seguintes nomes indicados por Trump

  • Secretário Marco RubioSusan WilesSteve WitkoffJared Kushner
  • Sir Tony Blair
  • Marc Rowan
  • Ajay Banga
  • Robert Gabriel
  • Martin Edelman

Se faltam palestinos, sobram indicações de Trump com relações estreitas com Israel. Dois deles ainda fazem parte da liderança do projeto.

“O Presidente designa, por meio deste documento, Arych Lightstone e Joshua Gruenbaum como consultores seniores do Conselho da Paz, encarregados de liderar a estratégia e as operações diárias e de traduzir o mandato e as prioridades diplomáticas do Conselho em uma execução disciplinada”, explicou. Lightstone foi embaixador dos EUA em Israel, enquanto Gruenbaum serve na administração americana.

Fica ainda estabelecido um Conselho Executivo de Gaza. Mais uma vez, o grupo é repleto de funcionários de Trump e aliados.

  • Steve Witkoff
  • Susan Wiles
  • Jared Kushner
  • Ministro Hakan Fidan
  • Ali Al-Thawadi
  • General Hassan Rashad
  • Sir Tony Blair
  • Marc Rowan
  • Ministra Reem Al-Hashimy
  • Nickolay Mladenov
  • Yakir Gabay

Um Alto Representante para Gaza foi indicado pelo próprio Trump e “servirá como braço operacional para a implementação do projeto. Ele formará um “comitê tecnocrático, apolítico e selecionado, composto por palestinos competentes e qualificados da Faixa de Gaza, e autorizar, dirigir e supervisionar todas as suas atividades e operações diárias”.

Caberá a ele supervisionar a força policial em Gaza, supervisionar a administração, a entrega e o não desvio da ajuda humanitária em Gaza, gerir a reconstrução e o redesenvolvimento de Gaza.

Será o representante de Trump quem irá nomear e destituir pessoas que desempenham funções de governança civil e administração da justiça. Ele irá supervisionar o pessoal, o orçamento, as despesas e as operações.

Para este cargo, a resolução escolheu o búlgaro Nickolay Mladenov como o primeiro Alto Representante. Ex-chanceler de seu país, ele é visto com desconfiança pelos palestinos, que acusam Mladenov de ter atendido aos pedidos de Israel de forma desequilibrada enquanto ocupou um cargo na ONU.

Força Internacional de Estabilização…dos EUA
A resolução ainda estabelece uma força internacional e que terá os Estados Unidos “como a nação líder inaugural”. O Major-General Jasper Jeffers será o primeiro Comandante da Força. A Força de Segurança Interna (FSI) cumprirá sua missão conforme endossado pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança, mas “sob a orientação estratégica que o Presidente (Trump) fornecer”.

Qualquer nação que assumir o cargo no futuro terá de ser aprovada por Trump. “O Presidente detém a autoridade exclusiva para aprovar a nomeação de qualquer nação para Comandante da Força e para substituir o Comandante da Força a seu critério”, diz o texto.

Um dos poucos palestinos a ser citado na resolução é Ali Sha’ath, que terá uma função de implementar certos aspectos da segurança da Gaza. Mas sem qualquer voz para determinar a direção do projeto.

Trump com poder de veto
Qualquer resolução que seja adotada pelo Conselho ou pelo Alto Representante “estão sujeitas à suspensão pelo Presidente em casos urgentes”.

“As resoluções do Conselho serão aprovadas e assinadas pelo Presidente e entrarão em vigor na data nelas especificada. Serão emitidas em inglês e publicadas no sítio web do Conselho”, diz o texto, que sequer faz referências à tradução das decisões para o árabe.

Princípios de Governança para a Nova Gaza
Na resolução, critérios foram estabelecidos para determinar as leis civis e penais aplicáveis ​​em Gaza, assim como padrões que cada um dos envolvidos terão de seguir.

“Para criar uma Gaza desradicalizada e livre do terrorismo, que não represente ameaça aos seus vizinhos e seja reconstruída para o benefício do povo de Gaza, conforme as diretrizes do Plano Abrangente, somente as pessoas que apoiarem e agirem em consonância com esse plano serão elegíveis para participar das atividades de governança, reconstrução, desenvolvimento econômico ou assistência humanitária em Gaza”, diz.

Por exemplo, pessoas ou entidades como organizações terroristas estrangeiras (conforme designadas pelos Estados-Membros do Conselho de Paz ou pelo próprio Conselho de Paz) e organizações não governamentais que tenham apoiado ou possuam um histórico comprovado de colaboração, infiltração ou influência com ou por parte do Hamas ou outros grupos terroristas estão proibidas de participar.

O Conselho Executivo e o Alto Representante deverão, por meio de resolução e decreto, criar padrões de elegibilidade adequados para a participação no desenvolvimento da Nova Gaza e aplicá-los caso a caso, sujeitos à aprovação do Presidente.

Palestinos “livres para sair”
O texto diz ainda que o povo de Gaza será “incentivado a aproveitar esta oportunidade para construir uma Nova Gaza próspera e pacífica, e as atividades de reconstrução e reabilitação do Conselho serão dedicadas exclusivamente àqueles que consideram Gaza seu lar e local de residência”.

“Ninguém será forçado a deixar Gaza. Aqueles que desejarem sair terão a liberdade de fazê-lo e a liberdade de retornar a Gaza”, afirma o documento.

A resolução ainda diz que serão estabelecidas zonas humanitárias e corredores controlados de proteção civil para que a assistência humanitária possa chegar livremente a todas as pessoas necessitadas de Gaza.

Mas serão administradas pelos EUA. “O acesso a essas zonas será limitado a pessoas aprovadas pelo Conselho Executivo e pelo Alto Representante; elas serão patrulhadas pelas Forças de Segurança Internacional (FSI) e livres de armas não autorizadas ou atividades armadas”.

*Jamil Chade/ICL


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Irã instala outdoor gigante com porta-aviões bombardeado e manda recado aos EUA: ‘Quem semeia vento colhe tempestade’

O Irã disse, nesta segunda-feira (26), que responderá de forma “contundente” a qualquer eventual agressão dos Estados Unidos, coincidindo com o reforço da presença militar americana no Oriente Médio com a chegada de um porta-aviões.

As autoridades iranianas também instalaram em uma praça central de Teerã um enorme outdoor que mostra um porta-aviões destruído: “Quem semeia vento colhe tempestade”, diz o cartaz.

