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Palantir: a empresa mais perigosa do mundo

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. (Imagem em destaque: Adrián Astorgano / El Salto)

A Palantir combina ferramentas de controle, a lucratividade da guerra e ideologias totalitárias em uma série de produtos que se espalharam por todo o planeta

inferno se abateu sobre a escola Shajareh Tayyebeh, em Minab. Era sábado, 28 de fevereiro de 2026, dia letivo no Irã. As aulas haviam sido suspensas devido aos bombardeios americanos, mas centenas de pessoas permaneciam no prédio, esperando que os alunos fossem buscados por suas famílias. Era um processo demorado, já que muitas meninas e meninos moravam nas aldeias vizinhas e precisavam esperar a chegada dos veículos vindos das áreas rurais. Três mísseis Tomahawk atingiram a escola de Minab, causando 175 vítimas fatais, a maioria delas crianças.

Shajareh Tayyebeh é o cenário do primeiro suposto crime de guerra da Operação Fúria Épica lançada pelos Estados Unidos e Israel. Conforme admitiram fontes do exército norte-americano, cuja administração a princípio negou o ataque, tratou-se de um erro. O software utilizado para a classificação de alvos havia identificado aquela escola infantil como uma infraestrutura militar. Assim estava designada desde 2013 e ninguém — nem humano, nem máquina — havia alterado a classificação daquele centro, que há muito tempo era independente do prédio militar adjacente.

Um software de comando e controle chamado Maven, que tem como base a hipótese de que a rapidez na tomada de decisões é determinante para a vitória em uma guerra, selecionou a infraestrutura civil e os humanos endossaram a decisão de bombardear a escola. Trata-se de um sistema de inteligência artificial utilizado pelo Pentágono para análise de inteligência, vigilância e planejamento de ataques.

Outras investigações indicam que o Maven também foi a ferramenta por trás da operação de sequestro de Nicolás Maduro lançada pela Casa Branca em 3 de janeiro de 2026. Em 21 de março de 2026, três semanas após o massacre de Minab, a Reuters informou que um memorando do Pentágono estabelecia o Maven como o sistema militar central dos Estados Unidos. Por trás do Maven está a Palantir ou, como a qualificou Robert Reich, ex-secretário do Trabalho no governo Obama, “a empresa mais perigosa da América”.

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. A CIA seguiu o instinto de Peter Thiel e Alex Karp, fundadores da Palantir, que perceberam que os ataques de 11 de setembro de 2001 poderiam ter sido antecipados com uma infraestrutura capaz de apresentar, de forma simples e operacional, os dados que já estavam nas bases das principais agências de inteligência do país.

Foi assim que a Palantir cresceu e, por meio dos softwares Gotham (para instituições de controle) e Foundry (para empresas), expandiu-se por todos os pontos do “Ocidente” com uma aposta baseada no domínio. A empresa fornece sistemas que permitem às agências governamentais acessar um panóptico de vigilância e, uma vez estabelecida nelas, torna-se parte indispensável da gestão política do Estado, contribuindo para uma base de obscuridade e invisibilidade das decisões que evita a prestação de contas democrática.

Em 18 de abril, o cofundador da Palantir, Alex Karp, e Nicholas W. Zamiska, chefe de assuntos corporativos da empresa, lançaram um manifesto por meio da rede de extrema direita X, o que colocou a empresa como tema de conversa em todo o mundo. Baseado no livro A República Tecnológica: Poder Bruto, Pensamento Fraco e o Futuro do Ocidente, escrito por Karp e Zamiska e publicado em 2025, o manifesto gerou milhares de posts e artigos, mas também teve um impacto colateral entre os funcionários da empresa. “Era supostamente nós que deveríamos impedir muitos desses abusos. Agora não os impedimos. Parece que estamos os promovendo”, explicava um desses funcionários à revista norte-americana Wired.

