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Governo Lula dribla tarifaço e aumenta volume de exportações, mostra estudo

As exportações brasileiras fecharam os primeiros onze meses deste ano com desempenho acima do esperado e atingiram o maior valor dos últimos dez anos para o período, mesmo após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. A combinação entre diversificação de mercados buscada pelo presidente Lula (PT) e maior peso de setores especializados ajudou a reduzir o impacto das sobretaxas e a diminuir a dependência do mercado estadunidense.

De janeiro a novembro, o Brasil exportou US$ 317,18 bilhões, alta de 1,8% em relação a 2024. O avanço ocorreu apesar da sobretaxa adicional anunciada em julho e aplicada a partir de agosto, que elevou a alíquota total sobre diversos produtos brasileiros para até 50%.

O impacto foi mais concentrado nos embarques para os Estados Unidos, mas acabou compensado pelo crescimento das vendas para outros destinos.

Estudo da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostra que o efeito do tarifaço variou significativamente entre os setores exportadores.

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Dos 30 setores que vendem para os EUA, 19 registraram queda nas exportações, somando US$ 21,2 bilhões entre janeiro e novembro, retração de 14,5% em relação ao mesmo período de 2024, quando ainda não havia tarifas adicionais.

Por outro lado, 11 setores conseguiram ampliar as vendas ao mercado estadunidense mesmo sob a vigência do tarifaço. Juntos, eles exportaram US$ 12,9 bilhões no período e cresceram 9,8% na comparação anual. Segundo o DCM, esse desempenho ajudou a conter a retração total das exportações brasileiras para os EUA, que ficou limitada a 6,7% no acumulado até novembro.

“O resultado do tarifaço foi assimétrico entre os setores”, afirmou Daiane Santos, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), economista da Funcex e responsável pelo estudo, em entrevista ao Estadão. Segundo ela, os segmentos que avançaram nas vendas externas oferecem produtos com maior grau de especialização e alguma vantagem comparativa, como aviões, óleos combustíveis, carne bovina, suco de laranja, café, máquinas e equipamentos elétricos.

Outro fator relevante, segundo a economista, é a dependência dos importadores. “Quem precisa das máquinas brasileiras, mesmo com a tarifa importou. Isto é, pagou o preço, mesmo com a sobretaxação”. É o caso do café em grão, cujas exportações cresceram 6,8% em valor, e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que avançaram 11,3%.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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