Ambas as mensagens foram emitidas no mesmo dia em que o Comando Central militar dos Estados Unidos (Centcom) anunciou a chegada do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio.

O porta-aviões e os navios que o acompanham foram enviados enquanto o Irã reprimia manifestações em larga escala. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tenha seguido em frente com uma ação militar contra Teerã, ele insiste que todas as opções continuam na mesa.

O Centcom, responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio e partes da Ásia Central, anunciou que o navio “está estacionado atualmente no Oriente Médio para promover a segurança e a estabilidade regionais”.

Na nota desta segunda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que haverá uma “resposta contundente” que provocará “arrependimento perante qualquer agressão”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, declarou que o Irã tem “confiança nas suas próprias capacidades”.

Em uma referência ao porta-aviões, o porta-voz acrescentou: “A chegada de um navio de guerra deste tipo não afetará a determinação e seriedade do Irã.”

*G1


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Delcy Rodríguez reafirma soberania da Venezuela: ‘basta das ordens de Washington’

Aos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturaisAos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturais

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, voltou a criticar neste domingo (25/01) a influência dos Estados Unidos nos assuntos internos do país e reforçou a defesa da soberania política e energética venezuelana.

Em discurso dirigido a trabalhadores do setor de hidrocarbonetos, no estado de Anzoátegui, ela afirmou que o país não aceitará imposições externas e que os conflitos internos devem ser resolvidos exclusivamente no âmbito nacional.

“Já basta das ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossa divergência e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”, disse Rodríguez, ao se dirigir aos petroleiros reunidos na refinaria de Puerto La Cruz.

Rodríguez destacou que a reforma na Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos foi um instrumento para otimizar a exploração dos recursos naturais sob princípios de soberania energética. Segundo ela, a proposta busca assegurar que a riqueza do subsolo se converta em benefícios concretos para a população, garantindo “felicidade econômica e social” ao povo venezuelano.

Ela afirmou que o país não deve temer a dinâmica internacional do setor energético, nem pressões externas. “Não devemos ter medo da agenda energética, nem com os Estados Unidos, nem com o restante dos países do mundo. É direito da Venezuela ter diversidade em suas relações internacionais”, salientou, ao defender uma política externa baseada na autonomia e na ampliação de parcerias estratégicas.

Papel social do petróleo
Ao relacionar diretamente a produção de petróleo e gás com o bem-estar da população, a presidente interina enfatizou o papel social da indústria energética. “Que aqueles barris que estão em campos verdes se tornem salários, comida e saúde para nosso povo. Que capacidades nacionais e internacionais sejam adicionadas para desenvolver nossa reserva”, disse.

Entre os avanços destacados, ela citou a assinatura do primeiro contrato de exportação de gás natural da história do país, que, segundo o governo, marca um novo momento para o setor energético venezuelano. “Eles não acreditaram, mas já fechamos um contrato para exportar a primeira molécula de gás da Venezuela e agora estamos buscando mais”.

Ela relatou que a meta é transformar as vastas reservas do país em prosperidade concreta: “agora, é nossa vez de nos tornarmos o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, as maiores reservas de gás deste hemisfério. Agora é nossa vez de nos tornarmos uma verdadeira potência produtora de petróleo e gás”, acrescentou.

Rodríguez explicou que a reforma no setor preserva integralmente o modelo de propriedade estatal dos recursos naturais estabelecido durante o governo de Hugo Chávez. “O legado do Comandante Eterno na posse dos recursos permanecerá intocável e intacto dentro do novo arcabouço legal”, disse, ao ressaltar a importância da unidade do setor e do papel estratégico da classe trabalhadora na recuperação da indústria petrolífera.

Diplomacia da Paz
No campo diplomático, a presidente responsável reiterou que o país seguirá apostando na chamada Diplomacia Bolivariana da Paz. “Estamos enfrentando o governo dos Estados Unidos, vamos resolver nossas diferenças, nossas controvérsias históricas por meio da diplomacia bolivariana”.

Ao comentar a agressão militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e a primeira combatente Cilia Flores foram sequestrados, ela mencionou a calma e a lucidez da população venezuelana, defendendo a prudência estratégica, o compromisso político e a lealdade ao país.

*Opera Mundi


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Entre raios e trovões: Nikolas Ferreira na Mira da CPMI do INSS; Entenda a Ligação com o Banco Master

O cenário político e investigativo em Brasília ganhou novos contornos nesta semana com a divulgação de documentos sigilosos provenientes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O foco das atenções recai sobre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), cujo contato telefônico foi identificado nos registros telemáticos de um dos principais investigados no esquema de fraudes previdenciárias. A descoberta lança luz sobre a complexa teia de relacionamentos que a comissão tenta desvendar, envolvendo instituições financeiras, lideranças religiosas e figuras públicas.

A presença do número de telefone de Nikolas Ferreira na agenda de contatos de Daniel Vorcaro, empresário e proprietário do Banco Master, gerou repercussão imediata nos corredores do Congresso Nacional e nas redes sociais. O fato coloca o parlamentar mineiro na órbita de uma investigação que apura desvios milionários através de descontos indevidos em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas.

Para compreender a profundidade deste caso e o porquê de o nome de Nikolas Ferreira ter surgido nos autos, é necessário dissecar a estrutura da investigação, o perfil dos envolvidos e as implicações políticas e jurídicas desse cruzamento de dados.

A CPMI do INSS foi instaurada com o objetivo de investigar uma indústria de fraudes que penaliza a parcela mais vulnerável da população brasileira: os idosos. O esquema envolve a aplicação de descontos não autorizados em benefícios previdenciários, muitas vezes operados por associações e instituições financeiras de idoneidade questionável. Foi no curso dessas diligências que a quebra de sigilo telemático de Daniel Vorcaro foi autorizada.

Ao analisar o arquivo identificado como “WhatsApp Business Record”, os peritos da CPMI encontraram o número com final 0022, atribuído a Nikolas Ferreira. Este arquivo compila os contatos salvos ou sincronizados com a conta comercial de WhatsApp utilizada pelo banqueiro. A descoberta técnica é fria: ela prova que Vorcaro possuía o contato de Nikolas Ferreira.

