Ano: 2026

Vídeo: Lula diz que clã Bolsonaro ‘não tem vergonha de trair a própria pátria’

Lula criticou integrantes da família Bolsonaro após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas e chamou a articulação de “traição à pátria”

Em discurso durante evento da Petrobras em Sergipe nesta sexta-feira (29), o presidente Lula (PT) criticou integrantes da família Bolsonaro após os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O petista afirmou que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro incentivam interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil e classificou a articulação como “traição à pátria”.

“Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, afirmou Lula. O presidente também disse já ter tratado do combate ao crime organizado diretamente com Donald Trump em uma reunião anterior. “Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos para ele. Um deles era o combate ao crime organizado”, declarou.

Lula também fez referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar que integrantes da família Bolsonaro atuam nos Estados Unidos em busca de pressão internacional sobre o Brasil. “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou.

Durante o discurso, o presidente provocou aliados bolsonaristas que, segundo ele, estão se escondendo da Justiça brasileira nos Estados Unidos.

“Quer combater o crime organizado? Que entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, disse Lula, ao mencionar condenados como o ex-deputado federal do PL Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, da Refit.

Em nota, o Palácio do Planalto reforçou o tom das críticas e classificou como “deplorável” a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar do tema.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirmou o governo.

O Planalto também alertou para possíveis impactos da medida anunciada pelos EUA no combate ao crime organizado e em setores estratégicos da economia brasileira. Segundo o governo, a classificação unilateral de facções como terroristas pode prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e afetar o sistema financeiro nacional.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz a nota.

Os Estados Unidos vêm investigando o Pix sob alegações de possível “concorrência desleal”, em um movimento visto pelo governo brasileiro como uma pressão de interesses financeiros internacionais.

Apesar das críticas, o governo reconheceu, no comunicado, a gravidade da atuação do PCC, do CV e de outras organizações criminosas no território nacional. O Planalto afirmou que as facções “praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, mas argumentou que há diferença entre a violência praticada pelo crime organizado para obtenção de lucro e o terrorismo internacional motivado por razões políticas, religiosas ou ideológicas.

“Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, concluiu o governo.

*ICL

Veja:


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Brasil é quem define como combate e classifica o crime, diz Planalto

Governo critica família Bolsonaro por buscar “intervenção estrangeira”

O governo afirmou, nesta sexta-feira (29), que são os brasileiros que definem como o crime é classificado e combatido dentro do território do país, com suas instituições, leis e forças de segurança. O Palácio do Planalto afirmou também, em nota, que a família Bolsonaro tem buscado uma intervenção estrangeira no Brasil.

“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, diz a nota do Palácio do Planalto.

O posicionamento é uma resposta à decisão dos Estados Unidos (EUA) de classificarem organizações narcotraficantes como terroristas. Para especialistas, a decisão pode servir como pretexto para intervenção no país.

Para o Planalto, a medida dos EUA pode prejudicar o combate ao crime, a economia e o sistema financeiro, além de sistemas inovadores como o Pix.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz o comunicado.

Os EUA têm investigado o Pix do Brasil por suposta “concorrência desleal”. O mecanismo prejudica comercialmente empresas financeiras dos EUA.

Família Bolsonaro
Para o governo brasileiro, a família Bolsonaro tem buscado provocar o governo de Donald Trump para que intervenha no país.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, acrescenta o comunicado.

O pré-candidato à presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se encontrou com o presidente Donald Trump, nesta semana, tendo pedido ao chefe da Casa Branca para classificar grupos narcotraficantes no Brasil como terroristas.

Ainda segundo o Planalto, “traidores” tentam manipulada politicamente o debate sobre o tema.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, disse o Palácio do Planalto.

Terrorismo
O governo ainda reconheceu, no comunicado, que o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias “praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”.

Porém, argumenta que não se pode misturar esse terror, usado para obter lucro, com o terrorismo internacional com motivações políticas, religiosas ou ideológicas.

“Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, diz o governo.

