A política da extrema direita virou um banquete de traições, no qual os aliados de ontem já disputam o espólio de amanhã. Tarcísio de Freitas, que construiu sua trajetória política sob a sombra do bolsonarismo, agora se movimenta para ocupar o espaço de liderança da extrema direita, mirando a Presidência da República em 2030.
Ao se apresentar, segundo essa leitura, como uma alternativa para liderar o campo bolsonarista, Tarcísio expõe a contradição de um grupo que sempre exigiu fidelidade absoluta, mas que, diante da perspectiva de poder, vê seus próprios integrantes calcularem os próximos passos sem esperar a autorização do clã.
É o velho espetáculo da direita devorando a própria direita. Bolsonaro ajudou a construir uma força política baseada na lealdade pessoal, no culto à família e na pretensão de monopolizar a representação conservadora. Agora, o projeto enfrenta uma questão incômoda: quem ficará com os votos, os aliados e a herança política do bolsonarismo quando seus próprios quadros começarem a disputar o comando?
Tarcísio parece olhar para além do clã. E, nessa disputa, a fidelidade de ontem pode se transformar na rivalidade de amanhã.
No fim, fica a velha metáfora, fruto de uma moral elástica: rato comendo rato, enquanto cada um tenta garantir seu lugar no banquete do poder.
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