Em uma investigação de alto nível, coincidências são tratadas com ceticismo. A CPMI busca mapear redes de influência. A pergunta que os investigadores fazem não é apenas “se” eles conversaram, mas “por que” o dono de um banco investigado por fraudes sistêmicas teria o contato pessoal de um dos deputados mais votados do país, como Nikolas Ferreira. Esse tipo de mapeamento de rede é fundamental para entender se houve sustentação política para as operações suspeitas do Banco Master e de suas afiliadas.

O Elo Religioso: Igreja Batista da Lagoinha

A análise dos documentos sugere que a conexão entre Nikolas Ferreira e o empresário Daniel Vorcaro pode não ser direta, mas sim mediada por instituições terceiras, especificamente no âmbito religioso. Nikolas Ferreira é membro público e notório da Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores denominações evangélicas do Brasil. A investigação aponta para a existência de braços financeiros ligados à instituição religiosa que podem ter servido de ponte para as operações investigadas.

Deputados da base governista e membros da CPMI já acionaram o Banco Central para cobrar esclarecimentos sobre a Clava Forte Bank S/A. A suspeita é que esta empresa, ligada à esfera de influência da igreja frequentada por Nikolas Ferreira, atue como uma instituição financeira ou fintech sem as devidas autorizações regulatórias. O requerimento parlamentar busca esclarecer se a Clava Forte mantém vínculos operacionais com o Banco Master ou com pessoas associadas a Daniel Vorcaro.

Nesse contexto, Nikolas Ferreira aparece como uma figura central devido à sua projeção dentro da comunidade da Lagoinha. A investigação tenta determinar se líderes religiosos e políticos foram utilizados, consciente ou inconscientemente, para legitimar ou facilitar a penetração desses serviços financeiros junto à base de fiéis e, consequentemente, no sistema previdenciário. A presença do contato de Nikolas Ferreira na agenda de Vorcaro pode ser um indício de que o empresário buscava, ou mantinha, canais de comunicação com a liderança política emergente desse segmento religioso.

A Defesa de Nikolas Ferreira: “Virei Criminoso?”

Diante da repercussão dos fatos, Nikolas Ferreira adotou uma postura de defesa agressiva e transparente. Em entrevista concedida à Rádio Itatiaia, durante uma manifestação do movimento Acorda Brasil, o deputado refutou qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas. O parlamentar utilizou a ironia para desqualificar a associação feita pelos investigadores e pela imprensa.

Encontraram meu número nos contatos do Daniel Vorcaro e pronto, agora eu virei criminoso?”, questionou Nikolas Ferreira. A retórica do deputado foca na ausência de materialidade delitiva. Ter o número salvo na agenda de alguém, argumenta ele, não constitui crime nem prova de cumplicidade. Nikolas Ferreira desafiou as autoridades a aprofundarem as investigações sobre sua vida pessoal e financeira, colocando seus sigilos bancário e telefônico à disposição.

Podem virar minha vida de cabeça para baixo, não vão encontrar absolutamente nada”, declarou Nikolas Ferreira. Essa estratégia de “nada a esconder” visa blindar sua base eleitoral contra o desgaste de imagem. O deputado mineiro sabe que, no tribunal da opinião pública, a narrativa de perseguição política é uma ferramenta poderosa. Ao se colocar como alvo de uma tentativa de “associação indevida”, Nikolas Ferreira tenta transformar a suspeita em capital político, reforçando seu discurso antissistema.

Daniel Vorcaro e o Banco Master: O Centro do Furacão
Enquanto Nikolas Ferreira trabalha na contenção de danos políticos, a situação de Daniel Vorcaro e do Banco Master é de natureza jurídico-empresarial. O empresário teve múltiplas linhas telefônicas e contas de WhatsApp submetidas ao escrutínio da CPMI. O material onde o número de Nikolas Ferreira foi encontrado é apenas uma fração do volume de dados analisados.

O Banco Master tem sido alvo de questionamentos recorrentes sobre suas práticas de mercado, especialmente no que tange ao crédito consignado e às parcerias com associações de aposentados. A investigação busca entender se houve um esquema estruturado para ludibriar beneficiários do INSS, inserindo descontos em seus contracheques sem a devida autorização.

A conexão com figuras políticas como Nikolas Ferreira interessa à CPMI porque pode revelar como o banco buscava proteção ou expansão de seus negócios através de lobby político. Se Vorcaro tinha o número de Nikolas Ferreira, ele pretendia usá-lo? Houve tentativas de contato não registradas nessa extração específica? São perguntas que a comissão tentará responder nas próximas fases do inquérito.

O Papel da CPMI e os Próximos Passos
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito é um instrumento político por excelência. Diferente de um inquérito policial, que segue ritos estritamente técnicos, a CPMI navega pelas águas da política. A inclusão do nome de Nikolas Ferreira nos relatórios não é apenas um dado técnico; é um fato político.

Os relatórios técnicos elaborados após a quebra de sigilo têm como objetivo reconstruir fluxos de comunicação. A identificação de igrejas e líderes religiosos que podem ter se beneficiado do esquema é uma nova frente de apuração que promete gerar polêmica. Nikolas Ferreira, como uma das principais vozes do conservadorismo religioso no Congresso, torna-se um alvo natural dessa linha investigativa.

A oposição, liderada por figuras como Nikolas Ferreira, argumenta que a CPMI está sendo instrumentalizada para atingir adversários do governo. Já a base governista sustenta que a proteção aos aposentados exige a investigação de todos os atores, independentemente de sua patente política ou religiosa. O embate sobre a Clava Forte Bank S/A e sua relação com o Banco Master será crucial para definir se Nikolas Ferreira será apenas citado ou se será convocado a prestar esclarecimentos formais.

A Reação do Mercado e da Sociedade
O caso envolvendo Nikolas Ferreira e o Banco Master também reverbera no mercado financeiro e na sociedade civil. A credibilidade das instituições financeiras e a integridade dos representantes eleitos são pilares da democracia. Quando surgem suspeitas de que a fé das pessoas ou a vulnerabilidade dos idosos estão sendo exploradas para lucro ilícito, a resposta institucional precisa ser rápida.

Para Nikolas Ferreira, o episódio serve como um teste de resiliência. Sua base de apoio, altamente engajada nas redes sociais, tende a ver as acusações como ataques infundados. No entanto, o eleitor de centro e o mercado observam com cautela. A promessa de Nikolas Ferreira de que defende “cadeia” para qualquer envolvido, seja pastor, empresário ou político, é uma tentativa de manter a coerência de seu discurso de moralidade pública.