*Agência Brasil


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Como o bolsonarismo instrumentalizou a política externa de Trump contra a soberania brasileira

Para o Planalto, a manobra não é apenas um ato de política de segurança, mas uma interferência direta no processo eleitoral brasileiro, articulada pelo bolsonarismo.

Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que ocorreu um dia após reunião do senador Flávio Bolsonaro com Donald Trump no Salão Oval e que pegou o governo brasileiro de surpresa, sem aviso prévio.

A medida entra em vigor de forma escalonada: a designação como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) tem efeito imediato, enquanto a classificação como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) passa a valer em 5 de junho. Para o Planalto, a manobra não é apenas um ato de política de segurança, mas uma interferência direta no processo eleitoral brasileiro, articulada pelo bolsonarismo para criar um trunfo de campanha e, possivelmente, desviar o foco de investigações em curso da Polícia Federal.

O anúncio e o impacto imediato
O comunicado do secretário de Estado Marco Rubio descreveu PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, afirmando que seus membros “orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros” e que sua influência se estende além das fronteiras do país.

A nota formalizou duas categorias distintas de designação com consequências jurídicas diferentes. A classificação como SDGT bloqueia automaticamente qualquer propriedade dos grupos localizada em território americano e proíbe cidadãos dos EUA de realizar transações com essas organizações. Já a designação como FTO, que entra em vigor em 5 de junho, torna ilegal fornecer qualquer apoio material ou recursos às facções, e obriga instituições financeiras americanas a reter fundos vinculados a elas e reportá-los ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro.

Na prática, a mudança de enquadramento jurídico altera profundamente a arquitetura da cooperação policial entre os dois países. O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo e uma das maiores referências no enfrentamento às facções desde 2005, classificou a decisão como “muito grave” e afirmou não ver “nenhum benefício prático” na medida.

Em entrevista ao podcast O Assunto, Gakiya explicou que, ao sair da esfera policial, as investigações deixam de ser conduzidas pelo FBI e pela DEA para passar à CIA e às forças militares americanas. “Quando passa a ser classificado e tratado pela CIA e pelos militares, há o sigilo dessas informações, que passam a ser classificadas como secretos e ultrassecretos ou confidenciais. Então, provavelmente nós vamos ter um decréscimo, um prejuízo na troca de informações”, afirmou.

O promotor também alertou para o risco de contaminação do sistema financeiro brasileiro. A Operação Carbono Oculto já havia revelado que o PCC utiliza postos de combustíveis e contas em fintechs para lavagem de dinheiro, em uma cadeia que alcança bancos regulares. “Se a gente for levar ao pé da letra essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar bancos que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC”, disse Gakiya, apontando que instituições financeiras sem qualquer envolvimento direto com as facções poderiam ser atingidas por vínculos indiretos na cadeia de recursos.

A articulação política
A sequência de eventos não deixa margem para dúvida sobre a cadeia de influência. A decisão do Departamento de Estado foi anunciada um dia após reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump no Salão Oval, onde o senador apresentou a classificação das facções como prioridade do grupo político brasileiro. Segundo relatos do encontro, Trump perguntou a Flávio quais seriam as principais questões de interesse, e o senador respondeu elencando a designação terrorista como item central.

Na mesma semana, Flávio também se reuniu com Marco Rubio, que assinou o comunicado oficial. Ao voltar ao Brasil, o senador publicou vídeo nas redes sociais atribuindo a si a decisão e afirmando ter “trabalhado para que eles fossem tratados como terroristas”.

Durante a reunião na Casa Branca, os participantes apresentaram a Trump estimativas de que cerca de um quarto do território brasileiro estaria sob influência de organizações criminosas. O presidente americano teria reagido com surpresa, questionando se o Brasil ainda mantinha controle sobre seu próprio território, o que reforçou a narrativa, cultivada pelo bolsonarismo, de um suposto “Estado terrorista” em colapso sob o governo Lula. Flávio também alegou, segundo relatos do encontro, que o governo brasileiro seria conivente com o crime organizado e que as facções manteriam conexões com grupos terroristas internacionais.

