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EUA saem miúdos da guerra no Irã

Trump abala o próprio lema de seu governo: Make America Great Again

Ainda existe todo um processo negociador a ser realizado para que uma paz de fato seja estabelecida pelos governos de Teerã e Washington. Mas o cessar-fogo, pelo menos da forma que está sendo apresentado, revela que os EUA saem menores desse conflito.

Longe das bravatas de Donald Trump de que teria vencido a guerra, a realidade revela que a estrutura do regime iraniano continua em grande parte preservada, mesmo com o assassinato de alguns de seus principais líderes.

O mundo de Trump descobre que, sim, a geografia é um fator determinante e que, ao controlar o Estreito de Ormuz, os iranianos fizeram de refém a própria economia mundial.

Trump também sai com sua credibilidade abalada entre seus principais parceiros, insultados por seus atos e ameaças. Com anúncios de que cometeria um genocídio, Trump passa a ter até mesmo sua índole questionada por conservadores.

O presidente ainda está mais isolado do que nunca no mundo, com aliados questionando a conveniência de manter, de fato, acordos com a Casa Branca. Existem dúvidas se a OTAN ainda faz sentido, se a cooperação entre europeus e norte-americanos pode prosperar. Os países do Golfo, que acreditavam ser ilhas de estabilidade, descobriram que ter os EUA como parceiro é um passivo.

Militarmente, constata-se que, mesmo com todo o poderio bélico e um orçamento trilionário, existem limites para o que bombas podem atingir. Principalmente quando, do outro lado, existe um governo que não vê problemas em impor profundos danos à sua própria população.

Em sua estratégia global de estabelecer a “paz pela força”, Trump é, pela primeira vez, em parte freado.

Sua doutrina militar, diplomática e geopolítica está oficialmente questionada.

Desmoralizado, o presidente apaga dos chapéus de seus fieis seguidores o próprio lema de seu governo: Make America Great Again.

O que as pesquisas revelam é que alguns daqueles indivíduos que usavam os bonés já se deram conta de que foram feitos de trouxas. Bonés que, por sinal, são “Made in China”.

*Jamil Chade/ICL


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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