Ação ocorreu em águas internacionais no Atlântico e foi confirmada por fontes americanas e pela imprensa estatal da Rússia
Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam nesta quarta-feira (7) o petroleiro Marinera, que transportava óleo de origem venezuelana no Oceano Atlântico. A operação foi confirmada à agência Reuters e divulgada também pela rede estatal russa RT, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.
O episódio representa uma potencial escalada da crise entre Washington, Moscou e Caracas, agravada após o governo de Donald Trump ter decretado embargo a todo o transporte de petróleo e derivados para dentro e fora do país caribenho. Ainda não há detalhes oficiais sobre como se deu a abordagem nem sobre a situação da tripulação.
EUA apreendem petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela
Crédito: Divulgação pic.twitter.com/CzUSscLQ7j
— Agenda do Poder (@agendadopoder) January 7, 2026
Perseguição durou duas semanas
A perseguição ao navio já durava cerca de duas semanas. Em 10 de dezembro, outra embarcação venezuelana havia sido capturada pelos americanos, o que levou diversos petroleiros que estavam no mar a desligarem sistemas de comunicação e a alterarem rotas para evitar novas apreensões.
O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou de nome para Marinera e passou a utilizar registro estatal russo baseado em Sochi, no mar Negro, numa tentativa presumida de obter maior proteção jurídica. Mesmo assim, as forças americanas continuaram o cerco e realizaram a interceptação agora divulgada.
Parlamentares russos acusam EUA de pirataria
Imagens veiculadas pela RT mostram um helicóptero dos EUA circulando a embarcação em meio a uma tempestade, além de um navio da Guarda Costeira tentando se aproximar. Parlamentares russos reagiram, acusando Washington de pirataria e de violar a liberdade de navegação prevista no direito internacional.
A Rússia é, ao lado da China, uma das principais fiadoras do regime chavista da Venezuela. O Kremlin manteve operações petrolíferas extensas no país até 2020 e forneceu bilhões em armamentos entre 2005 e 2013, apoio hoje limitado por causa das sanções impostas a Caracas.
O embargo determinado por Trump tem impacto direto também sobre Cuba, dependente do petróleo venezuelano, e ocorre paralelamente às negociações para encerrar a Guerra da Ucrânia. O endurecimento da posição americana coloca em suspenso tratativas que Vladimir Putin vinha conduzindo com Washington e com líderes europeus em Paris.
Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo
Autoridades dos EUA afirmam que o foco da ofensiva contra Caracas é, além de afastar um governo hostil, garantir acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. O produto venezuelano é considerado de baixa qualidade, mas Trump já anunciou planos de receber milhões de barris e ficar com os lucros de futura revenda.
Após a apreensão do Marinera, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que o bloqueio ao petróleo venezuelano alvo de sanções permanece “em pleno vigor em qualquer lugar do mundo”. A Casa Branca não informou se novas interceptações estão programadas, enquanto a chancelaria russa promete contestar o caso em instâncias marítimas internacionais.
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