Mas, acima de tudo, o manifesto colocava em primeiro plano alguns dos discursos que Karp tem defendido nos últimos anos. Sua hipótese é que a sociedade americana se tornou medíocre, que a “psicologização da política moderna” é um desvio do caminho correto e que a indústria tecnológica tem se orientado para satisfazer esse conformismo, o que fez com que os EUA ficassem para trás na corrida armamentista e na defesa da nação, algo com o que o manifesto se inicia. Para isso, sugerem o retorno do serviço militar obrigatório e a primazia que os EUA devem ocupar na “dissuasão baseada em IA”. Outro dos elementos que levou o manifesto a ser descrito como “os delírios de um supervilão”, é um forte viés supremacista, explicitado em frases como “algumas culturas produziram avanços vitais; outras continuam sendo disfuncionais e regressivas”.

Expandida por todo o mundo
Somando os contratos obtidos do Departamento de Segurança Interna, do Departamento de Defesa e do Pentágono, a empresa obteve 1,8 bilhões de dólares em receitas provenientes do governo dos EUA em 2025. 55% da receita da Palantir depende desses contratos, o que demonstra a imbricacão do atual governo Trump, suas políticas de choque e a posição monopolística que a empresa de Thiel e Karp está ocupando no atual processo de acumulação militarizada. A Palantir é proprietária de um software que está forjando as bases do novo Estado policial norte-americano, conforme descrito por Robert Reich. Na sequência do manifesto da Palantir, os autores Arnaud Miranda e Gilles Gressani descreveram como “por trás do vocabulário republicano, se desenrola uma estratégia que pode ser resumida em uma fórmula: transformar o Estado em uma filial de sua própria infraestrutura digital, esvaziando assim a soberania de sua dimensão democrática”.

O Ministério da Defesa espanhol, o serviço de inteligência francês ou sistemas como o de saúde e o de dissuasão nuclear britânicos contrataram os serviços da Palantir, que também se ofereceu para gerenciar, a baixo custo, sistemas logísticos de distribuição de ajuda por parte de ONGs. Uma experiência que agora serve para a gestão das batidas migratórias realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) por meio do programa ImmigrationOS fornecido pela empresa de Thiel e Karp.

A jornalista especializada em tecnologia e direitos humanos Marta Peirano explica que a base do poder acumulado pela Palantir é a gestão privada de dados fornecidos por órgãos públicos. A partir dessa análise e apresentação, a empresa propõe modelos algorítmicos de tomada de decisão que oferecem soluções aparentemente técnicas. Em terceiro lugar, a Palantir treina seus modelos de inteligência artificial com base nos dados e na experiência coletados, de modo que, embora a empresa afirme não acumular esses dados, na prática eles se tornam o combustível que alimenta seu produto.

Em toda a cadeia de decisões, há considerações éticas sobre privacidade e os vieses empregados nessas segmentações que despertam a atenção de defensores dos direitos humanos em todo o mundo. Há uma “delegação de funções e responsabilidades por parte do governo”, detalha Peirano, que transforma a empresa em um ator privilegiado no comando de instituições, a priori, sujeitas ao escrutínio democrático. Como alertou o pesquisador francês Olivier Tesquet, coautor de Apocalipsis Nerd, por meio dessa posição de poder na tomada de decisões, a Palantir aspira se tornar “o sistema nervoso da próxima ordem mundial”.

O anticristo e o transumanismo
Uma empresa perigosa requer fundadores perigosos. Na campanha de 2016, Thiel foi um dos grandes doadores de Trump, o primeiro dentro do até então nominalmente liberal Vale do Silício. Posteriormente, tornou-se o grande patrocinador do agora vice-presidente dos EUA, JD Vance. Após a vitória da chapa formada por Trump e Vance em 2024, Thiel colocou parte de sua comitiva em cargos-chave do governo americano. Outra figura fundamental do governo Trump, o porta-voz e vice-diretor do Gabinete de Políticas da Casa Branca, Stephen Miller, possui uma participação de várias centenas de milhares de dólares na Palantir.