Análise Técnica: O Significado do “Vínculo Unilateral”
Do ponto de vista forense e digital, a distinção feita nos relatórios sobre o vínculo ser “unilateral” é vital para a defesa de Nikolas Ferreira. Em investigações modernas, metadados de aplicativos como WhatsApp Business fornecem um raio-x das interações. O fato de não haver registros de chamadas ou mensagens trocadas entre Nikolas Ferreira e Vorcaro no período analisado enfraquece a tese de conluio direto.

Contudo, investigadores experientes sabem que contatos sensíveis muitas vezes ocorrem fora dos canais digitais monitorados ou através de intermediários. É por isso que a CPMI foca agora na Clava Forte Bank e na estrutura da Igreja Batista da Lagoinha. Se houver um elo financeiro entre essas entidades e o Banco Master, a posição de Nikolas Ferreira como figura pública ligada a esses grupos exigirá explicações mais detalhadas do que a simples negativa de contato telefônico.

O Futuro de Nikolas Ferreira na CPMI
O aparecimento do número de Nikolas Ferreira nas investigações do INSS é um capítulo que está longe de ser encerrado. Embora a prova material de ilicitude não exista no momento, a conexão simbólica e a rede de relacionamentos exposta colocam o deputado sob holofotes indesejados.

A estratégia de Nikolas Ferreira de desafiar a quebra de seus próprios sigilos demonstra confiança, mas a política é feita de percepções. A CPMI continuará a puxar o fio da meada, investigando se a influência política foi usada para facilitar fraudes contra o INSS. Para Nikolas Ferreira, resta aguardar os desdobramentos e manter sua defesa baseada na inexistência de atos concretos. Para a sociedade, fica a expectativa de que a investigação seja técnica, imparcial e capaz de separar o joio do trigo, punindo quem de fato lucrou com o suor dos aposentados brasileiros, independentemente de quem tenha o número salvo na agenda.

Acompanharemos os próximos passos da CPMI e a evolução das apurações sobre a Clava Forte, o Banco Master e as possíveis implicações para o mandato e a reputação de Nikolas Ferreira.

*Gazeta Mercantil


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Direita sopra diapasão da campanha que será a mais baixa da história. É daí para pior, muito pior

Historicamente, a direita nunca teve qualquer propósito, projeto de país ou sentido que busque fortalecer a economia, o desenvolvimento ou algo que o valha. Para essa gente, tudo é reduzir o tamanho do Estado, procrastinar o máximo possível qualqer sopro de desenvolvimento e vilipendiar a infraestrutura do país, liquidando, na bacia das almas, estatais estratégicas, seguindo a cartilha antinacional neoliberal de um império que não não tem  mais como parar em pé.

Mas a questão brasileira tem uma cartilha multiuso. Sim, Bolsonaro representou como ninguém o antipetismo, o anticomunismo, o desmonte das instituições, das estatais, da moeda brasileira, de qualquer política social, porque, junto a tudo isso, estão um racismo latente, que hoje, é um ativo político para parcela da sociedade, ódio de classe contra os pobres, homofobia e uma série de outras violências contra o cidadão que não esteja no perímetro social que contempla o domínio da oligarquia.

Para a direita, não existe um país, portanto, não tem sentido a contrução de uma política nacional, é um país que deve ser visto de forma cirurgiamente fragmentada para privilegiar somente as classes economicamente dominantes.

Nesse universo, há um padrão empresarial dominante de DNA flagorosamente escravocrata, daí a tara de moer direitos dos trabalhadores como se fossem peça de uma engrenagem que, danificada, troca-se por outra sem qualquer custo adicional. É uma espécie de padrão patrão.

Para essa gente, esse é o conceito de civilização que lhe interessa, onde se ataca direitos de muitos para manter privilégios de pouquíssimos.

O problema é que há um lado que resiste bravamente e combate essa visão oitocentista em pleno século XXI.

No Brasil, o sistema financeiro deu no deu com os maiores juros do mundo, justamente porque tem uma terra sedimentada para tal prática de explorção coletiva.

É tudo isso misturado que dá à direita o inapelável resultado de fracasso para o país, sempre. Mas isso insiste e se aprofunda no meio dos  abastados, porque os próprios são diretamente beneficiados pelo caos, pelo atraso, pela distopia, pelo conceito de terra arrasada.

Todavia, na campanha de 2026, em defesa de um candidato que a direita ainda nem tem, é que já foi colocado o cordão do boi tonto para produzir catarses, fakes, focos que produzam vertigens para que não haja debates, já que muitos dos argumentos utilizados pela direita, na prática, já cairam por terra há muito tempo.

Ou seja a manutenção do poder ou a retomada dele, que é o que se objetiva, tem apenas uma direção e usarão todas as armas de todos os calibres que  tiveren às mãos.

É bom que as ideranças progressistas mantenham a maior parte da sociedade, que quer o desenvimento do país, em alerta máximo, porque, pela inrodução dessa passeata de raios e trovões, a campanha da dirita será toda feita na base dos sermões religiosos e das procissões, como se viu neste domingo em Brasília, com resultado trágico para os apoiadores dessa insanidade histérica, que será recorrente porque não há outro caminho para essa gente percorrer.


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Mal-estar se instala na Copa de 2026 nos EUA e cresce debate sobre boicote

Em encontros reservados, europeus começam a debater possibilidade de uma resposta diante da ofensiva de Trump pela Groenlândia.

O mal-estar está instalado. O desmonte da democracia por parte de Donald Trump e seus ataques contra aliados e adversários desencadearam uma reação de questionamentos sobre a Copa de 2026, nos EUA, México e Canadá.

Na semana passada, os chefes de 20 federações de futebol da Europa se reuniram de forma discreta na Hungria. Na agenda estava a crescente preocupação diante do desejo de Donald Trump de anexar a Groenlândia.

A pergunta que tiveram de tratar era óbvia: como o futebol reagiria diante de uma crise política ou militar com a Europa?

O que era apenas tratado em salas reservadas eclodiu quando Oke Gottlich, vice-presidente da Federação Alemã de Futebol, afirmou que havia “chegado a hora” de falar de boicote.

Não se descarta, por exemplo, que jogadores ou federações avaliem possibilidades de promover algum tipo de protesto. Dos 104 jogos da Copa do Mundo, 78 serão realizados nos EUA.