A imprensa internacional tratou o episódio sem eufemismos. O New York Times afirmou que a decisão ocorreu “após nova pressão dos Bolsonaros” e citou um “lobby agressivo” dos filhos do ex-presidente. O Financial Times avaliou que “o momento da decisão deve fortalecer politicamente” a candidatura de Flávio à presidência.

A agência Associated Press, em publicação no Washington Post, lembrou que Lula havia afirmado repetidamente, em outras ocasiões, que interpretaria tal ação dos EUA como interferência eleitoral a seu favor. O que era leitura política do Planalto tornou-se, com o anúncio, fato consumado.

Risco à soberania e economia
O governo Lula não foi avisado previamente da decisão, segundo fonte ouvida pela GloboNews. A ausência de notificação diplomática prévia é, por si só, um indicador do nível de tensão na relação bilateral. O principal temor do Planalto é que a classificação sirva de pretexto jurídico para ações militares unilaterais dos EUA em território brasileiro, seguindo o padrão já adotado pela administração Trump em relação ao México e à Venezuela. O assessor presidencial Celso Amorim foi o primeiro a sinalizar publicamente o tom da resposta, afirmando que criar um “pretexto para intervenção é inaceitável”.

No campo econômico, o risco mais imediato envolve o sistema financeiro. O governo Trump já havia apontado o PIX, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central, como potencial facilitador do fluxo de recursos ilícitos para as facções. Embora não haja, até o momento, documento oficial dos EUA que formalize sanções específicas ao PIX, o Planalto monitora a ameaça com atenção, sobretudo porque qualquer banco brasileiro com operações nos EUA pode ser afetado por vínculos indiretos com as facções, conforme o alerta do promotor Gakiya. A possibilidade de sanções a empresas e instituições financeiras brasileiras por conexões indiretas com o crime organizado é tratada internamente como cenário concreto, não hipotético.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), foi um dos primeiros a se manifestar publicamente, criticando a medida como violação da soberania nacional. “Cooperação internacional no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas sim, intervenção na política interna de outro país, não”, afirmou. Rodrigues também condenou o que chamou de “ato de traição” da família Bolsonaro e alertou para danos potenciais nas relações diplomáticas, na economia, no turismo e no comércio internacional. O governador reforçou o argumento técnico do governo federal de que as facções operam por motivação financeira, diferentemente de grupos terroristas com base ideológica ou política, o que torna a classificação juridicamente questionável à luz da legislação brasileira.

O pano de fundo: investigações da PF
A decisão de Washington não ocorre no vácuo. Ela coincide com um momento de pressão crescente da Polícia Federal sobre o entorno bolsonarista. Em maio, a PF realizou duas operações, nos dias 15 e 26, que tiveram impacto direto sobre aliados próximos do grupo: o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) desistiu de sua candidatura ao Senado após ser atingido pelas investigações dos casos Refit e Banco Master. O caso Refit envolve Ricardo Magro, apontado como megasonegador e recém-incluído na lista vermelha da Interpol.

É nesse contexto que ganham relevância as informações levantadas sobre offshores em Delaware. Segundo o Fórum, Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, e Altieris Santana abriram em 12 de fevereiro a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, uma offshore no estado americano de Delaware, conhecido paraíso fiscal onde estão listadas ao menos 15 outras offshores pertencentes ao Grupo Refit, de Ricardo Magro. Calixto e Santana são também controladores do fundo Havengate, que teria recebido aportes estimados em US$ 24 milhões a título de “patrocínio” de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, de Flávio Bolsonaro, dos quais US$ 10 milhões teriam sido efetivamente pagos.

A conexão entre a decisão de Trump e as investigações em curso não passou despercebida. Segundo análise da reportagem que originou essas informações, a medida pode blindar o grupo político ao desviar o foco da cooperação internacional necessária para investigar os paraísos fiscais de Delaware: ao transferir as operações do FBI e da DEA para a CIA e os militares, a classificação terrorista reduz a transparência e dificulta exatamente o tipo de cooperação policial que a PF precisaria para avançar nas investigações sobre offshores e fluxos financeiros no exterior.