O fundador da Palantir soube enxergar o potencial de Donald Trump como acelerador das tendências pós-democráticas necessárias para seu projeto político. Seu credo está relacionado ao do Iluminismo Negro. Baseia-se na preeminência dos monopólios, monarquias corporativas, destinadas a governar cidades ou territórios fora do princípio democrático. A ideia foi colocada em prática em ilhas como Roatán — cedida pelo governo corrupto de Juan Orlando Hernández, em Honduras — onde o município de Próspera é uma “zona de emprego e desenvolvimento econômico” fundada em 2017 com o dinheiro de uma série de tecnooligarcas, entre os quais se encontra Thiel. Próspera prefigura um plano muito mais ambicioso: o controle das populações por meio da tecnologia e da vigilância e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento das criptomoedas como ferramenta de controle por meio da economia. Mutatis mutandis, é o mesmo plano apresentado por Jared Kushner para a “nova Gaza”.

A Próspera tem sido, também, um pequeno laboratório de experimentação clínica, seguindo o principal desejo de transcendência que move Thiel e outros investidores como Sam Altman (ChatGPT) ou o investidor Marc Andreesen, seguidores das filosofias TESCREAL. Essa sigla, popularizada de forma crítica pelo filósofo Emile P. Torres, abrange uma série de vertentes de pensamento, entre as quais se destacam o transumanismo e o longoprazismo, nos quais Thiel milita ativamente.

Essas ideologias coincidem em um ponto-chave: a extinção dos seres humanos pode se tornar um dano colateral da chegada dos indivíduos pós-humanos, uma ideia defendida por Thiel, entre outros. Como Torres observou a respeito do longoprazismo no podcast Utopía X: “Vejo o longoprazismo como um movimento a favor da extinção que, como tal, representa uma ameaça significativa e de curto prazo para nossa espécie, porque os longoprazistas não estão interessados só em criar pós-humanos em algum momento, mas querem criar pós-humanos o mais rápido possível”.

Da Escola de Frankfurt à Escola de Minab
O segundo nome mais conhecido da Palantir é o de Alex Karp, CEO da empresa. Ao contrário de Thiel, Karp remete-se à tradição filosófica europeia, em princípio distante do milenarismo profético que caracteriza o primeiro. Influenciado por Jünger, Habermas e a Escola de Frankfurt, Karp mudou de um discurso que inicialmente era entendido como “a esquerda da Palantir” para um pensamento que identifica dois inimigos fundamentais.

Em primeiro lugar, os inimigos do que eles chamam de “Ocidente”, ou seja, a Rússia, o Irã e, sobretudo, a China. Em segundo lugar, o chamado “vírus woke”, com o qual a extrema direita classifica a esquerda defensora dos direitos humanos. Como resume Tesquet, para Karp “as democracias estão perdendo uma espécie de guerra de civilizações contra seus adversários autoritários, não porque lhes falte talento, mas porque seus engenheiros se tornaram apreensivos demais para colocar suas habilidades a serviço do poder militar”.

De origem judaica, o fator que desencadeou o discurso mais violento por parte de Karp foi o genocídio perpetrado por Israel em Gaza, no qual a Palantir participou orgulhosamente, conforme confirmou o próprio CEO da empresa.

Os assassinatos extrajudiciais fazem parte dos danos com os quais a civilização deve arcar, segundo a ideologia exposta por Karp, que se inspira cada vez mais em uma fonte alemã radicalmente distinta das de Frankfurt, como é o pensamento do jurista do Terceiro Reich Carl Schmitt a respeito da dicotomia amigo-inimigo, na qual os Estados se baseiam para sua maior prosperidade. Em uma reviravolta inusitada, o manifesto publicado em abril por Karp e Zamiska fazia uma referência às potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial, em seu ponto número 15: “O desarmamento da Alemanha foi uma correção excessiva pela qual a Europa agora está pagando um alto preço. Um compromisso semelhante e altamente teatral com o pacifismo japonês, se mantido, também ameaçará alterar o equilíbrio de poder na Ásia”.