“Se Trump cumprir os anúncios e ameaças relacionados à Groenlândia e iniciar uma guerra comercial com a UE, é difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo”, disse o parlamentar de direita, Roderich Kiesewetter.

De acordo com uma pesquisa do instituto Insa, 47% dos entrevistados na Alemanha disseram que seriam favoráveis a um boicote caso os EUA anexem a Groenlândia. 35% recusaram a ideia de um protesto, enquanto 18% afirmaram não ter posição.

Em 2022, a Alemanha já liderou uma ação contra o governo do Catar e acabou ameaçada pela Fifa. O motivo era uma braçadeira que os jogadores levariam durante as partidas, promovendo a diversidade e a inclusão.

Em vez disso, a FIFA antecipou sua própria campanha “Não à Discriminação”. Em protesto, os jogadores da Alemanha cobriram a boca durante a foto oficial da equipe antes da estreia na Copa do Mundo contra o Japão “para transmitir a mensagem de que a Fifa está silenciando”.

A constatação dos dirigentes, porém, é que tomar tal decisão exigirá uma coragem política que talvez hoje não exista. Ao mesmo tempo, europeus e africanos admitem que lhes custaria muito saber que estarão fazendo parte da transformação de uma Copa do Mundo em um palco ao líder com traços autoritários.

Entre diplomatas e cartolas, a acusação é de que a Copa, uma vez mais, revela uma profunda hipocrisia. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o resultado foi sua expulsão de dezenas de eventos.

Em fevereiro de 2022, a Fifa e a Uefa emitiram o seguinte comunicado:

“A Fifa e a Uefa decidiram em conjunto que todas as equipes russas, sejam seleções nacionais ou clubes, ficarão suspensas da participação em competições da Fifa e da Uefa até novo aviso.”

Nos últimos meses, os EUA atacaram a Venezuela, Irã e Nigéria, além de ameaçar dezena de países e exigir a entrega de um território europeu. Se não bastasse, aplicou sanções contra europeus e latino-americanos. Trump ainda fez repetidas ofensas contra países mais pobres e até questionou a inteligência da população da Somália.

Não por acaso, o ex-treinador do Senegal, Gana, Camarões e de diversas seleções africanas, o francês Claude Le Roy, afirmou que não via motivo para evitar o debate sobre um boicote, diante da forma pela qual Trump se refere aos africanos.

Outro movimento vem sendo identificado entre torcedores, com abaixo-assinados contra a Copa surgindo em alguns países europeus. Ainda assim, cartolas ouvidos pelo ICL Notícias admitem que esses movimentos precisam ter um respaldo das instituições.

Numa tentativa de mostrar que o mal-estar não existe, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se apressou em anunciar em Davos, na semana passada, que mais de 500 milhões de ingressos já tinham sido solicitados.

Antecedentes
Para dirigentes europeus, são os líderes que precisam assumir suas responsabilidades. O histórico, porém, é citado como algo a não ser esquecido.

Em 1936, enquanto Hitler erguia sua máquina de morte e implementava a base do que seria o Holocausto, dirigentes esportivos e políticos em todo o mundo optaram por fechar os olhos aos abusos e fazer parte da Olimpíada em Berlim.

Um ano antes, meio milhão de americanos assinaram petições exigindo uma sede alternativa para os Jogo. Vários jornais, incluindo o New York Times, registraram objeções à participação dos EUA.

Líderes religiosos, reitores de universidades e sindicalistas criaram nos EUA o Comitê para o Jogo Limpo nos Esportes com o objetivo explícito de impedir que o país enviasse seus atletas de elite a Berlim. “Todos os americanos de bom senso e amantes do bom esporte devem se opor à nossa participação”, dizia um de seus panfletos, “porque o governo nazista está planejando deliberadamente usar os Jogos Olímpicos para promover seu prestígio político e glorificar suas políticas”.

Hitler sabia que os Jogos Olímpicos lhe proporcionariam uma oportunidade única para promover o “Reich de Mil Anos” que idealizava.

Os documentos das diferentes diplomacias não deixavam dúvidas de que todos sabiam o que estava em jogo. Sir Eric Phipps, embaixador britânico em Berlim, escreveu um telegrama para o Ministério das Relações Exteriores em 7 de novembro de 1935 o seguinte recado:

“O Chanceler (Hitler) está demonstrando um enorme interesse pelos Jogos Olímpicos. Na verdade, ele está começando a considerar as questões políticas sob a perspectiva de seu efeito sobre os Jogos. O governo alemão está simplesmente apavorado com a possibilidade de a pressão judaica induzir o governo dos Estados Unidos a retirar sua equipe e, assim, arruinar o festival, cujo valor material e propagandístico, em sua opinião, dificilmente pode ser exagerado.”

Aqueles que insistiram em ir ao evento sabiam da repressão contra os judeus e mesmo a diplomacia dos EUA sugeriu implementar o boicote.

“Caso os Jogos não sejam realizados em Berlim”, escreveu George Messersmith, cônsul-geral dos Estados Unidos em Berlim, a seus superiores no Departamento de Estado, “seria um dos golpes mais sérios que o prestígio nacional-socialista poderia sofrer em uma Alemanha em despertar e uma das maneiras mais eficazes que o mundo exterior tem de mostrar à juventude alemã sua opinião sobre a doutrina nacional-socialista.”

Para ele, era “inconcebível que o comitê olímpico americano mantivesse sua posição de que o esporte na Alemanha é apolítico, que não há discriminação”. “Outras nações estão olhando para os Estados Unidos antes de agirem, esperando por liderança; os alemães estão adiando o aumento da opressão econômica contra os judeus até que os jogos terminem. Os Estados Unidos deveriam impedir que seus atletas fossem usados por outro governo como instrumento político”, completou.

Mas o movimento nos EUA pelo boicote acabou fracassando, enterrando a pressão em outros países do mundo. Um voto na Associação de Atletas Amadores terminou com uma margem mínima de vantagem a quem defendia ir aos Jogos. De forma hipócrita, dirigentes dos EUA e de diversos países consideravam que deixar de ir ao principal evento do COI significaria o fim de suas carreiras no movimento olímpico.

O evento de Hitler acabaria tendo o maior número de delegações jamais visto até então. E o resto da história todos nós conhecemos.