Reações e desdobramentos
O Planalto trabalhou ao longo da sexta-feira (29) para fechar uma nota oficial que equilibre dois objetivos difíceis de conciliar: defender a soberania nacional sem parecer condescendente com o crime organizado, e reagir à manobra bolsonarista sem provocar um confronto aberto com Trump que possa custar caro na arena econômica. A estratégia, segundo interlocutores do governo ouvidos pela BBC News Brasil, é modular a resposta para evitar desgaste junto ao público interno a poucos meses das eleições. A nota deve reforçar as medidas recentes do governo contra o crime organizado e afirmar a disposição do Brasil para cooperação internacional técnica no combate às facções.

O modelo adotado é o mesmo da crise do “tarifaço” de 2025, quando Trump impôs taxas de 50% sobre produtos brasileiros e o Planalto respondeu com diplomacia presidencial direta, culminando em um encontro entre Lula e Trump na Malásia e na posterior redução das tarifas. Desta vez, a aposta é evocar os riscos ao PIX e ao sistema financeiro para criar pressão sobre Washington e reposicionar Flávio Bolsonaro como responsável pelos eventuais danos econômicos. Lula avalia um contato direto com Trump e não quer, segundo seus auxiliares, um enfrentamento público com o presidente americano.

Do lado da oposição, a medida foi celebrada como vitória política. Flávio Bolsonaro atribuiu a si o resultado, atacou Lula e agradeceu publicamente a Trump e Rubio. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também se manifestou nas redes sociais em apoio à classificação. O governo Lula, por sua vez, avalia internamente que a decisão configura interferência direta no processo eleitoral brasileiro, leitura que já havia sido antecipada por assessores do presidente antes mesmo do anúncio e que agora orienta a resposta diplomática em construção.

*Forum


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Em pacto com bolsonarismo, Trump põe Brasil no foco de sua ‘guerra’ pela América Latina

Decisão de designar PCC e CV como terroristas é parte da estratégia da Casa Branca de controle militar na América Latina

Com Flávio Bolsonaro e a extrema direita brasileira, o governo de Donald Trump anuncia que designarão os grupos criminosos PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, abrindo o caminho para adotar sanções e mesmo medidas militares contra os criminosos. Ao classificar os grupos como terroristas, o governo dos EUA também transforma suas bases e operações em alvos legítimos de um ataque militar, mesmo em território estrangeiro, e transforma o Brasil no foco de sua doutrina de controle da América Latina.

Nos últimos meses, documentos da Casa Branca explicitaram que havia uma intenção deliberada de militarizar a região e colocar os cartéis como foco do combate contra o terrorismo internacional. Combater o PCC e o CV, portanto, passou a ser apenas um argumento para chegar a esses objetivos.

Pela doutrina americana, o combate ao terrorismo internacional justifica ações em qualquer parte do mundo, inclusive violando a soberania de países.

Para representantes do alto escalão do Palácio do Planalto, a decisão de Trump agora coloca o Brasil como alvo de sua “guerra”.

Bomba atômica
A decisão une, no fundo, os interesses bolsonaristas à estratégia militar de Trump. O gesto foi interpretado pelo governo brasileiro como uma tentativa de Flávio Bolsonaro de usar uma ‘bomba atômica’ para salvar sua candidatura para presidente e tentar, assim, enterrar a crise envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro.

O recurso à designação do crime organizado como grupos terroristas ainda é a esperança do bolsonarismo para obrigar o país inteiro a debater a nova realidade no cenário político nacional, deixando suas polêmicas em segundo plano.

O trunfo de Flávio foi ainda visto como uma manobra para se apresentar como a suposta liderança para tratar de crime organizado e ainda sufoca outros nomes da direita que, diante de sua crise com Vorcaro, esperavam que ele abandonasse a corrida.

Para o governo brasileiro, porém, o gesto é tanto uma ingerência na eleição brasileira como uma violação da soberania.

Flávio Bolsonaro não tinha viagem planejada para os EUA. Mas, diante dos questionamentos até mesmo por aliados sobre a viabilidade de sua candidatura, o filho do ex-presidente tentou um “tudo ou nada” em Washington.

