Categorias
Política

Não, as inúmeras mentiras de Flávio Bolsonaro não colaram. Elas foram estrategicamente retiradas de circulação pela grande mídia

Essa é a diferença que precisa ser explicitada. Não houve uma súbita descoberta da verdade por parte do eleitorado, nem um esclarecimento exemplar promovido pelos grandes veículos de comunicação. O que houve foi algo muito mais conveniente: as mentiras foram perdendo espaço à medida que deixavam de servir à narrativa construída para favorecer Flávio Bolsonaro.

O que ontem ocupava manchetes, chamadas, comentaristas e horas de televisão simplesmente desapareceu. Perguntas incômodas foram substituídas por outras. Contradições foram empurradas para o rodapé. Declarações falsas deixaram de ser confrontadas. E aquilo que deveria permanecer no centro do debate eleitoral foi convenientemente soterrado pelo próximo assunto fabricado pela agenda da mídia.

É assim que funciona a blindagem sofisticada: não é preciso provar que o candidato disse a verdade; basta impedir que o público continue lembrando que ele mentiu.

Flávio Bolsonaro não precisou necessariamente vencer a batalha da narrativa. Em muitos momentos, bastou que seus adversários midiáticos parassem de cobrar explicações. A memória do eleitor foi sendo disputada pela própria avalanche de notícias produzida pelos mesmos veículos que, anteriormente, davam enorme destaque às declarações do candidato.

Mas há um problema nessa estratégia: o eleitor pode até esquecer uma manchete, mas não necessariamente esquece a sensação de que alguma coisa não fecha.

As mentiras não colaram porque eram frágeis. E desapareceram da grande mídia porque continuar insistindo nelas poderia produzir justamente o efeito contrário ao pretendido: transformar contradições em perguntas permanentes, perguntas em desconfiança e desconfiança em rejeição.

Portanto, não confundam silêncio editorial com absolvição eleitoral.

As mentiras de Flávio Bolsonaro não foram desmentidas pela grande mídia; foram simplesmente retiradas de cena. E esse silêncio, por si só, diz muito mais sobre a imprensa que as apagou do que sobre a credibilidade de quem as contou.


Queridos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuar criando conteúdo de qualidade e mantendo esse projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?igsh=YzljYTk1ODg3Zg%3D%3

Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

Comente