*Jamil Chade/ICL


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Raio feriu mais de 89 pessoas, seis em estado grave e Nikolas Ferreira mantém ato sob forte chuva

Manifestação seguiu sob forte chuva; vídeo mostra momento em que descarga elétrica atinge pessoas durante caminhada. Manifestação seguiu sob forte chuva; vídeo mostra momento em que descarga elétrica atinge dezenas de pessoas durante caminhada.

Mesmo após um raio atingir mais de 30 pessoas e deixar pessoas feridas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) manteve a realização de um ato político em Brasília neste domingo (25), sob forte chuva. O incidente ocorreu nas proximidades da Praça do Cruzeiro, onde estava previsto o encerramento da manifestação.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento exato em que a descarga elétrica atinge pessoas durante a caminhada do parlamentar.

De acordo com PlanNews, ao todo, dezenas de pessoas foram transportadas ao Hospital de Base, sendo seis em estado grave, de acordo com fontes na unidade de saúde, sendo 17 foram encaminhadas ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a descarga elétrica caiu em meio à concentração de apoiadores, provocando pânico e correria generalizada. Mesmo após o incidente, o ato seguiu por um período, apesar da continuidade da chuva e dos riscos associados às descargas elétricas. Até o momento, não há um balanço oficial sobre o número total de feridos, embora conste que 89 pessoas foram atingidas, das quais 6 estão em estado grave.

Testemunhas relataram que várias pessoas sofreram choques elétricos no momento em que o raio atingiu a área da manifestação. Algumas vítimas caíram no chão logo após a descarga, e houve registros de pessoas desacordadas. O clima no local passou rapidamente de mobilização política para apreensão, enquanto participantes tentavam prestar socorro aos feridos.

As autoridades seguem acompanhando o caso e aguardam a consolidação das informações sobre o número de pessoas atingidas e o estado de saúde dos feridos, enquanto as imagens do vídeo que registra o momento da queda do raio reforçam a gravidade do ocorrido.

Matéria atualizada.


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Vídeo: Raio em ato de Nikolas deixa feridos com queimaduras no tórax, segundo os bombeiros

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal informou neste domingo (25) que oito pessoas foram atingidas diretamente por um raio durante uma manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, em Brasília. O ato reunia apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorria sob forte chuva na região central da capital.

Segundo a corporação, o número total de atendimentos chegou a 72 pessoas. Desse grupo, 30 manifestantes precisaram ser encaminhados a hospitais públicos do Distrito Federal, enquanto outros 42 receberam atendimento no próprio local da concentração, sem necessidade de remoção imediata.

Entre os casos associados diretamente à descarga elétrica, os bombeiros relataram a ocorrência de queimaduras, principalmente nas mãos e na região do tórax. Até o momento, o estado de saúde individual dos atingidos pelo raio não foi detalhado oficialmente pelas autoridades.

Além das vítimas do raio, as equipes de resgate registraram outros atendimentos relacionados às condições climáticas adversas. Houve casos de torções, quedas e episódios de hipotermia, provocados pela combinação de chuva intensa, vento e queda brusca de temperatura durante a manifestação.

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal informou neste domingo (25) que oito pessoas foram atingidas diretamente por um raio durante uma manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, em Brasília. O ato reunia apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorria sob forte chuva na região central da capital.

Segundo a corporação, o número total de atendimentos chegou a 72 pessoas. Desse grupo, 30 manifestantes precisaram ser encaminhados a hospitais públicos do Distrito Federal, enquanto outros 42 receberam atendimento no próprio local da concentração, sem necessidade de remoção imediata.

Entre os casos associados diretamente à descarga elétrica, os bombeiros relataram a ocorrência de queimaduras, principalmente nas mãos e na região do tórax. Até o momento, o estado de saúde individual dos atingidos pelo raio não foi detalhado oficialmente pelas autoridades.

Além das vítimas do raio, as equipes de resgate registraram outros atendimentos relacionados às condições climáticas adversas. Houve casos de torções, quedas e episódios de hipotermia, provocados pela combinação de chuva intensa, vento e queda brusca de temperatura durante a manifestação.

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal informou neste domingo (25) que oito pessoas foram atingidas diretamente por um raio durante uma manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, em Brasília. O ato reunia apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorria sob forte chuva na região central da capital.

Segundo a corporação, o número total de atendimentos chegou a 72 pessoas. Desse grupo, 30 manifestantes precisaram ser encaminhados a hospitais públicos do Distrito Federal, enquanto outros 42 receberam atendimento no próprio local da concentração, sem necessidade de remoção imediata.

Entre os casos associados diretamente à descarga elétrica, os bombeiros relataram a ocorrência de queimaduras, principalmente nas mãos e na região do tórax. De acordo com o DCM, até o momento, o estado de saúde individual dos atingidos pelo raio não foi detalhado oficialmente pelas autoridades.

Além das vítimas do raio, as equipes de resgate registraram outros atendimentos relacionados às condições climáticas adversas. Houve casos de torções, quedas e episódios de hipotermia, provocados pela combinação de chuva intensa, vento e queda brusca de temperatura durante a manifestação.

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal informou neste domingo (25) que oito pessoas foram atingidas diretamente por um raio durante uma manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, em Brasília. O ato reunia apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorria sob forte chuva na região central da capital.

Segundo a corporação, o número total de atendimentos chegou a 72 pessoas. Desse grupo, 30 manifestantes precisaram ser encaminhados a hospitais públicos do Distrito Federal, enquanto outros 42 receberam atendimento no próprio local da concentração, sem necessidade de remoção imediata.

Entre os casos associados diretamente à descarga elétrica, os bombeiros relataram a ocorrência de queimaduras, principalmente nas mãos e na região do tórax. Até o momento, o estado de saúde individual dos atingidos pelo raio não foi detalhado oficialmente pelas autoridades.

Além das vítimas do raio, as equipes de resgate registraram outros atendimentos relacionados às condições climáticas adversas. Houve casos de torções, quedas e episódios de hipotermia, provocados pela combinação de chuva intensa, vento e queda brusca de temperatura durante a manifestação.

“O uso de manta térmica foi necessário por causa da variação de temperatura. Sobre as vítimas do raio, não sei informar se eram homens, mulheres ou crianças, apenas que foram oito pessoas. O raio atingiu uma área extensa”, afirmou o capitão Robson, do Corpo de Bombeiros, ao comentar o atendimento prestado no local.