Com o anúncio, o PCC e o CV entraram numa lista que já inclui mais de uma dezena de outras organizações criminosas da região. São elas:

México: Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração , Cartel do Golfo, Los Zetas;
Colômbia: Clã do Golfo;
Haiti: G9 e Família;
Equador: Los Choneros.

A decisão ainda corre o risco de abalar a suposta “boa química” que existiria entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O combate ao crime organizado foi um dos principais pontos da reunião entre os dois líderes, há duas semanas.

Mas uma decisão dessa natureza ameaça descarrilhar o trabalho diplomático de aproximação. O governo brasileiro acreditava que havia neutralizado o risco ao propor um programa conjunto para lidar com o crime organizado.

A pauta não se limita ao combate ao crime. Entre diplomatas, o tema é também um instrumento político de pressão. A classificação como terroristas era uma reivindicação de bolsonaristas que, ao colocar o tema como centro da relação com o Brasil, buscam o envolvimento direto do governo Trump na agenda doméstica do país.

Flávio Bolsonaro chegou a sugerir a necessidade de uma ação americana em território brasileiro. Ele recebeu uma delegação americana ainda em 2025 para debater o tema e deu seu sinal favorável à medida. Um suposto dossiê ainda foi preparado pelo governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e mandado para a Casa Branca, com detalhes sobre os grupos criminosos.

Dentro do governo, existe ainda a suspeita de que informações possam ter sido passadas pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, e que hoje vive nos EUA.

Ao ICL Notícias, a chefia da Polícia Federal confirmou que sequer aceitou receber essa delegação do Departamento de Estado norte-americano, em 2025, que queria convencer o Brasil a também classificar os grupos como terroristas. A delegação acabou sendo recebida pelo Ministério da Justiça e pelo Itamaraty e, em ambos, ouviu que o Brasil não seguiria na mesma linha.

Em 2025, um informe do Departamento de Estado norte-americano obtido pela reportagem indicou que “a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) e cartéis do México e da Colômbia intensificaram suas atividades na Bolívia”. “Esses atores representam novos e significativos desafios para o controle do narcotráfico na Bolívia”, disse.

Num outro trecho, o informa aponta que “as organizações transnacionais de narcotráfico, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), representam a principal ameaça à segurança nacional do Brasil”. “Segundo a Polícia Federal (PF), o PCC opera em 22 dos 27 estados brasileiros e atua em pelo menos 16 países ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos”, apontou.

Alvo militar e sanções
Um dos temores das autoridades brasileiras é de que, com a designação, as operações do PCC e do CV se transformem em alvos legítimos de ataques militares dos EUA.

Semanas depois de designar grupos colombianos como terroristas, o governo Trump intensificou os ataques contra barcos na costa do país sul-americano.

Nas últimas semanas, o governo Trump lançou ofensivas contra o narcotráfico no México e no Equador. Em ambos, o discurso foi de que se tratou de uma operação conjunta. Mas, entre latino-americanos, a “cooperação” é apenas uma forma de os governos locais se justificarem diante de suas populações.

Trump ainda sinalizou seu interesse em transformar o tema do narcotráfico num instrumento de controle da região. O americano, ao lado de uma dezena de países latino-americanos em março, anunciou a criação de uma “aliança” militar contra os grupos criminosos.

Seu discurso foi revelador. Num certo momento, ele explicou que fará com o narcotráfico o mesmo que os EUA fizeram com o Estado Islâmico. Ou seja, bombardear em territórios estrangeiros.

Em um tom de brincadeira, ele ainda avisou aos demais presidentes da região: “vocês querem mísseis? Posso também bombardear. Esses mísseis são precisos”.

*Jamil Chade/ICL

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Crime organizado, carimbo de terrorista

Casa Branca classifica o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações que propagam o terror, e abre caminho para ações unilaterais de forças de segurança dos EUA. Para Celso Amorim, ato é “pretexto para intervenção”

Em nota oficial, Marco Rubio afirma que os EUA vão usar “todas as ferramentas disponíveis para garantir a segurança do povo americano”

O governo dos Estados Unidos (EUA) decidiu denominar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. O ato é similar ao adotado pela Casa Branca para classificar quadrilhas ligadas ao narcotráfico no México e na Venezuela como grupos que praticam o terror a nível internacional. A decisão foi emitida por meio de um comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, um dos principais nomes do governo do presidente Donald Trump.