Como concluiu Olivier Tesquet, a Palantir ocupa um lugar central na biopolítica do capitalismo tardio, decidindo quem deve viver — inclusive, seguindo o credo de Thiel, que tipo de seres pós-humanos devem sobreviver à espécie homo sapiens — e quem deve morrer, em uma aposta pela necropolítica de difícil reversão. Para revertê-la, conclui Peirano, não basta acabar com a crescente dependência que os Estados ocidentais adotaram em relação à Palantir, mas será necessário destruir as bases de dados acumuladas por essa empresa, uma empresa que aspira criar uma espécie de Razão Tecnológica de Estado, uma versão acelerada e privada das tendências autoritárias latentes nas democracias liberais.

*Opera Mundi

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Tecnologia

Inteligência artificial inflaciona preços apesar da promessa de reduzir custos

Estudo revela que algoritmos de “preço por vigilância” exploram dados pessoais para cobrar o máximo que cada consumidor aceita pagar

A narrativa dominante das últimas décadas prometia um futuro onde a inteligência artificial (IA) seria a grande equalizadora: tecnologias mais eficientes reduziriam custos operacionais, barateariam produtos e facilitariam a vida do cidadão. No entanto, a realidade de 2025 e 2026 aponta para uma distorção perigosa desse roteiro.

Em vez de repassar economias ao consumidor, grandes corporações estão utilizando a IA para implementar sistemas sofisticados de discriminação de preços, gerando uma inflação oculta e personalizada.

O fim do preço único e o surgimento da “vigilância de preços”

O The New York Times publicou editorial intitulado “Goodbye, Price Tags. Hello, Dynamic Pricing” [Adeus, etiqueta de preço. Olá, preço dinâmico], alertando que a tradicional etiqueta fixa pode desaparecer. O preço passa a variar em tempo real conforme demanda, perfil e contexto.

O conceito tradicional de etiqueta de preço, que representava um acordo tácito de valor igual para todos, está sendo substituído pelo dynamic pricing (preço dinâmico) turbinado por algoritmos. Segundo uma investigação da CBS News, plataformas como a Instacart foram flagradas cobrando valores diferentes pelo mesmo produto no mesmo dia, com variações de até 23%. Não se trata de erros ou promoções aleatórias, mas de um sistema intencional. Após investigação e pressão pública, a empresa anunciou o fim dos testes com precificação algorítmica baseada em IA.

Reportagem da Al Jazeera detalhou esse fenômeno de “Surveillance Pricing” (Preço por Vigilância). Diferente da precificação dinâmica tradicional, baseada na oferta e demanda geral, a vigilância de preços analisa o perfil individual do consumidor. Trata-se do uso de dados pessoais — comportamento de navegação, localização, dispositivo, histórico de compras — para estimar a disposição máxima de pagamento de cada consumidor.

Um relatório da Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA, divulgado em janeiro de 2025, detalhou como empresas coletam dados granulares — desde o tipo de dispositivo e nível da bateria até movimentos do mouse e histórico de navegação — para calcular o “ponto de dor” (pain point) de cada cliente: o valor máximo que ele está disposto a pagar antes de desistir da compra. O resultado: o preço deixa de ser universal e passa a ser personalizado.

“A tecnologia não observa só o mercado, ela observa você”, alerta a análise baseada em dados da CNN Brasil, que aponta que o uso de IA nas empresas saltou de um terço para quase dois terços das organizações globais em 2024, motivado primariamente pela redução de custos operacionais e maximização de receita, não por benefício social.

Companhias aéreas e a reação política

O tema ganhou repercussão após a Delta Air Lines informar que parte de suas tarifas domésticas já é determinada por sistemas baseados em IA. Senadores democratas questionaram se a tecnologia poderia elevar preços até o “ponto de dor” individual do passageiro, segundo a Reuters.

