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Cadê as explicações de Flavio sobre a lavagem de dinheiro de R$ 134 milhões de Vorcaro para o filme Dark Horse?

Flavio Bolsonaro garantiu que colocaria tudo em pratos limpos, em 30 dias, sobre o dinheiro recebido de Daniel Vorcaro. Tudo esclarecido, tudo explicado, tudo transparente. Pelo menos era essa a promessa. Passaram-se 60 dias, e nada. O senador, adoorado pela milícia carioca, colocou uma fita crepe na boca. Mas existe um pequeno detalhe capaz de transformar toda essa disposição em constrangimento instantâneo, basta alguém pronunciar as palavras “Dark Horse”.

É curioso. Quem vive exigindo explicações, investigações e transparência dos adversários parece considerar esses princípios comicamente imperaticos quando o assunto se aproxima do próprio círculo. Nesse caso, a transparência vira neblina, a objetividade vira silêncio e as respostas entram em programa de proteção à testemunha.

A Dark Horse parece ter se tornado o Voldemort da política bolsonarista, fazendo Flavio virar escravo do seu silêncio sobre essa escancarada lavagem de dinheiro. O assunto que não deve ser nomeado. Quanto menos se fala, acreditam alguns, menos as pessoas perguntam. O problema é que a realidade costuma ser teimosa e não desaparece por decreto, postagem em rede social ou mudança de assunto.

Se tudo está tão claro quanto foi prometido, seria razoável imaginar que responder perguntas fosse a parte mais fácil da história. No entanto, a cada nova oportunidade de esclarecer os fatos, surge uma habilidade impressionante para contornar o tema, mudar o foco ou simplesmente agir como se nenhum crime tivesse sido cometido pelo vigarista.

No fim, a situação produz uma ironia difícil de ignorar. O mesmo grupo político que passou anos transformando a palavra “transparência” em arma de combate parece enfrentar enorme dificuldade quando a transparência bate à sua própria porta. E quanto mais Flávio evita a Dark Horse, mais fortalece a suspeita de que o verdadeiro problema não está nas perguntas que lhe fazem, mas nas respostas que ele prefere não dar.

Ou seja, Dark Horse virou o fantasma do azarão para o “esperto”.

O filme que prometia fantasiar a história de Bolsonaro, virou uma fantasmagórica comédia de Flavio Bolsonaro.


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