“O Comando Vermelho e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e, também, o nosso país”, sustenta Rubio, na nota.

O instrumento utilizado pelo governo norte-americano para definir os grupos como terroristas é a Ordem Executiva 13.224 — editada pelo presidente George W. Bush logo após o ataque ao World Trade Center, em setembro de 2001. O objetivo da norma é facilitar a ação dos Estados Unidos para desmantelar grupos terroristas fora das fronteiras do país, mas que geram uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia” dos EUA.

Ainda de acordo com a nota publicada ontem, o Departamento de Estado informou que o governo Trump seguirá utilizando “todas as ferramentas disponíveis” para proteger a nação e os interesses de segurança nacional do país, “mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de receita que financiam narcoterroristas violentos”. A medida entra em vigor, oficialmente, em 5 de junho.

Amorim responde
No Brasil, não houve resposta oficial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fechamento desta edição. Mesmo assim, o assessor-chefe da Assessoria Especial do presidente, Celso Amorim, comentou sobre a medida no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, na Rússia. Segundo ele, a iniciativa norte-americana pode servir de “pretexto para intervenção” no Brasil, reforçando a preocupação já manifestada pelo próprio Lula e outros membros do governo.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou o secretário.

*Correio Braziliense

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A renúncia de Claudio Castro deixa Flavio Bolsonaro nu

Claudio Castro renuncia à disputa para o Senado por envolvimento com Vorcaro e obriga Flavio a fazer o mesmo

Apesar da pressão política, até o momento não há indicação de que Flávio Bolsonaro vá renunciar à própria candidatura ou abandonar seus planos eleitorais. O que existe é um temor interno no PL de contaminação política causada pela proximidade entre os casos.

Mas não há como negar que, nesse caso, Flavio Bolsonaro e Claudio Castro são irmãos siameses, pois têm como ponto de partida e de chegada o mesmo imbróglio do mesmo banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.

Na verdade, os dois foram pegos em diálogo, em áudio de whatsapp com componentes absolutamente idênticos de relação de troca de favores e lavagem de dinheiro.

Agora é aguardar o resultado dessa renúncia de Claudio Castro na campanha de Flavio Bolsonaro, já que os dois guardam uma série de pontos comuns no caso do envolvimento com o dono do Banco Master.

A conferir.


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“Dark Horse”: PF pede quebra de sigilo de produtora responsável por filme sobre Bolsonaro

Polícia Federal investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos em contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo

Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça acesso a dados financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O pedido também atinge o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. As informações são da Folha de S. Paulo.

A solicitação faz parte de uma investigação sobre suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de internet wi-fi na capital paulista.

Polícia mira dados financeiros
O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira requisitou à Justiça relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). De acordo com a Forum, o objetivo é identificar eventuais “movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas” relacionadas ao CPF de Karina e ao CNPJ do Instituto Conhecer Brasil.

O pedido também inclui a decretação de sigilo sobre essa fase da apuração. A investigação busca rastrear o caminho do dinheiro público repassado ao instituto no âmbito do programa WiFi Livre SP, da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Suspeita de desvio para financiar “Dark Horse”
De acordo com o ofício encaminhado à Justiça, os investigadores suspeitam que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear a produção de “Dark Horse”.

No documento, a Polícia Civil aponta “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora cinematográfica responsável pelo longa sobre Bolsonaro.

“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”, afirma o delegado no pedido enviado ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura
A apuração envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo para a prestação de serviços de internet wi-fi em pontos da capital.

Segundo os investigadores, empresas subcontratadas e organizações sociais administradas por Karina teriam sido usadas para movimentar parte dos recursos. A Polícia Civil também afirma haver “indícios materiais contundentes” de irregularidades na execução do contrato.