O incidente ocorreu pouco antes das 13h, nas imediações do Memorial JK, onde os manifestantes aguardavam o avanço do ato político. Bombeiros militares que já acompanhavam a mobilização montaram rapidamente uma tenda de emergência para realizar os primeiros socorros, diante do grande número de pessoas feridas.

Entre os internados, ao menos oito pacientes apresentaram quadro considerado grave pelas equipes médicas. Treze vítimas foram encaminhadas ao Hospital de Base do Distrito Federal, enquanto outras 11 deram entrada no Hospital Regional da Asa Norte, ambos referência no atendimento de urgência.

De acordo com o balanço oficial, os 30 encaminhamentos hospitalares ocorreram por diferentes causas, incluindo descarga elétrica, queimaduras, traumas e hipotermia. Não há registro de óbitos até o momento, e as autoridades seguem monitorando o estado de saúde dos pacientes internados e apurando as circunstâncias do acidente.


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Protestos em massa defendem imigrantes e desafiam Trump nos Estados Unidos

James Greem – A Pública Ataques do presidente contra trabalhadores indocumentados encontram resistência em todo o país

O assassinato de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em 7 de janeiro no estado do Minnesota, deu ainda mais impulso a um movimento nacional que protesta contra as prisões inconstitucionais de imigrantes indocumentados e cidadãos americanos pelo governo de Donald Trump. E essa revolta mira um dos pilares que levou Trump à cadeira de presidente.

Duas questões contribuíram significativamente para a vitória eleitoral de Trump em 2024. O primeiro foi o estado precário da economia dos EUA, com inflação crescente e uma preocupação generalizada com a acessibilidade a necessidades básicas do consumidor, como alimentação, moradia e assistência médica. O segundo, foi o apelo de Trump para deportar cerca de 15 milhões de imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

Em 2026, Trump perdeu apoio público significativo em ambas as frentes. Uma pesquisa recente da CNN constatou que 58% dos entrevistados consideram o primeiro ano do mandato de Trump um fracasso, com 55% declarando que as condições econômicas pioraram desde que ele assumiu o cargo em janeiro de 2025. Outros 9% acreditam que o presidente não fez o suficiente para reduzir os preços de bens essenciais. Isso inclui metade dos republicanos entrevistados, que afirmam que Trump precisa fazer mais para lidar com a questão da inflação e da acessibilidade.

As pesquisas que medem a opinião dos eleitores sobre as políticas de imigração da Casa Branca são ainda piores. Em uma pesquisa recente da Axios, 57% dos entrevistados desaprovam a maneira como o ICE está aplicando as leis de imigração, enquanto apenas 40% aprovam as ações do governo.

Um dos mentores por trás das impopulares políticas de imigração de Trump é Stephen Miller, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca para políticas e segurança interna. Miller dirigiu a militarização da aplicação das leis de imigração por meio do envio de agentes federais mascarados, muitas vezes operando em veículos descaracterizados, para as principais cidades que votaram em prefeitos democratas nas eleições recentes.

Eles têm sido apoiados por outras agências federais, juntamente com reforço e apoio logístico da Guarda Nacional, para cumprir uma cota imposta por Miller de deportar um milhão de trabalhadores indocumentados por ano. Para atingir esse objetivo, o governo realizou uma campanha de perfilamento racial, percorrendo áreas urbanas, abordando pessoas não brancas nas ruas e exigindo que elas comprovassem sua cidadania americana.

A maioria dos detidos é deportada rapidamente, sem o devido processo legal, seja para seu país de origem ou para um terceiro país que tenha concordado em receber milhares de pessoas expulsas em troca de generosos subsídios financeiros fornecidos pelo governo Trump.

Para implementar essa política draconiana, a maioria republicana no Congresso dos EUA autorizou 170 bilhões de dólares para o Departamento de Segurança Interna em julho de 2025. O governo reduziu os requisitos de contratação e forneceu treinamento deliberadamente inadequado sobre como deter e prender trabalhadores indocumentados, para atender à necessidade de empregar novos agentes do ICE. Isso resultou em milhares de reclamações sobre a violação das proteções constitucionais para os indocumentados e a prisão ilegal de cidadãos americanos nessas operações de busca e apreensão urbana.

Os números são expressivos: desde janeiro de 2025, 270 mil pessoas foram presas na fronteira, enquanto o governo Trump deportou outras 230 mil que estavam detidas dentro do país. Esse número é superior ao total de deportações realizadas durante os quatro anos do governo Biden, mas ainda está muito aquém da meta de deportar um milhão de pessoas por ano.

Em todo o país, pessoas responderam à política de Trump organizando esforços populares para proteger imigrantes vulneráveis de agentes do ICE. Quando agentes do governo chegam a um bairro, cidadãos americanos e residentes legais usam apitos para alertar os imigrantes sobre o perigo iminente de prisão, permitindo que muitos fujam ou se escondam. Ao mesmo tempo, os vizinhos cercam os veículos do governo para bloquear as prisões e gritar “vergonha” para os agentes que estão detendo aqueles que são pegos nessas operações.

Esse foi o cenário que levou o agente do ICE, Jonathan Ross, a disparar três tiros contra o carro de Renne Good enquanto ela e seu parceiro protestavam pacificamente contra a prisão de trabalhadores indocumentados. Quase imediatamente após o assassinato, Kristi Noem, diretora do Departamento de Segurança Interna, anunciou que Good havia tentado atropelar Ross com seu carro e era uma simpatizante de esquerda envolvida em atividades “terroristas”. As alegações de Noem contradizem as imagens de vídeo, que mostram Good desviando seu carro do agente do ICE que, mesmo assim, atirou nela à queima-roupa.

O vice-presidente J.D. Vance também se manifestou sobre o incidente, alegando que os agentes do ICE tinham imunidade absoluta contra qualquer processo por ações que realizassem “no cumprimento do dever”, embora advogados constitucionalistas refutem essa alegação.

Reforçando a acusação de que Good era um terrorista, o Departamento de Justiça se recusou a permitir que autoridades policiais locais da cidade de Minneapolis ou do estado de Minnesota participassem da investigação federal sobre a morte de Good, levando muitos a concluir que o governo Trump considerará que Ross agiu corretamente.