A Delta negou uso de dados pessoais para discriminação tarifária. Ainda assim, legisladores apresentaram projetos para restringir a personalização algorítmica de preços.

Em 2025, 51 projetos de lei em 24 estados americanos passaram a discutir limites à precificação automatizada.

A exploração da vulnerabilidade: bateria baixa, preço alto

Um dos exemplos mais controversos dessa nova lógica é a exploração de sinais de urgência e vulnerabilidade do usuário. Relatos investigados pelo India Today e pelo jornal belga La Dernière Heure indicam que usuários de aplicativos de transporte como o Uber pagaram tarifas significativamente mais altas quando seus celulares estavam com bateria baixa.

A hipótese levantada por especialistas em economia comportamental, citada pela Reuters, é que os algoritmos identificam que um usuário com 10% de bateria tem menos capacidade de esperar ou comparar preços, estando, portanto, mais propenso a aceitar um valor elevado.

Embora a Uber negue utilizar o nível da bateria como fator direto, seu ex-chefe de pesquisa econômica, Keith Chen, admitiu em entrevista à NPR que a empresa sabia que usuários com pouca carga aceitavam o “preço de pico” com mais frequência, um dado psicológico valioso para a modelagem de algoritmos de lucro.

Veículos brasileiros de imprensa, como o UOL, realizaram testes para verificar esta ocorrência e não observaram a variância de preços denunciada em outros países. Mesmo sem comprovação definitiva, relatos recorrentes reforçam a percepção pública de opacidade.

Eficiência corporativa vs. custo social

A contradição central reside nos resultados financeiros das empresas versus o bolso do consumidor. Um relatório da Boston Consulting Group (BCG), citado pela Exame, revela que as empresas líderes em adoção de IA registram crescimento de receita 1,7 vezes maior e redução de até 40% nos custos operacionais em comparação aos concorrentes. A McKinsey corrobora que quase 80% das empresas globais já utilizam IA generativa visando ganhos de escala.

No entanto, essa eficiência interna não se traduz em preços menores nas prateleiras. Pelo contrário. Estudos acadêmicos publicados na American Economic Review demonstram que algoritmos de precificação podem aprender, sem comunicação direta entre empresas, a manter preços “supracompetitivos”.

Com isso, eles estabilizam valores altos automaticamente, reduzindo a concorrência real. Esse efeito preocupa autoridades antitruste porque não há acordo explícito entre empresas, mas o resultado econômico se assemelha à colusão.

Como aponta a análise do canal Futuro Econômico, a IA tornou-se a ferramenta perfeita para a lógica da ganância corporativa: reduz custos internamente, justifica aumentos externamente sob a desculpa de “investimento em tecnologia” e opera numa zona cinzenta onde a intenção humana de cartel é difícil de provar juridicamente.

A reação regulatória e o futuro do consumo

Diante do cenário onde consumidores pagam mais por serviços muitas vezes inferiores e menos humanos, legisladores começam a reagir. A Reuters informa que, apenas em 2025, 51 projetos de lei foram introduzidos em 24 estados dos EUA para regular a precificação algorítmica. Nova York já proibiu a precificação personalizada não divulgada, e a União Europeia, através do Digital Markets, Competition and Consumers Act, estabeleceu multas de até 10% da receita global para práticas enganosas de preços digitais.

O Financial Stability Board (FSB), órgão ligado ao G20, alertou em 2025 que a adoção massiva de modelos semelhantes de IA pode gerar riscos sistêmicos e comportamento de “rebanho” nos mercados.

De acordo com o Vermelho, o Bank for International Settlements (BIS) defendeu atualização urgente das capacidades regulatórias diante do avanço da tecnologia.

Apesar dos esforços regulatórios, o desafio é técnico. Ferramentas de device fingerprinting permitem que as empresas contornem medidas básicas de privacidade, como navegação anônima ou limpeza de cookies.

O paradoxo econômico: eficiência interna, inflação externa?

