A mais recente pesquisa Datafolha confirma que um dos principais desafios da candidatura de Flávio Bolsonaro continua sendo o eleitorado feminino. Segundo o levantamento, no cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diferença entre os dois entre as mulheres permanece significativamente maior do que a registrada no eleitorado masculino.
Na pesquisa realizada em junho, Lula aparecia com uma vantagem de 15 pontos percentuais entre as eleitoras, evidenciando uma resistência persistente ao candidato do PL nesse segmento. O novo levantamento indica que esse quadro não sofreu mudanças relevantes, reforçando que Flávio ainda não conseguiu reduzir a distância entre as mulheres.
O eleitorado feminino representa cerca de 53% dos votantes brasileiros, tornando-se decisivo em qualquer eleição presidencial. Analistas políticos avaliam que a dificuldade de Flávio nesse grupo limita seu potencial de crescimento, mesmo quando mantém desempenho competitivo entre os homens e entre eleitores mais identificados com a direita.
A pesquisa Datafolha divulgada na última semana mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro por 48% a 43% em um eventual segundo turno, resultado praticamente estável em relação ao levantamento anterior. A persistência da vantagem do presidente está diretamente associada ao desempenho superior entre as mulheres, segmento no qual o petista mantém uma vantagem mais ampla.
50% das mulheres dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum no primeiro turno. No caso de segundo turno entre Lula e Flávio, 50% das mulheres dizem que votarão em Lula 40%, no Flavio.
Especialistas apontam que o desgaste histórico do bolsonarismo junto ao eleitorado feminino, intensificado por declarações controversas ao longo dos últimos anos e por conflitos internos envolvendo lideranças do próprio grupo político, continua dificultando a ampliação da candidatura de Flávio nesse público. A ausência de uma recuperação consistente entre as mulheres é vista como um dos principais obstáculos para que o senador consiga transformar a disputa em um cenário mais favorável.
As mulheres apresentam maior aversão a discursos políticos agressivos e à percepção de conflito permanente, características frequentemente associadas ao estilo político do bolsonarismo.
Com a campanha entrando em sua fase decisiva, a capacidade de reduzir essa diferença poderá ser determinante para o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro. Até o momento, porém, os números do Datafolha indicam que a resistência feminina permanece como uma barreira relevante para sua candidatura.
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