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Relatório aponta militares comprados pelo garimpo na TI Yanomami no início da gestão Bolsonaro

OUTRO LADO: Funai e Defesa não se manifestaram; documento traz depoimentos colhidos durante operação.

Um batalhão do Exército apreende uma embarcação dentro da Terra Indígena (TI) Yanomami com R$ 2.650 em dinheiro vivo, gramas de ouro, crack, base de cocaína e munições 9 mm. Durante a abordagem, nota-se que o piloto é primo de um dos soldados presentes na operação.

A ligação entre os militares e os alvos das operações é narrada em outras situações, conforme descrito em dois relatórios preliminares de inteligência da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) feitos em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro (PL), e aos quais a Folha teve acesso.

Os documentos apontam uma relação próxima entre integrantes do Exército que atuavam em Roraima e o já então crescente garimpo ilegal do território Yanomami, hoje em estado de emergência.

Elaborados no âmbito da 5ª fase da operação Ágata —executada no segundo semestre daquele ano para a criação de uma barreira de controle no baixo rio Mucajaí (a oeste da capital Boa Vista)—, os documentos trazem entrevistas com pessoas encontradas durante as ações, mas não chegam a aprofundar a apuração dos fatos narrados.

Os relatos dão conta de que garimpeiros tinham relação de parentesco com militares do Sétimo Batalhão de Infantaria da Selva (BIS), que por sua vez vazavam informações sobre operações de combate à atividade ilegal e permitiam a circulação de ouro ou drogas mediante pagamento de propina.

A Folha questionou a Funai e o Ministério da Defesa sobre quais providências foram dadas às informações colhidas durante a incursão e se as denúncias foram apuradas, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. O Exército Brasileiro afirmou, por meio de sua assessoria, que tal demanda não lhe compete.

A situação dos Yanomami voltou aos holofotes após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Roraima, quando foi decretado estado de emergência na saúde da TI após quase 600 crianças morrerem e centenas serem diagnosticadas com desnutrição, malária, pneumonia e outros sintomas relacionados ao impacto do garimpo ilegal na região.

*Com Folha

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Bolsonaro se torna presença ‘tóxica’ nos EUA e é evitado por apoiadores famosos

Imóvel vira ponto de peregrinação de eleitores, mas ex-presidente não tem se encontrado com partidários, segundo a Folha de S. Paulo.

Hospedado nos Estados Unidos há quase um mês, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem se isolado e é evitado por apoiadores famosos ou partidários de expressão.

Bolsonaro viajou para os EUA em 30 de dezembro de 2022, um dia antes de deixar a Presidência, e, rompendo uma tradição democrática, não passou a faixa presidencial para seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele tomou um avião presidencial e seguiu para Kissimmee, cidade na região de Orlando a poucos minutos dos parques da Disney, onde levou a família para uma casa de férias que pertence ao ex-lutador de MMA José Aldo, em um condomínio fechado.

No imóvel, de oito quartos, tem vivido uma situação contraditória.

O local virou ponto de peregrinação de eleitores, que viajam de diferentes partes do país para tirar uma foto com o ex-presidente. Ao mesmo tempo, no entanto, o ex-presidente não tem se encontrado com partidários ou famosos que apoiaram sua eleição.

Quando o ex-presidente viajou aos Estados Unidos, havia a expectativa de que se encontraria com o ex-mandatário americano Donald Trump, que também levantou suspeitas sem provas contra o resultado das eleições e viajou para Flórida para não participar da posse do sucessor, o democrata Joe Biden.

Esperava-se inclusive que Bolsonaro fosse à tradicional festa de fim de ano no resort do republicano, Mar-a-Lago, em Palm Beach, a menos de três horas de carro de onde está o brasileiro.

Mas, até agora, nem Bolsonaro nem seus filhos se encontraram com Trump ou com sua equipe, segundo um aliado próximo do republicano que tem contato com os Bolsonaro.

Outro assessor de Trump disse que não soube que Bolsonaro foi convidado para o Réveillon em Mar-a-Lago —na ocasião, Bolsonaro afirmou a aliados que desistiu de participar porque sua esposa, Michelle, estava cansada da viagem.

Os dois ex-presidentes tiveram boa relação no período em que conviveram no governo (2019 e 2020), e Trump gravou vídeos pedindo votos para Bolsonaro nas eleições do ano passado.

Duas das mais prolíficas apoiadoras do ex-presidente na Câmara, as deputadas Bia Kicis e Carla Zambelli, viajaram a Miami na última semana e também não se encontraram com Bolsonaro, segundo afirmaram à Folha.

“Eu fiquei só três dias em Miami, mais encontrando amigos”, disse Kicis, afirmando que viajou aos Estados Unidos para participar de uma marcha antiaborto em Washington.

Zambelli, que fez o mesmo roteiro entre Miami e Washington, afirmou à reportagem que não procurou o ex-presidente no período em que esteve na Flórida. Com relações estremecidas com Bolsonaro desde a eleição, ela afirmou que não foi a Orlando porque estava no país de férias, com o marido e filhos.
Bolsonaro nos EU

Outro apoiador passou todo o mês de janeiro em uma casa no mesmo condomínio do ex-presidente sem encontrá-lo. O apresentador do SBT Ratinho tem um imóvel a menos de dez minutos a pé da casa onde Bolsonaro está hospedado.

Ratinho fez campanha para Bolsonaro em 2022, mas disse à Folha que não visitou nem tinha interesse em visitar o ex-presidente.

