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Reinaldo Azevedo – Flávio golpista: o moderado é cabeça de bacalhau da “zelite” sem miolo

Bastou o filho de Bolsonaro cair do “Dark Horse” e tropeçar nas pesquisas para voltar a fazer discurso extremista. Quem está surpreso?

E não é que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL, segue sendo o mesmo golpista que concedeu uma entrevista à Folha em 14 de junho do ano passado, jamais retirada, em que ameaçou o STF com o uso da força? Então não é verdade que essa jaca caiu da jaqueira Jair Bolsonaro? Por incrível que possa parecer, ou nem tanto, Flávio repetiu, nesta terça, as mentiras contadas pelo pai então presidente, em 18 de julho de 2022, pondo em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. Até o público é o mesmo: diplomatas estrangeiros. Quem está surpreso? Eu não.

Parte considerável “dazelite” no Brasil é, para empregar uma expressão que eu mesmo criei, “extremista de centro”. De verdade, compartilha valores da direita mais rombuda e antipovo, mas ou descobriu que isso não pega muito bem em certos círculos ou serve de elemento de mobilização “dessa gente morena” — que ainda desperta medo, mesmo em tempos em que tudo está tão formidavelmente diluído.

Tão diluído, diga-se numa nota à margem, que os dois grandes defensores do capitalismo globalizado são hoje Xi Jinping, disputando a liderança desse tal mundo, e, ora vejam!, Luiz Inácio Lula da Silva — no caso, entre as grandes economias menores. Fim da nota. Retomo.

Sabem como é: extremistas de centro precisam de um extremista de direita moderado… Flávio tentou caber nesse figurino apertado. Não deu. Uma lembrança antes que avance: o candidato ideal dessa turma era Tarcísio de Freitas. Seu nome, note-se, já está sendo (re)lançado para 2030 pelos devotos da Igreja da Cabeça de Bacalhau dos Últimos Dias: o “bolsonarismo moderado”. Dizem existir, mas ninguém viu. O governador de São Paulo é, sim, “um deles”, mas bem mais articulado do que Jair e com mais admiradores “nazelites” do que a “famiglia”.

Por isso Eduardo, espertamente, o alvejou. Escrevi no UOL em 7 de julho do ano passado que o candidato do “Mito” seria alguém do seu sangue porque essa estirpe de valentes preferia perder para Lula a ungir um sucessor fora da linhagem. Sabem como são os nobres… Bingo! “Uzmercáduz” erraram feio e perderam dinheiro. Quem mandou não acreditar neste pobrezinho, não é mesmo?

Pré-“Dark Horse”, tudo caminhava bem para Flávio e mal para Lula, que faz um governo muito melhor do que apontam as pesquisas. Tempos de redes sociais… Mas aí o Zero Um caiu do cavalo.

Aquele que comandava uma súcia que tentava jogar o caso Master no colo do PT e que fingia nem saber direito quem era o dono do banco teve revelado o imbróglio em que pediu nada menos do que e R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para supostamente fazer um filme — tendo, comprovadamente, em companhia de Eduardo, recebido R$ 62 milhões.

A coisa toda desandou. E ele não tinha sido fiel aos aliados. Quando o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, foi alvo de mandado de busca e apreensão, o impoluto Flávio aproveitou para pisar no seu pescoço. E, Agora, não parece que vá arrastar esse partido para a sua aliança. O União Brasil também não quer saber — as duas legendas estão unidas numa federação. Tem-se mostrado um trapalhão. E não! Isso não quer dizer que já é um derrotado. As eleições ainda estão distantes.

MAIS EXTREMISMO

O “Dark Horse” derrubou Flávio à beira da derrota. O diagnóstico da turma barra-pesada da extrema direita é um só: ele está muito manso, muito lhano, muito cordato. Faltaria “bolsonarismo-raiz” nas mensagens que chegam aos eleitores. A tentativa de parecer moderado não estaria dando resultado — como se ele vivesse a má jornada de agora em razão disso.

E Flávio, como se nota, parece ter cedido. Acuado pela pesquisa e por uma massa expressiva de eleitores que cultuam, sim, o vale-tudo, acabou o papo do extremismo de centro.

O pré-candidato voltou a pôr em dúvida o resultado das eleições de 2022, em evento no Espírito Santo (“aqui é Bolsonaro, porra!”); conclamou a que se vote em senadores que façam o impeachment de ministros do STF e, nesta terça, contou mentiras em um evento sobre a compra de urnas, que nunca aconteceu, da Smartmatic, que já foi relacionada a suposta fraude de eleições na Venezuela, o que nem a CIA confirma. Ele está mentindo.

