André Mendonça gosta de se apresentar como o “terrivelmente evangélico” indicado por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal. Mas, quando se observa sua atuação pública, a pergunta que permanece é outra: que tipo de cristianismo é esse que parece tão confortável diante dos interesses do poder?
A toga pode ser preta, a linguagem pode ser jurídica e a retórica pode invocar Deus. Mas nenhum verniz religioso substitui o dever fundamental de um ministro do Supremo: agir com independência, imparcialidade e compromisso com a Constituição.
É justamente aí que a figura do “cristão de Taubaté” ganha contornos de ironia. Porque fé verdadeira não deveria funcionar como selo de autenticidade política, muito menos como salvo-conduto para decisões que beneficiem aliados do grupo que colocou o ministro no cargo.
No fim, o que importa não é o discurso religioso de André Mendonça, mas aquilo que ele faz sob a toga. Cristianismo se proclama com palavras; independência judicial se demonstra com decisões.
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