Outro ponto apontado no pedido é a suposta falta de capacidade técnica do Instituto Conhecer Brasil para operar o serviço contratado pela prefeitura. O delegado afirma que o valor cobrado pelo instituto, de R$ 1.800 por ponto de conexão, estaria acima do praticado no mercado.

Pagamento antecipado de R$ 26 milhões
A investigação também considera suspeito o pagamento antecipado de R$ 26 milhões por serviços que ainda não haviam sido executados. Para a Polícia Civil, a antecipação “pode evidenciar o desvio de finalidade na aplicação do dinheiro público municipal”.

Diante dessas suspeitas, os investigadores defendem que a quebra de sigilo financeiro é necessária para rastrear a destinação final dos recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil.

“Diante disso, o rastreamento do fluxo financeiro é o único meio capaz de descortinar a destinação final das verbas recebidas pelo Instituto Conhecer Brasil e repassadas de forma suspeita a empresas subcontratadas e às contas pessoais da investigada Karina Ferreira da Gama”, diz outro trecho do documento policial.


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Quem deu a Flavio Bolsonaro a ideia de jerico de tirar um bode da cartola?

Como fazer Flavio parar de sangrar? Perguntou o próprio a seus assessores de marketing.

Certamente, teve como resposta: nossas esperanças estão na Casa Branca. Feito.

Deu ruim.

Ruim pra caralho.

Não há precedentes de regresso moral, intelectual e de soberania tão extraordinário na história do Brasil como as ferramentas que calçaram o jumento.

Flavio poderia ter sido visto como alguém que tentou uma saída obsoleta como ação política para parar de cair nas pesquisas. Mas seu guia foi implacável. Vai beijar os pés de Trump. Assim, a derrota ficou garantida.

Flavio, que ousou infectar Trump com a doença bolsonarista, teve que encarar um micróbio ainda mais letal para sua campanha do que antes de se arvorar a se meter na Casa Branca como estudante em caravana colegial.

Pato, pateta, pachaca, pastel, paspalho!

O peso morto na geopolítica global, sem noção da verdadeira esfinge na teia universal em que Lula se transformou, para muitas sociedades e chefes de Estado, está longe da compreensão dessa choldra provinciana para se submeter a tal humilhação, tendo que ouvir Trump elogiando Lula.

Flavio saiu menor e pior do que entrou na Casa Banca. Sua campanha virou de vez terra arrasada, com recordes e mais frecordes de memes e publicações negativas nas redes e mesmo na grande mídia.

Deu tudo errado. Mas a previsão era outra, pois daria uma rentabilidade política para Flavio ultrapassar a nuvem carregada de raios, trovões e trombas d’água que vêm lhe caindo à cabeça desde aquele infame áudio em que cobra o complemento da grana acordada entre ele e Vorcaro, aquela de R$ 134 milhões.

Os fascistóides nativos mais pandêmicos, chegaram a ensaiar um coro prevendo um regresso vitorioso de Flavio. Mas murcharam as orelhas de todos os burros.

Quem organizou o pequinique de rapapés foi flagorosamente operador de uma tragédia criativa e a frustração dos que aqui, no Brasil, estavam batalhando para dar cor a essa palha diplomática, cairam num sono profundo depois do vexame.

Ou seja, o que é ruim, depois dessa realização dos cabeças de bagre, ficou ainda pior para Flavio.

Na verdade, aquela foto patética, no futuro, será emoldurada como a imagem de mais uma derrota do bolsonarismo em outubro próximo.


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Avaliação positiva do governo Lula dispara e aprovação chega a 46,6%, aponta pesquisa Meio/Ideia

Novo levantamento aponta crescimento de aprovação de Lula em todas as regiões e faixas etárias, com destaque para jovens, independentes e classe média

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou um crescimento significativo em sua aprovação e na avaliação de seu governo, segundo a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28). O levantamento, realizado entre 23 e 27 de maio de 2026, ouviu 1.500 eleitores e aponta que a aprovação do governo chegou a 46,6%, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação à rodada anterior.