Repete, assim, o discurso do pai — aquele mesmo que, dada a iminência de uma derrota eleitoral, preferiu articular um golpe de estado. Alguma surpresa?

Não para mim. O bolsonarismo é a primeira corrente de opinião de extrema direita da história brasileira verdadeiramente internacionalista. O integralismo se inspirava, sem dúvida, nos fascismos europeus, mas era também bastante “nacional”, fosse porque expressava uma forma de regressismo do capitalismo tardio, fosse porque misturava elementos nativistas a seu ideário que o distanciaram, ainda que não pelo caminho da virtude, de seus inspiradores do Velho Continente. Para ler: “O Integralismo de Plínio Salgado”, de J. Chasin.

O bolsonarismo reproduz o ideário do extremismo reacionário que ainda assombra as democracias mundo afora. Seus respectivos alvos são as instituições, que estariam todas corrompidas e precisariam ser reinventadas.

Ecos desse niilismo retrógrado e com endereço certo — “azelites” oportunistas — estão também, na imprensa. Há alguns editoriais que remontam à Idade da Pedra de qualquer senso de moralidade…

Antes de ser acuado pelo seu passado, Flávio estava em pleno processo de adoção por essas elites. Mas aí veio também o tarifaço. E o que se viu foi a família de joelhos, a oferecer tudo a Donald Trump: das terras raras ao Pix.

Ah, que grande ironia! Coube ou “execrável” (para elas…) Lula defender os interesses da indústria e do agro brasileiros. A família Bolsonaro está é de olho no “green card” e poderia cantarolar o poema de Paulo Leminsky, que Caetano musicou:
“De repente vendi meus filhos/
Pra uma família americana/
eles têm carro, eles têm grana/
Eles têm casa e a grama é bacana/
Só assim eles podem voltar/
E pegar um sol em Copacabana”.

Entreguismo assim nunca se viu nem nos dias que precederam o golpe de 1964. Os militares praticaram todos os crimes que o “anticomunismo de época” os levaram a praticar, mas, ora vejam, a exemplo dos integralistas, conservavam um viés nacionalista. Essa gente começa por vender a honra. Depois dela, resta o quê?

*Reinaldo Azevedo/Metrópoles


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Perdido: Entre o moderado e o radical, Flávio Bolsonaro não encontra seu papel

Aliados que acompanham de perto a pré-campanha de Flávio Bolsonaro têm demonstrado crescente preocupação com a dificuldade do senador em consolidar uma identidade política clara diante do eleitorado. Nos bastidores, a avaliação é que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro oscila entre diferentes personagens e discursos, sem conseguir transmitir uma mensagem consistente sobre o que representa e quais propostas pretende defender.

Em determinados momentos, Flávio procura se apresentar como um político moderado, capaz de dialogar com setores do centro e do empresariado. Em outros, retoma o discurso mais radical associado ao bolsonarismo raiz, apostando na mobilização da base ideológica e na retórica de confronto que marcou os anos de governo de seu pai. A alternância frequente entre essas duas estratégias tem provocado dúvidas até mesmo entre aliados históricos.

Integrantes da campanha admitem reservadamente que a indefinição dificulta a comunicação com o eleitorado. Enquanto uma ala defende a ampliação do diálogo para conquistar votos fora da bolha bolsonarista, outra insiste que qualquer movimento em direção ao centro pode ser interpretado como sinal de fraqueza ou abandono dos princípios que consolidaram o apoio da militância.

A situação se tornou ainda mais delicada diante da necessidade de responder a temas econômicos e sociais. Em algumas ocasiões, Flávio adota um discurso liberal, voltado para o mercado e para a redução da intervenção estatal. Em outras, faz acenos a pautas mais populares e protecionistas, gerando críticas de adversários e questionamentos dentro da própria base de apoio.

Para aliados, o resultado é uma campanha que ainda não encontrou um eixo narrativo capaz de unificar suas diferentes mensagens. A percepção é que o senador tenta agradar simultaneamente públicos distintos, mas corre o risco de não convencer plenamente nenhum deles.

Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que os próximos meses serão decisivos para que Flávio defina qual imagem pretende apresentar ao país. Sem uma estratégia mais coerente e uma linha política facilmente identificável, cresce o temor de que a candidatura permaneça presa a contradições que dificultam sua expansão eleitoral e alimentam a sensação de desorientação já percebida por parte de seus próprios aliados.


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