Quem a mídia está protegendo mais: Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques?

Há momentos em que o silêncio da imprensa se torna uma notícia por si só. E a pergunta que começa a incomodar é inevitável: quem, afinal, está recebendo mais proteção da mídia — Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques?

A questão ganha força diante da sucessão de episódios envolvendo o candidato do PL, o caso Dark Horse, sua relação com Daniel Vorcaro e a atuação de ministros indicados por Jair Bolsonaro em processos que alcançam direta ou indiretamente o universo político bolsonarista.

No caso de Flávio Bolsonaro, por exemplo, há investigações que continuam produzindo fatos novos. A imprensa noticiou que o caso Dark Horse permanece em investigação e que André Mendonça é o relator das apurações relacionadas aos repasses de Vorcaro. Também foram divulgadas informações sobre mensagens e áudios que colocaram sob questionamento versões anteriormente apresentadas pelo senador.

Mas a pergunta que precisa ser feita é: a mesma disposição jornalística utilizada para explorar suspeitas contra adversários políticos é aplicada quando o personagem investigado está no campo bolsonarista?

André Mendonça também passou a ocupar o centro desse debate. O ministro é responsável por decisões relevantes em processos que envolvem o entorno de Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, aparece em outras disputas eleitorais de grande repercussão. Recentemente, por exemplo, determinou a retirada de um vídeo produzido por inteligência artificial que associava Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, por entender que o material criava situações inexistentes com aparência de realidade.

Isso, evidentemente, não permite concluir que exista proteção indevida. Decisões judiciais precisam ser examinadas pelo conteúdo e pela fundamentação, não por simpatias políticas. Mas justamente por isso deveriam receber escrutínio jornalístico rigoroso, transparente e proporcional.

E Nunes Marques?

O ministro também entrou no centro das atenções eleitorais. Foi ele quem determinou o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL depois do episódio envolvendo o registro de filiação ao partido Missão, além de determinar investigação sobre o caso.

Dias depois, Nunes Marques teve papel decisivo em outro processo eleitoral ao desempatar, no TSE, o julgamento que permitiu a candidatura de Marcelo Crivella ao Senado. A decisão ocorreu após liminar anteriormente concedida por André Mendonça.

São fatos públicos. E fatos públicos deveriam ser tratados como fatos públicos — sem blindagem, sem demonização e sem dois pesos e duas medidas.

É aí que a pergunta ganha força política e jornalística: por que determinados personagens são submetidos diariamente a manchetes, especulações, editoriais e vazamentos, enquanto outros parecem ser tratados com uma cautela quase reverencial?

Se a imprensa pretende fiscalizar o poder, precisa fiscalizar todo o poder. Se pretende investigar relações políticas, jurídicas e empresariais, precisa fazê-lo independentemente de quem esteja no centro da história.

Porque o verdadeiro problema não é perguntar se a mídia está protegendo Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques. O problema é quando o leitor começa a ter a impressão de que há personagens para os quais qualquer suspeita vira manchete e personagens para os quais até fatos relevantes são tratados como nota de rodapé.

E essa é uma questão que a própria imprensa deveria responder.

Quem está sendo protegido? Quem está sendo poupado? E, principalmente, por quê?

Enquanto essas perguntas permanecerem sem respostas convincentes, a suspeita de seletividade continuará rondando a cobertura política brasileira — e não será resolvida simplesmente aumentando o volume das manchetes contra os adversários de sempre.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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