Velha mídia: Mas o Lulinha…

Quem é comprovadamente corrupto há anos e é candidato a presidente é Flávio — mas a velha mídia prefere especular contra Lulinha

Há uma inversão escandalosa de prioridades no debate político brasileiro. De um lado, está Flávio Bolsonaro, político profissional, com uma longa trajetória cercada por denúncias, suspeitas e investigações, agora apresentado como candidato à Presidência da República. Do outro, está Lulinha, que nunca exerceu mandato eletivo, nunca foi político e não é candidato a absolutamente nada.

Ainda assim, basta observar as manchetes para perceber onde parte da chamada velha mídia decidiu concentrar seus holofotes: em Lulinha.

A estratégia é conhecida. Transformar especulação em manchete, suspeita em sentença e vazamento em espetáculo, enquanto questões muito mais concretas envolvendo personagens da política são tratadas com uma cautela quase reverencial.

O problema não é investigar Lulinha — qualquer cidadão pode e deve ser investigado quando houver fatos concretos. O problema é a assimetria da cobertura. É exigir explicações de quem não disputa eleição, enquanto um candidato presidencial com um histórico político controverso recebe um tratamento incomparavelmente mais complacente.

A pergunta que precisa ser feita é simples: qual é o critério?

Se existem provas, que sejam apresentadas. Se existem documentos, que sejam publicados. Se existem fatos relevantes, que sejam investigados. Mas jornalismo sério não pode funcionar à base de insinuações, vazamentos seletivos e manchetes em letras garrafais destinadas a produzir uma condenação antecipada.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro está no centro da disputa eleitoral. Portanto, tudo o que envolve sua trajetória, suas relações políticas e empresariais, seu patrimônio e as acusações que recaem sobre ele deveria receber escrutínio máximo. Afinal, estamos falando de alguém que pretende comandar o país.

Mas a velha mídia parece operar com uma régua curiosamente diferente: para uns, investigação permanente; para outros, blindagem permanente.

Lulinha não precisa ser candidato para ter seus direitos respeitados. E Flávio não pode ser tratado como candidato acima das perguntas que sua própria trajetória política impõe.

O eleitor tem direito à informação, não a uma campanha midiática disfarçada de jornalismo.

Se a imprensa quer realmente cumprir seu papel, deveria parar de transformar especulações contra Lulinha em manchetes e começar a aplicar a mesma intensidade investigativa a Flávio Bolsonaro. Porque, no fim das contas, a questão central é muito simples: quem pretende ocupar a Presidência precisa ser cobrado por seus atos, por sua trajetória e pelos fatos concretos que o cercam.

O que não pode existir é uma imprensa que grita diante de uma suspeita contra um não candidato e sussurra diante de fatos envolvendo quem quer chegar ao Palácio do Planalto.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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