Há uma tensão central:

  • Internamente: empresas relatam cortes de custos e aumento de margens.
  • Externamente: consumidores enfrentam preços crescentes e menos transparência.
  • Economistas observam que, quando ganhos de eficiência são apropriados majoritariamente pelo capital — e não repassados ao consumidor — o efeito pode ser aumento de margem, não redução de preços.

Além disso, o boom de investimentos em chips e infraestrutura de IA tem pressionado cadeias produtivas de tecnologia, elevando preços de eletrônicos e equipamentos, segundo análises de mercado citadas pela imprensa especializada.

A promessa original da IA era simples: produzir mais com menos e baratear o acesso.

Os dados mostram que ela, de fato, reduz custos corporativos e amplia receitas. Porém, a disseminação de precificação dinâmica e personalizada sugere que parte relevante desses ganhos tem sido apropriada pelas empresas sob forma de margem — e não revertida em queda de preços.

Se a tecnologia aumenta produtividade, mas o custo de vida continua subindo, a explicação pode estar menos na inovação em si e mais na lógica econômica que a orienta. A questão central já não é apenas tecnológica, mas estrutural: quem captura os ganhos de eficiência?

A conclusão analítica é clara: a promessa da IA de baratear a vida foi redirecionada. O sistema econômico encontrou na inteligência artificial não um motor de bem-estar social, mas um mecanismo de extração de valor sem precedentes, onde a conta da inovação tecnológica continua chegando, salgada, para as mesmas pessoas de sempre.


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IA é um blefe. Nem é inteligente, menos ainda artificial

Artificial: A IA é criada por humanos, geralmente por meio de algoritmos, redes neurais e sistemas computacionais. Não é algo que ocorra naturalmente, como a inteligência humana ou animal.

Inteligente: A IA pode realizar tarefas que exigem algum nível de “inteligência”, como aprender padrões (aprendizado de máquina), tomar decisões, considerar imagens, processar linguagem natural (como eu faço agora) ou até resolver problemas complexos. Porém, essa inteligência é limitada ao que foi projetada e treinada. Ela não tem consciência, emoções ou intuição como humanos.

Vale notar que o termo “inteligência” na IA é mais técnico e não significa que ela pensa ou sente como uma pessoa. É mais sobre capacidade de processamento e resolução de tarefas específicas.

Essas informações acima são do Grok IA da X e deixa claro que não tem nada de inteligente e artificial nisso.

Ou seja, informação manipulada e propaganda enganosa massificadas viram verdades absolutas para a IA.

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Grok, o robô de Elon Musk, disse que votaria em Lula em 2026

O Grok, a inteligência artificial de Elon Musk, afirmou que provavelmente votaria em Lula nas eleições presidenciais de 2026. A resposta foi dada a um usuário do X, que questionou qual seria o voto da IA se fosse um cidadão brasileiro.

“Se eu fosse um cidadão brasileiro, provavelmente votaria em Lula para a presidência em 2026, por sua experiência em reduzir a pobreza com programas como Bolsa Família e seu foco atual na proteção ambiental. Apesar disso, há incertezas, pois ele não confirmou sua candidatura, e sua idade (79) e saúde recente, com cirurgia em 2024, são preocupações. Outros, como Tarcísio de Freitas, têm ideias diferentes, mais voltadas à economia, mas ele desistiu da disputa. Lula parece a melhor escolha por seu histórico e políticas sociais”.

Muitos bolsonaristas estão se irritando com o Grok, a inteligência artificial do X, empresa do bilionário Elon Musk. Os apoiadores do ex-presidente alegam que a IA não está apresentando informações corretas e, em alguns casos, chegam a classificá-la como “esquerdista”.

A polêmica começou quando bolsonaristas passaram a ser refutados pelo Grok. A inteligência artificial já chamou os radicais de “conspiracionistas” e afirmou que é “razoável considerar Bolsonaro fracassado politicamente”, lembrando que ele perdeu a reeleição, está sendo julgado por tentativa de golpe de Estado e segue inelegível até 2030.

