Eis uma pergunta que parece saída de uma comédia de costumes do Judiciário: André Mendonça vai pedir à PGR que leve ao plenário o encontro de André Mendonça com Daniel Vorcaro?
A lógica seria impecável — se o personagem não fosse, ao mesmo tempo, o próprio interessado e o protagonista do episódio.
Depois de admitir que se encontrou com Vorcaro antes de assumir a relatoria do caso Banco Master, Mendonça passou a conviver com uma questão incômoda: se o encontro foi absolutamente normal, transparente e irrelevante, por que não colocar tudo às claras e permitir que o plenário examine o assunto?
Seria uma oportunidade extraordinária para transformar o episódio em exemplo de transparência. Bastaria abrir as portas, colocar os fatos sobre a mesa e deixar que os demais ministros avaliassem, sem filtros, sem versões cuidadosamente calibradas e sem aquele confortável silêncio institucional que costuma acompanhar situações inconvenientes.
Mas há uma pequena ironia no caminho: quem vai pedir para o plenário examinar o encontro de Mendonça com Vorcaro? O próprio Mendonça?
Seria quase como o réu solicitar ao tribunal: “Por favor, apreciem com urgência o meu próprio caso”. Uma inovação processual digna de registro.
O ponto central não é presumir culpa de ninguém. É justamente o contrário: quanto maior a controvérsia, maior deveria ser a disposição para esclarecer tudo publicamente.
Afinal, se não há nada a esconder, que venha o plenário.
E que venha também a memória completa dos fatos, as circunstâncias do encontro, quando ocorreu, quem o articulou, o que foi discutido e, sobretudo, qual era a relação entre aquele encontro e a posterior atuação de Mendonça no caso Master.
Porque, convenhamos, há situações em que a melhor resposta para a suspeita não é uma explicação cuidadosamente escolhida.
É abrir a caixa-preta.
Afinal de contas, o que vale para André tem que valer para Mendonça.
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