Além da aprovação geral, o índice de avaliação do governo como ótimo ou bom subiu para 35,6%, um avanço de 4,1 pontos percentuais. O percentual de entrevistados que julgam a gestão como regular ficou em 21,7% (+0,7 ponto), enquanto aqueles que a consideram ruim/péssimo caíram para 40,7% (-5,6 pontos). O levantamento tem margem de erro de 2,5 pontos e nível de confiança de 95%.

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Crescimento entre jovens, independentes e classe média
Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula passou de 30% para 48,6% de avaliação positiva, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) caiu de 55,2% para 39,5%. Eleitores independentes, sem posição política definida, aumentaram o apoio a Lula de 40,7% para 45,3%. Na classe média alta, com renda superior a cinco salários mínimos, o presidente também virou o jogo, alcançando 48,6% contra 41,5% do adversário, evidenciando a expansão do apoio em segmentos estratégicos.

A percepção positiva do governo se mantém em áreas críticas: economia, saúde, educação e segurança pública. O levantamento mostra que os avanços nos índices de avaliação se distribuíram de maneira homogênea em todas as regiões do país e em diferentes faixas etárias, reforçando a confiabilidade e a consistência do crescimento da aprovação presidencial.

A pesquisa confirma que Lula mantém não apenas aprovação elevada, mas também apresenta crescimento consistente na avaliação do governo, consolidando sua posição como líder político confiável em todas as regiões e segmentos do eleitorado.

Lula lidera em todos os cenários eleitorais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28). O petista soma 46,5% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) registra 41,4%.

De acordo com o levantamento, a diferença entre os dois pode variar entre 0,1 e 10,1 pontos percentuais, considerando a margem de erro de 2,5 pontos para mais ou para menos. Na rodada anterior, divulgada em 5 de maio, os dois apareciam em empate técnico: Flávio tinha 45,3% contra 44,7% de Lula.

A nova pesquisa mostra uma queda de 3,9 pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em menos de um mês. O desgaste ocorreu após a divulgação de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Forum.


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Flávio e Trump – A autópsia de uma humilhação

Flávio Bolsonaro precisava de uma foto ao lado de Donald Trump para tentar virar a página na crise com seu envolvimento no escândalo do Banco Master. Conseguiu. Mas a imagem é o espelho de uma humilhação.

O chefe, sentado. Aquele que suplica um favor, ao seu lado, quase pedindo desculpas por estar presente. Sequer no mesmo nível ou de mãos dadas.

O encontro não estava na agenda oficial da Casa Branca e nunca foi colocado, mesmo depois de realizado. Um contraste com outros líderes que foram recebidos com tapete vermelho.

Ajude o Barão de Itararé
Flávio entrou no Salão Oval, entregou documentos sobre um apelo para que o PCC seja considerado como um grupo terroristas e fez uma foto.

Trump arranhou um sorriso. Tenso, Flávio nem isso conseguiu.

Uma segunda foto ainda contou com Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, os articuladores de medidas contra o Brasil.

E o encontro terminou, em poucos minutos.

Nas redes sociais, o presidente americano alertou sobre as condições meteorológicas, deu seu apoio a candidatos para as eleições legislativas e distribuiu memes. Mas não fez referências aos brasileiros que foram ao seu gabinete.

No Palácio do Planalto, a viagem era vista como uma “boia de salvação” para a candidatura de Flávio. Inclusive para alertar aos demais rivais de direita que ele não irá desistir de sua campanha eleitoral.

Como no restante da América Latina que optou por sucumbir ao trumpismo para chegar ou se manter no poder, o bolsonarismo já tem sua foto ao lado daquele que, de fato, dará as cartas se a extrema direita voltar ao poder no Brasil.

A imagem é a autópsia de uma humilhação de um movimento político que joga contra a soberania do país.

Flávio prometeu uma entrevista coletiva após o encontro. Mas já avisou: não responderia sobre nada além da visita aos EUA. A tal da liberdade de expressão que tanto é promovida pelo bolsonarismo parece ter se perdido pelos corredores da Casa Branca. Assim como a dignidade do candidato.

*Jamil Chade/ICL


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