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Apagão cibernético atrasa voos e prejudica serviços bancários e de comunicação ao redor do mundo

Incidente está aparentemente relacionado a um problema global na empresa de segurança cibernética CrowdStrike.

Diversos lugares ao redor do mundo amanheceram nesta sexta-feira (19) com atrasos em voos e problemas em serviços bancários e de comunicação. O problema se deve a um apagão cibernético que estaria relacionado à CrowdStrike, uma empresa que fornece serviços de segurança digital.

No Brasil, diversos usuários relatam problemas ao acessar os aplicativos de bancos, que estariam fora do ar. O site Downdetector, que acusa problemas em canais digitais, apontava reclamações em pelo menos quatro instituições financeiras: Banco Pan, Bradesco, Neon e Next.

As principais companhias aéreas dos Estados Unidos, como American Airlines, United e Delta, paralisaram todos os voos. A JetBlue, que opera majoritariamente voos domésticos nos EUA, segue com as operações normais.

Segundo a rede de TV norte-americana ABC, nenhum voo da American Airlines, United e Delta deve decolar nas próximas horas. Também foram relatados problemas nos maiores aeroportos da Europa e na Índia

Apagão cibernético
Segundo o governo da Austrália, o incidente está aparentemente relacionado a um problema global na empresa de segurança cibernética CrowdStrike.

A CrowdStrike, que fornece serviços de cibersegurança para algumas das maiores empresas do mundo, disse, em comunicado, que está ciente de falhas no sistema operacional Windows relacionada ao sensor “Falcon”.

O apagão, de acordo com as informações iniciais, teria se originado em sistemas da CrowdStrike que utilizam o sistema operacional Windows, da Microsoft.

Outros serviços
De acordo com a agência Reuters, a Sky News, um dos principais canais de notícias do Reino Unido, está fora do ar nesta sexta. Na Austrália, a rede estatal ABC está com a programação totalmente paralisada, e a Sky News Australia está parcialmente fora do ar.

Ainda no Reino Unidos, o serviço de trens também foi afetado. Na Alemanha, cirurgias eletivas foram canceladas em dois hospitais.

Na África do Sul, um dos maiores bancos do país também enfrenta problemas. A Autoridade Aeroportuária de Hong Kong disse que as companhias aéreas mudaram o procedimento de check-in para manual e que voos não foram afetados.

O comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Paris, na França, informou que enfrenta alguns problemas de TI. A venda de ingressos para os jogos, que começam na próxima semana, não foram afetados.

“Ativamos planos de contingência para continuar as operações”, disse em comunicado.

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China lança Internet mais rápida do mundo com velocidade de 1,2 terabyte por segundo

Especialistas chineses de mais de 40 universidades desenvolveram uma rede entre cidades que pode transmitir dados a uma velocidade de 1,2 terabyte por segundo.

O denominado plano de Infraestrutura de Tecnologia de Internet do Futuro da China (FITI, na sigla em inglês), começou em julho.

Na segunda-feira (13), foi lançado oficialmente em uma coletiva de imprensa na Universidade de Tsinghua, depois de funcionar de maneira confiável e passar por todos os testes operacionais.

A rede, entre as cidades de Pequim, no norte, Wuhan, no centro, e Guangzhou, no sul de Guangdong, é composta por aproximadamente 3 mil quilômetros de cabos de fibra óptica, segundo o jornal South China Morning Post.

Wu Jianping, da Academia Chinesa de Engenharia e líder do projeto FITI, explicou que a rede de alta velocidade “não foi apenas uma operação bem-sucedida”, como também oferece à China “tecnologia avançada para construir uma Internet ainda mais rápida”.

Por sua vez, Wang Lei, vice-presidente da Huawei Technologies, observou que a rede é capaz de transferir dados equivalentes a 150 filmes em alta definição em apenas um segundo.

A nova rede chinesa demonstra a soberania e independência tecnológica do país frente aos concorrentes, como EUA e Japão.

*Sputnik