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Polícia Federal acelera para concluir investigações contra Bolsonaro antes da campanha eleitoral

A Polícia Federal está, segundo o jornal O Globo, intensificando seus esforços para finalizar os inquéritos que investigam supostos crimes cometidos por Jair Bolsonaro (PL). Com o encerramento das investigações previsto para o próximo mês, os relatórios devem ser encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) antes das eleições municipais. A estratégia visa evitar acusações de influenciar o pleito, caso a PGR opte por denunciar Bolsonaro.

Bolsonaro é alvo de pelo menos cinco inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos mais complexos é o das milícias digitais, que abrange a suposta tentativa de golpe de Estado, uma possível fraude no cartão de vacinação contra a Covid-19, e a suspeita de venda e recompra de joias recebidas em viagens oficiais.

Milícias digitais
Iniciado em julho de 2021, o inquérito das milícias digitais investiga a produção e disseminação de conteúdos que atacam as instituições democráticas nas redes sociais. Em março, o ministro do STF Alexandre de Moraes prorrogou o prazo de conclusão do inquérito por seis meses, destacando a existência de “fortes indícios e significativas provas” de uma organização criminosa com atuação digital destinada a atacar a democracia e o Estado de Direito.

Fraude no cartão de vacinação
Em outro inquérito, Bolsonaro e 16 pessoas foram indiciadas por associação criminosa e inserção de dados falsos no sistema de informação do Ministério da Saúde, relacionados à Covid-19. A investigação se intensificou em março, quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu mais diligências para esclarecer se os certificados falsos foram usados para entrada e permanência nos Estados Unidos, onde Bolsonaro viajou no fim de seu mandato.

Esquema das joias
Bolsonaro também é investigado por um esquema envolvendo presentes de alto valor, incluindo joias, supostamente negociados por seus aliados. Esta apuração pode ser a primeira a ser concluída, com agentes da PF retornando recentemente dos EUA com depoimentos, imagens de câmeras de segurança e documentos financeiros. A cooperação com o FBI foi crucial para as diligências em Miami, Wilson Grove (Pensilvânia) e Nova York.

De acordo com as investigações, auxiliares de Bolsonaro venderam ou tentaram vender ao menos quatro itens, incluindo relógios Rolex e Patek Philippe, totalizando US$ 68 mil, equivalentes a R$ 346.983,60 na cotação da época.