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Brasil tem o 5º maior crescimento do PIB no mundo, mas parte da velha mídia prefere transformar boa notícia em problema

Há algo no mínimo curioso na cobertura econômica brasileira, quando os indicadores vêm ruins, o tom é de alarme; quando vêm melhores do que o esperado, aparecem imediatamente as ressalvas, os asteriscos e as previsões sombrias. O dado positivo precisa quase pedir desculpas por existir.

Nesta terça-feira, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,4%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia cresceu 2%, acumulando expansão de 1,9% em quatro trimestres.

E há um dado particularmente expressivo, considerando 50 países que já divulgaram seus números, o Brasil registrou o quinto maior crescimento do PIB no trimestre. Ficou atrás somente de Irlanda, Indonésia, Angola e Malásia e à frente de economias como Estados Unidos e China.

Isso não significa, evidentemente, que todos os problemas econômicos brasileiros tenham desaparecido. O próprio resultado mostra uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB havia avançado 1,1%. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto os juros elevados continuam sendo apontados como fator de pressão sobre crédito, consumo e investimento.

Mas uma coisa é fazer jornalismo econômico sério, mostrando simultaneamente avanços, limitações e riscos. Outra, bem diferente, é apresentar sistematicamente um resultado objetivamente positivo como se fosse mais uma evidência de fracasso.

É justamente aí que a cobertura de parte da velha mídia merece ser observada com atenção. O problema não está em apontar a desaceleração — ela existe e precisa ser discutida. O problema surge quando a desaceleração passa a ocupar todo o enquadramento da notícia e o dado central, de que o Brasil teve o quinto maior crescimento trimestral entre 50 economias, vira quase uma nota de rodapé.

O jornalismo econômico não deveria funcionar como torcida organizada. Se o PIB cresce, registra-se o crescimento. Se desacelera, registra-se a desaceleração. Se supera as expectativas, isso também é notícia. E se existem problemas estruturais, eles precisam ser apresentados com a mesma honestidade.

O fato concreto, portanto, permanece, o PIB brasileiro cresceu, superou a expectativa do mercado e colocou o país entre os cinco melhores desempenhos trimestrais do mundo no levantamento citado.

Transformar esse dado em propaganda seria tão equivocado quanto transformá-lo em fracasso. O que se espera da imprensa é simplesmente que os fatos sejam tratados como fatos — sem que a preferência política de quem noticia determine quais números merecem destaque e quais devem ser escondidos atrás de uma avalanche de pessimismo.

A economia brasileira tem problemas, como qualquer economia. Mas reconhecer problemas não exige negar resultados positivos. E um crescimento que coloca o Brasil em quinto lugar entre 50 países não deveria ser tratado como se fosse uma tragédia econômica.


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