Ao mesmo tempo, o Departamento de Justiça autorizou investigações contra Becky Good, esposa de Renee Good, por suas supostas ligações com grupos de esquerda que tentam interferir na aplicação das leis de imigração do governo. Como resultado, um grupo de procuradores federais de Minnesota renunciou aos seus cargos por se opor à realização da investigação.

O governo Trump também anunciou que está investigando o prefeito de Minneapolis, Jacob Fray, e o governador de Minnesota, Tim Walz, que foi o candidato a vice-presidente de Kamala Harris nas eleições de 2024, por supostamente obstruírem a Justiça ao criticarem as operações do ICE em seu estado.

Ambos os políticos democratas fizeram declarações contundentes condenando as ações do governo Trump, mas pediram aos seus residentes que protestassem pacificamente e evitassem interferir nas detenções do ICE. Especialistas jurídicos argumentam que Fray e Walz estavam exercendo seu direito constitucional à liberdade de expressão; e, como nunca estiveram fisicamente presentes em nenhum protesto que tenha envolvido confrontos com agentes do ICE, não podem ser responsabilizados pelas ações dos manifestantes.

Muitos observadores consideram que o envio de milhares de agentes do ICE para Minnesota foi um ato de retaliação contra um estado que votou contra Trump nas últimas três eleições.

A xenofobia sem escrúpulos de Trump
Minnesota também abriga 90 mil refugiados somalis, que fugiram da guerra civil em seu país de origem no início da década de 1990. Aproximadamente 95% dos que vivem em Minnesota são cidadãos americanos. E eles têm sido um alvo predileto do governo Trump.

O presidente dos EUA não escondeu seu desprezo por africanos e pessoas de ascendência africana do Caribe, que vieram para os Estados Unidos em busca de asilo político ou para melhorar sua situação econômica. Durante a campanha eleitoral de 2024, Trump fez alegações falsas durante um debate presidencial com Kamala Harris de que refugiados haitianos que viviam em Ohio e trabalhavam legalmente em indústrias locais e no setor de serviços estavam roubando e comendo gatos e cachorros de moradores.

Embora essas alegações tenham sido rapidamente desacreditadas, os apoiadores de Trump continuaram a acreditar nessas declarações. O próprio Trump não teve escrúpulos em repetir essas mentiras nos últimos dias da corrida presidencial. Ele já havia se referido a nações africanas e caribenhas como “países de merda” em uma reunião a portas fechadas na Casa Branca.

Quando jornalistas investigativos relataram no ano passado que membros da comunidade somali em Minnesota haviam fraudado o governo em milhões de dólares em fundos de assistência social, Trump usou a notícia para justificar o envio de 2,000 agentes do ICE ao estado para supostamente investigar o esquema.

No entanto, em vez de enviar especialistas em contabilidade e fraude administrativa, os agentes do ICE começaram a aterrorizar sistematicamente Minneapolis, onde vive a maioria dos somalis.

Homens mascarados com uniformes e equipamentos de combate do exército entraram nas casas das pessoas sem mandados de busca legais. Eles procuravam pais indocumentados nas escolas quando estes buscavam seus filhos. Os agentes do ICE usaram spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra manifestantes e pessoas que filmavam as ações dos agentes do ICE.

A resistência ao ICE
Postagens na internet mostrando a violência contínua de funcionários do Departamento de Segurança Interna contribuíram para a indignação pública contra a política de Trump em todo o país. Vídeos no Instagram documentando abusos semelhantes da Califórnia a Nova York também alimentaram atos de solidariedade com imigrantes visados ​​em todo o país, não apenas em grandes metrópoles, mas também em pequenas cidades e comunidades rurais.

O que é especialmente notável nesses gestos é a composição multiétnica e racial daqueles que monitoram as ações do ICE, apoiam seus vizinhos sem cidadania e protestam nas ruas. Embora haja uma longa tradição de racismo e xenofobia contra imigrantes nos Estados Unidos, que remonta a meados do século 19 e se reflete no apoio político que Trump mobilizou desde que anunciou sua primeira candidatura à presidência em 2015, essa defesa de residentes indocumentados e trabalhadores é notável e politicamente significativa.

Em resposta às mobilizações em curso contra as ações do ICE em Minnesota, na semana passada Trump ameaçou usar a Lei da Insurreição, que lhe permitiria enviar forças armadas dos EUA para Minnesota para conter uma suposta rebelião. No entanto, a reação às suas políticas tem sido tão forte e as imagens de violência estatal nas redes sociais tão chocantes que, por enquanto, Trump recuou dessa ameaça. Mesmo assim, dado o estilo volátil de tomada de decisões do presidente, ele pode mudar de ideia a qualquer momento.

Quando analistas políticos estudaram os resultados das eleições de 2024, notaram que Trump parecia ter conquistado apoio entre homens negros, latinos e jovens. No entanto, todos esses ganhos aparentemente foram anulados desde janeiro de 2025.

Parece que muitos afro-americanos que apoiaram Trump em 2024 se revoltaram com suas políticas que eliminam proteções de direitos civis e benefícios de assistência social para negros. Muitos eleitores latinos têm dificuldade em apoiar o perfilamento racial que visa pessoas de cor e as trata com violência ao tentar detê-las. Jovens em todo o país parecem estar revoltados com as políticas de imigração desumanas do governo.

Trump está em apuros. A má gestão da economia, as políticas duras contra imigrantes trabalhadores, sua prática contínua de inventar estatísticas e mentir para o público americano, e o caos constante originado da Casa Branca — desde ameaças de conquistar a Groenlândia até a apreensão do petróleo venezuelano — tornaram o presidente dos EUA politicamente vulnerável.

Embora os ataques contra imigrantes possam desviar a atenção da inflação crescente ou da falha do governo em divulgar os Arquivos Epstein, conforme exigido por uma lei do Congresso, Trump parece ter perdido o seu apoio além de sua base leal. Apesar de sua agressividade e ameaças extravagantes em casa e no exterior, as medidas anti-imigração de Trump parecem um ato desesperado de alguém na defensiva.

Tudo isso é um mau presságio para os republicanos, que, neste momento, parecem prestes a perder o controle da Câmara dos Representantes e possivelmente do Senado nas próximas eleições legislativas de 3 de novembro. As políticas internas e externas de Trump também podem condenar à derrota qualquer candidatura republicana à presidência em 2028.

*Matéria publicada exclusivamente pela A Pública


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