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Partido de Bolsonaro pagou R$ 2,7 milhões ao Instituto Paraná Pesquisas em 2022

Instituto é o único entre os maiores do país cujas pesquisas trazem cenários de empate técnico entre Lula e o presidente.

O Partido Liberal (PL), do qual faz parte o presidente Jair Bolsonaro, fez pagamentos no valor de R$ 2,7 milhões ao Instituto Paraná Pesquisas no período de janeiro a julho deste ano. A informação é de reportagem da Folha de S. Paulo. O jornal já havia revelado que a empresa assinou um contrato de R$ 1,6 milhão com o governo federal, em março.

O Paraná Pesquisas tem divulgado sondagens sobre a corrida presidencial que mostram um cenário de empate técnico entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que diverge da ampla maioria dos levantamentos feitos por outros institutos.

De acordo com a Folha, foram 20 transferências bancárias entre janeiro e julho, sendo as maiores parcelas em janeiro (R$ 787,5 mil) e fevereiro (R$ 525 mil), utilizando recursos do Fundo Partidário.

O instituto afirmou em nota que “trabalha para diversos partidos políticos” e que “tem feito várias rodadas estaduais de pesquisa nos 26 estados e no Distrito Federal.”

No entanto, entre os 63 levantamentos de intenção de voto registrados pelo Paraná Pesquisas junto ao TSE até o domingo (18), nenhum foi contratado pelo PL. O partido não quis se manifestar.

Chama a atenção que 26 das 63 pesquisas (41%) foi custeada pelo próprio instituto. A prática é criticada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), que entende que ela pode ser usada para esconder eventuais irregularidades, como caixa dois.

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O novo partido criado por Bolsonaro terá o racismo como principal plataforma

Alguém viu Bolsonaro repudiar a atitude racista do Deputado Coronel Tadeu e o discurso também racista do Deputado PM Daniel Silveira? Não.

O espetáculo de discriminação protagonizado pelos dois, repudiado pela maioria dos brasileiros, encontrou eco numa parcela da classe média que não admite que o negro seja um cidadão.

Isso aconteceu no mesmo dia em que a perícia constatou que a bala que matou a menina Ágatha de oito anos, negra, veio da arma de um PM.

O que há de novidade nisso? Nada, em um país onde a injustiça secular contra os negros não é verdadeiramente um assunto em que o Estado trata com a devida urgência, ao contrário, no Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel trata uma questão tão grave como uma aquisição política de seu currículo, pior ainda por se tratar de um ex-juiz. Isso dá a dimensão do racismo no Brasil.

Na verdade, nesta terça-feira (19) tanto o Coronel quanto o PM, que estão deputados, praticamente proclamaram o lançamento do partido de Bolsonaro com múltiplos slogans racistas e querem que os negros aceitem tranquilos o discurso dos dois como oficial, como se fosse uma evolução da sociedade.

Num país sério, os dois sairiam algemados e perderiam os mandatos por crime de racismo, mas ao contrário, como se vê na foto, comemoram no plenário da Câmara dos Deputados o racismo como profissão de fé, dizendo que isso, através de suas interpretações, não é racismo.

Dentro da proposta dos dois o preconceito contra os negros não existe na PM, preconceito muito bem retratado pela obra de Latuff, ignorando que essa força policial multiplicadora de racismo foi criada pelo império para proteger escravocratas contra os escravos. Por isso, no brasão da corporação o desenho de um pé de cana e, outro, de café, é um símbolo claro de que a intolerância com os negros é a principal resposta da aliança do império com os senhores das fazendas de café e cana de açúcar.

Em um país de pouco mais de cinco séculos em que quatro deles a escravidão era oficial, ou seja, o racismo foi incorporado como um dos principais pilares de sua civilização, manter a essência da PM através de seu brasão, é manter o discurso do racismo imperial contra os negros nos dias atuais.

Certamente ninguém vai cobrar dos dois mastodontes racistas que eles tenham capacidade intelectual para entender essa lógica. Por isso, seguiram nas redes sociais produzindo discursos ainda mais racistas para justificar seus atos que, inacreditavelmente, foram praticados dentro da Câmara dos Deputados.

Na realidade, não há qualquer dúvida de que eles falavam em nome do novo partido criado por Bolsonaro do qual os dois certamente serão parte e querem ter o direito de reivindicar a liberdade da intolerância, do racismo e do preconceito sem serem acusados de racistas, assim como a PM ostenta um símbolo de racismo do império em seu brasão, mas não aceita ser considerada uma corporação racista. E assim ela adestra seus feitores em pleno 2019.

 

 

*Carlos Henrique Machado Freitas