“Eu passei pela casa dele várias vezes, e toda vez que eu passei ali ou era na minha saída ou na minha entrada. E coincidia com aquele horário mais ou menos que ele sai para a rua. E daí tem muita gente, eu não cheguei nenhuma vez perto dele”, afirmou.

“Acho que ele está aqui descansando, acho que veio para se afastar das pessoas, por que eu iria lá incomodar? Tem [muita gente lá na porta], mas são os fanáticos, aqueles que não têm oportunidade de falar com ele. Eu tenho a oportunidade de falar com ele a hora que eu quiser.”

Orlando é destino certo de famosos no verão brasileiro, que vão à cidade sobretudo para visitar os parques da Disney. Nesta semana, por exemplo, estavam na cidade desde artistas como Juliana Paes e Claudia Leitte até o padre Fábio de Melo.

Um brasileiro que convive com essas celebridades na cidade afirmou à Folha que mesmo artistas simpáticos ao ex-presidente têm fugido de encontrá-lo desde que ele perdeu a eleição, mas sobretudo após os ataques em Brasília em 8 de janeiro.

A avaliação é a de que sua figura agora tem sido considerada “tóxica” e que não é um momento positivo para ter uma foto ao lado de Bolsonaro.

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Bolsonaro gastou R$ 116 mil com hotel e restaurante em visita de 1 dia a MT

Breve passagem por Sinop e Sorriso, falando com público do agro e incentivando contaminação pela Covid, custou fortuna inexplicável paga com cartão corporativo.

Na esteira da divulgação dos gastos astronômicos realizados com o cartão corporativo da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a reportagem da Fórum teve acesso às despesas da equipe do ex-ocupante do Palácio do Planalto durante uma visita de menos de um dia que ele fez ao estado do Mato Grosso, em 18 de setembro de 2020, no ápice da primeira onda da pandemia da Covid-19. A passagem de Bolsonaro se deu pelos municípios de Sinop e Sorriso.

Aquele dia, diante de representantes do agronegócio em dois eventos separados, Bolsonaro deu uma de suas declarações mais infames, ao chamar os brasileiros que temiam o vírus mortal de “fracos”, incentivando a contaminação pelo Sars-Cov-2, causador da Síndrome Respiratória Aguada Grave. Sua presença na unidade federativa duraria não mais que uns pares de horas.

“Vocês não pararam durante a pandemia. Vocês não entraram naquela conversinha mole de ‘fique em casa, que a economia a gente vê depois’. Isso é para os fracos. O vírus, eu sempre disse, era uma realidade, e tínhamos que enfrentá-lo. Nada de se acovardar perante aquilo que nós não podemos fugir dele”, disse o extremista que ocupava a Presidência ao publico ruralista.

Bolsonaro chegou pela manhã a Sinop e seu avião precisou arremeter por conta da fumaça causada pelas queimadas na região. Àquela altura, com mais da metade do seu segundo ano de mandato já cumprida, quando o Inpe informava um aumento brutal de 34,5% das áreas desmatadas e queimadas no Brasil, o então presidente disse no encontro que o país era “um exemplo para o mundo na preservação ambiental”. Seu secretário Nacional de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia, ainda chamou o ditador Emílio Garrastazu Médici de “saudoso”, arrematando com a afirmação surreal de que “a Amazônia é do Brasil e dos produtores rurais”.

O habitual show de horrores nas declarações durou pouco, assim como as saudações esfuziantes do setor que durante quatro anos deu amparo econômico às estrepolias do extremista, já que a viagem era curtíssima. Mas um detalhe chama a atenção nas notas fiscais emitidas por conta dos gastos de seus assessores e guarda-costas.

Os dados não mostram qualquer fato ou ato ilegal por parte das empresas que aparecem nas notas, já que até então elas surgem apenas como prestadoras de serviço. O que chama a atenção é o uso descabido e sem qualquer zelo com o dinheiro público por parte dos agentes governamentais.

Só com hospedagem e alimentação na breve passagem por Sinop e Sorriso, mais de R$ 116 mil foram gastos. A torrefação de dinheiro público tem início com pagamentos que, juntos, somam R$ 46.600, entre 17 e 18 de setembro, em diárias do Imperial Palace Hotel, de Sorriso, cuja diária atualmente custa R$ 280. Mas os gastos não param por aí e houve uma estadia ainda mais cara.

No Ucayali Hotel, em Sinop, o cartão corporativo da Presidência da República fez um pagamento de R$ 51.912 no mesmo dia da visita de Bolsonaro, 18 de setembro. Considerado luxuoso para o padrão da região, passar um dia no Ucayali, hoje, sai por R$ 365. Para finalizar a gastança com hotéis, ocorreu ainda um pagamento a uma unidade da rede Ibis em Sinop, efetuado também dia 18, no valor de R$ 4.183. A diária no conhecido hotel de padrão médio, pela cotação atual, fica em R$ 290.

A saga de gastos inexplicáveis para uma viagem tão curta e na qual a presença de seguranças e assessores seria necessária apenas durante sua realização, ou no máximo no dia anterior, ainda teve as “corriqueiras” faturas gordíssimas com alimentação em restaurantes. O cartão corporativo do governo Bolsonaro bancou, no dia de sua presença no local, uma despesa de R$ 14.120 no Restaurante Comendador Vicente, em Sinop, fechando a conta paga pelos cofres públicos numa visita efêmera do ilustre ídolo político venerado na região.

*Com Forum

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